Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Crédito: Governo do Ceará

A entrevista de Camilo Santana ao Globo

Por Redação

02 de janeiro de 2019 : 09h59

Essa entrevista produziu furor nas hostes petistas, porque Camilo pronunciou a palavra maldita no partido: autocrítica.

***

No Globo

‘Faltou ao PT (autocrítica) durante todo o processo’, diz Camilo Santana, reeleito governador do Ceará

Prestes a iniciar 2º mandato, petista diz, porém, que partido foi o grande vitorioso da eleição de 2018

Sérgio Roxo

30/12/2018 – 04:30 / Atualizado em 30/12/2018 – 08:29

SÃO PAULO – Reeleito no primeiro turno no Ceará com a maior votação do Brasil (79,95%), o petista Camilo Santana assume o segundo mandato no dia 1º com disposição de dialogar com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Ao mesmo tempo, diz que uma autocrítica seria importante para o seu partido e fala da relação do PT com seus aliados locais Ciro e Cid Gomes (PDT).

Quais as questões principais de interesse dos estados do Nordeste que o governo Bolsonaro terá que enfrentar?

Primeiro, o problema do pré-sal. O Congresso votou a nova redistribuição das reservas de petróleo, que foi barrada no STF. Acho que o governo federal tem o papel de ser o coordenador e pacificador dessa questão. O outro tema é o salário-educação. A Constituição é muito clara ao dizer que esses recursos devem ser distribuídos de acordo com o número de alunos e não é assim. Hoje é distribuído de acordo com os locais onde estão instaladas as sedes das empresas (que contribuem para o fundo). Se o governo federal coordenar, encontra uma solução. Outro tema é o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), que vai ser encerrado em 2020.

Bolsonaro foi eleito com bandeira de afrouxar o desarmamento. O senhor comanda um dos estados com altos índices de violência. O que acha que vai acontecer se as pessoas passarem a ter mais armas?

Particularmente não acho que esse seja o caminho. Penso ao contrário: temos que desarmar a população.

Se ele levar o projeto adiante, o senhor pretende se opor?

Claro que eu vou me posicionar. A democracia é isso.

Pela fala do senhor, é possível concluir que, mesmo sendo filiado ao PT, o senhor quer ter uma boa relação com o governo Bolsonaro?

Quando a gente assume o papel de governar o estado, depois que a eleição passou, nós temos a responsabilidade de melhorar a vida da população. Então, independentemente de quem seja o presidente, nós queremos construir uma relação institucional. Da mesma forma que ele foi eleito, eu também fui eleito com 80% dos votos no meu estado.

O senhor tem uma ligação muito próxima com os irmãos Cid e Ciro Gomes. O Ciro tem se afastado do PT. Como o senhor pretende se colocar nessa disputa? De que lado o senhor vai se colocar?

Tenho uma relação muito positiva com o Ciro e com o Cid. Temos uma aliança muito forte no Ceará. Muito mais nos une do que nos separa. Claro que há divergências. Eu defendi, antes das eleições, que nós apoiássemos o Ciro. Defendi até a chapa Ciro-Haddad. Acho que esse era o melhor caminho nesse momento.

Acredita que o resultado teria sido outro com essa chapa?

Não tenho dúvida que o resultado poderia ser outro, até porque o Ciro foi o terceiro colocado e o Haddad, o segundo. Houve uma reação muito forte ao PT nessa eleição, principalmente no Sul e Sudeste. Um antipetismo muito grande. Por mais que o Haddad seja uma pessoa de um grande caráter, um cara íntegro, havia uma rejeição muito grande por conta de ele ser do PT.

Foi um erro ter lançado o Haddad nessas circunstâncias?

Não cabe mais discutir se foi erro ou não. Já passou. Vamos agora pensar no futuro.

O que o PT precisa fazer para reverter esse desgaste de imagem?

Eu já defendi lá atrás que o PT precisa se reinventar, reavaliar os seus caminhos, se reorganizar, se aproximar das suas bases, movimento sindical e, muitas vezes, reconhecer os erros que foram cometidos. Acho que isso faz parte, isso demonstra de certa forma para a população e para o povo que todos estão sujeitos a cometer erros. Faltou um pouco isso para o partido, ter humildade. Querer construir um projeto que seja um projeto de nação. Isso precisa estar muito claro, não só para o PT, mas para todos os partidos. Às vezes, nosso posicionamento não é muito aprovado dentro das agremiações, mas tenho um estilo de sempre defender aquilo que acredito.

Quando o senhor fala reconhecer os erros se refere aos escândalos de corrupção?

É tudo. Não é só isso. Independentemente de partido, qualquer um que cometa um erro tem que responder, seja do PT, do MDB, do PSDB. Eu falo dos erros cometidos pelo próprio governo na condução da política econômica, na relação com movimentos sociais. Foram vários erros cometidos, estratégicos do partido, que precisam ser muitas vezes avaliados, acho que a autocrítica é importante. Se o homem público não for capaz de fazer uma avaliação, está fadado ao insucesso.

Faltou autocrítica na eleição?

Não na eleição. Acho que faltou ao PT um pouco (de autocrítica) durante todo o processo. O PT fez muito esforço e foi um grande vitorioso. Considero que o partido mais vitorioso dessa eleição foi o PT: elegeu o maior número de governadores, a maior bancada de deputados federais, elegeu senadores. Tirou 45% dos votos para presidente com um candidato que foi apresentado a 20 dias da eleição. Claro que há uma reação muito forte em algumas regiões do país, o antipetismo. Precisa ser reavaliado, analisado. Alguma coisa está errada. É preciso reconhecer.

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15 comentários

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Paulo Vendelino Kons

08 de janeiro de 2019 às 10h07

Mas o que é isso??????

Desde sempre o PT nos ensinou que “é a pobreza a causa da criminalidade do país”, o que faz de nós culpados. “Criminosa é a sociedade desigual”. “Bandido pobre não é bandido, é a vítima da sociedade”, berra o povo petista e os grupos políticos caudatários (psol, pcdob e assemelhados).

Assim – com a mesma histeria, cinismo e hipocrisia de dona Maria do Ossário Nunes – emerge meu estridente grito contra o governador do PT: mas o que é isso companheiro petista governador do Ceará Camilo Santana: como é possível que, uma excelência petista, avise que “vai endurecer no combate” às ‘pobres vítimas da sociedade’?????? Mas o que é isso??????… Mas o que é isso?????? Mas o que é isso??????… Peço os meus sais …

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No furico do cirismo

04 de janeiro de 2019 às 09h20

[ O ministro da Justiça, Sérgio Moro, não enviará homens da Força Nacional ao Ceará. A decisão foi tomada hoje à noite, e a medida seria uma maneira de obrigar o governador Camilo Santana a admitir publicamente que perdeu o controle da segurança no Estado e aceitar a intervenção federal proposta pelo secretário General Guilherme Teófilo.]https://cn7.com.br/moro-desiste-de-mandar-forca-nacional-e-camilo-esta-sozinho-para-enfrentar-ataques/?fbclid=IwAR27BKXz-8jkEAzSZ_UYLUPsxJQcxdykMf7cYudHBtHGRB06pjU8jBHDlrk

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Marcos Videira

03 de janeiro de 2019 às 01h35

Camilo foi reeleito governador do Ceará, no primeiro turno, com 80% dos votos.
Será que esse enorme sucesso político no Ceará não merece uma dedicada reflexão ?

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Samuel

02 de janeiro de 2019 às 20h20

Entrevista coerente e ponderada. Bem diferente da maioria dos petistas atualmente.

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Gustavo

02 de janeiro de 2019 às 19h53

Considero a opinião do governador correta. Talvez se a autocrítica viesse muitas coisas poderiam ser diferentes.

O PT com Lula teve muitos acertos (vide indicadores sociais e econômicos) e teve erros (não vou enumerar para não vir uma enxurrada de críticas e xingamentos) assim como Dilma também teve acertos e erros (ao contrário de Lula parece-me que o saldo ficou bem abaixo).

Muita gente apoiou-se nas fortes críticas aos erros do PT e cresceram com isso. O PT insistiu em não comentar e mesmo as “autocríticas” eram tímidas demais ou terceirizavam a culpa (quem não lembra do global José de Abreu vindo a público nos comerciais do PT dizendo que não era melhor tentar e não acertar em cheio do que não tentar ?). Dilma falou algo como “demoramos muito a perceber”, Haddad se esforçou mas ao comentar os problemas das desonerações fiscais e Lula limitou-se a dizer que erraram mas sem dizer quais eram ou que fariam pra corrigir.

Sem entrar no mérito se fizeram certo ou errado ou se a autocrítica era devida, acho que o tempo da autocrítica já passou. Dilma cometeu os alegados estelionatos eleitorais tem quase quatro anos, o impeachment ocorreu tem mais de dois anos, Lula já foi preso tem tempo e as eleições já acabaram.

Será que ainda faz sentido fazer a autocrítica ? Seria muito genuína, pois, sem eleição e com tantas baixas daria ares de sinceridade, mas talvez já seja um pouco tarde.

O melhor que o PT poderia fazer é unir-se e tentar fazer uma oposição responsável. Bolsonaro tem seus comentários toscos e algumas ideias equivocadas mas devem existir boas ideias que ajudem o país a melhorar. Sensata a frase “nós temos a responsabilidade de melhorar a vida da população”.

Não sou petista e muito menos bolsonarista, mas essa eterna briga de que um é facista e o outro é ladrão não vai ajudar a população. Divergências existirão mas achar o que une é muito mais importante do que exacerbar aquilo que separa. Rever esse comportamento (de ambos os lados) é a melhor autocrítica que se poderia fazer.

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    Samuel

    03 de janeiro de 2019 às 10h56

    Onde assino??

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Roque

02 de janeiro de 2019 às 12h16

O PT não aprende mesmo. Até os petistas de carteirinha sabem que se o PT não assumir publicamente os seus roubos, desvios, a corrupção generalizada nas empresas públicas, os pixulecos recebidos pelos seus líderes (Lula, Dilma,
Gleisi, Lindberg, Palloci, Vacari e tantos outros), vai desaparecer rapidinho. Na hora da roubalheira todo mundo aparecia. Mas na hora de assumir estes mesmos roubos, os ratos desaparecem…

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    A Era dos Boçais

    03 de janeiro de 2019 às 00h41

    A auto crítica petista já estamos fazendo: 1-o petismo foi imbecil quando fez política de valorização do salário mínimo, deveria ter sido de desvalorização, o que Bozo fez e foi super aplaudido pelo povo 2 – o petismo nunca deveria ter feito política de proteção social , mas ao contrário, tomar providência para a eliminação física desses, etc.. pois é isso que o povo quer. Quer mais canalhas????

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      Apolônio

      03 de janeiro de 2019 às 21h01

      A primeira “autocrítica” que o PT tem de fazer é admitir que a estratégia de confrontar o Poder Judiciário falhou, parar de tentar dizer a mentira “Lula foi condenado sem provas” mil vezes na tentativa de torná-la verdade, e deixar o caso Lula para o âmbito ao qual ele pertence, que é o judiciário e não o político.

      Mas a segunda autocrítica, também muito importante, é admitir que a condução ideológica da economia falhou, evidenciando que as ideias socialistas do partido estavam erradas e prejudicaram o país. Caso contrário fica como o amigo aí, tentando ser sarcástico ao mesmo tempo que fala uma verdade. A política do PT de aumentar o salário mínimo na marra foi um DESASTRE. Gerou pressão inflacionária e, pior de tudo, tornou o custo do emprego alto demais para os empresários, que ameaçaram demitir. No que ameaçaram demitir, o PT adotou uma segunda política errada para compensar a primeira, e desonerou os empresários de recolherem INSS, contribuindo para a crise da previdência, e lhes deu dinheiro fácil via BNDES, contribuindo para a crise fiscal. E ao fim e ao cabo, os empresários acabaram demitindo do mesmo jeito, fazendo a gestão Dilma de idiota – o que esse governo realmente foi.

      Como é que se melhora as condições do trabalhador, então? Por um lado, aumentando a produtividade, o que envolve melhorar a qualificação desse trabalhador e abrir a economia para que o Brasil se beneficie mais do comércio internacional. Por outro, diminuindo a sanha arrecadatária do estado, e deixando mais dinheiro na mão do trabalhador e menos na mão de políticos. Qualquer história de “mais estado” é pilantragem dos apropriadores desse estado.

      Responder

Paulo

02 de janeiro de 2019 às 10h54

Esse assunto de autocrítica já encheu.
Isso é coisa do Ciro, que gosta mesmo é de estar perto do poder. Não tem NENHUM compromisso com o Brasil. Viaja pra Europa na hora que o time precisa de reforço, muda de partido como quem troca de roupa, tem no currículo apoio a Tasso Jereissati, Itamar, FHC e Lula. Daqui a pouco ele cola no bozzo e arruma um cargo.
Outros q insistem em autocrítica do PT é globo e a direita.
Muda o disco pelo amor de Deus.

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    Justiceiro

    02 de janeiro de 2019 às 11h06

    Você, que critica a aliança de Camilo Santana com Jereissati, o que tem a dizer sobre Lula rifar a candidatura à reeleição de José Pimentel para apoiar a candidatura de Eunício Oliveira?

    O que você achou de Lula chutar a candidatura de Marília Arraes, com chances de ser eleita governadora em Pernambuco, para apoiar Paulo Câmara?

    Lula sacrificou a candidatura de Marília Arraes só para o PSB não apoiar Ciro Gomes, e você vem reclamara de Ciro ter viajado no segundo turno?

    Responder

    Samuel

    02 de janeiro de 2019 às 20h13

    Quanta abobrinha… vc deve ser leitor do dcm, 247 e outros papagaios do PT

    Responder

    Alan Cepile

    03 de janeiro de 2019 às 09h12

    A petezada tem pesadelos com o Cirão, rs

    Responder

Sebastião

02 de janeiro de 2019 às 10h06

Não entendo essa coisa de Miguel, de ficar somente com PT esse discurso da auto critica?! Camilo não seria o primeiro petista a falar isso, pois tem Rui Costa. Ou seria por Camilo ser afilhado de Ciro, esse destaque todo, Miguel?! Você se tornou um CIRISTA. Então, qualquer posição política ou comentários, será com esse viés.

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    Francisco

    02 de janeiro de 2019 às 11h21

    Camilo é tão petista quanto Cid.

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