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Crédito: Divulgação PSB.

Marcio Lacerda retira candidatura e se desfilia do PSB

Por Miguel do Rosário

21 de agosto de 2018 : 15h11

No O Tempo

Marcio Lacerda retira candidatura e anuncia desfiliação do PSB

Segundo a carta escrita pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, o conchavo entre seu partido e o PT foi o responsável pelo seu impedimento de seguir no pleito

Felippe Drummond Neto | @OTempo
21/08/18 – 13h49

Marcio Lacerda não é mais candidato ao Governo de Minas. Nesta terça-feira (21), o ex-prefeito de Belo Horizonte anunciou a retirada de sua candidatura por meio de uma carta em que também anuncia sua saída do PSB.

Segundo ele, o conchavo entre seu partido e o PT fez com que fosse impedido de seguir no pleito. “A cúpula do PSB e do PT conspiraram para retirar a minha candidatura a governador de Minas Gerais, impedindo a desvinculação definitiva do tradicional papel de braço do PT, desempenhado pelo PSB”, diz trecho da carta.

Entenda. Após se lançar como candidato ao governo Minas Gerais, Márcio Lacerda comprou uma briga com seu próprio partido, o PSB, que havia feito um acordo com o PT em Pernambuco, em que o ex-prefeito de BH abriria mão da disputa pela cadeira do Palácio da Liberdade, para beneficiar o atual governador do Estado, Fernando Pimentel, que tenta a reeleição no pleito deste ano.

Contrário a esta decisão, Márcio desrespeitou decisão da legenda em nível nacional, e lançou candidatura própria nas eleições deste ano. Dessa forma, o PSB de Minas entrou com pedido de impugnação do registro de candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

O julgamento da candidatura de Márcio Lacerda, ao Governo de Minas, está marcado para às 19h, desta terça-feira, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e acontecerá normalmente.

Ainda na carta, Márcio lamenta que tenha ‘perdido’ a batalha contra a velha política. “Os representantes da velha política conseguiram impedir minha candidatura. Minas Gerais precisava de uma terceira via. E a nossa candidatura era, sim, muito viável. Todas as pesquisas divulgadas até o momento apontaram o meu nome com reais possibilidades de chegar ao segundo turno e obter uma vitória. Por isso os grandes interesses agiram dessa maneira covarde.”

Vale destacar ainda, que Márcio Lacerda já havia participado do primeiro debate eleitoral para o cargo, na última quinta-feira (16), realizado na na Band Minas.

Leia a carta na íntegra:

“Dois comandos partidários, de forma antidemocrática e arbitrária, fizeram, na calada da noite, nos porões sombrios dos gabinetes em Brasília, o mais podre dos conchavos políticos. A cúpula do PSB e do PT conspiraram para retirar a minha candidatura a Governador de Minas Gerais, impedindo a desvinculação definitiva do tradicional papel de braço do PT, desempenhado pelo PSB.

Todos sabem que lutei e resisti. Minha indignação não aceitou essa negociata, essa imposição que agride não apenas a minha candidatura, mas a vontade soberana dos mineiros.

No entanto, a impossibilidade do julgamento definitivo do assunto, desenhada nos últimos dias no âmbito da Justiça Eleitoral, conduz esta insegurança jurídica até a véspera do 1º turno, o que me leva a
retirar minha candidatura. Esse prazo alongado dificulta e muito a mobilização de apoiadores e, especialmente, tornará muito fragilizada a situação dos candidatos a deputado do PSB, que estão
contra sua vontade, presentes em duas coligações. Além disso, manter uma campanha eleitoral, muito curta e de grandes desafios como essa, com tamanha indefinição jurídica, poderia prejudicar muito o crescimento que vínhamos detectando nos últimos meses em torno da nossa proposta para Minas Gerais.

Os representantes da velha política conseguiram impedir minha candidatura. Minas Gerais precisava de uma terceira via. E a nossa candidatura era, sim, muito viável. Todas as pesquisas divulgadas até o momento apontaram o meu nome com reais possibilidades de chegar ao segundo turno e obter uma vitória. Por isso os grandes interesses agiram dessa maneira covarde.

Infelizmente essa é a política que ainda impera no Brasil. Sou retirado da disputa esperando, sinceramente, que esse fato deplorável que ocorreu com a minha candidatura sirva de exemplo para ajudar a transformar de fato a nossa política. Não podemos mais deixar que acordos e conchavos de gabinete predominem sobre a vontade popular.

E é essa vontade popular que sustenta a esperança que estava depositada em nossa candidatura. Nos últimos dezoito meses visitei mais de duzentas cidades em Minas, vendo de perto a situação de cada região do estado. Dialogando e ouvindo pessoas de todos os segmentos da população aprofundei meus conhecimentos sobre Minas Gerais e sobre a realidade das pessoas em mais de mil reuniões que participei nesta que eu chamei de peregrinação de aprendizado.

Quero agradecer a todos que nos acompanharam e participaram dessa caminhada. A todos os cidadãos que estavam dispostos a construir uma nova alternativa para Minas e que viam em nossa
candidatura a esperança de algo diferente.

Nas pessoas do meu candidato a vice-governador, deputado estadual Adalclever Lopes, e do meu candidato a senador, deputado federal Jaime Martins, quero agradecer profundamente a todos os
partidos, dirigentes, parlamentares, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, enfim, todos os políticos de bem que estiveram ao nosso lado neste momento e que também estão profundamente indignados.

Desejo boa sorte a todos os candidatos a deputado da coligação Minas tem Jeito, em especial aos do PSB que apoiaram minha candidatura a Governador.

Apesar do sentimento de frustração, digo a todos que esta foi uma experiência extremamente proveitosa. Ouvir de perto os mineiros permitiu a mim, ao lado de outros colaboradores e de lideranças
partidárias que confiaram em nosso projeto, apresentar um programa de governo chamado “Pacto Pela Retomada da Grandeza de Minas”, que está registrado no Tribunal Regional Eleitoral e publicado em marciolacerda.com.br. São ideias e conceitos que permitiriam que Minas Gerais voltasse a olhar para a frente de novo.
Aproveito este comunicado para também anunciar a minha desfiliação do Partido Socialista Brasileiro, ao qual nos últimos onze anos fui filiado, honrando com dignidade seus princípios e valores.

Infelizmente, este conchavo de sua direção nacional terá reflexos ainda mais profundos no PSB e, principalmente, nos olhos de quem enxergava neste partido alguma coisa diferente na vida partidária
deste país.

A política continua sendo o grande instrumento de transformação social no Brasil, mas transformação mesmo precisa acontecer primeiro na forma de se fazer política.

Marcio Lacerda, 21/08/2018”

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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13 comentários

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Trazibulo Meireles

21 de agosto de 2018 às 20h23

Esse Márcio Lacerda foi um fraco prefeito de BH, não tem moral para falar nada. No Brasil não existe candidaturas avulsas, o partido é que prevalece sobre os filiados, portanto esse indivíduo queria ser o tal. Acordo é acordo e os membros do partido têm que cumprir.

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    Sandro

    23 de agosto de 2018 às 07h36

    Petista falando sobre “moral” chega a ser cômico

    Responder

Giordano

21 de agosto de 2018 às 18h38

Aí agora vai cair no braços do boy do Leblon?

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André Romero

21 de agosto de 2018 às 17h50

Eu sou da opinião de que os partidos tem o direito de usarem a estratégia que quiserem, seja o PT ou qualquer outro. Como eu tenho todo o direito de, nas urnas, mostrar o que eu penso dessas mesmas estratégias. Como sempre, dou aqui a minha opinião. Concorde com ela ou não quem quiser.
O Marcio Lacerda tem todo o direito de definir o episódio como ele realmente foi: um conchavo vergonhoso. Passaram a mão na carteira, rifaram o cara na mão grande em nome de uma negociata que nem aliança formal foi. Fizeram o mesmo em Pernambuco.
E agora estão lá fazendo aliança com as mesmas forças que os derrubaram há menos de dois anos atrás. Só com o MDB dos Temers, dos Geddéis e dos Moreiras Francos, são alianças em QUINZE Estados. Incluindo aí gente do quilate dos Renans e dos Eunícios da vida.
Nesse mais recente episódio, talvez não me surpreenda o PT, pois isso é apenas síntese de sua história, sem paixões aqui. Com mais de 50 anos na cara, posso citar vários exemplos desses conchavos eleitoreiros praticados pelo partido – desde a rasteira em Brizola em 1989 (uma punhalada, para ser exato, muito comemorada pelo Sistema), passando pela implosão – aqui no Rio de Janeiro – da candidatura de um dos fundadores do PT, Vladimir Palmeira, para dar passagem a uma inacreditável aliança com o infame Garotinho, outro algoz do meu Rio. Cada Estado importante tem uma história para contar nesse sentido.
Como é sempre bom se apoiar na História, lembro aos camaradas petistas que em 1989, a mesma ‘estratégia’ do PT na época serviu apenas para tirar, por um punhado de votos, um Brizola franco-favorito do 2o turno, em favor de um Lula cru e despreparado, e entregar o Poder de bandeja para Collor de Mello, o candidato do Sistema. Em função da rejeição ao partido na época, ainda que por outros motivos em comparação aos de hoje (de natureza muito mais grave), não houve como o PT ganhar. Depois dessa, as esquerdas só saberiam o que é Presidência com o mesmo Lula quase uma década e meia depois.
Hoje, 29 anos depois, graças a um PT que não aprendeu nada, corremos o grande risco da história se repetir. A conferir em outubro.
Aliás, uma correção: o que me incomoda não é o PT não aprender nada, pois é da natureza deles serem assim. O que realmente me espanta são os eleitores do partido – aquela fração que se diz mais esclarecida e vota ideologicamente – não terem capacidade crítica para entenderem isso, para além de suas paixões.
Como sempre, pagarão eles. E pagarão todos nós a reboque.

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    JOÃO BATISTA

    21 de agosto de 2018 às 18h57

    É isso aí!

    Responder

André Luiz

21 de agosto de 2018 às 16h24

Esse deve ser da ala desagregadora do PSB, que desde a “aventura” de Eduardo Campos, o partido se afastou do perfil de esquerda, traçado na raiz pelo seu fundador Miguel Arraes. essa “aventura”, estimulada por quem queria divisão e enfraquecimento da esquerda, deu no que deu. desmantelou o PSB e enfraqueceu o PT, dando margem pra direita sair do armário, preparar e, enfim, desfechar o Golpe de 2016, e pretender exterminar do imaginário popular a imagem do maior líder político vivo do Brasil atual..

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    JOÃO BATISTA

    21 de agosto de 2018 às 19h01

    Negativo!
    A ala golpista do psb em Minas é a do deputado federal Júlio Delgado, o vencedor da queda de braço dentro do psb.
    Márcio é um homem honrado, que foi um grande prefeito em BH.
    Márcio não precisa desse jogo imundo da política, é um empresário milionário.

    Responder

    JOÃO BATISTA

    21 de agosto de 2018 às 22h43

    Andre Luiz,
    a ala contrária a Márcio no psb é que é golpista.
    Quem ganha com isso, internamente, no psb, é o deputado federal golpista Júlio Delgado, o mesmo que foi relator do processo de cassação do mandato de deputado federal de Zé Dirceu.
    Espero que, após a eleição, o pt dê ao psb o tratamento que merecem os traidores contumazes. Se fizeram uma vez, farão novamente, na primeira oportunidade.

    Responder

CezarR

21 de agosto de 2018 às 15h34

Caminho livre para o Anastasia! Parabéns PT!

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    JOÃO BATISTA

    21 de agosto de 2018 às 15h54

    Em Pernambuco, Armando Monteiro (ptb), que votou contra o impeachment, está empatado, tecnicamente, com Paulo Câmara (psb), que apoiou o impeachment e é apoiado pelo pt, que cassou a candidatura de Marília Arraes (pt) para beneficiar o pessebista.
    Em Minas, a saída de Lacerda beneficia Anastasia (psdb).

    Responder

Justiceiro

21 de agosto de 2018 às 15h34

Márcio Lacerda tem muitos simpatizantes em MG. Agora ele, desfiliado do traíra do PSB, pode ir fazer campanha para Antonio Anastasia. Vai ser primeiro turno em Minas.

Lula ajudou a enterrar a candidatura à reeleição de Pimentel.

thank very much

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    Erivaldo Braga

    22 de agosto de 2018 às 09h29

    Tento entender essa lágica, se há, do PT. Como alguém já disse anteriormente o PT não aprende mesmo. A cada M… que faz so beneficia os candidatos opositores e enterra seus candidatos e coligados. Será que isso não é intencional?

    Responder

      Erivaldo Braga

      22 de agosto de 2018 às 09h32

      Desculpem, a palavra correta seria “lógica”.

      Responder

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