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Manuela D’Ávila em entrevista a blogueiros: a economia vai estar a serviço do povo brasileiro ou de interesses internacionais?

Por Pedro Breier

04 de dezembro de 2017 : 11h36

Por Pedro Breier

Na última sexta-feira, dia 1º, Manuela d’Ávila, pré-candidata à presidência do PC do B, concedeu entrevista à blogueiros e jornalistas independentes no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

O Cafezinho esteve presente e perguntou à pré-candidata se não seria interessante, como estratégia eleitoral, posicionar-se à esquerda de Lula, considerando que a mídia hegemônica tentará colocar Lula como o representante da extrema esquerda, como fosse o antípoda de Bolsonaro, o representante da extrema direita, para que Alckmin ou algum candidato inventado seja vendido como o presidenciável de centro.

Em sua resposta, Manuela afirmou o seguinte:

Eu nem sei se esse projeto nacional de desenvolvimento é de extrema esquerda. Para mim ele é um projeto de defesa do Brasil. (…) O centro desse projeto tem relação com o papel do Estado e se a economia vai estar a serviço do povo brasileiro ou de interesses internacionais. Se o Brasil vai ser um país soberano ou se vai ser um país colonizado, de várias formas, por interesses de empresas estrangeiras.

Ela tem toda a razão.

A disputa política eleitoral no Brasil não se dá exatamente em torno de projetos de esquerda ou direita para governar o país.

A nossa direita não quer ver o país e o seu povo crescendo e se desenvolvendo. Não há projeto de desenvolvimento algum por parte do PSDB, DEM ou PMDB.

Seu plano, jamais escancarado, por motivos óbvios, é simplesmente vender patrimônio público à preços módicos para grandes companhias estrangeiras e desregulamentar a economia o máximo possível. Ou seja, colocar a economia a serviço de interesses internacionais, como falou Manuela.

A promessa que José Serra fez à Shell, de mudar a lei que rege a exploração de petróleo no Brasil caso fosse eleito presidente, fala por si.

À esquerda cabe, nesta quadra da história, fazer com que as riquezas produzidas pelo povo trabalhador do nosso país sirvam para melhorar a vida deste mesmo povo, o que deveria ser o básico para qualquer projeto de país.

O sociólogo Jessé de Souza costuma comparar a nossa elite com as das potências europeias e dos EUA.

Segundo ele, as elites estrangeiras historicamente brigaram para que seus países fossem grandes. Não por qualquer tipo de altruísmo ou amor cristão, obviamente, mas para que as próprias elites pudessem manter e expandir o seu poder.

A nossa elite, absolutamente provinciana, sempre buscou manter seus privilégios espoliando o povo do seu próprio país e relegando ao Brasil o papel de colônia, sempre pateticamente servil a interesses estrangeiros.

Haver uma elite de privilegiados, seja em qualquer país, já é um absurdo.

Agora, uma elite que, além de privilegiada, é sabuja e entreguista, como a brasileira, é dose pra leão.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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