Boulos em Recife

Comentários sobre a entrevista de Gilberto Carvalho a BBC

Por Miguel do Rosário

07 de novembro de 2018 : 15h32

Segue abaixo a entrevista de Gilberto Carvalho, um dos mais importantes quadros do PT, muito próximo a Lula.

É uma entrevista que nos ajuda a entender o pensamento majoritário do PT.

Não concordo em vários pontos, todavia, com a maneira de pensar de Carvalho.

Outros pontos, como, por exemplo, a participação dos EUA na Lava Jato, eu até concordo, mas na boca de Gilberto Carvalho, cujo governo não fez exatamente nada para evitar a ingerência imperialista, não criou nenhuma defesa na área de mídia, inteligência, contra-inteligência e relações públicas, soa como teoria de conspiração.

Gilberto repete o mesmo discurso de Dirceu – e que levou o campo popular à derrota nas eleições deste ano – de que o antipetismo é uma coisa artificial, inflada durante a campanha.

De fato, há um antipetismo artificial criado em campanha, mas também há um antipetismo natural, fruto do desgaste de um partido que governou o país por 13 anos e que vem ocupando o centro dos escândalos políticos desde 2004.

Em seguida, Carvalho, inconscientemente, dá mostras de que também sofre da arrogância cega que tanto vitimou o PT (e, indiretamente, todo o campo popular):

BBC News Brasil – Noam Chomsky (linguista americano) disse que o PT deveria fazer uma Comissão da Verdade para analisar seus erros. Como o senhor vê essa sugestão, que tipo de trabalho poderia ser feito para visitar esses demônios?

Carvalho – Eu acho que a gente tem que ouvir com muito carinho o Chomsky. Quando eu falo em visitar e espantar esses demônios, ou repactuar eticamente internamente, eu estou de acordo. Nós precisamos fazer. É próprio de qualquer instituição humana ter erros, não tem problema nenhum.

BBC News Brasil – O PT errou em não fazer isso antes?

Carvalho – Errou, podemos dizer que poderíamos ter feito de maneira mais clara isso antes. Mas eu quero dizer uma coisa: não é isso que mais afastaria a multidão. Nós não fizemos antes e vencemos eleição de 2006, 2010 e 2014. Essa exigência externa que se coloca pra nós, e que as pessoas dizem que não gostam e não votam no PT por causa disso, isso é bobagem. Não nos iludimos por ela, porque em geral isso é estribo para uma rejeição que é classista, que é de outra natureza.

Carvalho diz: “não fizemos [autocrítica] antes e vencemos as eleições de 2006, 2010 e 2014”.

Desculpe, Gilberto, você pode não ter consciência disso, mas demonstrou soberba!

Não fazer autocrítica e não se reconciliar com diversos setores importantes pode não ter impedido o PT de ganhar algumas eleições, mas as coisas mudaram dramaticamente a partir das eleições de 2016 e, além disso, o caos político iniciado já no governo Dilma criou condições para um golpe de Estado e a eleição de Bolsonaro!

É inacreditável que o PT não enxergue a sua responsabilidade no atual estado de coisas. Carvalho repete o preconceito, tão comum no PT, de olhar o eleitorado como analfabetos agradecidos eternamente, que nunca darão bola para questões políticas mais complexas. É este raciocínio, que embute uma visão vulgarmente eleitoreira do processo político, que fez o PT ganhar uma rejeição brutal por parte do eleitorado instruído.

O objetivo não é apenas ganhar eleições, tampouco trazer vitórias exclusivamente a um partido, e sim reconciliar a população instruída com ideias progressistas, para que esta forme uma grande massa crítica que dê sustentação a governos populares.

“Isso é uma bobagem”, diz Carvalho, referindo-se a necessidade do PT explicar seus erros à sociedade. Como assim, bobagem? A comunicação entre o partido e a população, cuja inteligência não deve ser subestimada, deve ser a preocupação mais importante da legenda!

Carvalho fala em rejeição “classista”, o que, aí sim, diante dos resultados eleitorais deste ano, mostra-se uma tremenda bobagem, visto que pobres e classe média baixa votaram, em peso, em favor do Bolsonaro, também por rejeição ao PT.

E mesmo que houvesse rejeição “classista”, estamos aqui falando de classe média, incluindo a classe média baixa, que conformam a maioria da população brasileira e são classe trabalhadora. O PT, se quiser ter um futuro, não pode almejar o reconhecimento apenas do eleitor analfabeto, com renda familiar inferior a 1 salário, vivendo em cidades do interior.

O PT precisa entender que autocrítica não é equivalente a autosuplício de extremistas católicos; o conceito embute uma avaliação justa também dos acertos. A abordagem e a interpretação das coisas boas realizadas pelo partido devem ser sempre atualizadas criticamente.

Discutir os acertos do partido, mas numa perspectiva realista, modesta, separando o que adveio de circunstâncias externas favoráveis e o que nasceu, efetivamente, da criatividade própria da legenda, também é fazer autocrítica! Sim, porque nada é mais irritante, para o público em geral, do que ver um movimento ou partido se gabar de coisas que não fez, não partilhar o mérito com quem lhe ajudou, ignorar o esforço de lutadores que prepararam o caminho, ou pretender tirar vantagem de elementos externos.

O restabelecimento do contato entre o partido e as “bases” também deve ser visto de maneira mais aberta e plural, sem se prender a esquematismos pseudoclassistas ou geográficos tacanhos.

Não creio que haja diferenças entre a forma de pensar entre um morador da periferia de Nova Iguaçu e um cidadão de classe média baixa que se espreme num kitinet em Copacabana. E se houver, um partido político tem que saber compreendê-las, aceitá-las, e assimilá-las dialeticamente, para conquistar ambos os eleitores.

As “bases” são toda a população brasileira. No mundo inteiro, e em toda a história, os partidos de esquerda foram/são sustentados politicamente por uma base social instruída, cuja massa crítica tem força suficiente para se opor a elite de 1% que concentra a riqueza e os meios de produção.

Renegar a classe instruída (que existe nas mesmas bolhas da classe média) é desistir da luta de ideias, visto que nenhuma vitória ideológica se dará de cima para baixo num país democrático: o avanço político de um partido de ideias, como são os partidos mais progressistas, precisará sempre conquistar a simpatia dos cidadãos que, por mérito, destino e políticas públicas, conseguiram desenvolver, para si mesmos, ferramentas intelectuais que os habilitam a participar da luta nas redes sociais.

As referências a Ciro Gomes são emblemáticas. Carvalho admite que parte do PT queria se aproximar de Ciro, e ainda sinaliza para um apoio em 2022, mas a culpa pelos conflitos surgidos entre PT e o então candidato do PDT são sempre de Ciro, nunca do PT. Em momento algum, Carvalho explica porque o PT botou, no primeiro turno, toda a sua máquina política para destruir o antigo companheiro, ao invés de jogar peso contra Bolsonaro. Ciro pode ter cometidos inúmeros erros de comunicação, mas o PT também os cometeu, tanto diretamente, pela cúpula (“Ciro não passa no PT nem com reza braba”, disse Gleisi), como pelos ataques em massa de blogs e militância vinculados direta ou indiretamente ao partido.

Abaixo a íntegra da entrevista.

***

Na BBC Brasil

‘O PT tem que visitar seus demônios’, afirma ex-ministro de Lula e Dilma

Por Mariana Schreiber – @marischreiber
Da BBC News Brasil em Brasília
6 novembro 2018

Após a derrota do PT na eleição presidencial para Jair Bolsonaro, o petista histórico e ex-ministro Gilberto Carvalho reconhece que o partido precisa “corrigir problemas” que “magoaram, ofenderam e decepcionaram a sociedade”.

Em entrevista à BBC News Brasil na sede nacional do PT, entrecortada pelos trovões típicos das chuvas de fim de ano em Brasília, ele afirma que o sentimento antipetista que contribuiu para a derrota de Fernando Haddad foi inflado nesta eleição por mentiras como a de que seu governo iria “venezuelizar o País” ou distribuir um “kit gay contra a família”.

Mas admite que as urnas trazem também um recado para o partido “visitar os demônios” da corrupção.

“A nossa convivência com a política tradicional, o financiamento empresarial de campanha, junto com isso veio corrupção, na forma de arrecadar dinheiro para campanha, até em alguns casos o enriquecimento de algumas pessoas, embora muito poucas, mas teve. Isso, sim, a gente tem que encarar, que eu chamo de a gente visitar os nossos demônios”, diz.

Confira abaixo trechos da entrevista concedida na última quarta-feira.

BBC News Brasil – Bolsonaro venceu com forte discurso anti-PT. Qual recado o partido tira das urnas?

Gilberto Carvalho – Tenho a impressão de que uma resposta mais definitiva dessa eleição, nós vamos levar um tempinho para digerir por conta da mudança profunda da natureza que se deu o processo eleitoral e, sobretudo, o processo de comunicação com o eleitor. Hoje, temos consciência de que grande parte da mobilização dos corações e mentes se deu através do manuseio das redes sociais particularmente, Facebook e WhatsApp, no submundo. É o envio de mensagem de um jeito muito qualificado com conteúdo psicossocial de captação do ânimo das pessoas, do interesse das pessoas, que dá um salto de qualidade em relação a tudo anteriormente.

Para nosso aprendizado e da democracia, a gente precisa aprofundar um pouco mais qual é a natureza desse processo que levou as pessoas a mandar esse recado. Porque, aparentemente, é um recado de aprovação de uma candidatura que se afirma forte, que afirma que vai resolver todos os problemas, que autoriza a violência, a discriminação racial, de orientação sexual etc. e tal. Quer dizer, é uma viragem muito brusca naquilo que tem sido o recado político e as mensagens que a gente recebe.

A ironia é que é uma (mensagem) antipolítica contra um tipo de política, porque os que estão com Bolsonaro não são novos na política, nenhum deles, tirando o Paulo Guedes, que vai ser ministro da Economia. Bolsonaro tem 26 anos de mandato (de deputado federal), Magno Malta não sei quanto, (Onyx) Lorenzoni não sei quanto (ambos iniciaram a carreira política nos anos 90). E da pior política.

BBC News Brasil – Por quê?

Carvalho – Porque são todos eles praticantes do velho fisiologismo, da manipulação religiosa terrível no caso do Magno Malta. A nós, cabe de todo modo entender alguns recados. O primeiro deles é que de fato precisamos fortemente retomar contato com a nossa base, a periferia, com aqueles que foram beneficiários da nossa política social, acho que não foram conscientizados da natureza desses benefícios sociais, do que era nosso projeto.

Há um convite, de fato, para que o partido se repense do ponto de vista da sua prática profissional, a sua relação com a corrupção, a sua relação com os modos tradicionais de fazer governo, o fisiologismo do toma lá, dá cá.

Há um convite para a gente deixar a arrogância de lado e ter a humildade de reconhecer que essa primavera de novas energias que surgiram, sobretudo no segundo turno, não querem se enquadrar dentro de um partido e não querem ser hegemonizadas por um partido. É um convite para formação de uma frente que não seja apenas formal de partidos. Tem que haver a costura desse energia e a busca de encontrar caminhos e expressões que se adequem mais a essa (mobilização).

Há também, naturalmente, um desafio enorme de, junto com essa frente, se fazer uma resistência à toda forma de privação da liberdade. Então, eu acho que as urnas dão esse recado. Agora, insisto, tudo isso carece de uma análise mais profunda e também de um acompanhamento para gente poder ver no que vai dar.

Esse processo eleitoral me lembra muito Collor (presidente eleito) em 1989, pelas categorias manejadas, e acho que o futuro desse governo pode ter um destino, não vou dizer igual, mas semelhante ao do Collor, no sentido de uma grande promessa rapidamente frustrada.

BBC News Brasil – Mas não um impeachment?

Carvalho – Não, eu não quero falar de impeachment. Não podemos funcionar como aqueles que querem um inferno para o País. Não cabe a nós desejar o pior, pois quem sofre muito é o povo pobre. Nós temos que ter responsabilidade. Cabe a nós fiscalizar, vigiar, alertar e buscar conscientizar a população daquilo que for acontecendo.

(Se houver) Uma imposição de um modelo liberal acoplado necessariamente de um modelo repressivo, nós temos que ir para rua, não podemos ter medo. Pode acontecer de tudo no governo Bolsonaro, pode até acontecer, o que é mais difícil, que seja um governo bem-sucedido com paz social. Para isso, teria que mudar muito esse programa que está aí. Pode acontecer de um governo fortemente liberal e fortemente repressivo, inclusive oficialmente e oficiosamente com forças paramilitares, porque as falas de Bolsonaro são de tamanha irresponsabilidade que elas estimulam uma ação paramilitar contra gays, contra sem terra, contra todos nós.

A manter esse programa (econômico liberal) do Guedes não há como dar certo, e o que vai dar é muito descontentamento rapidamente.

BBC News Brasil – O PT esteve desde sempre orbitando em torno da liderança de Lula, mas nessa eleição isso não funcionou. O PT precisa agora superar a liderança de Lula?

Carvalho – Desculpe, mas eu vou ter que discordar da sua afirmação. Se você olhar o cenário, o PT foi o único partido que sobreviveu.

BBC News Brasil – Sobreviveu no Nordeste, muito regionalizado.

Carvalho – É a maior bancada na Câmara Federal, tem o maior número de governadores (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). É verdade que está mais no Nordeste, mas os deputados são eleitos por outras regiões também. E nas condições que nós tivemos, com Lula preso. Então, eu não diria de maneira alguma que essa eleição diminui o valor que Lula tem eleitoralmente. Imagine se nós tivéssemos concorrido com Fernando Haddad ou quem quer que fosse sem a figura do Lula por trás. Nem de longe nós teríamos ido ao segundo turno, e muito menos tido essa votação que a gente teve.

Então, para nós é muito importante retomar a denúncia de que o Lula foi preso para não ganhar a eleição. Vamos relançar agora a campanha “Lula livre”, até porque nós morremos de medo. Quando esse cara tomar posse com Lula preso, não sabemos o que vai acontecer com Lula. Tudo que ele fala é no sentido de que o Lula morra de podre na cadeia, todas as palavras desrespeitosas.

Isso não quer dizer que temos que ficar Lulodependentes a vida inteira. E Lula nos deu uma grande contribuição agora nos ajudando a lançar uma nova figura, que é Fernando Haddad.

Tudo que nós esperamos é que o Fernando ocupe um papel muito importante justamente naquilo que eu chamei há pouco, com humildade, de formação de uma frente democrática popular, tem que ser popular, não só de partido. Porque uma das grandes vantagens nossas foi o surgimento (na eleição) de um engajamento dos movimentos sociais fortíssimo. Então, a gente tem um Haddad como uma nova liderança não para fazer esquecer do Lula, mas para se juntar ao Lula.

BBC News Brasil – Além dos milhões de votos que Haddad obteve, ele é apontado como essa liderança porque tem uma cara de novo PT?

Carvalho – Eu não sei se posso chamar de novo PT, eu tenho muita dificuldade com essas categorias. Mas ele tem uma cara de quem foi aceito mais amplamente do que o PT. Muita gente que votou nele deixou claro que não gosta da PT, então ele pode sim galvanizar o apoio dessas pessoas, não para o PT, mas para essa frente. E é claro que caras novas sempre é bom. A Gleisi (Hoffmann, presidente do PT) foi uma cara nova, o Haddad é uma cara nova. E nessa síntese, que é natural dentro do partido, vai configurando a cara do partido: ela é múltipla, não tem uma cara só.

BBC News Brasil – Voltando à pergunta anterior, a força do Lula colocou Haddad no segundo turno, mas o antipetismo e antilulismo também impediu Haddad de vencer. Há um dilema entre a necessidade de manter a importância do Lula e superá-lo?

Carvalho – De certa forma, quando eu falo que é uma frente além PT, ela é além Lula também, estou totalmente de acordo. Agora, um pouco de cuidado com esse história do antipetismo. Porque há um antipetismo absolutamente artificial que foi inflado agora na campanha, que não se baseia no antipetismo clássico, que as pesquisas sempre diziam que era de cerca de 30%, é baseado no negócio da corrupção, do mensalão, de certa arrogância do PT.

Esse antipetismo que surgiu aí, que para mim é uma pena que voa, é um antipetismo baseado na mentira. Mentira de que nós iríamos venezuelizar o país, a mentira de ter um kit gay contra família, toda essa multidão de fake news que não permanece.

Nós temos que olhar e procurar corrigir aquilo que de fato são problemas nossos. E que nós sabemos que magoaram, ofenderam, decepcionaram a sociedade. A nossa convivência com a política tradicional, o financiamento empresarial de campanha, junto com isso veio corrupção, na forma de arrecadar dinheiro para campanha, até em alguns casos o enriquecimento de algumas pessoas, embora muito poucas, mas teve. Isso sim a gente tem que encarar, que eu chamo de a gente visitar os nossos demônios. Nós temos que ter coragem de visitar, e, menos do que ficar fazendo uma autocrítica em praça pública, é fazer autocrítica na prática, mudar a nossa prática. Sair da burocracia e conviver mais com os pobres, fazer um trabalho de base novo de formação. Tudo isso OK, nós vamos fazer. Não querer agradar uma parte da sociedade que nós nunca vamos agradar, então isso é bobagem.

BBC News Brasil – Noam Chomsky (linguista americano) disse que o PT deveria fazer uma Comissão da Verdade para analisar seus erros. Como o senhor vê essa sugestão, que tipo de trabalho poderia ser feito para visitar esses demônios?

Carvalho – Eu acho que a gente tem que ouvir com muito carinho o Chomsky. Quando eu falo em visitar e espantar esses demônios, ou repactuar eticamente internamente, eu estou de acordo. Nós precisamos fazer. É próprio de qualquer instituição humana ter erros, não tem problema nenhum.

BBC News Brasil – O PT errou em não fazer isso antes?

Carvalho – Errou, podemos dizer que poderíamos ter feito de maneira mais clara isso antes. Mas eu quero dizer uma coisa: não é isso que mais afastaria a multidão. Nós não fizemos antes e vencemos eleição de 2006, 2010 e 2014. Essa exigência externa que se coloca pra nós, e que as pessoas dizem que não gostam e não votam no PT por causa disso, isso é bobagem. Não nos iludimos por ela, porque em geral isso é estribo para uma rejeição que é classista, que é de outra natureza.

Agora, independente disso, eu acho que, para o bem do partido, é importante fazer na prática essas mudanças. O que não é simples, porque nós convivemos numa cultura política profundamente marcada por essas posturas. O cara que ganhou a eleição agora, Bolsonaro, não é um cara honesto, a vida dele está cheia de compromissos e cumplicidade.

BBC News Brasil – Os processos contra Lula do tríplex e do sítio de Atibaia indicam um relacionamento de compadrio com empreiteiras, em que ele pode ter obtido benefícios, ou quase obtido. Como olhar esses demônios se o discurso é de que o Lula é totalmente inocente?

Carvalho – Eu não vejo contradição nenhuma nisso porque eu conheço o Lula e Lula efetivamente é inocente. O Lula foi o presidente que tomou a iniciativa de estimular o desenvolvimento dos órgãos de controle, e nunca, isso eu posso testemunhar porque eu convivi com ele oito anos na Presidência, nunca ele pôs a mão na cabeça de ninguém. Ele sempre disse: “quem no meu governo errar será investigado, não peça para não ser investigado”. Tanto que ele viu cair (o ex-ministro Antônio) Palocci, cair Zé Dirceu (ex-ministro e ex-presidente do PT). Até diziam que ele era pouco solidário.

O Lula focou o governo dele na questão da mudança do país, desenvolvimento econômico e tal, e criou os mecanismos para que tudo fosse detectado. Muita coisa não foi detectada porque não havia como chegar à Presidência informações que não chegam tão rapidamente, como o caso da Petrobras.

O erro que o Lula cometeu, que nós cometemos, foi ter convivido com pessoas que foram governo com objetivo claro de se locupletar, e praticaram um monte de coisa que depois vieram pra nossa conta, como é o caso da Petrobras. Lula não conhecia Paulo Roberto, não conhecia (Renato) Duque (ex-diretores da estatal presos na Lava Jato).

E eu não concordo com afirmação de que teve compadrio. E o que ele fez, e aí sim se inclui no conjunto do PT, foi aceitar e tolerar o financiamento empresarial de campanha. Mas vamos lembrar que isso estava dentro da lei. Nunca o Lula se dirigiu a nenhum empresário, e falou “eu peço dinheiro para você”.

BBC News Brasil – Mas tem as obras realizadas por empreiteiras no sítio de Atibaia (que não pertence a Lula formalmente, mas ele fazia uso), a própria questão do tríplex do Guarujá (que foi oferecido a Lula pela OAS e ele chegou a visitar antes de recursar)?

Carvalho – Elas se deram depois do governo dele, nunca durante o governo dele, na ciência dele.

BBC News Brasil – Mas essas obras no sítio são um problema?

Carvalho – Não. Se fossem feitas durante o governo, seria um problema. Não foram feitas durante o governo dele, ao menos com a ciência dele não foram feitas. O caso do tríplex foi uma oferta que não foi aceita.

Não tenho dúvida nenhuma de que o processo contra o Lula foi um processo montado para tirá-lo do jogo. São absolutamente ridículas as acusações contra o Lula a ponto de um juiz do Supremo como o Gilmar Mendes dizer para mim pessoalmente: “o processo do tríplex não para de pé”. Não sou eu que falei isso. Qualquer juiz sabe disso. Só não agiram antes porque não queriam fazer interferência no processo eleitoral.

BBC News Brasil – Sérgio Moro pode ocupar o cargo de ministro da Justiça no governo Bolsonaro (o que foi confirmado na quinta-feira um dia após a entrevista). Como o senhor recebe essa notícia?

Carvalho – Essa notícia é apenas a confirmação de tudo que nós tínhamos falado. Há um processo de um Judiciário que se tornou acusador. Um Judiciário que perdeu a imparcialidade e se tornou parte de um processo de destruição de um projeto. É só isso. Ele aceitando ou não, para mim não importa muito. O fato de o Bolsonaro convidá-lo é apenas a consolidação de que ele tem parte no processo e que eles conseguiram tirar (Lula da eleição), nos derrotaram desse ponto de vista.

Moro e uma parte importante do Judiciário, aí incluída a segunda instância, estão afundados até as botas nessa ação de destruir o nosso projeto, e não é pelos nossos erros, é pelos nossos acertos: em função de nossa autonomia em relação aos Estados Unidos, o ferimento dos interesses das petroleiras no pré-sal, o ferimento de interesses do sistema financeiro com as medidas que a Dilma tomou sobretudo (de tentar reduzir os spreads bancários). O resto foram argumentos que foram se acoplando para justificar perante a opinião pública uma ação criminosa, que, ao meu juízo, ao tentar destruir o PT, acabou destruindo o Brasil.

BBC News Brasil – Tenho dificuldade de ver esse tipo de conexão entre a ação do Judiciário brasileiro e a suposta ação do governo contra interesses de multinacionais americanas.

Carvalho – Você desconhece toda a participação do Moro e do pessoal do Ministério Público nos Estados Unidos, os treinamentos nos cursos que eles fizeram? O acordo que foi feito de colaboração ilegal com o Ministério Público americano? Você desconhece isso? Passou dados para destruir a Petrobras para eles (o Ministério Público brasileiro colaborou com investigações nos Estados Unidos e a Petrobras depois firmou acordo de R$ 3,6 bilhões com o governo americano para encerrar investigações que enfrentava no país).

Eu te convido a fazer um estudo mais profundo dessa história, desde os financiamentos aos movimentos de 2013 pelos colleges americanos, MBL, etc., toda essa rede de WhatsApp agora.

Eu concordo com você, a gente não deve ter visões mecanicistas de causa e efeito, mas não podemos também deixar de analisar esses fios, essas ações, que não se explicam por si só. Por que o Emílio Odebrecht me disse, por exemplo, quando foi depor que só interessava aos promotores a questão do Lula e do PT? Por que as empresas brasileiras que foram atingidas pela Lava Jato foram sobretudo aquelas que têm uma concorrência estratégica na questão do petróleo, na questão do submarino atômico, na questão da concorrência com empresas americanas no controle da América Latina? Não convém a gente deixar de olhar.

BBC News Brasil – Mas seriam mais indícios do que provas concretas dessa conexão?

Carvalho – É um pouco como (o golpe militar de) 1964, só depois nós soubemos das conexões (com interesses americanos). Eu prevejo que vai passar alguns anos para gente poder entender coisas que aparentemente não se explicam na Lava Jato. A grande pergunta “a quem beneficia?” é muito importante. Quem se beneficiou com tudo que eu vi até agora, desde a derrubada da Dilma à prisão do Lula? Quem está comprando petróleo na bacia das almas (quando algo é vendido barato, às pressas)? Quem estão sendo os beneficiários da internacionalização da economia brasileira por esses preços vis que estão aí? Alguém se beneficiou.

BBC News Brasil – No passado, o senhor muitas vezes destacou a lealdade de Ciro a Lula. Ciro Gomes agora se diz traído por ele e faz duras críticas ao PT. A mágoa é justa?

Carvalho – Eu prefiro não responder ao Ciro. Essa minha atitude tem uma postura de respeitar o Ciro que eu conheço e o Ciro das atitudes, e não o Ciro das palavras. Se eu for levar em conta as ofensas que ele fez ao Leonardo Boff, ao Frei Betto e ao Lula, eu vou ficar com opinião tão ruim dele que eu prefiro não (levar em conta).

Eu mandei um zap ao Ciro entre o primeiro e o segundo turno pessoalmente pedindo a ele que nos apoiasse, que era importante inclusive para formação dessa frente. Então, eu quero dizer que nós vamos teimar em contar com Ciro. Nós precisamos tanto dele e de qualquer cidadão brasileiro nesse momento que não convém ficar estimulando divisão.

BBC News Brasil – A imprensa brasileira diz que PDT, PSB e PC do B estariam tentando se articular em uma frente sem o PT. Vão também teimar em procurá-los?

Carvalho – Não há dúvida. Primeiro porque essas fofocas de corredor de Congresso, de coluna de jornal, elas não podem ser levadas a sério pela gente. Tudo é tão grave que eu tenho certeza nós vamos estar juntos. Eu prefiro não plantar nenhuma dificuldade agora. Evidentemente vamos procurar todos os partidos. Eles podem ficar tranquilos, nós temos autocrítica suficiente para não querer fazer a hegemonia, o hegemonismo.

BBC News Brasil – Reconhecem que houve erro do PT nesse hegemonismo?

Carvalho – Claro, só que o seguinte: nós não temos culpa de ser o partido do tamanho que nós temos. Não temos culpa de ter construído uma história que, mesmo nessa voragem toda, nós tivemos esses votos. Nós temos um número grande de deputados, governadores, não é pela beleza dos nossos olhos ou por querer sermos hegemonistas, é porque temo uma proposta e com isso nós comparecemos à mesa e nos colocamos à disposição. Nós não queremos mandar em nada, mas também não vamos esconder essa força.

Eu diria que nessa eleição surgiram lideranças muito importantes, eu destaco o papel do (candidato do PSOL Guilherme) Boulos por exemplo, de muitas lideranças do mundo cultural, que nós queremos abraçar, sem nenhuma vontade de querer mandar nada em ninguém.

BBC News Brasil – Algumas alas do PT defenderam o apoio ao Ciro na eleição. Foi um erro não tê-lo apoiado?

Carvalho – O Ciro não nos apoiou nessa tarefa. Nós há muito tempo nos aproximávamos do Ciro e pedíamos dele atitudes de solidariedade quando nós estávamos na pior, que facilitariam o caminho dele. Se quando Lula foi preso, em vez de declarar que não ia a São Bernardo porque não era capacho de ninguém, se tivesse no mínimo ficado em silêncio, ou emitido uma solidariedade ao Lula, ele teria pavimentado o caminho para a gente apoiá-lo.

As coisas não acontecem automaticamente. Se eu planto cebola, eu colho cebola. Ele fala que foi uma ofensa ser chamado para ser vice (de Lula, com a perspectiva de substituí-lo como ocorreu com Haddad), mas muito antes a gente procurou sinalizar para o Ciro: “oh, vamos ter uma política de bom (relacionamento)”. Mas ele de vez em quando dá umas pancadas que desequilibra todo mundo, entristece todo mundo.

Na carta que eu mandei para ele, eu disse: “Ciro, nós temos uma crise de liderança e você é uma das lideranças que nós queremos, mas ajude”. Bastava um gesto. Não é que o gesto dele ia salvar a eleição, não tinha essa ilusão, mas terminar o segundo turno com essa visão de uma frente de resistência junto era muito melhor para nós.

Mas, não tem problema, o Ciro está no nosso campo, e nós vamos continuar buscando o apoio dele, nós precisamos buscar todo mundo.

BBC News Brasil – Em 2022, o PT pode não ter candidato e apoiar outro nome? Seria a primeira eleição presidencial desde a redemocratização sem candidato do PT.

Carvalho – É fácil eu te responder que sim, pode, claro que pode. Só que antes nós precisamos garantir a eleição em 22. Nós não sabemos nem se vai ter eleição. A primeira tarefa é garantir a democracia e o processo de 22. Até lá tem muita coisa que vai acontecer e é perfeitamente possível, está dentro do processo de maturidade a gente construir uma nova liderança de outro partido que possa disputar, tipo o Boulos, o próprio Ciro.

Agora, não dá pra pedir pra gente fazer isso em janeiro de 2022 se antes não tiver um caminho conjunto. Por isso que eu diria para você que a prioridade zero é a gente formar essa frente popular de resistência, de construção de um projeto alternativo, que aí as coisas têm que se dar naturalmente na política, e não com uma imposição.

BBC News Brasil – Há muitos sinas de que a Venezuela se tornou uma ditadura, mas lideranças do partido seguem defendendo o governo Maduro, inclusive a presidente Gleisi. Por quê? O partido não vai mudar essa posição?

Carvalho – Não, não vai mudar nessa mudança artificial e superficial desconhecendo o que a Venezuela sofre como pressão do imperialismo contra o seu povo. Enquanto nós fomos governo, nós atuamos sempre para moderar as coisas na Venezuela. O Lula foi uma espécie de pai do velho Chávez e procuramos o tempo todo dizer a ele os caminhos que seriam melhores na linha da democracia.

É evidente que não apoiamos a perseguição da oposição, mas nós preferimos, antes de fazer uma crítica, conhecer melhor o que é a Venezuela e quais são as razões que levaram e que levam a isso, a sabotagem. Você sabe que os americanos provocam uma sabotagem interna na economia e uma falta de produtos artificialmente. Você sabe disso?

BBC News Brasil – Como?

Carvalho – Uai, há uma aliança com os empresários. Eles são induzidos a investir no mercado financeiro e a sabotar o mercado interno. A fome na Venezuela é uma fome artificial, não é por falta de recursos. Há uma brutal sabotagem ao governo venezuelano. Eles estão isolados economicamente de um monte de países. O dia em que vier uma posição clara sobre isso, nós vamos nos posicionar. Mas nós queremos ter uma discussão séria por inteiro. Não é justo você condenar um governo sob cerco. Eu posso fazer críticas parciais, agora, estranhamente, tem eleição sempre na Venezuela. Ninguém provou que as eleições são sujas na Venezuela.

BBC News Brasil – Mas a OEA (Organização dos Estados Americanos) não reconheceu a legitimidade da última eleição.

Carvalho – A OEA está dominada pelos Estados Unidos. O que o PT faz é ter uma posição madura, tranquila. Internamente, fazemos críticas sim, sempre fizemos, continuamos fazendo, mas quando estávamos no governo procuramos contrapor-nos aos americanos e darmos condições econômicas para o país sobreviver. O Brasil virou as costas para a Venezuela e apoia hoje o cerco criminoso para aquele povo.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Luiz Rodrigues

08 de novembro de 2018 às 01h11

é possível fazer uma lista do que o PT acertou?
O PT joga sozinho, ou os adversários jogam e qual a correlação de força de cada lado?

Responder

Guilherme Scalzilli

08 de novembro de 2018 às 00h56

Ciro não é alternativa de esquerda, como Marina tampouco. Ambos tiveram papéis mesquinhos e indefensáveis nas últimas eleições, abandonando vergonhosamente a briga apenas para ver Lula derrotado. E a militância cirista, como a marinista, só consegue encontrar uma identidade fazendo acusações ao PT e cobranças de autocríticas que ela mesma se nega a fazer (“tadinho do Ciro, ficou chateado com Lula”). No limite, quando questionado a sério sobre o caráter esquerdista do seu líder fujão, o cirismo o imita, escapando pela tangente, rediscutindo o conceito de esquerda e até dando-o por superado. Se o convencimento dessa pequena parcela de derrotados-que-se-acham-vencedores-morais valesse a pena, eu sugeriria tirar por um instante o PT da sala, subir numa cadeira e olhar em volta. Mas vocês não podem fazê-lo, porque precisam da nêmesis petista para amenizar a bobagem monstruosa cometida por Ciro e, consequentemente, pelos incautos que ainda o seguem. Tudo muito lamentável, mas bastante ilustrativo do caminho que pavimentou a vitória do fascismo.

Responder

    Apolônio

    10 de novembro de 2018 às 00h37

    O jogo é jogado, amigo. Lula também assumiu um risco enorme apenas para não permitir que Ciro conseguisse “de mão beijada” a liderança da esquerda já agora em 2018. O risco foi guerrear em dois fronts ao mesmo tempo, um da eleição propriamente dita e outro contra o surgimento de qualquer outra liderança dentro do campo da esquerda, de dentro da cadeia e com o seu capital eleitoral altamente comprometido.

    A estratégia não deu certo, o risco não se pagou, e Lula continua dono de uma esquerda cada vez mais fraca e isolada. Se Bolsonaro tiver inteligência política, tira do PT os votos do bolsa-família no nordeste, último e frágil bastião do lulopetismo, e torna as derrotas da esquerda cada vez mais frequentes e humilhantes.

    A base social do PT – funcionários públicos (especialmente professores e especialmente universitários), movimentos sociais e identitários, sindicatos cada vez mais fracos – precisa processar a informação de que não só perdeu A classe média, como perdeu PARA a classe média. E que tentar jogar nela a pecha de fascista, de moralmente pervertida, ao mesmo tempo que a Lava Jato revela ao país a podridão dessa esquerda que chegou ao poder, não vai virar um voto sequer – ao contrário, só vai deixar a classe média com mais sangue nos olhos para impôr novas derrotas à esquerda. Essa base social, como eu ia dizendo, precisa admitir que precisa mais da classe C do que a classe C precisa dela, e que portanto tem de se render e se prostrar aos interesses dessa classe se quiser voltar ao poder. Caso contrário, a classe média continuará elegendo politicos da linha de Bolsonaro ou, caso se decepcione com ele, algum outsider convincente – que pode ser tanto um Ciro Gomes quanto um Luciano Huck ou Joaquim Barbosa. Mas quem tiver sua imagem ligada a homossexuais e feministas beligerantes da zona sul carioca vai continuar perdendo, sem sombra de dúvida.

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Jose

07 de novembro de 2018 às 23h37

É quanto a morte do Celso Daniel, seu vagabundo?

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Paulo

07 de novembro de 2018 às 18h32

Carvalho: “Não. Se fossem feitas durante o governo, seria um problema. Não foram feitas durante o governo dele, ao menos com a ciência dele não foram feitas. O caso do tríplex foi uma oferta que não foi aceita”. Ele fala do sítio de Atibaia. Quer dizer então que o sr Lula não cultivou essa amizade (e outras, com empreiteiros), durante seus mandatos? Quer dizer também que Lula não era, ainda, ao tempo do Governo Dilma, o “Brahma”? que não tinha influência nem para conseguir uma nomeação para Ministério de ocasião?

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Paulo

07 de novembro de 2018 às 18h30

Poxa Miguel. Você não terminou de ler a entrevista? Quando ele diz que o partido precisa rever os demônios do passado ele sugere uma autocrítica.
De qualquer forma, qual partido de direita ou esquerda já fez isso?
Ele disse que mandou ZAP pro Ciro, que o Ciro foi chamado pra fazer parte de uma frente ampla e o Ciro recusou. A culpa será sempre dessa “burocracia do PT” ? Penso que a esquerda deveria estar unida. Boulos poderia ter saído pra deputado. Levaria outros no sistema proporcional. PT deveria ter apoiado Ciro. Mas como se o próprio não quis a aliança? Acredito que falte altruísmo na sua avaliação. Como o PT apoiaria alguém que recusou o convite e que tem mais disposição em criticar o PT a criticar os outros candidatos? Temos que nos colocar no lugar do outro pra poder entender melhor as decisões do próximo.

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joao

07 de novembro de 2018 às 16h56

Nao publicar comentarios no blog e tipico de quem foge.

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joao

07 de novembro de 2018 às 16h54

Nao adianta ficar pensando que o coiso ganhou porque o adversario nao foi o fujao. E preferivel perder de cabeça erguida e lutando bravamente do que ficar refem de transfugas e candidatos que hoje estao a favor e amanha quando nao conseguem o que querem por nao terem votos suficientes ficam como crianças birrentas.
Vamos em frente o PT foi o partido que mais deputados elegeu e deve fazer correçoes de rumo o que e normal, mas abdicar do seu poder de votos nao deve ser feito.
Quem pensa diferente deve chorar na cama que e quentinho, de preferencia durante uma viagem a Europa.

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PASCOAL JACINTO DA SILVA FILHO

07 de novembro de 2018 às 16h36

A eleição de Bolsonaro foi consequência de fraude, das mentiras, falsos testemunhos. Parece que o cafesinho se esquece da perseguição sem fim por parte da mídia e da policia, ministério público e juízes. De repente é o PT que cometeu erros. Parece que a perseguição ao partido funcionou muito bem até para a esquerda

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AZ Botelho Paiva

07 de novembro de 2018 às 16h28

E pensar que eu postei este comentário em julho de 2013, já antevendo que se o PT, não se reestruturasse, renovando os seus quadros, eliminando os estorvos, dando oportunidades para o surgimento de novas lideranças que, o Santo Lula sempre arranjou um jeito de defenestrá-las quando elas começavam a se destacar, o PT acabaria se definhando como partido, e o Santo Lula como o único líder e dono do partido que tem sido até agora, ainda que preso. E agora o Gilberto Carvalho vem todo eufórico dizer que vê o Haddad como uma cara nova, uma possível nova liderança. Como assim Gilberto Carvalho? Esqueceu-se de que ele é tão velho no PT, que já está com 32 processos para responder? Ah para oh!!!

JUL
21
Enquanto o PMDB tiver as tetas gordas do governo para mamar, sem precisar se expor, ele jamais pensará em disputar a presidência da Republica.

http://www.correiodoestado.com.br/noticias/em-carta-lula-reafirma-alianca-entre-pt-e-pmdb-para-2014_175790/

Quem pensa que o PMDB não sabe a força que tem, esta redondamente enganado. O PT canta de galo, achando que está tudo dominado. Acredita que os chamados partidos da base aliada estão, e estarão sob seu domínio eternamente. Ledo engano. Os pequenos partidos são dominados por mercenários políticos, que vendem até a alma, em troca de uma “boquinha” no governo de plantão. O PMDB, que poderia ser o maior partido de oposição neste país, preferiu não desperdiçar as próprias energias, e vive nababescamente deitado no colo do PT, e comendo na mão do Rei Lulambança. Mas como não há bem que dure para sempre, e nem mal que nunca se acabe, um dia chegará, em que este estado de coisas precisará ser mudado, e será. O PMDB vem engabelando o PT, desde que o Rei Lulambança assumiu o seu primeiro mandato. Despreparado para o cargo, achou que se poderia dirigir um país das dimensões do Brasil, na base da malandragem, da falácia, de metáforas já surradas pelo uso, e do conhecimento mundano adquirido nas rodas de amigos de farras. O PMDB, velho de guerra, bem mais antigo na praça, e dominando a arte da política rasteira, achou por bem terceirizar o PT, e viver sem grandes riscos políticos para a sua legenda. Se fizermos uma retrospectiva da aliança PT, PMDB, veremos que tudo que o PMDB planejou tirar de proveito desta união, conseguiu. Vejam que bem recentemente o Rei Lulambança quis escantear o Michel Temer, para colocar em seu lugar, na disputa de 2014, o governador de Pernambuco Eduardo Campos. O PMDB segurou as rédeas com mãos firmes, e fez o Rei Lulambança voltar atras, e até declarar publicamente que PT e PMDB estão mais unidos do que nó cego. O dia chegara, em que tudo for posto em pratos limpos, quando a mascara do Rei Lulambança cair, e os falsos amigos, aproveitadores, se afastarem do Rei, e ele começar a cair no ostracismo, então chegará a hora do PMDB deixar de ser coadjuvante, e passar a ser o ator principal. Não por merecimento, nem por méritos próprios, mas por ter conseguido se preservar, com a ajuda do PT, o maior (não o melhor) partido do Brasil. E ao PT, partido de um líder só, cujo personagem já está quase que com o prazo de validade vencido (vide média de vida dos brasileiros), assim que o seu líder for defenestrado, tenderá a fechar para balanço, e os seus mais conhecidos membros, partirão para a criação, individualista, de outros partidos. Como já o fizera o oportunista Kassab, e como esta tentando a outra oportunista Marina Silva. De uma coisa todos podem ter certeza: ” Os membros mais arrogantes do PT, depois que o único líder desaparecer, jamais conseguirão reviver os momentos de glória (ainda que aparente), que tiveram durante o reinado, maléfico ao povo brasileiro, do Rei Lulambança. Quem viver, verá.
Postado há 21st July 2013 por AZ Botelho Paiva

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