Live de Flavio Dino, Ciro Gomes, Martha Rocha e Brizola Neto

Grau de confiança do Datafolha mostra cenário político ainda fortemente polarizado por renda familiar

Por Miguel do Rosário

06 de janeiro de 2020 : 21h47


O Datafolha divulgou hoje o relatório completo de uma pesquisa que realizou em dezembro, medindo o grau de confiança dos eleitores em personalidades políticas selecionadas.

Eu tabulei os resultados numa tabela única, e fiz algumas simplificações editoriais para oferecer uma visão geral da pesquisa.

Optei por apenas 4 nomes. Dois governistas, da direita: Bolsonaro e Moro. E dois nomes da oposição, da esquerda: Lula e Ciro.

E aqui vai uma crítica construtiva ao Datafolha: inclua o Flavio Dino nessas pesquisas!

A inclusão de Manuela D’Ávila nessa sondagem foi meio nonsense, visto que a ex-deputada não tem nenhuma aspiração (que se saiba) de ser candidata presidencial, ao contrário de Flavio Dino.

A tabela que editamos separou algumas categorias sociais e as seguintes notas: grau de confiança baixo, grau de confiança alto, nota zero e nota 10.

Com isso, temos uma noção melhor sobre os núcleos duros de apoio e rejeição.

Fiz várias marcações em vermelho, para apontar números negativos das personalidades; e também azul, para sinalizar os pontos positivos.

Fiz um gráfico com as notas zero e 10 para os quatro nomes selecionados.

No grafico de nota zero, fica patente que o ex-presidente ainda enfrenta forte rejeição nas categorias de renda média, que começa a partir de dois salários, e dá um salto a partir de 5 salários.

Na faixa com renda de 5 a 10 salários, 41% deram nota zero a Lula; Bolsonaro recebeu apenas 17% de zero nessa faixa; Moro, apenas 13%; Ciro recebeu 21% de nota zero entre esses eleitores.

No gráfico de nota 10, por outro lado, a força de Lula entre eleitores mais pobres permanece imbatível.

Entre os eleitores com renda familiar até 2 salários, 37% deram nota 10 a Lula, ao passo que apenas 12% dos entrevistados dessa faixa deram nota 10 a Bolsonaro, apenas 21% deram 10 a Moro e 7% a Ciro.

Os números mostram um cenário ainda extremamente polarizado por faixa de renda.

Sergio Moro tem muita força entre eleitores que se identificaram como “empresários”: 57% deram notas de confiança alta (9 e 10) para o ministro. Lula, por sua vez, ganhou 85% de notas baixas junto a esse público.

Entre estudantes, a situação se inverte: Lula tem 25% de notas altas, e Moro, apenas 11%.

O grau de confiança de Sergio Moro é alto no Sul, 43% de notas altas (9 e 10), contra 20% do ex-presidente Lula; 27% de Bolsonaro; e apenas 8% de Ciro.

Já no Nordeste, Moro tem 22% de notas altas, contra 49% de Lula, 15% de Bolsonaro e 19% para Ciro.

O ex-presidente Lula não tem uma boa performance entre eleitores sem partido (maioria do eleitorado): nesta categoria, ele ganhou 31% de nota zero, e 64% de notas baixas (0 a 5). Ciro tem 18% de nota zero junto ao eleitor sem partido, e 68% de notas baixas (0 a 5). Bolsonaro e Moro tem 18% e 11%, respectivamente, de notas zero junto a esse mesmo eleitor, e 51% e 38% de notas baixas (0 a 5).

Entre eleitores com nível superior, Lula obteve grau de confiança nível baixo (nota 0 a 5) de 72% dos eleitores; entre eleitores com ensino médio, 55% deram nota baixa ao ex-presidente; apenas 37% daqueles com instrução até o ensino fundamental deu nota baixa a Lula.

Entre estes últimos Lula lidera no ranking de confiança, com 46% de notas altas; ainda olhando apenas para eleitores com escolaridade até o ensino fundamental, Bolsonaro, Moro e Ciro tiveram notas altas de 26%, 34% e 16%, respectiavmente.

Sergio Moro pontua melhor entre eleitores com maior escolaridade: 37% dos entrevistados lhe deram nota alta (9 a 10); 40% lhe deram notas baixas de confiança (0 a 5).

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Tiago

07 de janeiro de 2020 às 19h52

O Ciro é muito ruim de estratégia política e está muito mal assessorado, pois nessa polarização ele não consegue nem ser um polo. A estratégia para que ele tivesse sucesso seria ser um Anti-Moro/Guedes, enquanto deixava o Lula ser o Anti-Bolsonaro (mesmo que deveria ser sabido pelo Ciro que se não bater no Bolsonaro, não será opção ao Bolsonaro em 2022).

A estratégia seria ter embates Razão (e Ciro deveria demonstrar que seria um polo de razão em questões sociais, em gestão pública e em questões econômicas) x Razão (quem o eleitorado confere razão como Moro, Guedes e Tarcísio)… E Emoção (Lula) x Emoção (Bolsonaro).

Daí era torcer para a população se cansar da polarização emocional para buscar a polarização racional. Porém o Ciro não aparece batendo nem nos polos todos como racionais da classe média (daí tinha que buscar o eleitorado que está tendendo no Moro/Guedes/Tarcísio e os desqualificar), assim como aparecer mais batendo no Bolsonaro e familícia para o Ciro ser uma opção ao Bolsonaro em 2022 (já que pelo centro ou pela centro-direita já há inúmeras opções para este eleitorado, além de Ciro representar para este eleitorado de direita como última opção). O foco deveria ser classe média (2 a 5 SM e 5 a 10 SM nas regiões sul, centro-oeste e sudeste). Porém, erram quando aparecem sendo apenas mais um anti-PT (que tem um eleitorado emocional principalmente de até 2 SM).

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Antonio Sobreira

07 de janeiro de 2020 às 18h20

Belo trabalho, permite muitas análises interessantes, ainda que se possa contestar aspectos da tomada do dado primário. parabéns pelo esforço!

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Marcelo Xavier

07 de janeiro de 2020 às 17h13

Metade da população confia no Xerife, metade confia no bandido. É por essa e por muitas outras que um país com um povinho dessa laia nunca sairá do buraco.
https://amarretadoazarao.blogspot.com/2020/01/uma-vela-ao-xerife-outra-ao-bandido-ou.html

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Marcos Videira

07 de janeiro de 2020 às 14h49

O apoio do PDT aos candidatos de outros partidos deveria ser negociado com base na implantação PROGRESSIVA de Escolas Públicas de Qualidade com Período Integral. O método pedagógico pode ser o utilizado em Sobral/CE. Ciro na Presidência destinaria verbas suficientes para acelerar a implantação de escolas de período integral. Essa seria uma contribuição importante para o futuro do Brasil e não ficaria restrito à troca de votos.

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Marcos Videira

07 de janeiro de 2020 às 14h39

O enorme esforço de Ciro está sendo recompensado. Agora ele precisa aproveitar os palanques, passeatas, TV, rádio etc. dos candidatos a prefeito a fim de fortalecer determinadas mensagens que o identificam. Este ano de 2020 é estratégico para 2022.

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maria do carmomGoverno

07 de janeiro de 2020 às 12h11

Que horror!!! Maior cargo o de presidente ocupado pelo bolsonaro desvairado, despreparado para tudo, mentiroso, idiota, chanceler ernesto araujo outro idiota igual, ministro da educacao que escreve errado, outro igual, augusto nunes infeliz, amargurado, mal amado, covarde e descontrolado, estamos num manicomio, necessario interdita-los, o Brasil nao merece esses ignorantes que nao entendem suas funcoes, todos insanos e irresponsaveis!!! Abaixo desgoverno bolsonaro com seus ministros oportunistas!!!

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Paulo

07 de janeiro de 2020 às 10h52

Lula 2022!

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Alan C

07 de janeiro de 2020 às 08h35

Não vejo muito sentido na presença do Moro, apesar de ser óbvio suas aspirações na política, afinal, barrou Lula num acordo com a bozolândia, ele nunca passou pelo crivo de uma eleição, nunca sofreu os desgastes dela, nunca foi sabatinado, nunca participou de um debate, sempre se escondeu atrás da “””””IMPARCIALIDADE””””” e juiz (um milhão de aspas neste caso).

O dia que ele, com essa voz estranha de marreco complexado, começar a falar CONGE e toda a fraqueza e inconsistências que ele já mostrou ter, veremos esse gráfico dele despencar.

OBS: Não iriam colocar o Dino na pesquisa e sabemos pq. Seria uma propaganda e o PIG jamais faria isso, preferem colocar, estrategicamente, uma “candidata” que não é candidata… PIG sendo ridículo e previsível como sempre.

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Paulo Cesar Cabelo

07 de janeiro de 2020 às 00h35

Se imaginarmos isso como prévia da pesquisa para presidente eu diria que Lula deve estar à frente de Bolsonaro e pouco atrás de Moro em empate técnico em ambos os casos , isso num cenário impossível ( ou nem tanto) sem Bolsonaro e com Moro , que o datafolha vai inventar , com os dois na disputa Lula lidereraria também.
E Ciro continua com seus 11% mas seus eleitores acham que ele sozinho vai derrotar o PT e o Bolsonaro.
Está claro , até o Miguel enxerga , o país está dividido , ninguém quer o centro.

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Paulo

06 de janeiro de 2020 às 23h07

Se 25% dos estudantes têm grau de confiança alto, em relação a Lula, eu diria que a juventude está perdida, como talvez sempre tenha estado. Emulando Nelson Rodrigues, eu diria: “Jovens, envelheçam!”.

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