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A campanha contra privatização da Caixa

Por Redação

21 de outubro de 2019 : 15h47

Na Fenae

Comitê em Defesa da Caixa Economica lançará campanha contra Privatização

Evento aconteceu na última terça e teve como objetivo conversar com os empregados e chamar a atenção para os prejuízos da privatização

Empregados da Caixa, representantes de entidades em defesa da moradia, parlamentares e defensores das empresas públicas do país participaram nesta terça-feira, em Brasília, do pré-lançamento da campanha #ACaixaétodasua, conduzida pelo Comitê Nacional em Defesa da Caixa contra a venda – já em andamento – das partes das lucrativas da empresa. Desde o primeiro semestre, a nova direção do banco promove o “desinvestimento” da instituição, com a venda (abertura de capital) da Caixa na Bolsa de Valores, pela primeira vez em 158 anos.

A equipe econômica do governo está priorizando a venda das subsidiárias que dão mais lucro, como as áreas de Cartões, Seguros e loterias e gestão de ativos. A gestão do FGTS também pode ser privatizada. O evento de pré-lançamento no DF aconteceu na Matriz 3 da instituição. Reconhecida como o banco dos brasileiros e agente das principais políticas públicas do país, a Caixa, além de empresa financeira, atua como indutor do desenvolvimento regional, principalmente nos municípios mais carentes do Norte e Nordeste. Vender o banco é parar programas e serviços como saneamento básico, financiamento estudantil (Fies), Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Para a presidente do Movimento Popular por Moradia do Distrito Federal e Região (Amora), Cristiane Pereira dos Santos, o movimento entende bem a importância da Caixa para que a população mais pobre também realize o sonho casa própria. A Amora reúne pessoas como catadores de material reciclado e moradores de rua.

“Só conseguimos acessar qualquer programa habitacional por meio da Caixa. O sistema bancário é proibitivo para nós. Muitas vezes a gente não consegue nem entrar nas agências de bancos privados. Mas na Caixa, como tem essa vocação de ser um banco popular, ela atende nosso público que tem muita dificuldade de bancarização e financeira”, contou Cristiane.

A campanha #ACaixaétodasua é capitaneada pelo Comitê Nacional em Defesa da Caixa, que tem a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) entre seus integrantes. Para o presidente da Federação, Jair Pedro Ferreira, a campanha acontece em um momento decisivo para o país, com um ataque grande às empregas públicas e principalmente à Caixa.

“Queremos envolver todos os empregados, os aposentados, a sociedade para defender essa empresa que tem 158 anos de existência. Não podemos permitir um retrocesso. São milhões de residências financiadas pela caixa, milhões de benefícios repassados aos trabalhadores e isso tudo é responsabilidade nossa”, convocou Ferreira.

O vice-presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, reforçou o papel social que a Caixa tem no desenvolvimento de todos Brasil e também convocou a população para defender o banco dos brasileiros. “Não podemos permitir que as privatizações acabem com os programas sociais e destrua o papel da caixa. Queremos o apoio da população e dos empregados para fazer a defesa da nossa empresa”, destacou Takemoto.

Para a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), a ação é em defesa não apena da empresa, mas de todo povo brasileiro. “A caixa é responsável por 98% do crédito habitacional para a população, uma empresa que deu civilidade ao povo quando centralizou as contas do FGTS. E agora o trabalhador sabe que seus recursos estão sendo geridos para as políticas habitacionais e desenvolvimento urbanos. Por isso, essa empresa é tão importante para o Brasil e a gente quer ela toda, não aos pedaços”.

A campanha contra a privatização da Caixa ganhará as ruas a partir da semana que vem. Formam o Comitê Nacional: Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Federação Nacional dos Gestores da Caixa Econômica Federal (Fenag), Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal (Fenacef), Associação dos Advogados da Caixa Econômica Federal (Advocef), Associação Nacional dos Engenheiros e Arquitetos da Caixa Econômica Federal (Aneac), Associação Nacional dos Auditores Internos da Caixa Econômica Federal (AudiCaixa), Associação Nacional dos Técnicos Sociais e Assistentes de Projetos Sociais da Caixa Econômica Federal (Social Caixa), Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) e Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), além das centrais sindicais CUT, CTB, Intersindical, CSP/Conlutas e UGT.

Eletrobras – O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse hoje que o projeto de privatização da Eletrobras deverá ser enviado ao Congresso Nacional até o início de novembro. “O projeto de lei deverá ser encaminhado até o final do mês ou no início de novembro”, explicou durante leilão para contratação de novas fontes de energia.

Segundo o ministro, está sendo feita uma articulação com os parlamentares sobre a tramitação da proposta do governo. “Vamos ver como isso será feito, vamos conversar ainda com algumas lideranças do Congresso Nacional. Eu pretendo entregar esse projeto de lei ao Congresso Nacional pessoalmente, tendo em vista a relevância”.

Albuquerque explicou que está mantida a ideia de uma privatização por capitalização, ou seja, aumentando o capital da empresa de forma a diluir a participação societária da União na companhia.

Na última segunda-feira (14), a Eletrobras anunciou um processo de capitalização com a intenção de aumentar em R$ 9,9 bilhões o capital da empresa com a emissão de novas ações. Desse montante, R$ 4 bilhões serão aportados pela própria União, controladora da empresa.

Na semana passada, a Eletrobras lançou um Plano de Demissão Consensual com o objetivo de desligar 1,6 mil funcionários. A meta da empresa é economizar R$ 510 milhões ao ano com a redução do quadro de empregados.

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