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Jandira Feghali: Combate à pobreza é luta permanente

Por Redação

11 de novembro de 2021 : 14h51

Por Jandira Feghali

Um famoso programa de televisão colocava uma pessoa numa cabine onde ela não escutava o que lhe era perguntado, mas tinha que responder sim ou não. Os telespectadores se divertiam às custas de pessoas que diziam sim para a troca de um carro por um abacaxi. Era, ao mesmo tempo, tenso e engraçado.
Fora da cabine, no entanto, é lamentável e trágico que tais escolhas sejam feitas mesmo quando em prejuízo de milhões.

É o que acontece com a decisão do governo Bolsonaro de acabar com o Bolsa Família e trocá-lo por um programa temporário e sem fontes certas de recursos.

Pior, dando o calote em professores da rede pública, aposentados e pensionistas com a PEC dos Precatórios. Uma PEC com previsão de recursos superiores aos necessários e com destinação obscura quanto ao montante que será usado fora do novo programa.

De um lado um programa que tirou milhões de pessoas da extrema pobreza, reduziu em 16% a mortalidade de crianças de um a quatro anos de idade, aumentou a participação das meninas nas escolas. Uma política de transferência de renda que teve efeito multiplicador no PIB e que viu 69% dos beneficiários iniciais adquirirem as condições para sair do programa.

Uma verdadeira e exitosa quebra no ciclo de pobreza, reconhecido e premiado internacionalmente. De outro, uma promessa vazia e eleitoreira que acena com um auxílio de valor maior, mas válido apenas no ano da eleição. Em janeiro de 2023 o povo não terá qualquer alternativa de proteção social. O cenário conhecemos bem.

O Brasil de Bolsonaro é o país onde as pessoas têm que escolher entre morrer de fome ou revirar lixos em busca de restos comida. Onde mulheres enfrentam longas filas para a doação de osso para garantir uma refeição às suas famílias. Um país que volta ao mapa da fome e da extrema pobreza. Sem assistência, sem opção, sem um governo que olhe por elas.

O cada vez mais milionário ministro da Economia, que lucra em paraísos fiscais, não se importa. O presidente só se importa em ser reeleito e manter sua política de fome, desemprego e desesperança. E, enquanto enriquecem e buscam mais poder, enquanto os bancos mantêm lucros recordes, o povo sofre com a carestia e a miséria.

Estudo publicado recentemente pelo Insper comprova que a desigualdade social voltou a crescer a partir de 2016. E exatamente quando mais necessário é o Bolsa Família vemos seu fim numa canetada em uma medida provisória.
A pergunta todos nós ouvimos.

Vocês querem trocar um programa permanente e exitoso de transferência de renda por um provisório e que não terá os mesmos resultados e nem a mesma quantidade de beneficiários? Fora da cabine a resposta é uma só: NÃO!

Jandira Feghali é deputada federal (PCdoB-RJ)

Texto publicado originalmente no jornal O Dia.

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2 comentários

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Duilio

11 de novembro de 2021 às 18h45

…e votaram contra.

A pobreza està na cabeça dessa gente, alias a miseria.

Responder

Fanta

11 de novembro de 2021 às 15h00

Aumentou o valor, votaram contra por ser programa do governo e nao deles (dos tais de pobres nao interessa nada a essa gente, caso contrario teriam votado a favor) e ainda reclamam…? Kkkkkkkkkkkkkk

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