Cafezinho 5 minutos – comentários diários de Miguel do Rosário

As eleições nacionais e o drama de São Paulo

Por Miguel do Rosário

18 de setembro de 2018 : 11h13

No blog Segunda Opinião

O DRAMA CONSERVADOR (E PROGRESSISTA) DE SÃO PAULO
17 de setembro de 2018

O provável desastre eleitoral de Geraldo Alckmin e Marina Silva surpreendeu os conservadores com incômoda opção: descarregar os votos em Ciro Gomes ou em Fernando Haddad. Se a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno se confirmar, nem mesmo os cálculos de marqueteiros (de centro e de esquerda), especulando com a absorção dos votos de Álvaro Dias, João Amoedo, um naco de Marina Silva e, Deus seja louvado, peregrinos bolsonarianos desiludidos, prometem a presença de Geraldo Alckmin no segundo turno.

Impossível não é, bem como a conquista por Haddad do segundo lugar, embora chegando com atraso às fulminantes previsões dos clínicos em opinião pública. Mas, e se nem Jair Bolsonaro, cujas razões de êxito não são esclarecidas pelos xingamentos recebidos em abundância, e nem Fernando Haddad confirmarem as precipitadas loas à genialidade de Lula, como se comportarão os conservadores paulistas? Restrinjo-me aos paulistas porque nunca viveram, senão em 2014, eleição maldita para todos eles, a tensão de optar por um estrangeiro. Contudo, não obstante os fogos de artifício de todos os analistas de esquerda, a possibilidade de decisão no primeiro turno entre Haddad ou Ciro, contra Jair, não é assunto superado, como tenho lido em petistas e tucanos desesperados, para os quais Haddad aparentemente já realizou a mágica, arrebatando o Nordeste, Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, por suposto, além do Acre, Rondônia e Amapá, redutos históricos do PSDB. Pode ser que ocorra, mas não ocorreu, e pode não ocorrer.
A página Poder360 trás resultados de pesquisa com três mil entrevistas em São Paulo e Minas Gerais, no período 9-11 de setembro, dia em que Fernando Haddad foi oficialmente anunciado candidato pelo PT à presidência da República. No Sudeste o anúncio não surpreendeu e a transfusão de votos de Lula a Haddad já começara com sua indicação a vice. De agosto a 10 de setembro, véspera da indicação, Haddad crescera de 4% a 9% das intenções de voto, segundo o Datafolha, pulo de cinco pontos percentuais. Entre 10 e 14 de setembro, já oficializado, o candidato do PT passou de 9 a 13% das intenções, salto de mais quatro pontos percentuais, ainda segundo o Datafolha. Depois de várias semanas sem ultrapassar 2% das intenções de voto, o enorme avanço de nove pontos percentuais entre agosto e setembro identifica o processo em curso de transfusão de votos de Lula para Haddad.

Foi no contexto da transfusão já em curso, e em estados nos quais o desconhecimento sobre Fernando Haddad é mínimo, que a pesquisa do Poder360 informa que, em São Paulo, Haddad aparecia com 10% de intenções contra 9% de Ciro, enquanto em Minas Gerais Ciro alcançava 14% das declarações de intenção contra 10% em Haddad. Na pesquisa Datafolha, era Ciro que aparecia com cerca de quatro pontos percentuais acima de Haddad, no Sudeste, No que estão chamando a batalha do Nordeste, região topográfica que, para a crônica paulista, inclui o Norte e o Centro-Oeste, onde o desconhecimento de Haddad pode ser maior, as próximas pesquisas contribuirão para a angústia dos tucanos. À medida que cresce a rejeição à Haddad simultaneamente à difusão de seu nome, a disputa com Ciro, na região, poderá depender do saldo simpatia versus repulsa, aspecto provavelmente de pouca relevância nas votações presidenciais anteriores do PT. Mas agora não se trata de Lula contra Serra ou Alkmin, nem está aferida a consequência eleitoral de Fernando Haddad se apresentar por aí afora como Lula.

Aí é que os conservadores, sobretudo paulistas, pisarão em ovos: Ciro, estrangeiro, ou Haddad, petista, mas, apesar de tudo, nativo. Os cenários elaborados pelos clínicos da opinião pública, traduzindo resultados da pesquisa Datafolha (14/9), me parecem afobados. Ali, o que surge como certa, hoje, é a queda de Marina Silva, mais nada, nem mesmo a consagração antecipada de Jair Bolsonaro.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Paulo

18 de setembro de 2018 às 18h42

Pobre São Paulo, pobre paulista…

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Pablo Herrera

18 de setembro de 2018 às 15h32

Em São Paulo, até mulher vota em Bolsonaro!
Mas, como diz a Marina, ainda tem muito chão pela frente. Três semanas são uma eternidade, do jeito que as coisas estão andando. Metade dos eleitores ainda não tem candidato (pesquisa espontânea). Esperemos que os eleitores dela migrem para o Ciro tembém (as mulheres não paulistas preferem Ciro).

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    Gustavo

    18 de setembro de 2018 às 21h58

    Acaba de sair a pesquisa do IBOPE, Haddad dispara e já empata com 40% no segundo turno, mas essas pesquisa são feitas por telefone fixo, 70% dos eleitores de classe baixa NÃO tem telefone fixo. Portanto essa pesquisa não inclui os 70% dos eleitores de classe baixa, esta na cara que no segundo turno o Haddad vence por 60% e Bolsonaro 40% votos validos ! Esta acabando o golpe !

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hocuspocus

18 de setembro de 2018 às 13h47

O ATRASO DO BRASIL ESTÁ SEM PAI NEM MÃE ,FAZER O QUÊ ?.
QUEM MANDA VCS A SER TÃO ALIENADOS E COM ÍNFULAS DE CIDADÃOS DE 1°MUNDO VOTAR NOS TUCANOS POR 24 ANOS????
CONSERVADORES,ATRASADOS,ALIENADOS,REACIONÁRIOS TÊM QUE SE FERRAR.
BEMVINDOS AO MUNDO REAL.

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    Paulo Vinicius

    18 de setembro de 2018 às 17h18

    Cara eu ri muito de seu comentário. Quer vir falar mal dos paulistas? Os paulistas mantém esse país, entre as maiores economias do mundo, sem nós o Brasil não é nada! São Paulo sozinho concentra 32,5% do PIB nacional, enquanto o segundo maior PIB do país é 11,6% sendo o Rio de Janeiro. Você acha mesmo que nós, que vivemos na maior economia do país nos ferramos? Reveja seus conceitos e procure estudar mais.

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      Gustavo

      18 de setembro de 2018 às 21h59

      Acorda cara, o PSDB quebrou o Estado de SP, vai estudar cara e para de mimimi !

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      Batista Neto

      21 de setembro de 2018 às 13h13

      Está precisando fazer um update nesse discurso.

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