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Uma deputada trans: Dani Balbi anuncia pré-candidatura no Rio

Por Redação

28 de janeiro de 2022 : 00h01

Em 2023, o Rio de Janeiro poderá ter sua primeira deputada estadual transexual. A professora Dani Balbi acaba de anunciar em primeira mão ao Cafezinho que colocou seu nome à disposição do PCdoB para ser pré-candidata a deputada estadual neste ano.

Doutora em Ciência da Literatura pela UFRJ, Dani Balbi pretende ser candidata pelo PCdoB com o apoio de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Alguns analistas acreditam, inclusive, que ela pode ser a parlamentar mais votada da ALERJ em 2022.

Nesta entrevista, a comunista conta um pouco de sua trajetória e do programa político que apresentará na eleição. Fala também sobre a polêmica levantada pelo recente texto de Antonio Risério.

Cafezinho: Dani, conte aqui para quem não te conhece ainda: quem é a Dani Balbi?

Dani Balbi: Bom, eu tenho 32 anos, sou professora, com mestrado e doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ. Fui por dois anos professora da Escola de Comunicação da UFRJ. Sou filiada ao PCdoB desde os 16 anos de idade, então posso dizer que sou comunista desde criancinha. Tenho orgulho, inclusive, de nunca ter trocado de partido. Fui candidata a deputada estadual em 2018 quando tive mais de 10 mil votos. Desde então minha intervenção no movimento social e na sociedade civil cresceu bastante. Por isso muitos ativistas sociais pediram e eu concordei em ser candidata novamente.

Cafezinho: E como você enxerga o papel do seu partido no Rio?

Dani Balbi: Olha, eu tenho muito orgulho do meu partido. O PCdoB é um partido diferente, né? Para começar, nós temos uma presidenta nacional que é uma mulher, negra e nordestina, a Luciana Santos. No Rio de Janeiro todas as nossas deputadas são mulheres. Temos a Jandira Feghali, que é um exemplo de combatividade no Congresso Nacional e uma referência para o campo da cultura. E temos a Rejane que desempenhou excelentes mandatos na ALERJ, muito reconhecida na área da saúde. Então eu vejo o PCdoB como o lugar das mulheres, dos negros, da juventude e dos trabalhadores, enfim de todos aqueles que sofrem opressões cotidianas. Por isso é o partido com mais responsabilidade para a transformação no Rio de Janeiro.

Cafezinho: Mas vocês já definiram quem apoiar ao governo?

Dani Balbi: Ainda não. Mas é um processo que está amadurecendo. Nacionalmente o nosso partido caminha para uma federação com PT, PSB e PV. Caso essa federação se consolide, o candidato ao governo sairá de algum desses partidos e hoje o nome apresentado por esses partidos é o do Marcelo Freixo (PSB). Então é muito provável que Freixo seja o nosso candidato, um excelente nome, diga-se de passagem. Não quero antecipar uma decisão que ainda precisará ser aprovada nos fóruns internos do PCdoB, mas eu tenho muita confiança na inteligência coletiva do meu partido de que vamos tomar a melhor decisão para que a esquerda saia unida e que tenha uma candidatura competitiva no Rio de Janeiro.

Cafezinho: E como deputada, o que você pretende fazer?

Dani Balbi: Olha, não é pouca coisa, não. Precisamos urgentemente reconstruir o Rio de Janeiro. E essa reconstrução passa por mais investimentos na educação básica e nas universidades estaduais como a UERJ, a UENF e a UEZO. Como deputada eu cobrarei permanentemente do governo mais recursos para a educação e a ciência. Outro grande problema é a segurança pública e o racismo estrutural. A gente sabe que quem mais sofre com a violência é a população mais pobre, em particular a negra. Existe uma política de extermínio dessa população, que chamamos na sociologia de necropolítica. Precisamos ter uma polícia que não sirva apenas para prender pobres e negros. Então uma grande preocupação do meu mandato será com a preservação dos direitos humanos no estado. Quero também fiscalizar os transportes públicos, sacudir as estruturas da Agetransp. Não é possível que trens e barcas continuem subindo os valores das passagens sem oferecer melhorias na infraestrutura e na qualidade dos serviços. Importante também ressaltar a luta pelo incentivo da inclusão da população trans no mercado de trabalho.

Cafezinho: Uma polêmica recente nas redes sociais girou em torno do texto do Antônio Risério sobre identitarismo. Como você vê essa polêmica?

Dani Balbi: Muito ruim o texto, né? O negacionismo de direita diz que não existe racismo, machismo, sexismo e nem opressão de classes. Também pela direita, o chamado neoliberalismo progressista até reconhece a existência do machismo e do racismo, mas não acredita em opressão de classes. Já na esquerda existe, de forma minoritária, um negacionismo de esquerda que acha que só existe luta de classes. Nós, comunistas, entendemos que a luta de classes em cada país pode assumir uma forma. No caso brasileiro, a luta de classes está estruturada em opressões raciais e de gênero. Minha amiga Manuela d´ Ávila fala muito bem sobre isso. Por isso acreditamos que a luta pelo socialismo deve estar casada com a luta contra o racismo, contra o machismo e contra o sexismo.

Cafezinho: Teremos então uma deputada comunista na ALERJ?

Dani Balbi: Não só uma. Se tudo der certo teremos pelo menos dois comunistas na ALERJ em 2023. Nosso partido tem condições de oferecer outras candidaturas competitivas além da minha. Por exemplo, o secretário municipal de cultura de Niterói e meu amigo, Leonardo Giordano, também poderia ser um excelente candidato para fazer uma grande dobradinha comigo na ALERJ. Nosso partido está muito unificado em torno desse objetivo de aumentar a influência eleitoral no Rio de Janeiro elegendo mais parlamentares.

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