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Flickr da família Bolsonaro

Amigos da família Bolsonaro são condenados por envolvimento com milícia

Por Miguel do Rosário

10 de outubro de 2021 : 13h53

O cerco judicial sobre a família Bolsonaro vem se apertando. Um dos flancos mais vulneráveis do clã é seu longo e documentado envolvimento com milícias do Rio de Janeiro.

As conexões mais diretas entre os Bolsonaro e o crime organizado aconteceram no escritório do então deputado estadual Flavio Bolsonaro.

Os milicianos ocupavam, literamente, o gabinete de Flavio. O elo mais conhecido é Fabrício Queiroz, que exercia o cargo de assessor de Flavio Bolsonaro, e que comandava um esquema de rachadinhas, usado, entre outras coisas, para financiar imóveis controlados pela milícia de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Há poucos dias, um tribunal de júri condenou mais dois milicianos presos pela Operação Intocáveis: Manoel de Brito Batista, o Cabelo, e Fábio Campelo de Lima. O primeiro recebeu pena de 17 anos, o segundo, de 14 anos.

Para evitar aglomerações, o juiz desmembrou o julgamento dos milicianos em três datas. O primeiro ocorreu no dia 29 de setembro, o segundo no dia 8 de outubro e o terceiro deverá acontecer no dia 21 de outubro.

No terceiro dia, será julgado um nome muito conhecido da opinião pública brasileira, o major Ronald Paulo Alves Pereira, entre outros.

O major é um dos suspeitos de ter sido mandante do assassinato de Marielle.

Assim como os milicianos Fabrício Queiroz e Adriano da Nóbrega, Ronald também recebeu homenagens oficiais do então deputado Flavio Bolsonaro.

A denúncia do Ministério Público usada para condenar os milicianos pode ser baixada aqui.

***

4º Tribunal do Júri condena mais dois denunciados pela Operação Intocáveis por participação em milícia em Rio das Pedras e Muzema

TJ-RJ — O Conselho de Sentença do 4º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou, na madrugada desta sexta-feira (8/10), mais dois réus do grupo de 12 denunciados na Operação Intocáveis, realizada em 2019 pela força-tarefa integrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para o combate a atuação de uma milícia na região das comunidades de Rio das Pedras e da Muzema, na Zona Oeste do Rio.

O segundo júri foi presidido pelo juiz Gustavo Kalil, que proferiu a sentença à 1h da manhã desta sexta-feira. Manoel de Brito Batista, o “Cabelo”, foi condenado a 17 anos de reclusão e 583 dias-multa. Já Fábio Campelo Lima foi condenado a 14 anos de reclusão e 283 dias-multa. O Conselho de Sentença, por maioria, considerou Manoel e Fábio culpados por pertencerem à organização criminosa e por corrupção ativa, por prática de suborno a agente público para conseguir a liberação do funcionamento de empresa utilizada para o êxito das operações ilícitas da milícia.

Manoel recebeu pena maior, pois foi reconhecido pelo Júri como braço direito do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da PM Adriano da Nóbrega, o “Capitão Adriano”, denunciado na Operação Intocáveis como líder da organização criminosa, que morto em fevereiro de 2020, na Bahia, durante uma perseguição policial.

Primeiro júri

No dia 29 de setembro, no primeiro júri, também presidido pelo juiz Gustavo Kalil, o tenente reformado da PM, Maurício Silva da Costa, o “Maurição”, foi condenado a 30 anos de reclusão, em regime fechado, após ter sido considerado culpado pela morte de Júlio de Araújo, executado a tiros em setembro de 2015 na comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, além de ser considerado um dos líderes da milícia. No mesmo júri, Fabiano Cordeiro Ferreira, o “Mágico”, foi condenado a oito anos de reclusão, também em regime fechado, e 360 dias-multa, por ser um dos integrantes da mesma organização criminosa.

O magistrado desmembrou o processo envolvendo os 12 acusados, considerando a necessidade de se limitar a dois o número de réus a ser julgados por sessão plenária, a fim de garantir mais tempo de debates, assim como diminuir a quantidade de pessoas por dia, à luz da pandemia de COVID-19.

No dia 21/10, também a partir das 10 horas, acontece o terceiro júri, para os acusados Ronald Paulo Alves Pereira e Daniel Alves de Souza; no dia 18/11, serão julgados Jorge Alberto Moreth e Laerte Silva de Lima; na semana seguinte, no dia 25, Benedito Aurélio Ferreira Carvalho e Gerardo Alves Mascarenhas; e, no dia 9/12, os dois últimos acusados, Marcus Vinícius Reis dos Santos e Júlio Cesar Veloso Serra.

Processo nº 0351054-60.2019.8.19.0001

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Chichano Goncalvez

18 de outubro de 2021 às 13h34

Porque que grande parte do povo brasileiro, vota e aceita um lanche , para protestar contra alguem que está fazendo algo por eles, mesmo que seja insuficiente ? Estou falando no governo da honesta Dilma Roussev. Enquanto temos a maior quadrilha de bandidos, corruptos, assassinos, drogados, entre outros adjetivos da pior especie, e onde esta o Zé Povinho ? São os mesmo que aguentaram 21 anos de torturas, extorções, roubos, corrupção( teria muito mais a que falar, mas todo mundo já sabe) nos anos de chumbo, isto é, 60 % do povo brasileiro é desonesto, é triste mas é a pura verdade. Concluindo, eu fui um dos poucos que tiveram na prisão por quatro (04 ) vezes, por protestar contra a ditadura, fui parar na maquina da morte , chamada Dops, porque escapei ?minha mãe trabalhava na delegacia , e era ela que lavava as roupas do delegado, funcionario do dops. Mas não pedi e nem quero indenização, pois essas indenizações são dinheiro do povo bom ( que é uma exeção) e trabalhador. Ott’ 18′ 2021 – 13:33 hs.

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Pablo

11 de outubro de 2021 às 14h51

Aliás a capa da Veja desse mês explica bem isso. As mãos da imprensa da “escolha difícil” diante do neofacismo estão todas manchadas de sangue do povo brasileiro. Mas não passarão impunes, nem escapa ao julgamento da história!

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    Pablo

    11 de outubro de 2021 às 14h56

    Se um fascista se senta à mesa com 10 lessoas e ninguém se levanta, então há 11 fascistas

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    Pablo

    11 de outubro de 2021 às 14h59

    Censurarm meus 3 comentários. Muito bem imprensa conivente com o fascismo, parabéns, eu não podia esperar nada diferente disso mesmo.

    Responder

Pablo

11 de outubro de 2021 às 14h46

Como fomos eleger um presidente miliciano que aparelhou todo o Estado com capangas milicianos do que há de mais podre entre os já mal intensionados militares. Que país é esse?

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EdsonLuiz.

10 de outubro de 2021 às 18h10

Sabem aquele polegar meio levantado, o dedo indicador apontando e os outros três dedos recolhidos, o tal sinal de arminha?

Aquilo não era brincadeira não, era senha! Aquele sinal de arminha era a senha para a delinquência criminosa de milicianos. Aquilo era real. Eles usam revólver de verdade! Eles matam mesmo!

Durante a campanha de 2018, jair bolsonaro usou esse sinal como senha e fez você pensar que era um gesto de justiceiro. Ele queria fazer você acreditar que estava participando de um movimento de combate ao crime. Não! O bolsonarismo não é um movimento de combate ao crime; o bolsonarismo é o próprio crime.

Você que votou em bolsonaro enganado, agora já deu tempo de saber que eles não são justiceiros. Eles são criminosos mesmo, usam armas de verdade, matam e esfolam. Para que eles usam armas? Para ocupação imobiliária irregular, para fazer ligação clandestina de água, de gás e de internet, para cobrar mensalidade de comerciante para manter a paz no lugar da polícia. O curioso é que em geral o miliciano é um policial a quem você já paga salário e ele não faz o trabalho que devia fazer como policial e cobra pelo trabalho de novo como miliciano.

Sabe essa conversa do bolsonarismo sobre “Deus acima de tudo!”. Já passou da hora de você ver que é pura enganação. Você não quer continuar sendo enganado, não é?

Estes caras estão achincalhando o Brasil. E falam que é para o nosso bem.

Os corruptos do PT e os de outros partidos achincalham o Brasil com corrupção. Se você reclama da corrupção, eles debocham de você chamando-o de moralista. Com isso de chamar você de moralista quando você reclama da corrupção o petista quer lhe dizer: “Cale sua boca e deixe a gente se corromper quietinho. Ser contra corrupção é moralismo seu imbecil”. Eles falam isso, mas você não concorda, não é? Questões particulares podem envolver moralismo, quando alguém se mete na moral que diz respeito apenas à própria pessoa. Mas questões públicas e de governo não são questões pessoais. Ser honesto, ser correto, em questões de governo é obrigação! É obrigação conservar a moralidade pública! E moralidade pública é uma coisa muito diferente de moralismo.

Fora corruptos! Fora PT enquanto não se limpar de seus corruptos.

Agora, os milicianos não são melhores que o PT não.! Fazer rachadinha e ficar com dinheiro de trabalhador público que trabalha em gabinete de deputado é um crime tão grande quanto corrupção. Ou você acha que o dono do supermercado pode assinar a carteira da menina que atende você no caixa, mas pagar só uma parte do salário que diz que paga para ela? Se o dono do supermercado não pode fazer isso com o empregado, o deputado é que não pode fazer mesmo! O salário do empregado é dinheiro público e o trabalhador no gabinete do deputado é pago e trabalha para o povo. O deputado, o presidente, já recebem o salário dele.

E armar gangues, muitos deles policiais, para fazer terror em um lugar e depois cobrar ‘pedágio’ como proteção, pode? Manter milícia, pode? Ou a parte saudável da polícia de cada Estado deve combater a milícia antes que o Estado se dissolva e todos nós, você incluído, fiquemos submetidos à lei particular desses jagunços?

Gente, acorda!!!

Ė “Fora Lula!”, mas é “Fora bolsonaro!” também!

* Mesmo que fossem justiceiros, nada havia de saudável naquele gesto. O crime deve ser tratado pela justiça.

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