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Fonte: Wikipedia.

Mario Heringer: temos que ser uma alternativa política independente e original

Por Redação

18 de julho de 2020 : 10h56

O deputado Mario Heringer (PDT-MG) nos enviou artigo onde explica porque, em sua opinião, o agrupamento de legendas reunido sob o movimento Janelas pela Democracia não deveria ter permitido a entrada do Partido dos Trabalhadores.

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Mario Heringer: Por que devemos manter distância do PT?

Por Mario Heringer*

Alguns amigos da “turma boa”, apelido informal que damos a militância maravilhosa que floresce ao redor do projeto nacional de desenvolvimento(PND), ficaram chateados comigo porque eu externei a opinião de que a entrada do PT no movimento “Janelas pela Democracia” acabaria por prejudicá-lo.

Primeiro, vamos pôr as emoções de lado. O que está em jogo é o futuro de um país com 210 milhões de habitantes. O nosso futuro! Emoções são fundamentais para a política, mas nossas decisões precisam ser baseadas no debate racional.

Reconheço ter incluído emoção no post.

Em segundo lugar, vamos tomar cuidado para não cair no mesmo erro que alguns setores autointitulados de “esquerda” cometem o tempo todo, que é produzir um ambiente autoritário, onde a discordância é tratada com agressividade. Se queremos ser uma alternativa política, precisamos ser tolerantes com nossos companheiros que discordam, e digo isso, neste caso, em defesa própria, porque eu discordo veementemente de qualquer associação nossa com o PT.

Isso ocorre por uma razão simples: o que tem sido a nossa novidade, o que faz um número crescente de pessoas se interessar por nossas ideias é justamente o fato de estarmos construindo uma alternativa política independente e original.

Como faremos isso se nos associarmos ao PT?

O recado dos eleitores brasileiros em 2018 não poderia ser mais direto: eles não querem mais o PT no poder. Se a oposição ao governo Bolsonaro deixar que o PT se infiltre em nosso movimento, e tente assumir, como sempre faz, um papel hegemônico, isso irá destruí-lo politicamente, porque não seremos mais novidade. Sufocaremos ou deixaremos sufocar “o dever da esperança”.

Uma das causas da derrota do nosso projeto em 2018 foi justamente a confusão, na cabeça do eleitor, entre nossas ideias e aquelas representadas pelo PT.

É preciso combater essa confusão: o PT tem o projeto deles, focado no assistencialismo e na cooptação. Nós temos o nosso, focado na emancipação do povo, numa inclusão social equânime, e na transformação  de toda a nossa estrutura produtiva e educacional.

Não é, portanto, por sectarismo que devemos nos manter afastados do PT. É por foco no resultado futuro. É por respeito ao povo.

O eleitor quer novidade, e o PT representa o atraso e a frustração mais recente. Definitivamente o PT não é mais novidade.

Além do mais, os dirigentes petistas, seus blogs e sua militância agridem Ciro Gomes, nossa militância, e o nosso projeto todos os dias, sem descanso, desde 2018! A campanha de destruição que o PT promove contra Ciro Gomes é uma coisa terrível, o que é mais um motivo para nos mantermos o mais longe possível dessa legenda.

Na cabeça da maioria esmagadora do eleitorado brasileiro, o PT se tornou sinônimo de corrupção, e mesmo que se admita que houve algum excesso do judiciário, é fato que diretorias estratégicas da Petrobras e de inúmeras outras estatais foram entregues a corruptos, com propósito de roubar e de manter o projeto petista no poder.

Essa é a razão principal do antipetismo ainda ser uma força hegemônica na sociedade.

Nós somos diferentes. Temos um projeto diferente. E temos que nos manter assim. “Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

Se o PT quiser fazer um movimento contra Bolsonaro, que o faça. Ninguém o proíbe. Mas não vejo sentido em andarmos lado a lado. Isso não ajuda o nosso movimento, e a bem da verdade, ajuda Bolsonaro, que pode apontar para todos nós e nos chamar de “petistas”, neutralizando nossa capacidade de comunicação com a sociedade.

Então, com todo o respeito a quem pensa diferente, minha opinião é de que devemos seguir o velho ditado popular: “antes só do que mal acompanhado”!

* Mario Heringer é médico e deputado federal (PDT-MG).

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10 comentários

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Batista

19 de julho de 2020 às 13h33

Uma coisa não pode ser contestada, Heringer faz pleno sentido n’o Cafezinho.

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Romeu

19 de julho de 2020 às 11h51

Só uma pergunta: isso vale pro Ceará dos Gomes? Ciro e Cid querem ultrapassar as fronteiras do Ceará e chegar a cada recanto do Brasil. Basta ver a votação do primeiro nas últimas eleições. Ademais, essas “aves de arribaçã” (Chico de Oliveira), já cambiaram pro centro-direita há muito. A proposta do Ciro pra campanha era a capitalização da previdência. Em que se distinguia da do Guedes?

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Fábio maia

18 de julho de 2020 às 19h59

Perfeito. Transformação finalizada. Nos afastemos imediatamente do PT, da esquerda, do conjuntos dos mov sociais que lutam por direitos para classe trabalhadora.
Nos juntamos a turma do bem. Aquele que defende o “empreendedorismo” dos trabalhadores de aplicativo, da líquida e volátil responsabilidade ambiental. INBEV, NATURA ,ITAU, estão logo ali.

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    Miramar

    19 de julho de 2020 às 01h30

    O segundo parágrafo do seu comentário não é honesto.

    Responder

Bruno

18 de julho de 2020 às 18h07

Ele tem razão, com uns exageros. Não dizer que o Ciro há alguns anos ataca sempre o PT e que o presidente do partido dele, o Lupi, tem acusações de corrupção na época da Dilma é ser omisso.
Dar exemplo que se quer que investigue a recente denúncia do Marcos Valério contra Ciro, nada. Vi nele a arrogância de muitos petistas.

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    Miramar

    19 de julho de 2020 às 01h31

    A “recente denúncia” é de 2005.

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Miramar

18 de julho de 2020 às 17h31

Nas duas edições anteriores eu não só assisti como gritei ” Impeachment para Bolsonaro” da minha janela. Agora? Não gritei, nem muito menos assisti.

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Alexandre Neres

18 de julho de 2020 às 14h09

Peguem o histórico de votação desse infeliz. Acompanho a sua trajetória, é um deputado medíocre que só se destaca por ser conservador. Horroroso. Não sei o que fazia no PDT, agora até que se encaixa mais.

O PT foi acusado incessantemente de corrupção pela mídia. O PSDB não. José Genoíno foi o primeiro político condenado por corrupção definitivamente em um país como o Brasil. Isso é um achincalhe.

Quem conhece um pouco de história, não espero isso desse deputado que não deve conhecer sequer o trabalhismo, sabe que o PTB nos anos 60 era associado à corrupção. Também existiam marchadores à época, a favor da família e contra a corrupção. Esse sempre foi o mote, junto com a acusação de comunismo, que os “homens de bem ou decentes” se utilizaram para atentar contra o estado democrático de direito. O PT também era metido a purinho, teve que aprender História ás duras penas.

Foi urdida uma narrativa pela grande mídia demonizando o PT, associando-o à corrupção. Agora, vozes já afirmam que o petismo nada tem a ver com malufismo. Não foi o PT que criou o presidencialismo de coalizão, ele apenas passou a operá-lo quando ganhou as eleições. Com o número de deputados que tinha, juntando toda a esquerda, não conseguiria aprovar nada. Falar é fácil estando de fora, mas quem está no métier sabe como o jogo é jogado. Por isso me espanta a hipocrisia e o farisaísmo de Ciro Gomes, que transitou por todo o espectro político, mas posa de vestal e diz que não sabe como às linguiças são feitas. Dizia também que o PSDB era um partido decente.

Não estou com isso querendo dizer que o PT é imaculado, longe disso. Jogou o jogo, porém o problema é estrutural. O PSDB sempre contou com o apoio da mídia amiga, vide o caso da reeleição: FHC rasgou a CF pra se reeleger, que por óbvio a alteração não poderia valer para ele, pois estavam alterando as regras do jogo durante a partida, é cediço que a mídia não emitiu um pio. Já Lula sempre foi acusado por essa mesma imprensa de que iria lutar por um terceiro mandato, o que nunca se confirmou. Ademais, o PT fortaleceu como ninguém as instituições de controle e de combate à corrupção.

Com efeito, querer se aproveitar desse ataque incessante sofrido por um partido, de forma totalmente desproporcional, só por defender os interesses dos trabalhadores, é ser muito leviano. Nossas elites nunca aceitaram, por exemplo, que direitos trabalhistas fossem estendidos às empregadas domésticas. Isso também é uma prova inequívoca do quanto somos arcaicos, nem um partido extremamente moderado e conciliador feito o PT é aceito por nossas elites, que querem manter a todo custo a herança escravocrata.

Não tenho a pretensão de que o deputado Mario Heringer acompanhe o meu raciocínio, já que não possui formação política, o que me causa espécie é o Sr. Miguel do Rosário dar voz iterativamente a alguém tão desqualificado para o debate. Está sendo incentivado por esse blogue uma briga entre forças políticas que têm suas divergências, mas são próximas, quando o adversário da democracia é outro. Esses ataques diuturnos do Sr. Miguel do Rosário passam a impressão de se tratarem de diversionismo para as trapalhadas do boçal-ignaro seguirem incólumes. Estimular essa cizânia nesse momento é fazer o jogo da direita.É ser quinta-coluna!

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augusto

18 de julho de 2020 às 12h46

Essa do texto, ”mesmo que se admita que (por parte do lavajatismo) houve algum excesso… ao autor do artigo” é otima, ‘com o propósito de roubar e manter no poder’ tambem é muito serjumorista, e portanto FBIsenta… (acabei de inventar o termo), não é deputado?

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augusto

18 de julho de 2020 às 12h39

Isso tornou-se verdade basicamente e por motivos que nao tem a ver com o PT. Tem a ver com midia e a satanização.
Como a satanização não deve ser e nao se tornará uma força permanente (nem os partidos o são) entao estes argumentos são datados – podem mudar ou ser forçados a isso.
Uma vez porem que a politica é dinâmica e o povo não pode esperar, eu que sou PT nao tenho nada contra criação desse bloco independente.
Por duas razoes: um que se encaixaria num ‘ idêntico programa minimo’, Outra que isso tem solução pragmatica: basta que Haddad, por ex. ele, seja o Vice numa chapa de esquerda que nao tenho Ciro Gomes como cabeça.
Desgraçadamente, Ciro se inviabilizou -ate voltar atras – como alternativa e ate mesmo como aglutinador de alguma coisa. sorry.

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