Boulos em Recife

A pesquisa Ibope sobre o grau de conservadorismo no Brasil

Por Miguel do Rosário

25 de abril de 2018 : 13h18

No Ibope

Cresce o grau de conservadorismo do brasileiro em alguns temas

Pesquisa do IBOPE Inteligência sobre temas polêmicos revela que o grau de conservadorismo do brasileiro teve ligeiro aumento nos últimos dois anos. Em uma escala de 0 a 1, o índice de conservadorismo do brasileiro hoje é de 0,689, pouco acima dos 0,686 de 2016.

O índice reflete a proporção de brasileiros que apoiam ou não cinco temas: casamento de pessoas do mesmo sexo, legalização do aborto, redução da maioridade penal, prisão perpétua para crimes hediondos e adoção da pena de morte. O valor mais baixo é atribuído ao perfil mais liberal e o mais alto ao perfil conservador.

Em relação ao índice de 2010 (0,657), o primeiro da série histórica, há um crescimento significativo na opinião em relação a algumas questões, especialmente entre os mais escolarizados, os mais velhos, famílias com renda entre 2 e 5 salários mínimos, moradores do Norte e Centro-Oeste e os que não são nem católicos e nem evangélicos.

Outra forma possível de apresentar esses resultados é por meio da classificação do grau de conservadorismos em níveis baixo (índice entre 0,0 e 0,3) médio (0,4 e 0,6) e alto (0,7 e 1,0). Dessa maneira, a proporção da população com alto grau de conservadorismo cresce de 49% em 2010 para 54% em 2016 e chega a 55% em 2018.

A favor x Contra

A defesa da prisão perpétua para crimes hediondos aumenta de 66% em 2010 para 78% em 2016 e mantém o patamar ao ficar em 77% em 2018. A favorabilidade à redução da maioridade penal – para permitir que adolescentes sejam julgados como adultos – começa em 63% passa para 78% e agora é de 73%. O apoio à pena de morte pula de 31% para 49% e chega a 50%.

Metade da população também é contra o casamento homossexual (eram 44% em 2016 e 54% em 2010) e 80% são contra a legalização do aborto (78% em 2016 e 2010).

Conferir a pesquisa completa aqui.

***

Comentário Cafezinho: É interessante notar que, à exceção da questão do casamento homossexual e aborto, os mais pobres são mais progressistas em todos os temas, como pena de morte, prisão perpétua e maioridade penal.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Dilter Folha

26 de abril de 2018 às 09h13

Engraçado essas coisas.
Sou ateu, liberal, anti socialista, acredito do mercado e em uma participação regulatoria do estado mas apoio todas as questões, nao me sonto nem um pouco conservador.
Sou favoravel ao casamento gay, inclusive a adoção, dou favorável ao direito da mulher abortar em qq situação, sou pela pena de morte dos indivíduos abjetos (assassinos, estupradores, serial killers etc), sou pela eutanásia, prisão perpétua e a redução da maioridade para 12 anos.

Dilter

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Ultra Mario

25 de abril de 2018 às 19h57

O cidadão de bem… que quer mandar no pinto dos outros, no útero dos outros, na boca dos outros… depois reclamam que o Brasil não deu certo.

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