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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Comentários sobre a vitória de Arthur Lira (ou a confusão quântica da política brasileira)

Por Miguel do Rosário

02 de fevereiro de 2021 : 15h44

Antes de falar na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, permitam-me um breve digressão.

Steven Weinberg, ganhador de inúmeros prêmios internacionais, incluindo o Nobel de Física em 1979, inicia um de seus livros observando que a “física não é um sistema lógico definido”, e que, “a qualquer momento, ela dissemina ideias contraditórias e confusas, algumas das quais sobrevivem como lendas épicas de períodos heroicos do passado, enquanto outras avançam como novelas utópicas, oriundas de obscuras premonições acerca de uma futura e grandiosa síntese de tudo”.

Eu menciono Weinberg para dar uma ideia ao leitor sobre meu estado de espírito em se tratando de política brasileira, ou da Política de maneira geral. Tenho me tornado cada vez mais cético sobre a nossa capacidade de analisar objetivamente cenários e conjunturas cuja complexidade e variedade são quase infinitas.

Veja o caso das pesquisas de aprovação ou de intenção de voto. De repente, elas começaram a me parecer simplesmente fúteis, e investir tempo fazendo análises mais profundas sobre elas me faz pensar em frágeis esculturas de areias à beira da praia.

Se os mais premiados físicos contemporâneos, com o pescoço carregado de prêmios internacionais, e armados até os dentes das ferramentas mais ferozmente racionais e objetivas inventadas ou descobertas pela inteligência humana, admitem que sabem muito pouco sobre a realidade fundamental que nos cerca, e que a física não é um sistema lógico já pronto, o que dizer sobre a política, um conteúdo que supera qualquer outro em volatilidade e confusão?

A física moderna, por exemplo, afirma que cerca de 95% do universo é composto de “matéria escura” (dark matter). Também sabemos que o vácuo absoluto não existe. O espaço vazio é formado por flutuações quânticas nas quais partículas e antipartículas aparecem do nada, como fantasmas, neutralizando-se umas às outras.

Um dos problemas centrais da nossa jornada rumo ao conhecimento é a sensação de que não estamos ascendendo a nenhum tipo de céu, no qual nos sentiremos mais seguros e confortáveis, mas, ao contrário, estamos nos aventuramos por caminhos cada vez mais sombrios e misteriosos.

Coisas que reputávamos tão simples, que nem mereciam nossa atenção, revelam-se, em verdade, profundamente enigmáticas. Não há nada de óbvio, por exemplo, na gravidade, na atração de um objeto pelo outro. A ciência ainda não conseguiu explicar plenamente, apesar das intuições geniais de Einsten, porque somos atraídos para o centro da Terra, ou porque nosso planeta gira em torno do Sol. Ou porque nosso sistema solar gira, lentamente, em torno do centro da galáxia (onde aparentemente há um gigante buraco negro).

Por outro lado, apesar de tantas incertezas no campo da ciência, e mais ainda no universo da política, precisamos nos organizar. Precisamos de paz, segurança, felicidade, justiça. Mesmo com tantas dúvidas, domamos o selvagem comportamento dos elétrons, convertendo a inquietação infinita dessas partículas em energia para nossas lâmpadas e fábricas. O mesmo vale para a política: apesar de tanta confusão e perplexidade, inventamos instituições e leis, e aqui estamos, no sul do planeta, neste país quente e grande, discutindo as razões que fizeram o nosso candidato à presidência da Câmara dos Deputados, Baleia Rossi, perder as eleições para Arthur Lira, que era o candidato apoiado pelo presidente Bolsonaro.

Para continuar com nossa analogia científica, pode-se usar as leis de conservação de energia para explicar a solução de qualquer disputa política. A energia nunca se perde. Se uma coisa está parada no vácuo, permanecerá parada por toda a eternidade, a menos que uma força contrária seja exercida sobre ela. E se ela for posta em movimento, continuará em movimento eternamente, até que encontre a resistência na forma de outra força. Assim nos ensinam as três leis de Newton.

Quis o “espírito do tempo” que outro gênio, Baruch Espinoza, tivesse expressado, em 1677, em linguagem filósofica, algo parecido ao que Newton publicaria poucos anos depois. Disse Espinoza que  “cada coisa almeja, tanto quanto está em si, perseverar em si mesma”, e que “o esforço pelo qual cada coisa luta por perseverar em si mesma nada mais é do que sua própria essência”. (Proposições 6 e 7, da parte 3 da Ética: Origem e Natureza dos Afetos).

Trazendo para o Brasil de 2021: a energia (ou os votos) que vimos escapulir da candidatura de Baleia Rossi não desapareceu, apenas foi absorvida por Arthur Lira. E Bolsonaro continuará avançando até que esbarre com uma força contrária superior.

Claro que podemos enumerar aqui os “erros” de Baleia Rossi e, talvez, da esquerda, mas essa eleição foi decidida principalmente pelo empenho do governo federal em liberar verbas e cargos para os deputados e partidos aliados.

Lira foi eleito com 302 votos. Não é difícil, para uma organização tão grande como o governo federal, encontrar formas de agradar a cada um desses parlamentares. E se olharmos as coisas com um pouco menos de moralismo, é natural que assim seja, pois é justamente isso que obriga o Exercutivo a estabelecer compromissos com o Legislativo e, com isso, conter o seu próprio poder e arbítrio. A partir desse novo mandato, o governo Bolsonaro estará mais restrito que antes – e justamente nos dois anos em que mais gostaria de estar livre, leve e solto para agradar sua base social.

Quanto aos erros de Baleia Rossi, o mais óbvio foi ter assumido com demasiado entusiasmo a imagem de candidato de oposição. Ele talvez tenha sido levado a isso pelas circunstâncias, pois na medida em que seu adversário tinha livre acesso ao cofre federal, Rossi não podia prometer mais nada que não fosse um parlamento “independente”.

Por outro lado, a candidatura Rossi conferiu imensa dignidade à disputa na Câmara, e acabou obrigando o governo federal a pagar um preço muito mais alto do que pagaria, caso o candidato apoiado pelo governo não tivesse um adversário realmente competitivo.

Em outras palavras, a presença de Rossi na disputa obrigou o governo federal a ceder poder a seu candidato ao legislativo.

É natural que Lira, num primeiro momento, precise se mostrar alinhado ao governo que tanto apoio deu a sua candidatura. Afinal, ele terá que esperar até que seus aliados finquem raízes no Executivo, e recebam o pagamento integral pelo apoio que deram. Assim que as coisas se assentarem, que os partidos aliados se sentirem mais confiantes de que ocuparam espaços de poder no governo, a tendência natural de Lira será ampliar seu espaço de independência e autonomia, até mesmo para que o Planalto precise continuar pagando um valor político alto por seu apoio.

Maquiavel ensinava que lideranças políticas precisam ser amadas ou temidas. No caso da relação de um presidente da Câmara com o Executivo, não faz sentido ser “amado” pelo governo, apenas temido.

Quanto aos erros da esquerda, o caso mais grave, neste caso, é uma reação demasiado emotiva e precipitada de sua militância ao resultado da eleição. Desde 2019, por ocasião do primeiro mandato para a presidência da Câmara, que elegeria Rodrigo Maia, construiu-se uma argumentação bastante sólida (embora isso ficasse claro apenas depois, quando se viu a importância de um legislativo forte e independente frente aos desmandos do Executivo) sobre a lógica daquela disputa, e o principal ponto é que não era um “terceiro turno” das eleições presidenciais. O mesmo ponto passou a ser defendido agora, com mais segurança e com muito mais apoio na esquerda. No entanto, assim que o resultado saiu, a militância esquece o ponto e passa a tratar a derrota exatamente como um “terceiro turno” presidencial, ou seja, uma outra vitória de Bolsonaro.

Até foi uma vitória de Bolsonaro, mas muito relativa, pelas razões que já apresentamos: o governo saiu menor da disputa, com menos poder, pois teve que reparti-lo com um número significativo de parlamentares.

O erro mais grotesco de alguns setores da esquerda, porém, é tirar lições absolutamente irracionais do episódio, como a de que a derrota de Rossi seria a prova de que não se deve mais buscar alianças com o “centro democrático”. Ora, se Rossi perdeu justamente porque, nos momentos finais, não conseguiu convencer o centro democrático a lhe apoiar, isso significa exatamente a importância do… centro democrático. Sem ele, a esquerda tem apenas pouco mais de 150 votos, além dos 16 votos dados a Erundina…

Tem se falado ainda da importância de “marcar posição”, ou seja, de pensar na construção de símbolos, antes de pensar em duvidosas vitórias eleitorais. Claro que marcar posição é importante. Mas o que isso significa não é nenhum consenso. Oferecer uma disputa competitiva ao governo federal, obrigando-o a ceder espaço  e recursos ao legislativo, também é marcar posição.

Se era importante, ao campo progressista, mostrar união, moderação e bom senso, apoiando um candidato com chances de furar a bolha da oposição de esquerda, minoritária, brandindo o argumento de que a disputa pela presidência da Câmara não é um terceiro turno das eleições presidenciais, agora cabe às mesmas forças usar o mesmo argumento para acalmar a militância: uma suposta vitória de Baleia Rossi não mudaria as coisas tanto assim, pois, para ele ganhar, teria que receber os votos dos mesmos parlamentares que acabaram por votar em Arthur Lira. As reformas que viriam seriam as mesmas. E o debate sobre o impeachment não seria tão diferente assim. Além disso, e isso é o mais importante, com ou sem Arthur Lira na presidência da Câmara, as forças sociais e econômicas que se movimentam no país continuam exatamente as mesmas.

Se houver pressão social para impeachment, isso em si já será uma vitória da oposição, com ou sem ajuda de Arthur Lira, porque significa que o presidente terá perdido apoio popular e votos, ou seja, terá dificuldade para se reeleger em 2022.

A esquerda tem de olhar para o impeachment com muita sobriedade. Ele não é nenhuma solução genial pela simples razão de que, ao contrário da situação de Dilma Rousseff, o vice de Bolsonaro não é “nosso” amigo. A oposição a Dilma encontrou em Michel Temer não apenas um aliado tático, mas também estratégico. Michel Temer era aliado sobretudo ideológico das lideranças do impeachment. Mourão, que assumiria o governo no caso de impeachment de Bolsonaro, nunca será um aliado estratégico das lideranças de um eventual processo de impeachment contra o atual presidente.

Apenas por esse raciocínio, já deveríamos olhar para o impeachment com bastante ceticismo.

Outro ponto importante: o fato da maioria da população, ou mesmo da maioria dos parlamentares, não apoiar o impeachment, também não significa que apoiem Bolsonaro, ou que estejam dispostos a reelegê-lo. Tem muita gente que não apoia o impeachment pela razão muito singela de que tem medo da instabilidade decorrente de um processo dessa natureza. E a lembrança do impeachment de Dilma Rousseff apenas ajuda a reforçar esse temor. O tombo da nossa economia em 2016 foi uma verdadeira hecatombe social!

A esquerda ainda tem muito essa cultura de servidor com estabilidade, e costuma apresentar dificuldade para compreender a mentalidade de um pequeno comerciante informal, que apenas anseia por um pouco de sossego, que lhe permita trabalhar e sobreviver. Toda a insegurança econômica causada pela pandemia, com fechamento de centenas de milhares de pequenos negócios, podem ter agravado ainda mais esse desejo primário por um pouco de quietude política – que não signfica, é bom deixar claro, conformismo, mas apenas uma tendência a apoiar uma estratégia de ataque mais certeira, mais fulminante, e, sobretudo, com menos efeitos colaterais sobre a “população civil”.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Ack

03 de fevereiro de 2021 às 22h30

Não importa o que vc acha ou pense, pois sem educação a minoria se faz formadora de opinião órfã.

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Fr@ncisco

03 de fevereiro de 2021 às 13h38

Miguel não entendeu ainda que A CONFUSÃO QUÂNTICA DA POLÍTICA BRASILEIRA nada tem de confuso, está há muito tempo equacionada com o QUANTO CUSTA CADA PARLAMENTAR ELEITO, á venda.

Por outro lado, finalmente descobriu que no caso de pesquisas de aprovação ou de intenção de voto, “começaram a lhe parecer simplesmente fúteis, e investir tempo fazendo análises mais profundas sobre elas lhe faz pensar em frágeis esculturas de areias à beira da praia.”

Baita evolução, considerando que há dois meses, após profundas análises, enunciava caudalosamente os efeitos do raio gama, não nas margaridas do campo, mas no cenário das eleições presidenciais de 2022, pelos raios resultantes das eleições municipais.

Mas por outro ângulo, não, pois ao flutuar quanticamente por buracos negros, partículas e antipartículas, manifesta que “apesar de tanta confusão e perplexidade… aqui estamos, no sul do planeta, neste país quente e grande, discutindo as razões que fizeram o NOSSO CANDIDATO (sic) à presidência da Câmara dos Deputados, Baleia Rossi, perder as eleições para Arthur Lira, que era o candidato apoiado pelo presidente Bolsonaro.”

Traz Espinoza à pista de dança, em tentativa de ajudar a explicar o saldo positivo do encalhe do Baleia Rossi na praia do Centrão, e entre corrupios e mais corrupios pelo salão escasso em parafina, escorregadio, lacra: “Por outro lado, a candidatura Rossi conferiu imensa dignidade à disputa na Câmara, e acabou obrigando o governo federal a pagar um preço muito mais alto do que pagaria, caso o candidato apoiado pelo governo não tivesse um adversário realmente competitivo.”

E à falta de pistom sem surdina, segue bailando pelo ‘Centro Democrático’, pelo ‘Campo Progressista’ até chegar ao conselho evolutivo em que, “a esquerda tem de olhar para o impeachment com muita sobriedade”, e logo mais adiante, “com bastante ceticismo” a substituir, “com muita sobriedade”.

Ignoremos a incrível sugestão de adoção da ‘desestabilização do servidor’ e do ‘abrir geral à pandemia’, pois pior que isso é não perceber que o tal ‘Centro Democrático’ restou pulverizado por Bolsonaro nessa eleição da câmara, que o tal ‘Campo Progressista’ é minado desde antes do golpeachment em Dilma, que Ciro é uma nota só dele e portanto, ao desmoronar da lavajateira, será através da ‘reabilitação jurídica’ de Lula e a clareza que o Brasil está encalhado economicamente e politicamente pelo golpe em Dilma, que pode-se retomar o Brasil à civilização, derrotando a barbárie, que pensa o mesmo, com sinal contrário, facilitando-nos ‘a coisa’.

Só a partir do eixo legado por essa estrutura única e resiliente que não conseguiram destruir, apesar de tudo que utilizaram para tanto, pode-se construir o movimento que resgate o Brasil do atraso, e para tanto preciso é somar-se ao objetivo e não dividir-se pelos interesses além do objetivo.

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NeoTupi

03 de fevereiro de 2021 às 03h04

Completando comentário anterior. Me arrependo de ter sido contra o parlamentarismo. Só continuo contra voto distrital. Achava que o Congresso de maioria do centrão formariam governos ruins. Hoje vejo o contrário: o Congresso é ruim porque o regime não é parlamentarista. Se fosse, Lula diria em q se o eleitor quisesse que ele ou seus sucessores governasse teria q votar nos deputados do PT, PCdoB, etc. As bancadas eleitas afinadas com o presidente seriam muito maiores e a governabilidade seria quase automática ou pelo menos mais fácil de ser conquistada.
Ciro teria que pedir votos para deputados do PDT e lutar para construir um partido forte, em vez de tentar construir frentes fisiológicas.
E Bozo (e Collor e outros cacarecos), que sempre foi um deputado medíocre, sem capacidade de agregação dentro dos partidos que esteve, jamais seria chefe de governo.

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    Tiago Silva

    03 de fevereiro de 2021 às 18h37

    Caso o Brasil fosse um Parlamentarismo Formal, pois Parlamentarismo de Fato já vivíamos desde Eduardo Cunha em 2015 em diante (que inclusive impôs um “voto de desconfiança” na Dilma, em um Golpe ao Presidencialismo por estarem representando interesses econômicos até estrangeiros), teríamos um maior elitismo já que o pobre não é representado no parlamento… E o pior, olha quem seriam os Primeiros Ministros depois da “democratização”:

    – Inocêncio Oliveira, Ibson Pinheiro, Luiz Eduardo Magalhães, Michel Temer (mais de uma vez), Aécio Neves, Severino Cavalcanti, Aldo Rebelo, Henrique Eduardo Maia, Eduardo Cunha, Rodrigo Maia e atualmente Arthur Lira (e se essa composição tivesse peso de influência no Senado, a coisa seria também ruim: Sarney (mais de uma vez), ACM (mais de uma vez), Jader Barbalho, Ramez Tebet, Renan Calheiros (mais de uma vez), Garibaldi Alves, Eunício Oliveira, Davi Acolumbre e hoje Rodrigo Pacheco)!!!

    Esse parlamentarismo seria o sonho de partidos elitistas e golpistas desde a UDN, passando por PSDB/DEM/PMDB, Centrão, MBL e Partido Novo…

    Quanta falta faz Brizola e Darcy para esses neociristas…

    Acorda NeoTupi!

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      NeoTupi

      04 de fevereiro de 2021 às 12h20

      Eu pensava exatamente igual a você, mas esse raciocínio é simplista, porque as condições de temperatura e pressão seriam diferentes.
      As eleições e as campanhas eleitorais seriam diferentes se os regimes fossem diferentes. Na era Sarney, Ulisses seria primeiro ministro. Collor não chegaria a ser chefe do executivo (Queria talvez ou ACM, o que não faria muita diferença). Na era Fhc, quem seria primeiro ministro seria o próprio Fhc, Covas, podendo alternar com Serra, pois o Psdb teria q fazer campanha para si e não para a coligação com PFL. De novo não faria grande diferença.
      A esquerda teria sido no período acima uma oposição mais forte no parlamento tendo sempre cerca de 30 a 45% das cadeiras de 1990 a 2002, em vez dos históricos 20% de sempre. A partir de 2003, a esquerda teria maioria no parlamento, pois Lula seria candidato a deputado e faria campanha dizendo que se o povo quisesse ele no governo teria que votar nos deputados do PT no Brasil inteiro, e obviamente não haveria golpe.
      O eleitor já teria entendido há muito tempo que quando quer mudança, não dá pra votar ao mesmo tempo na esquerda para o executivo e no centrão (direita) para o legislativo.

      Responder

        Tiago Silva

        04 de fevereiro de 2021 às 18h12

        Não se iluda NeoTupi!

        O Brasil não é para amadores e quando vc fala que em 2015/2016 “obviamente não haveria golpe”… aí que você se engana! O Golpe ocorreu principalmente de o CN ter uma ampla maioria de direita (que aliás é histórico no Brasil) e se realizou um Parlamentarismo de Fato para que se impusesse um “voto de desconfiança” na Dilma por ela não conseguir ter maioria parlamentar e desde 2015 o PSDB assumiu esse posto de primeiro ministro com as viúvas de Aécio, principalmente do MDB, DEM e Centrão.

        Golpes seriam oficializados já que se teria instabilidade ainda maior (e maior que a própria Itália pós lawfare de lá), além que essa maioria história iria eleger primeiros ministros como os que eu citei ou ainda mais afastados do Presidente!!! Não a toa quem já vivenciou muito isso aí (como Brizola) é totalmente contrário ao parlamentarismo e ainda bem que o povo quando foi convocado a opinar teve a correta intuição que o parlamentarismo no Brasil iria ampliar o elitismo!!!

        Faça uma nova reflexão, assim como sugiro essa nova reflexão à linha editorial desse blog que se perdeu desde 2018… e poderia voltar a um bom rumo caso buscasse ter como baliza os pensamentos e ações de grandes trabalhistas como Brizola, Darcy, Jango (que já teve contra si um golpe brando quando instituíram o parlamentarismo contra ele) e tantos outros!

        Por isso que apelo para estudarem nosso passado para não ficarem no presente como birutas de aeroporto e até muitas vezes ser a “Esquerda que a Direita gosta” (e esta direita se municia com a autofagia da esquerda e com a aproximação do parlamentarismo no Brasil)!

        Saudações!

        Responder

NeoTupi

03 de fevereiro de 2021 às 02h45

A lição desde 2010: A esquerda precisa aumentar bancadas próprias no parlamento tanto para garantir governabilidade se ganhar a presidência como para conseguir emplacar leis sociais no Congresso.
Compor frentes eleitorais com a direita golpista em primeiro turno (desde vereadores, prefeitos, governadores) não ajuda e não tem dado certo.

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Alex

03 de fevereiro de 2021 às 02h22

Ou seja, estamos fudidos! Teremos que aguentar ele e seus quatro maluquinhos por muito tempo ainda.. O cara não é burro.. nem passa perto. Tanto que até agora o malucão não perdeu uma .. mandou Moro se danar.. mudou a PF .. Se livrou de dois ministros da saúde. Não usa máscara. Caga e anda pra néo. Mandou a mídia pra PqP e mandou a gente enfiar o leite condensado no cú. Ah, e se livrou de um monte de caras que o ajudou lá no comecinho. Zero de compaixão. O cara tem parte com o Cadeirudo. Acreditem, se quiser!

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Justiceiro

02 de fevereiro de 2021 às 22h56

Não mudou nada.

A câmara era presidida por um porco capitalista e agora vai continuar sendo. Se o porco atual é mais sujo, ou menos sujo, que diferença faz na prática??

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Netho

02 de fevereiro de 2021 às 22h19

Quem lida com picareta, relativiza picaretagem e banaliza responsabilização, inexoravelmente torna-se picareta, participa da picaretagem e faz somatório positivo à lista dos trezentos históricos picaretas.
O ex-metalúrgico que virou suco na betoneira das empreiteiras, há priscas eras houvera sido portador e mensageiro do discurso da ética impregnado á sua narrativa política.
Basta conferir a catilinária de Lula contra Sarney em 1989: ladrão e facínora eram adjetivos delicados pregados na testa do ex-senador da ARENA pelo então Ferrabraz do ABC.
A conversa fiada da lorota do “Centro Democrático” levou o PT de Lula e Dilma a entrarem pelo cano dos Cartéis da Picaretagem e da Propinaria nas relações ‘pragmáticas’ articuladas entre o Executivo e o Parlamento às sombras da física newtoniana, bem aquém da física quântica cujo princípio ontológico reside no “princípio da incerteza” e no ”teorema de Higgs”.
Se há algo que não tem nada a ver com a física quântica são as relações político-partidárias do Parlamento com o Executivo; desde Deodoro da Fonseca.
O Parlamento sempre foi um puxadinho da Casa Grande, como o Supremo Tribunal sempre foi um puxadinho do Senado desde o Império.
A legião de imbecis e picaretas que embarcou no discurso patético do aliancismo com a turma da bufunfa terminou no xilindró com a conversinha do “Centro Democrático” regado nas arcas das empreiteiras e da Petrobrás.
LIRA estava da LISTA DE JANOT, considerada a NATA, porque o PP representava 70% da lista!
A legião de devotos e a turma da boquinha do lulo-petismo e do dilmismo farisaico – cujo rotundo fracasso da tática política de aliancismo com o “Centro Democrático” foi responsável em primeira instância pela eleição de dois filhotes da ditadura apólogos da tortura -, persistem no discurso panglossiano de relativização da corrupção como mal menor e da banalização dos malfeitos com dinheiro público. Sob o falso pretexto, supostamente esclarecido dos alfabetizados políticos, de que são indispensáveis à vida política democrática porque não se faz nenhuma política sem entrar para o consórcio do dinheiro sujo ou mal lavado.
Não aprenderam nada, não esqueceram nada.
Formidavelmente, até invocam a física quântica e o Baruch em justificação de que não lograram até hoje entender que foi Dulcídio do Amaral, líder do Governo Dilma no Senado Federal, o Primeiro Delator do governo Dilma, quem acendeu o primeiro pavio que incendiou o segundo mandato da “presidenta”. Ao se permitir gravar nas tratativas de retirar os sicários da Petrobrás do país e livrar os operadores da propinaria do PP, PT, MDB e PSDB da linha de tiro do MPF de Brasília (não de Curitiba).
Não há nada de física quântica na política, tenha santa paciência!
Sobretudo em se tratando de uma República das Milícias, Milicos, Policiais e ParaMilitares de extrema direita.
A ação e reação aos apetites rentistas, entreguistas e privatistas, mais o discurso reformista de fancaria, apenas confirmam que tanto o Parlamento quanto o Executivo continuam sendo amamentados nas tetas da plutocracia em conluio associado às patranhas das classes donatárias de benesses arrancadas aos parvos e papalvos que remonta às Sesmarias.
Maia (o Botafogo na Planilha da Odebrecht) também esteve com o Caranguejo (Eduardo Cunha na Planilha da Odebrecht).
Só os Cândidos de Voltaire e Alices de Lewis acreditariam no aliancismo com final feliz do “Centro Democrático”.
Baleia é só mais um títere da Gangue dos 4 (Gedel, Temer, Cunha, Eduardo Alves).
Um filhote do Bloco Temerário do Cartel do MDB.
Passou da hora, até porque a votação na Câmara e Senado foram um massacre histórico da direita e da extrema-direita levado adiante de modo acachapante.
Maia serviu apenas para dois propósitos do Messias da Pandemia.
1) Servir de “Camisinha” para os militares aprovarem a reforma da previdência faraônica, que garantiu total e absoluto apoiamento ao filhote da ditadura apólogo da tortura no Forte Apache.
2) Servir de “Arquivador” para os processos de impedimento, que legitimaram as ações genocidas do Planalto durante a crise sanitária.
O lugar de Maia será, nem poderia ser diferente, o “lixo da história”, como dizem os leninistas.
Não restou outra alternativa à suposta esquerda (ou o que teria restado desse espectro político) senão abandonar de uma vez por todas o palavrório vazio da mesmice do “Centro Democrático” e formar desde já um Bloco de Esquerda para marchar unido e unitário até 2022, porque o fato das forças supostamente comunistas, socialistas, trabalhistas, identitárias, libertárias e ecológicas estarem fragmentadas desde 2016 implica vir a serem esmagadas se continuarem invertebradas nas eleições majoritárias de 2022.
O fato político e eleitoral é claro como o sol do meio dia. A direita e a extrema-direita lograram obter a sua maior vitória no Parlamento desde a redemocratização do país.
O fizeram, não por acaso, no pior momento da pandemia e da economia, sob um estado de anomia social.
Vai piorar?!
Amanhã será pior, diria Sêneca.
Cada vez o Brasil de 2021 fica mais parecido com a Alemanha de 1931.
Agora, Weimar é aqui!.

Responder

    Batista

    03 de fevereiro de 2021 às 12h39

    Impressiona o denodo com que ‘copia & cola’ desliza continuadamente na maionese da política’, insistindo em não refletir, ao menos por alguns segundos, sobre o porque da persecução incessante da classe dominante ao PT e a Lula, desde antes da fundação.

    Nessa altura da diplomada binária existência, deveria ao menos desconfiar a que se destina a operação lavajateira lançada em março de 2014, ora desmanchando-se no ar feito farsa, e, atento a Brizola, entender e praticar a máxima, “quando tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!”, e reverte-la para, “se a Classe Dominante for contra, somos a favor. Se for a favor, somos contra!”

    Mas não, o ‘pós-diplomado em deslizar na maionese da política’, cerra fileiras com a Classe Dominante, agora abraçado ao eterno singular ‘omisso de Paris’, coadjuvando-a com a monocórdica nota só contra o PT e Lula, pois pensa-se da lâmpada, gênio, que apagada, não consegue ilumina-lo para que possa ver o PT como única organização que temem, daí a incessante persecução para destruí-lo, pela cartesiana razão que é de fato quem põem em risco a sobrevivência da anacrônica Casa Grande, que lhes garante a ‘meritória’ hereditária existência.

    Mais explicitamente, ‘pernambucanamente’: “Quem viver [nesse país], não há de estar enganado, que, ou há de ser Cavalcanti, ou há de ser cavalgado.”

    “PT NUNCA MAIS”, né? A Classe Dominante agradece.

    Responder

EdsonLuiz.

02 de fevereiro de 2021 às 21h13

Mais um adendo:

É mesmo muito difícil debulhar o diversionismo que os vários grupos de interesses aplicam na política brasileira para pretendermos vislumbrar um mínimo de compreensão dos fatos políticos do Brasil. Na maioria dos fatos, qualquer compreensão tem mesmo se tornado impossível.

Ilustre-se pela prestidigitação de um desses grupos de interesse, no caso, uma força política inteira, e das grandes: Primeiro essa força política sarrou pornograficamente com a canalha lá na Câmara dos Deputados (sarrar é gostoso e saudável, mas sarrar com canalhas políticos é pornográfico); para disfarçar que fazia amor com estupradores, voltou cheia de dengo para o grupo cujo significado político não era redimir nenhum processo imoral, mas ao menos resistir à consumação de estupros (a estupros de toda natureza, em especial resistir ao risco futuro de estupros sociais acompanhados de tortura). ‘Restabelecida’ a imagem política desse grupo namorador e transante, reconciliado na Câmara com os resistentes democratas contra adeptos de torturas e outros arbítrios, essa força política se sentiu liberada para continuar gostosamente o namoro pornográfico com o mesmo namorado, só que passaram a se esfregar lá no Senado (e, lá, estão se esfregando até hoje, e com certeza continuarão o romance, só negando de vez em quando que continuam juntos e disfarçando os encontros com diversionismo, porque pega tão mal o namoro que seus parentes e amigos não querem acreditar nem vendo, e entram em negação sobre o fato. E qual a melhor maneira de entrar em negação sobre esse tipo de indecência? Dizer que os indecentes são os outros, por exemplo, é uma das formas eficientes de negar. É uma forma canalha, mas é eficiente).

Mas, e na Câmara dos Deputados? Dá para retomar o namoro ou vamos trair o namorado? O difícil lá é manter a relação sem dar na vista. Para isso, precisa enganar os parentes e amigos, continuar dizendo que é do grupo e fazer tudo lá na Câmara às escondidas. Como fazer isso?
Pois bem, que tal ir levando as coisas com calma, deixar para formalizar as providências na última hora e, depois de passados 6 minutinhos da hora marcada para o encontro da turma, quando não der mais tempo de comprar o ingresso coletivo para estarmos juntos no teatro, como combinado, só aí então, com esse pouco atraso para não desconfiarem que o atraso foi intencional, aparecermos?

Isso vai prejudicar todo mundo de quem a gente se diz amigo. Vai prejudicar até uns inimigos com os quais nos juntamos lá na Câmara. Se não comprarmos o ingresso juntos, como bloco, eles vão pagar mais caro.
— Fodan-se. Nossa vaga no teatro vai ser garantida pelo nosso namorado torturador e estuprador. Estamos de namoro assumido com ele lá na no Senado, por que não podemos nos esfregar escondidinhos aqui na Câmara. Vai ser gostoso para nós. O resto que se foda!

E a foda toda foi consumada! São os fatos.
E eu estou sentindo a vergonha alheia, de tão pornográfica que é.

Responder

Paulo

02 de fevereiro de 2021 às 19h43

A verdade é que a classe política brasileira é horrível. Em torno de 70% a 80% do Parlamento é negocista, no pior sentido da palavra (e aí tanto faz mesmo Lira ou Baleia). E o pior: o sistema se autoperpetua sendo como é, e, mais ainda, ao se aperfeiçoar ele se expande, garantindo a dominação completa. O candidato típico do Centrão (e vizinhança próxima) pensa primeiro em benefícios pessoais materiais para garantir a reeleição (embora o fator prestígio também conte, no exercício de um cargo, por exemplo, mas de forma secundária, episódica ou casuística), o que implica fundos abastecidos pela corrupção no cargo e caixa 2 a rodo, para ele e para o partido (vide Gedel!). Ao se sentir seguro que perpetuará seu mandato, ele pensa em saltos maiores, mas também em enricar progressivamente, e assim o Sistema se autoalimenta como um moto-contínuo, confundindo e amalgamando desejos pessoais e políticos. A classe política brasileira piorou progressivamente, desde 1889, porque as grandes lideranças – que pensavam mais no país que neles próprios – foram desaparecendo. E não há perspectivas. A “parte boa” é que, como o Sistema já está quase todo tomado, falta pouco para tomarem tudo…

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Alexandre Neres

02 de fevereiro de 2021 às 17h54

A que ponto chegamos.

A bem da verdade, não é uma análise. É uma busca de um não lugar. Se não fosse uma peça de ficção, seria interessante para determinado candidato se de fato existisse.

Seguindo mais uma vez os passos da Vênus Platinada, intenta refundar um “centro imaginário” que na prática não há. O suposto centro democrático é golpista.

O centro democrático é a direita limpinha, a mesma que votou em Bolsonero em 2018 para ressignificar a política, a despeito de todos os sinais enviados em sentido contrário pelo boçal-ignaro.

Embora goste de posar de ponderada, pois terceiriza o serviço sujo, a direita limpinha mostrou ontem que é tão fisiológica quanto o Centrão, a ponto de os deputados do DEM-PSDB-MDB deixarem o Baleia encalhar e se bandearem em bloco para a candidatura bolsonarista. Se cacifou à custa da centro-esquerda, passando-a pra trás, para arrancar mundos e fundos do desgoverno. Não vou entrar no mérito das traições. Fazem parte do pacote.

Afinal de contas, sem a direita limpinha jamais se alcançaria o indefectível número cabalístico de 300 picaretas.

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Tiago Silva

02 de fevereiro de 2021 às 16h29

Adendo 1: “A confusão quântica da Política Brasileira” leia-se “a confusão quântica dos Analistas (principalmente da neoesquerda antipetista) da política brasileira”.

Adendo 2: “centro democrático” leia-se “Direita Golpista”.

Adendo 3: “a mentalidade de um pequeno comerciante informal que anseia um pouco de paz” leia-se “quem se considera empresário hoje” e que foi um dos grupos principais de adesão ao Golpe de 2015/2016 e ainda hoje representa uma das principais bases eleitorais do Bolsonaro (assim como neopentecostais, cuja teologia da prosperidade quer incutir esse individualismo e empreendorismo como solução para todos os problemas de um outro grupo mais humilde).

Por fim, quanta falta fazem Brizola e Darcy para darem rumo aos “ciristas” que podem virar birutas de aeroporto caso persistam em não ter visão estratégica (e algumas vezes inflar o antipetismo que vira munição para a direita e afunda toda a esquerda em conjunto), assim como o próprio Ciro e PDT infelizmente não souberam agir estrategicamente há pelo menos desde 2018.

P.S. E que movimentação atabalhoada do PDT e PSB em correr para abraçar a candidatura do Golpista Baleia Rossi (que pouco se difere do Arthur Lira, inclusive em votos ou processos) para querer pressionar a esquerda toda para ser engolida por essa baleia como o infelizmente o PT caiu e o PSOL soube sair, ainda mais sabendo-se que se poderia ter nova composição no segundo turno… Porém pior ainda ficou quando boa parte do PDT e PSB pulou para o barco de Arthur Lira!!! Não que o Parlamentarismo de Fato desde Eduardo Cunha e Rodrigo Maia sejam melhores que o Presidencialismo de Coalizão que Bolsonaro tenta retomar (aliás quanto mais se aproxima do Parlamentarismo, mais elitista e anti-Estado), porém não se diferem muito já que são formados basicamente pelas mesmas pessoas (e que não tem vergonha de seus Golpes, pois se alimentam da impunidade e falta de visão da esquerda).

PS.2: Tá vendo aí, Alexandre Neres…. Quanta falta faz Brizola e Darcy pra dar rumo a tantas birutas!!!

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