STF discute prisão em 2ª instância

Datafolha mostra que bolsonarismo resiste entre brasileiros de renda média

Por Miguel do Rosário

02 de setembro de 2019 : 08h24

Vamos ir na contramão do entusiasmo da imprensa liberal, de um lado, e da mídia alternativa progressista, de outro, e procurar analisar os números da pesquisa Datafolha, revelados hoje, sob um olhar mais cético.

As comparações dos números de hoje, divulgados em reportagem da Folha, devem ser feitas com as pesquisas de julho e de abril.

De maneira geral, os números são ruins para Bolsonaro porque mostram que suas trapalhadas políticas estão contribuindo para fazer ruir a reputação do “mito” entre muita gente.

A aprovação (ótimo e bom) do presidente se deteriorou 4 pontos em relação à última pesquisa, feita no início de julho. Ele tinha aprovação de 33 pontos em abril, a qual subiu para 34 em julho, e agora caiu para 29 pontos.

Para quem gosta tanto de Donald Trump, vale lembrar que, segundo a última pesquisa Fox, realizada nos dias 11 a 13 de agosto, e analisada recentemente aqui no blog, Trump tinha apoio de 42% dos americanos, sendo 27% de “apoio muito forte”, e “15% de apoio relativo”, e Trump já enfrenta o desgaste  de alguns anos de governo.

A rejeição a Bolsonaro, por sua vez, vem subindo continuamente, refletindo o que parece ser a obsessão principal do presidente, de manter o discurso de polarização: tinha 30% de rejeição (ruim ou péssimo) em abril, subiu para 33% em julho, e agora tem 38% dos brasileiros que o rejeitam.

Entretanto, e isso é o fator que ainda conta em favor do presidente, esses números são muito díspares entre as diferentes categorias sociais e regionais do país.

E o mais importante para Bolsonaro, ele ainda tem apoio de seus próprios eleitores: segundo o Datafolha, 57% dos que votaram em Bolsonaro no segundo turno ainda o consideram ótimo ou bom. Esse apoio registrou queda de 3 pontos, pois em julho, 60% de seus eleitores o achavam ótimo e bom. Mas em abril, o apoio a Bolsonaro entre seus eleitores havia sido de 54%.

Entre eleitores de Haddad no segundo turno, Bolsonaro é rejeitado por 69%, segundo o Datafolha divulgado hoje.

Em números absolutos, esses 57% de apoio entre os eleitores de Bolsonaro correspondem a aproximadamente 33 milhões de pessoas; ao passo que os 69% de eleitores de Haddad que o rejeitam hoje correspondem a 32 milhões de pessoas.

A aprovação a Bolsonaro  continua mais forte entre brasileiros de renda média entre 5 e 10 salários (39% de aprovação), entre os quais se registrou uma oscilação de dois pontos para cima; em julho, Bolsonaro tinha 37% de aprovação neste segmento; em abril, 43%.

Para a aprovação por região, a Folha divulgou apenas alguns números. Por exemplo, a aprovação de Bolsonaro no Sul agora é de 37%, contra 42% em julho, e 39% em abril.

Um segmento importante onde Bolsonaro também vem perdendo apoio é entre os brasileiros com ensino superior, entre os quais hoje 43% acham ruim ou péssimo seu governo, contra 35% em abril e 36% em julho.

 

 

 

 

 

Conclusão: não se pode negar a deterioração política do governo Bolsonaro, diante do notório despreparo do presidente.

Entre brasileiros mais pobres e do Nordeste, a reprovação ao presidente está se aprofundando, o que é uma boa notícia para a oposição, que mantém suas fortalezas e começa a causar estragos, ainda que modestos, nos núcleos bolsonaristas mais resistentes, compostos pelo próprio eleitorado de Bolsonaro, por brasileiros de renda média e mais escolaridade, e por eleitores residentes no Sul e Sudeste.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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19 comentários

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Adalberto

02 de setembro de 2019 às 20h06

E ainda dizem q ignorantes são os desvalidos

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Alan C

02 de setembro de 2019 às 16h07

Eu mesmo tenho alguns amigos bolsominions fanáticos que já estão postando críticas, coisa que eu pensava não ser possível.

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Dutra

02 de setembro de 2019 às 15h32

Bolsonaro e sua patota vão entrarem para história como o desgoverno mais incompetente da república brasileira! Chega de tanta incompetência e safadeza!

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degas

02 de setembro de 2019 às 13h51

Convivendo e acompanhando a opinião de uma grande quantidade de pessoas que votou no Bolsonaro, eu diria que há dois motivos que não está sendo considerados:

1 – A acusação de que ele está boicotando ou tentando boicotar o Moro e a Lava Jato, mais populares que o presidente entre seu eleitorado.
2 – O modo como ele foi enredado pelas falsas acusações de que as queimadas foram exageradas (as da era Lula eram quase três vezes maiores). Era difícil reagir pois neste caso a mídia esquerdista nacional estava sendo usada por poderosos interesses internacionais. Mas ele devia estar prevenido contra isso e se desgastou.

Que o poste do Molusco venceria é piada do Mundo do Se. E quanto ao pessoal de baixíssima instrução que ainda constitui o núcleo sustentador do petismo, a “solução” é a mesma do PT: comprar lealdade com 13° do Bolsa Família e ações similares. O Nordeste está incluso aí, pois quase metade da sua população recebe BF. Em breve isso começará e até 2022 tem bastante tempo.

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Anjo

02 de setembro de 2019 às 12h44

Difícil acreditar em pesquisas, quando as mesmas, nos mostravam um segundo turno completamente diferente do que aconteceu.

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NeoTupi

02 de setembro de 2019 às 11h26

Acho que as conclusões mais essenciais são:
1) Se a eleição fosse hoje, Haddad venceria com 6 pontos de dianteira por 42% x 36%, de acordo com este mesmo Datafolha;
2) O número de bolsominions arrependidos já alcança 25% (1 em cada 4 eleitores de Bolsonaro não votaria nele de novo se a eleição fosse hoje);
3) A boca do jacaré abriu pela primeira vez, entrando em trajetória de queda de popularidade.
4) Há inversão de expectativas do cidadão em relação ao governo (gráfico “população está mais desesperaçosa com o governo federal).

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    Edibar

    02 de setembro de 2019 às 11h37

    Mas não nos esqueçamos que o Bolsonaro ganhou muito em função do voto anti-petista. Creio que esses possam ser de onde vem a maioria da rejeição ao Bozo. Não creio que, se a eleição fosse hoje, esses votos iriam imediatamente para o outro lado.

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      NeoTupi

      02 de setembro de 2019 às 13h53

      A simulação é de segundo turno, obrigando a escolher entre os dois.
      Haddad teve 40,5% dos votos totais depositados nas urnas em 2018 e Bozo 50%. Então Haddad praticamente manteve seu eleitorado (apenas oscilou 2 pontos para cima nesta pesquisa), enquanto Bozo perdeu 14 pontos, aumentando nulos e brancos de 9 para 22%.
      Então a rejeição ao Bozo hoje está maior do que ao petista.
      A minha leitura desta pesquisa é que hoje há menos eleitores dispostos a votar no Bozo apenas para impedir vitória do PT, ou que viam algum diferencial melhor em Bozo.
      Acredito que com o tempo as pesquisas sobre 1o. turno com vários candidatos, trará migração do voto no Bozo para outros candidatos de direita ou centro, mas lembre-se que há eleitores que já votaram no PT no passado e experimentaram votar em Bozo por mudança, que podem voltar a votar no PT se a vida dele melhorou no governo PT e piorou depois. É o voto com a mão no bolso.

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    Carlos Marighella

    02 de setembro de 2019 às 14h09

    Haddad não venceria, os eleitores do bozo votariam em algum outro candidato da direita.

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Flávio de Souza

02 de setembro de 2019 às 10h39

Conclusão: nada mudou; os mesmos 60% de pacóvios de sempre continuam satisfeitos com o nazista (somando-se os que acham seu governo regular, bom e ótimo).
O fato é que o Brasil está infestado de nazistas desde a década de 1930, especialmente nas regiões sul, sudeste e centro-oeste.
Note-se também que o segmento denominado “empresários” é constituído, em sua esmagadora maioria, por comerciantes de bairro, ou seja, gente com visão de mundo de toupeira.

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Paulo

02 de setembro de 2019 às 10h19

O Brasil tem 50 milhões de evangélicos, que são mobilizados – muito mais que os católicos, por exemplo. Isso corresponde a 1/4 da população brasileira. Enquanto Bolsonaro permanecer com o discurso pentecostal, terá 25% de apoio. O mais são alguns ricos e de classe média que detestam o PT (com razão) e pobres desinformados esparsamente distribuídos…

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    NeoTupi

    02 de setembro de 2019 às 14h06

    Mesmo nesse eleitorado ele está em queda. No Datafolha da véspera do segundo turno (25/10), 59% dos evangélicos declaravam votar em Bozo.
    Agora caiu para 46% dos neopentecostais que consideram o governo Bozo bom/ótimo. Entre os evangélicos não neopentecostais a aprovação é menor do que isso.

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      Paulo

      02 de setembro de 2019 às 20h00

      Bem, a pesquisa, costuma-se dizer – e nem poderia ser diferente -, é um “retrato do momento”. Não creio que faça muito sentido pra 2022, por enquanto…e, quanto aos evangélicos, será que se o pastor mandar votar o cidadão não vota? Não sei se desconheço ou subestimo os evangélicos…

      Responder

Marcio

02 de setembro de 2019 às 09h35

Mesmo com todo o esforço da Globo e da Folha não mudou nada, estão brincando com a cara dos esquerdistas de novo.

O antipetismo e o apoio a lava jato continuam em alta.

Os que a esquerda define como pobres gostam de palavrinhas falsas bem colocadas, a esquerdalha podre sempre foi “maestra” na exploração da miséria.

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Alan C

02 de setembro de 2019 às 09h30

Redação, o título que vc escolheu contradiz o conteúdo da matéria.

Responder

    Redação

    02 de setembro de 2019 às 10h03

    Não, Alan. Olhe esse trecho do post: “A aprovação a Bolsonaro continua mais forte entre brasileiros de renda média entre 5 e 10 salários (39% de aprovação), entre os quais se registrou uma oscilação de dois pontos para cima; em julho, Bolsonaro tinha 37% de aprovação neste segmento; em abril, 43%.”

    Não estou aqui a cata de notícias boas. Cansei dessa “vibe”. Quero procurar onde tem problema.

    Ah, e estou decidido a resolver, de uma vez por todas, o problema dos trolls nos comentários. Vou deixar o blog com moderação até resolver. Estou tentando autorizar apenas comentaristas cadastrados e logados.

    Abs,
    Miguel

    Responder

      Alan C

      02 de setembro de 2019 às 11h11

      Ok, não digo que vc está errado na sua colocação, embora este seja o único parágrafo que fala sobre alguma coisa boa do bozonarismo, de resto são só perdas.

      Quanto a suposta cata de notícias boas, vc não fazer isso é o principal motivo por eu te acompanhar, pq o restante da blogosfera é uma ode chata e surreal ao petismo, da mesmíssima forma como as fontes da direita fascistóide faz com a bozolândia, aliás, volta e meia digo isso aqui, a semelhança entre os dois é ENORME, apenas de forma antagônicas, duas faces da mesma moeda que se retroalimentam.

      Quanto ao fórum, este por enquanto morreu. Ou vc muda algo, ou será apenas essa sacanagem que eu me divirto em participar sem falar nada sério.

      Responder

        Redação

        02 de setembro de 2019 às 11h21

        Valeu. Já mudei. Agora todos os comentários são moderados. Eu lhe ouvi, Alan. Aliás, obrigado também por criticar. Eu ouço e assimilo as críticas, de verdade.

        Responder

Adevir

02 de setembro de 2019 às 08h40

“Cresce a reprovação do governo Bolsonaro”
Pudera. Ele tem se esforçado pra isso.

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