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EUA bombardeiam cerca de 90 alvos no Irã em nova escalada; Teerã retalia contra bases americanas no Kuwait e Bahrein

0 Comentários🗣️🔥 O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar de forma abrupta nesta quarta e quinta-feira (8 e 9), colocando em xeque o frágil memorando de entendimento assinado em 17 de junho entre os dois países. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM), a nova onda de ataques […]

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O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar de forma abrupta nesta quarta e quinta-feira (8 e 9), colocando em xeque o frágil memorando de entendimento assinado em 17 de junho entre os dois países. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM), a nova onda de ataques atingiu aproximadamente 90 alvos militares iranianos — entre sistemas de defesa aérea, estruturas de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e instalações de apoio logístico ao longo da costa do país.

Uma escalada que já provoca vítimas e reação em cadeia

Os ataques atingiram cidades da costa sul iraniana, incluindo Bandar Abbas — principal porto do país e base estratégica da Marinha e da Guarda Revolucionária —, além de Konarak e Chabahar, próximas à fronteira com o Paquistão. Houve interrupção no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas, e a mídia estatal iraniana confirmou a morte de um bombeiro em ataque contra o aeroporto de Iranshahr, no sudeste do país. No norte, um ataque também teria atingido uma ponte ferroviária próxima à cidade de Aqqala, segundo a Press TV.

O Irã reagiu no mesmo dia, direcionando ataques contra o Kuwait e o Bahrein — países que sediam bases militares americanas na região — pelo segundo dia consecutivo. O Ministério da Defesa kuwaitiano informou estar interceptando mísseis e drones, e o Catar chegou a emitir um alerta de “ameaça de segurança elevada”, posteriormente suspenso.

O gatilho: ataques a petroleiros e a ameaça sobre Hormuz

Segundo Washington, a ofensiva foi motivada pela necessidade de preservar a livre navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante do petróleo comercializado globalmente. O CENTCOM atribuiu ao Irã a responsabilidade por ataques recentes contra navios comerciais na região, classificando a ação iraniana como agressão contra embarcações e tripulações civis que navegavam por uma via marítima internacional.

O presidente Donald Trump classificou a resposta americana como retaliação direta: “Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã”, escreveu na rede Truth Social, acrescentando que qualquer nova ação iraniana receberia resposta ainda mais dura. Horas antes, durante a cúpula da Otan na Turquia, Trump já havia sinalizado considerar encerrado o entendimento com Teerã, dizendo duvidar da capacidade iraniana de honrar qualquer acordo e classificando as autoridades do país como pouco confiáveis. Ainda assim, o presidente minimizou o risco de uma guerra plena, avaliando que qualquer nova escalada tende a se resolver rapidamente.

A resposta iraniana: linha dura e ameaça de sair do Tratado de Não Proliferação

Do lado iraniano, o principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou mensagem afirmando que os americanos ainda precisam aprender que “intimidar e quebrar seus compromissos não deixam mais de ter custo” — e prometeu retaliação a qualquer novo ataque. Qalibaf também deixou claro que a reabertura do Estreito de Ormuz só ocorrerá sob condições determinadas por Teerã, não por imposição americana.

A diplomacia iraniana também acionou o Conselho de Segurança da ONU, acusando os Estados Unidos de violação da Carta das Nações Unidas e de suas obrigações internacionais. Internamente, parlamentares iranianos já discutem opções de retaliação mais amplas, incluindo a retirada do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear, mudanças na doutrina nuclear nacional e o fechamento do Estreito de Bab-el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho — outra rota crítica para o comércio marítimo global, que se fechada ampliaria significativamente o alcance econômico do conflito para além do Golfo Pérsico.

Mercado reage, mas sem repetir o pico de abril

A escalada já pressiona os preços internacionais de petróleo: os contratos futuros do Brent subiam cerca de 1%, para US$ 78,80 o barril, na madrugada desta quinta. O valor, porém, ainda está bem distante do pico de mais de US$ 120 registrado no fim de abril, durante a fase mais aguda do conflito — quando a guerra durou cinco semanas antes da primeira rodada de cessar-fogo.

Um padrão que já se repete desde junho

O episódio confirma um padrão observado desde a assinatura do memorando de entendimento: aquilo que deveria ser o início de uma trégua permanente tem sido interrompido por sucessivas violações de ambos os lados, alternando períodos de acalmia com nova escalada militar. A situação eleva o risco de que o conflito volte a se espalhar por rotas marítimas estratégicas globais — com efeitos diretos sobre o preço da energia em todo o mundo, incluindo o Brasil, que como visto em análises recentes tende a colher parte dos ganhos comerciais dessa instabilidade, ainda que às custas do agravamento humanitário e geopolítico no Oriente Médio.

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