Entrevista de Lula à Revista Forum

Sobre o amor

Por Pedro Breier

09 de janeiro de 2018 : 18h41

Por Pedro Breier

O que Jesus, Buda, a física quântica e a teoria da evolução proposta por Darwin têm em comum?

Todos chegaram, por mais estranho que possa parecer, à mesma conclusão: o amor é a resposta.

Comecemos do princípio.

A teoria mais aceita para o início do universo em que habitamos é a do Big Bang, segundo a qual toda a matéria e energia que existe estava, no começo dos tempos, super-hiper-mega-ultra concentrada em um minúsculo ponto.

Após uma espécie de explosão, o universo começou a expandir-se, o que continua fazendo até hoje, cerca de 13,8 bilhões de anos depois do fatídico momento.

Pois bem.

Podemos dizer que o grande ensinamento de Jesus Cristo é o bastante conhecido (mas nem tanto colocado em prática) “Amai ao próximo como a si mesmo”. Para além de fazer todo o sentido se o objetivo é vivermos em paz e harmonia uns com os outros, a dica de Jesus se coaduna, de forma incrível, com as descobertas da ciência ocidental.

Se o universo inteiro esteve todo grudadinho em algum momento, isso significa que ele, o universo, é, na verdade, uma coisa só. Não por acaso, os mestres espirituais ensinam que a percepção de que os outros seres e objetos estão separados de nós e também uns dos outros é uma mera ilusão oriunda da nossa mente.

Se todo o universo é uma coisa só, amar ao próximo como a si mesmo não é apenas um ato altruísta, mas também um gesto inteligente de amor próprio: o próximo somos nós mesmos.

Sidarta Gautama, o Buda mais famoso, disse em um de seus sutras (ensinamento resumido em poucas palavras): “Neste mundo o ódio jamais dissipou o ódio. Somente o amor dissipa o ódio. Essa é a lei, ancestral e inexaurível.”

Pois Charles Darwin e sua teoria da evolução dialogam com o ensinamento amoroso do Buda, vejam vocês.

Na dura competição das espécies pela sobrevivência, aparentemente a cooperação é uma vantagem evolutiva em relação ao egoísmo. E cooperação está tão próxima do amor quanto o egoísmo está próximo do ódio.

Cardumes. Manadas. Colmeias. Formigueiros. A civilização humana. Muitas espécies garantem sua sobrevivência cooperando entre si para formar sociedades extremamente complexas.

Dois pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, criaram, inclusive, um modelo matemático para mostrar como a cooperação surge e acaba prevalecendo sobre o egoísmo durante a evolução (aqui). A cooperação dissipa o egoísmo. O amor dissipa o ódio.

Se a cooperação – e, portanto, o amor – é uma vantagem evolutiva, há algo muito errado em vivermos sob as regras de um sistema chamado capitalismo. Aliás, faz algum sentido o capital, que deveria ser apenas um facilitador de trocas entre os seres humanos, ser o centro do sistema a ponto de nomeá-lo?

Apesar de termos, como espécie, dominado o mundo, o nosso nível de cooperação é ínfimo perto do potencial para cooperar que temos. Os valores martelados na cabeça das pessoas pelo sistema de mídia global são os inerentes ao sistema capitalista: individualismo e competição. O sucesso é para os fortes. O resto que se dane.

O resultado é trágico: milhões de miseráveis, um punhado de nababos e a destruição do planeta a passos largos.

Imaginem a bela sociedade que teríamos caso os valores da cooperação, da fraternidade e do amor fossem ensinados às crianças ao invés daqueles decorrentes do egoísmo.

Olhemos o longo prazo, contudo, e tenhamos esperança.

O círculo dos seres abrangidos pela consideração humana vem aumentando ao longo da história. Começou com os familiares mais próximos, na pré-história, expandiu-se para pequenas comunidades, depois para tribos, para cidades, estados, países.

Em 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos expandiu – apenas na teoria até o momento – os direitos humanos para todos os seres humanos. E não parou por aí. Cada vez mais alastra-se a percepção de que também os animais e a natureza têm o direito de existir em paz.

Parece inexorável, portanto, que acordemos, em algum momento, para a verdade fundamental do amor.

Para que isso se concretize, será necessária muita luta, por paradoxal que possa parecer.

Que em 2018 e em todos os anos daqui para a frente possamos ter força e garra para enfrentar as duras batalhas que virão.

Mas sem jamais perder de vista o que une a espiritualidade e a ciência. O que nos move. O amor.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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19 comentários

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Régis Fernandes Gontijo

10 de janeiro de 2018 às 21h09

não registrei que o artigo e as opiniões do Pedro eu apoio enfaticamente, na quase totalidade. Salvo as divergências de visões religiosas, teológicas e o termo “física quântica”.

em relação ao dilema física quântica X pós-modernismo, sugiro leituras a seguir:

https://jornalggn.com.br/noticia/fisica-quantica-pos-modernismo-e-pos-verdade-por-carlos-coimbra

http://www.physics.nyu.edu/sokal/

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Régis Fernandes Gontijo

10 de janeiro de 2018 às 19h15

Pergunta de um físico aos amigos do Cafezinho, que tanto aprecio e tenho certeza de ser o veículo de esquerda brasileiro no qual mais confio:

O que tudo isso tem a ver com física quântica? Na minha humilde opinião, eu, Régis, professor de física, digo: NADA!

Considero uma *aberração* falar em física quântica sem conhecimentos sólidos de física clássica de nível de graduação! Para quem não sabe do que estou falando, sugiro fazer o enem no final de 2018, SISU 2019 e entrar numa graduação de física. Daqui uns três anos podemos bater um papinho. Isso mesmo, dois anos de física básica com cálculo diferencial e integral, estatística, e por aí vai. Sem isso, desculpem, não vejo como conversar.

Desculpem por ser bastante incisivo mas gostaria de ver a opinião de um físico teórico, da área de Teoria de Campos ou Eletrodinâmica Quântica, quando falarem de física quântica. Qualquer ‘especialista’ quem não seja dessas áreas, desculpem, eu tenho espasmos quando vinculam opiniões pessoais com física quântica.

Física quântica, no pós-modernismo, virou figurinha carimbada de encher a boca de milhões intelectuais. Qualquer coisa é física quântica hoje em dia no senso comum. Menos física quântica. Em suma, a física quântica, dos físicos, não interessa aos intelectuais não físicos. Desculpem, não quis ser grosseiro, apenas realista.

Desculpem novamente a sinceridade mas pra mim é a mesma coisa que eu sair por aí travando todas as discussões aprofundadas que eu tenho certeza que vocês, após anos de estudo, têm muitíssima competência técnica para criticar a lava jato, os golpistas, e por aí vaí. Eu meramente estou convencido de que a lava jato é uma farsa e o estado de direito no Brasil não existe há tempos, mesmo tirando umas duas horas por dia para ler sobre o golpe e com alguma frequência excertos de legislação, de pedidos do MP, de decisões judiciais, etc, etc. Mas estou, seguramente, anos luz de distância de vocês e por isso não me vejo na competência de discutir com segurança, no nível dos editores do Cafezinho, os argumentos políticos, econômicos, sociológicos e jurídicos que estão por trás do golpe. Talvez daqui uns anos, quem sabe…

Um abraço cordial.

Régis Fernandes Gontijo

Responder

    Ricardo Cassiano

    11 de janeiro de 2018 às 10h44

    Caro professor Régis,

    Nos explique então, por favor, o porquê de a física quântica não ter nada a ver com AMOR.
    Desde já agradeço.
    Abraço.

    Ricardo Cassiano

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      Régis Fernandes Gontijo

      11 de janeiro de 2018 às 11h15

      Física quântica não estuda nem se dedica a compreender o amor. A física quântica se importa tanto com o amor quanto qualquer outra área da ciência. Para ser mais específico, a maioria tem preocupação zero. No entanto, isso não impede que as pessoas se amem umas às outras como disse Jesus. E também não impede que as pessoas amem aquilo que fazem, em especial os cientistas, que em suas descobertas, demonstram amor pelo que fazem, e, por consequência, demonstrem seu amor pelas pessoas, pela vida, pelo planeta Terra e também pelo Universo.

      Sugiro ler sobre o embuste de Alan Sokal. Faz uns 20 anos que ele provocou um estardalhaço na comunidade científica das ciências humanas através de um artigo num periódico indexado chamado Social Text. Seis meses depois ele publicou outro artigo explicando como ele enganou facilmente a comunidade das ciências humanas com um suposto ‘artigo’ científico, cheio de ideias estapafúrdias que foram aceitas pelos editores e revisores do periódico. Ele falou sobre física quântica para pessoas das ciências humanas. Ou melhor, ele não falou sobre física quântica. Só tinha termos supostamente científicos e que foram ‘lindamente’ conectados por ideias sem nexo.

      Responder

      Régis Fernandes Gontijo

      11 de janeiro de 2018 às 11h22

      Posso também fazer um paralelo dando palpites em áreas das quais não entendo nada.

      Por exemplo, acabo de criar minha teoria ultrainovadora. Afirmo que as pessoas mais brilhantes e bondosas do mundo provarão, em breve, que uma macroeconômica anticíclica desperta ódio em uma parcela da população porque a vida se processa em ciclos.

      Mas a única coisa que posso afirmar, fora a minha “teoria” acima, é que ela é tão verdadeira quanto dizer qua a física quântica explica ou se preocupa com o amor.

      Responder

      Régis Fernandes Gontijo

      11 de janeiro de 2018 às 12h05

      Um detalhe que gostaria de registrar. Presumo que um bom livro de física quântica seja escrito por um físico da área (de física quântica) e que contenha equações envolvendo derivadas, integrais, estatística, etc. Conheço vários, já estudei alguns deles, obviamente não fui ao limite do conhecimento de nenhum deles apesar de ter avançado razoavelmente bem. Em nenhum deles jamais vi alguma menção às palavras amor, bondade, simpatia, Jesus, Deus. e nem por isso significa que os autores desses livros sejam ateus ou que tenham algum tipo de fobia social.

      Responder

Luís Ribeiro

10 de janeiro de 2018 às 15h39

Textaço, Pedro. Simples e na mosca.
Para contribuir:
Na Teogonia de Hesíodo, quatro são os deuses primordias (que não nascem de outros e dos quais todos os outros nascem): Caos, Terra, Tártaro (o abismo subterrâneo) e Amor.
Na cosmogonia órfica, a noite primeva engendrou o ovo-mundo e, rompida a casca, nasceu amor.
E Heráclito de Éfeso dizia: “se escutares ao logos (universal) e não a mim (ao logos do indivíduo Heráclito), verás que sábio é dizer em consonância com esse lógos: tudo é um”.

Responder

Cláudio

10 de janeiro de 2018 às 04h13

:
: * * * * 04:13 * * * * .:. Ouvindo As Vozes do Bra♥♥S♥♥il e postando:

“A Frente Brasil Popular está organizando um grande encontro de solidariedade ao presidente Lula nos dias 23 e 24 de janeiro em Porto Alegre. Lá reuniremos movimentos sociais e populares, juristas, intelectuais, artistas, partidos de esquerda, e nomes internacionais em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato. Para garantir as condições de infraestrutura e receber as Caravanas que virão de diferentes locais do Brasil, estamos realizando uma vakinha virtual.”… Caso seja de sua livre e espontânea vontade e disponibilidade financeira, acesse o “link” https://www.vakinha.com.br/vaquinha/em-defesa-da-democracia-e-de-lula-ser-candidato-fbp-rs [ou acesse o “site” Vakinha e, lá, na busca interna, procure por EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DE LULA SER CANDIDATO FBP/RS, de Misiara Oliveira] e saiba como contribuir [o valor mínimo de contribuição é igual a 20 reais], “vamos todos às ruas em defesa da democracia!”, diz a frente.

.:.

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Por uma verdadeira e justa Ley de Medios Já pra antonti (anteontem. Eu muito avisei…) ! ! ! ! Lul(inh)a Paz e Amor (mas sem contemporizações indevidas) 2018 neles/as (que já PERDERAM, tomaram DE QUATRO nas 4 mais recentes eleições presidenciais no BraSil) ! ! ! ! !

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Responder

Pablo

10 de janeiro de 2018 às 00h01

Tchurma do cafezinho seria importante é oportuno escrever e descrever mais a respeito da história do BANESTADO essa história é fundamental para a sobrevivência da Democracia da Nação Continental por favor muito obrigado.

Responder

    Elisa de Oliveira Mello

    10 de janeiro de 2018 às 15h15

    Concordo com Pablo. O caso do Banestado necessita maiores esclarecimentos e sua relaçao col a Lava Jato

    Responder

Hell Back

09 de janeiro de 2018 às 23h18

O amor não é só esperança, mas sim a solução para de um mundo melhor.

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Shakur

09 de janeiro de 2018 às 21h28

Não existe amor na mentira….se até nesse texto(com a ideia de fundo positiva)os elementos utilizados para ilustrar a mensagem são frutos da mentira, imagine os maus intencionados…é que o ocidente produziu um das maiores mentiras de todos os tempos, e o que se mente,mata rouba em nome dessa mentira é algo….olha,desculpa, mas hoje se sabe que o universo não esta em expansão, mais uma dessas que o povo escolhido inventou,e os ditos mensageiros do mundo espiritual não são aqueles produtos da mentira ocidental..quem são eles? de onde são eles? como eles eram?….não existe amor na mentira

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    Pedro Breier

    09 de janeiro de 2018 às 21h45

    A expansão do universo é consenso científico e também aceita por muitas linhas espiritualistas. Por que você acha que o universo não está em expansão?

    Responder

      Shakur

      10 de janeiro de 2018 às 09h31

      Se se expande não é o universo, seria algo,uma porção dentro do universo..na verdade ninguem sabe isso, são teorias apresentadas como verdade…talvez, se já se pudesse provar cientificamente, não apenas na teoria, que uma dimensão cresce ou se expande dentro de outra, mas qual seria a dimensão que se expande, e como isso se dá?…ninguem sabe, ou, pelo menos eu não sei e admito isso sem problemas…..bom, a história dos consensos cientificos todos sabem não é?….

      Responder

    Joao

    09 de janeiro de 2018 às 22h36

    o universo não apenas está se expandindo como está acelerando essa expansão.

    Responder

    Antonio Passos

    10 de janeiro de 2018 às 00h32

    Não existe amor é nesse mau humor, nessa vontade de discordar sem motivo plausível, de desvalorizar o que os outros dizem sem sequer ter argumentos sólidos. Evolua.

    Responder

      Shakur

      10 de janeiro de 2018 às 09h38

      Não é possível tratar como mau humor as opinioes diferentes, ou só se é bem humorado com os que concordam com tudo que pensamos?…se entende que a história miseravelmente montada pelo ocidente em termos culturais, religiosos, economicos e tudo mais não é motivo plausível, poxa meu amigo, tenha um bom dia, e cheio de humor….não desvalorizei e sim reconheci o fundo intencional positivo do autor do texto, com argumentos que talvez nem todos queiram considerar sólidos, e nem era essa a ideia mesmo, enfim…..

      Responder

Luisa

09 de janeiro de 2018 às 20h39

Como John Lennon cantou lindamente
Love is the answer and you know that for sure
Love is a flower, you got to let it, you got to let it grow

https://www.youtube.com/watch?v=8dHUfy_YBps

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Guitardo

09 de janeiro de 2018 às 20h23

Amar sem ser amado é como dar o cu sem ser viado!

https://www.youtube.com/watch?v=btElSzIjJPk&

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