Live do Cafezinho: balanço dos partidos de esquerda

Aprovação de ACM Neto (DEM), Kalil (PSD), RC (PDT) e Rui (PT) ilustra o desapego ideológico do eleitorado

Por Gabriel Barbosa

19 de outubro de 2020 : 20h42

Por Gabriel Barbosa

Faltando 27 dias para o 1° turno das eleições municipais de 2020, os institutos de pesquisa vão as ruas para saber a avaliação dos eleitores em relação aos gestores de sua cidade e/ou estado.

No caso das capitais, as três cases com altos índices de aprovação são reservadas a ACM Neto (DEM) em Salvador com 85% de aprovação, Alexandre Kalil (PSD) em Belo Horizonte, com 73% e Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza, com 53%.

Já na esfera estadual, temos o governador baiano, Rui Costa (PT), onde no seu segundo mandato, registra 79% de aprovação. Sem dúvidas, Costa é um potencial aspirante ao Senado Federal em 2022.

Entre os prefeitos, somente Kalil poderá concorrer a reeleição, ACM e RC estão encerrando seus ciclos e com cacife para disputar as eleições para governador da Bahia e Ceará, respectivamente, em 2022. A conferir!

Pois bem, os altos índices de aprovação dos quatro mandatários revela que a ideologia ou bandeira partidária não é um fator decisivo para o eleitorado no momento de avaliar o gestor.

Em outras palavras, inexiste o purismo ideológico ou sectarismo, que ainda persiste numa fração da esquerda brasileira, seja por boa intenção ou má fé na tentativa de prejudicar adversários.

As emergências populares não permitem que o gesto ideológico, por mais nobre que seja, tenha um papel central na solução dos problemas.

O pleito municipal é o símbolo mais persistente desse fenômeno do desapego. Não a toa, vemos alianças dos mais diversos tipos e cores partidárias.

Na realidade, o impacto das políticas públicas passam, de forma prioritária, pelo município. É nessa esfera que a população sente de forma direta a presença ou ausência do poder público.

Sendo assim, não vale a máxima de que “o povo não sabe votar” ou quem não vota no partido A ou B é um poço de ignorância, ou pior, que os eleitores votam na “base do chicote”. No final das contas, a população é sábia e uma boa gestão independe da filiação do gestor.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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6 comentários

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Alexandre Neres

20 de outubro de 2020 às 00h45

Por mais que este blogue queira colocar todo mundo no mesmo barco, não é assim que a banda toca. O melhor exemplo disso é a Bolívia. Que inveja! Lá os golpistas foram derrotados no voto. Aqui não. O terceiro colocado nas eleições foi flanar em Paris após o primeiro turno. Não aprendeu nada com Brizola que mostrou o caminho em 1989 e olhem que Collor perto de Bolsonaro era um estadista. Antes disso, quis levar Lula pruma embaixada pra se livrar dele. Contudo, o pior veio depois. Desde então, esse cidadão e o neotrabalhismo passaram o tempo todo dirigindo suas baterias contra o PT, o partido golpeado. Um dos principais veículos desta razia é este blogue que tem a pachorra de, em um desgoverno bolsonero, ter como principal alvo o o PT. Até a Globo e outros jornalões deram um tempo depois de terem conseguido seu objetivo, enquanto aqui se está de pau dentro o tempo todo, fazendo matérias e mais matérias com o fito de atacar o PT. Projeto delenda PT. Tal qual hienas, fazem isso com o escopo de herdar o butim do partido. Isso tem nome: pusilanimidade! Este blogue é um covil de quintas-colunas!

O capitão Dreyfus foi condenado na França por traição no fim do século XIX por meio de uma farsa judicial. O processo foi revisto e ele foi novamente condenado, pois o jogo era de cartas marcadas, até que depois de um tempo, com o apoio de intelectuais como Zola, foi absolvido. O mesmo ocorreu por essas plagas, em que a maior liderança popular foi vítima de lawfare, o partido foi apeado do poder por golpe, mas este blogue fica atacando o PT dia sim outro também. É de um oportunismo de fazer corar qualquer ser humano que tenha um mínimo de escrúpulos.O nome de vocês vai ficar na História, tal qual Joaquim Silvério dos Reis.

O PDT poderia trilhar outros caminhos sem o PT, não precisava se coligar com o PT, tudo isso é do jogo, o que é inadmissível é se aproveitar da situação dos golpistas que partiram pra cima do PT, que foi jurado de morte pelas corporações de concursados graças à autonomia que o PT deu a elas, e querer ocupar o lugar do partido sem um pingo de dignidade. Se as elites do atraso foram com unhas e dentes pra cima do PT, alguma coisa boa ele deve ter feito. Um partideco querer se aproveitar de uma conjunção de fatores para ocupar o espaço do outro é de lascar. Se nós ficarmos sem o PT, ficaremos entregues ao deus-dará. O PT é o maior partido político do Brasil, o único na acepção do termo, porque é uma construção coletiva, tem bases sociais, é horizontal. Não idolatro o PT, conheço muito bem os seus defeitos, que são muitos. Porém, o que dizer de um partido que perdeu sua linha, que é liderado por uma figura autoritária, verticalizado. O que que aconteceria com o neotrabalhismo se Ciro Gomes morresse, por exemplo? Não desejo isso de forma alguma. Acabaria porque esse projeto é todo centrado na figura do seu gestor, que nunca construiu nada coletivamente, é um lobo solitário, um homem branco de mais de 60 anos, principal herdeiro do Clã Ferreira Gomes, que acha que tudo é seu por direito, um bandeirantezinho paulista, uma figura retrógrada a cara do século passado. Às vezes parece que o objetivo de Ciro Gomes é destruir o legado de Brizola.

Seus seguidores não ficam atrás. É uma vergonha para quem conhece a História do trabalhismo, ver esses analfabetos funcionais adeptos do neotrabalhismo com esse discursinho fajuto de corrupção, só falta atacar comunistas pra ficarem mais ainda a cara do bozo. Não sabem que é essa mesma cantilena que tirou os trabalhistas do poder e esses imbecis repetem convictos, herdeiros dos marchadores das famílias e de Deus, deixando patente sua alienação, pois o neotrabalhismo na prática é o avesso do trabalhismo histórico.

Por fim, todos esses aí citados na matéria não passam de uns gestores, uns gerentezinhos a cara dos tempos atuais, que não têm competência para liderar nada. Rui Costa e Camilo Santana, p. ex., defendem esse modelo de escola militar propugnado pelo bozo, o que esperar desse tipo de esquerda que a direita adora? Pra não entrar no mérito desses conservadores aliados do neotrabalhismo. Se este blogue tiver a intenção de no porvir ter algum tiquinho de credibilidade, deveria pelo menos ter o pudor de não incensar um liderzinho autoritário feito o malvadezinha, que representa o que há de mais velho e atrasado em nosso país.

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    Gabriel Barbosa

    20 de outubro de 2020 às 11h49

    Meu caro, seu longo comentário só reforça a análise de que o sectarismo persiste em uma fração da esquerda. Felizmente, é uma minoria. Noutro dia, você afirmou em um de seus comentários que é a esquerda do PSOL, um partido que se criou quando o PT (Lula) simplesmente rasgou o compromisso com uma agenda progressista para se juntar a mesa dos banqueiros. Venhamos e convenhamos, sem ingenuidade, que o PSOL é de fato, um puxadinho. Conheço quadros desse partido que assumem isso. Posso parecer muito jovem, e sou mesmo, mas sou próximo de pessoas que estiveram dentro do governo Lula e me contam cada episódio das negociatas por dentro e no discurso “popular” por fora. Não a toa, o próprio Lula disse no El País que “não vou enganar o povo, mais uma vez”.

    Em palavras diretas e sem enrolação, Lula foi um gerente de banco que tratava de mediar os interesses tanto dos empresários, mídia e por último, a rebarba, para os trabalhadores. Não a toa que no último 7 de Setembro disse que estava a “disposição”. Mas, de quem? Conheço Lula tão bem ao ponto de não acreditar em uma só palavra do que ele diz. Perdeu o encanto! Além do mais, eu e você sabemos que ele não será candidato, mas ainda assim, continua alimentando essa fraude para segurar o mínimo de apoio que restou ao partido depois que 57 milhões terem apertado 17 em 2018.

    De fato, o PT ainda tem força (financeira) e tá apostando na juventude. Porém, um jovem só tem condições de se viabilizar como candidato do partido se fizer a defesa contumaz de Lula. Resumo da ópera, é recrutar o jovem para reforçar o velho e isso não é nem de longe, renovação.

    Já sobre os prefeitos, de fato, o povo não tem apego a ideologia do gestor, na verdade se lixam para isso. O povo não tem tempo, como nós do mundo letrado, de puxar a ficha corrida do partido ou analisar a ideologia. Esse debate fica restrito somente a nós, da elite intelectual, ou de uma fração da esquerda apaixonada pelos escritos de Marx.

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    Tadeu

    20 de outubro de 2020 às 12h47

    O autor já te respondeu bem, mas preciso adicionar: você vai continuar insistindo com essa história de Paris num momento em que boa parte do PT paulistano trai o próprio partido e debanda para a candidatura do PSOL (naturalmente sem se desfiliar do PT, mantendo um pé em cada barco, como é próprio dos covardes e oportunistas)?

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      Alexandre Neres

      20 de outubro de 2020 às 16h04

      Eu e o jornalista Gabriel Barbosa estamos dialogando, não vou rebater o que ele disse, cada um que tire suas próprias conclusões. Só quero fazer um reparo que outro dia eu disse que estou situado ideologicamente à esquerda do PT e não do PSOL, mas tenho uma certa noção da realpolitik e de como faz diferença que quem esteja governando seja do campo popular e progressista. O PT servia de escudo para abrigar toda a esquerda. Ao ser limado, passaram as reformas trabalhista, previdenciária, o marco regulatório da água surrealmente elaborado pelo senador coca-cola, todos eles apoiados por boa parte do PDT e do PSB, para não falar do golpe, dos que apoiaram Bolsonaro no segundo turno desses dois partidos e também da intervenção no Rio.

      Sua crítica mostra que você se enquadra direitinho entre os neotrabalhistas que critiquei. Na ditadura militar, dizia-se que alguém do outro campo era preso por ter ou não ter cão. Aqui, o PT ora é atacado por se aliar a todo mundo, ora por ser hegemonista. Ou seja, não importa o motivo, o que vale é criticar de todo jeito. Boulos e Tatto, assim como Orlando Silva, são do mesmo campo, há um pacto de não agressão entre eles. Se votasse em Sampa, votaria em Boulos, alguns do PT também assim o fazem por perceberem que Boulos sinaliza o novo. Somos todos bem próximos, aqui não há traição, pois pertencemos ao mesmo campo político, bem diferente do BolsoFrança, por exemplo. Traição pra mim é alguém se aliar ao filhotinho da ditadura ACM Neto, é defender a reeleição golpista de Alcolumbre. O neotrabalhismo é o Cabo Anselmo do espectro progressista, trai o próprio trabalhismo de Brizola e Darcy Ribeiro ao votar de acordo com as reformas neoliberais, contra os nossos interésses.

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        Tadeu

        20 de outubro de 2020 às 19h28

        São “próximos”, são “do mesmo campo político”, mas deixe eu te lembrar uma coisa: O PT TEM CANDIDATO à prefeitura de SP. Se você é filiado ao PT e não vota nesse candidato, você é traidor, simples assim.

        Mas com petista é isso aí, né, amigo? Petista está sempre certo. Sempre acima da lei. Sempre acima do bem e do mal. Entre votar no candidato do próprio partido e votar no “novo”, seja lá o que você queira dizer com isso, pode votar no “novo” que não tem o menor problema, não é traição. Traição é quando os outros fazem. Traição é quando os outros não votam em quem eu quero, contrariando o meu interesse; mas quando eu, petista, não voto em quem a direção do PT quer, contrariando o interesse dela, é porque eu estou certo e a direção, assim como o resto do mundo, está errada. Que coisa cansativa.

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Berta

19 de outubro de 2020 às 21h31

Desapego ideológico q tbm alcança aos politicos e partidos.
Na vdd o q acaba restando por aí é um pragmatismo fisiologico.

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