Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Presidenta da UNE, Bruna Brelaz sofre ataques racistas e misóginos

Por Gabriel Barbosa

19 de outubro de 2021 : 19h56

Revista Fórum – Presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz foi vítima de ataques racistas e misóginos após conceder uma entrevista para o jornal “Folha de S. Paulo”. Ao criticar as falas da estudante, um internauta escreveu: “Mais uma negra a serviço da casa-grande”.

Durante o período da escravização no Brasil, a casa-grande era onde moravam os senhores que possuíam propriedades rurais.

Outros ataques recebidos pela presidenta da UNE incluíram ser chamada de “traidora safada”, “cadela” e “fascista”. “Espero que você apanhe do MBL”, disse um perfil no Twitter.

Primeira mulher negra e da região Norte a presidir a UNE, Bruna é filiada ao PCdoB e uma defensora de ampla aliança, inclusive com a direita e antigos inimigos, pelo “Fora, Bolsonaro”. Na entrevista, publicada neste domingo (17) pelo jornal, ela cobrou mais gestos do PT e de Lula pelo impeachment e afirmou que a esquerda precisa falar sobre “sua rede de ódio”.

Ao responder ao ataque sofrido, a presidenta da UNE disse que “não foge do debate político e das críticas”, mas ressaltou que “não aceitará comentários racistas”.

“Racismo é crime! Não fujo do debate político, do diálogo e até mesmo das críticas, não aceitarei comentários racistas. Para vencer o bolsonarismo precisamos ter posturas diferentes. Em uma democracia o debate político não pode ser substituído pelo ódio e por racismo e misoginia”, escreveu.

Algumas posturas políticas de Bruna tem descontentado setores da esquerda, que consideram-nas alinhadas em demasia com posições mais centristas. Causaram polêmica, por exemplo, um encontro que a presidenta fez com Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e ela ter subido no palanque do MBL no ato de 12 de setembro pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Bruna recebeu solidariedade de parlamentares do PCdoB, como da deputada federal Jandira Feghali. “Alguns radicais bolsonaristas e outros de esquerda reagiram com racismo e misoginia. Como atacar uma jovem liderança irá ajudar a derrotar Bolsonaro? A quem isso serve? @brunabrelaz estamos juntas!”, disse.

Manuela D’Avila também se manifestou: “Estamos juntas enfrentando o ódio, a misoginia e o racismo com o qual lhe atacam”, escreveu. “Bruna é guerreira, primeira mulher negra e da região Norte a presidir a UNE. Não se deixe intimidar, Bruna! Estamos com você”, afirmou a deputada federal Alice Portugal (PCdoB).

Líderes das centrais sindicais União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) lançaram nota de solidariedade a Bruna.

“São ataques que militam em prol de velhos dogmas, que dificultam a organização e o avanço do campo progressista e que, infelizmente, não são novidade. Trata-se de uma história manjada: uma artilharia pronta para atacar todos e todas que ousam romper os limites impostos por grupos minoritários, porém muito ativos, que pregam o sectarismo e o hegemonismo na política”, escreveram.

Eles repudiaram, ainda, as expressões e ações de ódio contra a presidenta da UNE. “As divergências políticas existem e devem ser respeitadas, dentro do campo da paz, da democracia e da construção de um País melhor para todos”, consta na nota.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

5 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Gerson Lopes dos Santos

20 de outubro de 2021 às 07h06

Tá faltando enxada prá essa rapaziada da UNE. Militância esquerdista dos infernos. Vai vendo Brasil 🤔

Responder

Paulo

19 de outubro de 2021 às 21h58

” ‘São ataques que militam em prol de velhos dogmas, que dificultam a organização e o avanço do campo progressista e que, infelizmente, não são novidade. Trata-se de uma história manjada: uma artilharia pronta para atacar todos e todas que ousam romper os limites impostos por grupos minoritários, porém muito ativos, que pregam o sectarismo e o hegemonismo na política’, escreveram.”

Essa frase, no seu final (ou seja, tirando o tal ‘progressismo’), caberia tanto na boca de esquerdistas quanto na de direitistas.

Por isso o sujeito dito “progressista”, assim também autointitulado, que atacou a estátua do Borba Gato, não se reconheceu como atacando a si próprio e ao povo brasileiro…Mas vá você explicar isso aos nossos gloriosos “progressistas”…

“calma aí, você está enviando comentários rápido demais”, diz o logaritmo, rsrs. Agora, isto posto, em 4ª tentativa, no meu primeiro comentário do dia, talvez a coisa vá. Só rindo…

Responder

    Paulo

    19 de outubro de 2021 às 22h04

    Onde se lê “logaritmo”, leia-se “algoritmo”. Desculpem a nossa falha, como diria o JN, rsrs…

    Responder

Galinzé

19 de outubro de 2021 às 21h50

Esquerdismo a moda brasileira é um transtorno mental.

Responder

commnet

19 de outubro de 2021 às 20h40

PresidentE. Não existe a palavra “presidenta”.

Responder

Deixe um comentário

Parlamentarismo x Semipresidencialismo: Qual a Diferença? Fernanda Montenegro e Gilberto Gil são Imortais na ABL: Diversidade Auxilio Brasil x Bolsa Família: O que mudou? As Refinarias da Petrobras À Venda pelo Governo Bolsonaro O Brasileiro se acha Rico ou Pobre?