Lançamento do livro “Lawfare: uma introdução”, com Lula

Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP

Deltan e a praga do individualismo neoliberal

Por Tadeu Porto

16 de julho de 2019 : 16h44

É notório que a Lava Jato burlou a essência do direito moderno para se tornar a maior operação policial da história do país. Já era sabido por nós que acompanhamos de perto todo o processo e a Vaza Jato veio para adicionar mais fatos sobre o assunto.

Além disso, as revelações do The Intercept Brasil trouxeram outra perspectiva sobre a força tarefa: como seus líderes são pequenos e mesquinhos. Pessoas baixas e antiéticas que focaram em grandes projetos pessoais, mesmo sendo figuras com altíssima responsabilidade pública.

Deltan Dallagnol, por exemplo, tinha na cabeça que corrupção “tira dinheiro da saúde, edução e segurança pública”, contudo, de tão alienado e individualista, não conseguiu enxergar o óbvio: a ganância dele tirou muito mais serviços essenciais da população.

A grande maioria (queria dizer todos, mas ando sem tempo pra pesquisar) dos indicadores sociais do país pioraram depois da Lava Jato. Nem isso foi suficiente para frear a sanha dos procuradores, entre eles Deltan. Desestabilizaram o país para ganhar dinheiro com a fama.

Em todos esses anos, DD poderia ter pensado em soluções para preservar os empregos que a LJ acabou destruindo . Sem falar nas obras de infraestrutura cruciais para economia, que pararam.

Pelo contrário, ele estava preocupado em ganhar dinheiro com palestras e com a diversão dos filhos no Beach Park, enquanto muitos desempregados da construção civil não conseguem sequer levar seus filhos ou filhas num simples parque da cidade.

A medida que as revelações da Vaza Jato se encaminham, vemos uma pessoa soberba e luxuosa, que, na vida real – fora das redes e mídia – pouco se importa com o povo.

Nem mesmo ensinamentos consolidados e incontestáveis, como a frase clássica do Tio Ben (personagem d’O Homem Aranha) “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”, pararam a ambição destrutiva do Deltan.

A agenda econômica do momento – neoliberal – vende que a competição é o melhor meio para para dar qualidade/acesso a bens e serviços. Prega, também, o mérito individual é como forma de poder (não à toa recebe o sufixo -cracia, de vez em quando).

Junta-se isso ao culto exacerbado à liberdade individual e a demonização do Estado (forma política e histórica de organização coletiva) e
voilà: o egoísmo acaba se tornando uma virtude.

Por fim, vale lembrar que a humanidade não se organizou coletivamente à toa. A Solidariedade e a empatia são fundamentais para compartilhar espaços e mediar conflitos.

Tom Jobim dizia, por exemplo, que é impossível ser feliz sozinho.

Milan Kundera, por outro lado, escreveu um clássico da literatura argumentando que as pessoas que ficam “mais leves que o ar” têm os movimentos “tão livres quanto insignificantes”.

E para quem tem dúvidas sobre as pesadas consequências de viver pensando somente em si mesmo: Rei Leão, live action (tenho minhas dúvidas se é mesmo live) vai estrear essa semana.

E quem não gosta das hienas afinal?

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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19 comentários

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Edibar

17 de julho de 2019 às 10h08

Esses dois vídeos abaixo são definitivos. Mas longe de mim vir aqui e querer pregar para convertido, como são a maioria dos que comentam aqui. Largo isso aqui na esperança de que qualquer um que leia os comentários e ainda tenha dúvidas do que é melhor ou pior possa refletir e tirar suas próprias conclusões.

https://www.youtube.com/watch?v=6yqA6-ukmfg
https://www.youtube.com/watch?v=661TPEvCCTU

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Adevir

17 de julho de 2019 às 09h25

A lavajato não destruiu empregos. Empresas pegas em corrupção quebraram, como deveria mesmo ser.
O que provocou a crise foi o descalabro fiscal das contas do governo. A sociedade simplesmente não sustenta mais essa máquina.

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Zé Trindade

17 de julho de 2019 às 09h01

Q textinho mais podre. Quer dizer q liberdade individual gera egoísmo. Mto egoísta a sociedade norte-americana, uma das que mais doa e pratica caridade espontânea no mundo.
Todas as sociedades onde as pessoas mais prosperam no mundo conseguiram isso seguindo a cartilha liberal: liberdades individuais, livre mercado, Estado que não atrapalha e direitos básicos fundamentais.

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    Adevir

    17 de julho de 2019 às 09h31

    Mto fácil mesmo vir publicar textinho demonizando liberalismo e capitalismo, os únicos meios na história da humanidade pelo qual as pessoas conseguiram prosperar com consistência.
    Pergunto ao Tadeu Porto quem paga as contas dele? A mãe dele ainda?? Quer pagar as minhas??

    Responder

Justus

17 de julho de 2019 às 08h48

Indicadores que antes eram apoiados sobre as estruturas da corrupção iriam mesmo piorar qdo essas estruturas ruíssem. A LJ é importantíssima, fez e faz um grande trabalho. Espero que os indicadores de desenvolvimento de agora em diante sejam construídos sobre a base solida da meritocracia, do livre mercado, da concorrência e da justiça.

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River Batista

16 de julho de 2019 às 21h10

Deltan: exemplo de brasileiro moderno, cabeça, sábio, honesto e patriota! Um gênio contra a corrupção. Deltan Dallagnol.

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Renato

16 de julho de 2019 às 19h59

“A grande maioria (queria dizer todos, mas ando sem tempo pra pesquisar) dos indicadores sociais do país pioraram depois da Lava Jato”. A maioria dos indicadores sociais piorou quando quebrou a máquinha de fazer dinheiro que o PT usava para manter a economia de pé . Se nao fosse o Senado dar um chute de bunda de Dilma, hoje estariamos em situação semelhante á da Venezuela !

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    Tadeu Porto

    17 de julho de 2019 às 08h28

    Pelo menos esse vem aqui e tem a honra de defender o Golpe de Estado que patrocinou. Não fica nesse papinho de “impeachment pq cometeu crime de responsabilidade”.

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Marcio

16 de julho de 2019 às 18h00

Agora a liberdade individual tem limites…??

Esses adoradores de ditaduras são o lixo da humanidade que ainda proliferam nesse fim de mundo.

Um dia a humanidade vai se livrar dessa desgraça.

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    Pedro Pulha

    16 de julho de 2019 às 18h08

    Quem adora ditaduras é o Bolsonaro.
    Defende a ditadura brasileira , defende o ditador Pinochet , defende o ditador e estuprador paraguaio.
    Defendeu até o Hugo Chavez , lembra?
    Te digo o mesmo do outro post.
    Você é a favor de legalizar as drogas?
    Então não fale em liberdade individual.

    Responder

      Marcio

      16 de julho de 2019 às 21h47

      O que Bolsonaro defende é problema dele e pouco me interessa, você está falando comigo.

      Responder

Pedro Pulha

16 de julho de 2019 às 17h56

Só discordo quanto à liberdade individual.
O neo-liberal defende liberdade econômica apenas , a grande maioria deles é contra legalizar as drogas e o aborto.
Ou seja , defendem a intervenção do estado na vida do indivíduo.
O MBL quer impedir exposições de arte e internar mulheres que abortam.
Aonde issó é liberdade individual?
Liberdade é o que Bakunin , os anarquistas espanhóis e italianos pregavam.
Nimguém é livre tendo patrão.

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    Flávio

    17 de julho de 2019 às 00h06

    “O neo-liberal defende liberdade econômica apenas , a grande maioria deles é contra legalizar as drogas e o aborto.”. Qual o problema em ser liberal na economia e conservador nos costumes? Ou não pode ? Os esquerdistas são contra a liberdade econômica e a favor de legalizar as drogas e o aborto. Aí pode, militonto ?

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      Alexandre Neres

      17 de julho de 2019 às 09h05

      O problema reside no fato de que essa corja nacionalista seguindo a onda mundial, incapaz de elaborar o que quer que seja, apenas diz amém ao que vem de fora, não se restringe a ser liberal na economia e conservador nos costumes. Peguemos Paulo Guedes, um economista chinfrim que nunca ocupou posição de destaque, péssimo formulador e que não tem o menor traquejo para lidar com o Congresso. O paradigma desses caras é o Chile do Pinochet, que, devido à falta de democracia, era o laboratório ideal para a implantação do neoliberalismo, como pontuaram Hayek e Friedmann, inclusive Paulo Guedes esteve por lá. O xis da questão é que, ao lado do ultraliberalismo, do conservadorismo nos costumes, vem junto no pacote a ojeriza à democracia.

      Responder

    Tadeu Porto

    17 de julho de 2019 às 08h24

    Pedro, seu ponto de vista é muito bom. Eu tentei caracterizar essa “liberdade individual” com “culto exarcebado” justamente para tentar mostrar a distorção do conceito que eles seguem. Pq por mais que eles não pratiquem, o discurso é de liberdade total dentro de uma retórica (boba, mas cola).
    Coisa do tipo: “sou livre para ser conservador”, saca?
    Mas seu comentário ajuda ainda mais o texto, para aprofundarmos nesse assunto! Muito obrigado! :)

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    Justus

    17 de julho de 2019 às 08h53

    Vc é livre pra pedir demissão e procurar outro emprego, seu pulha.

    Q eu saiba, quem dá emprego é o patrão. Me avise o dia q empregado começar a gerar emprego.

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Marcio

16 de julho de 2019 às 17h39

Esses vermes imundos não possuem vergonha de nada.

A ideologia nefasta está desaparecendo a cada dia que passa, serão lembrados como a imundícia da história.

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Flávio

16 de julho de 2019 às 17h25

“Pessoas baixas e antiéticas que focaram em grandes projetos pessoais, mesmo sendo figuras com altíssima responsabilidade pública.” Ao ler essa frase me vieram à mente os nomes de Lula, Zé Dirceu, Palocci, Frnakilin Martins….todos eles correndo atrás do dinheiro fácil das palestras e consultorias de araque !

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Marcio

16 de julho de 2019 às 17h05

Cuba é o lugar ideal para o esterco de asno que escreveu essa montanha de fertilizante natural.

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