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Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação

Em discurso nos 42 anos do PT, Lula reafirma compromisso em combater as desigualdades

Por Redação

10 de fevereiro de 2022 : 21h37

O ex-presidente Lula participou da cerimônia de aniversário de 42 anos do PT, na noite desta quinta-feira, 10. A cerimônia foi híbrida, com participação de convidados e dirigentes por vídeo.

Lula iniciou sua fala agradecendo e se emocionando ao citar petistas históricos. Em seguida, ele leu o discurso. Falou do amor e da causa do PT, da superação e da esperança em reduzir a desigualdade social, que mata milhões e milhões todos os anos.

“Apesar de todos os retrocessos que o país atravessa, temos o que comemorar no dia de hoje…Nossa força mostra o quanto sonhar e lutar vale qualquer esforço…Porque, antes de tudo, o PT é o partido do amor.  Do amor ao Brasil e ao povo brasileiro”.

Leia a íntegra do discurso:

“Companheiras e companheiros.

É com muito orgulho e muita alegria que comemoramos mais um aniversário deste partido que nós fundamos para dar voz ao povo brasileiro.

Infelizmente, o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras chega aos 42 anos num momento especialmente triste da história do Brasil, que nega todas as conquistas que realizamos ao longo dessas quatro décadas de luta.

Fundamos o PT para combater as desigualdades, a concentração de renda, a fome, a inflação, o desemprego, o atraso econômico, a subserviência do Brasil aos interesses estrangeiros. Combatemos, e vencemos, tanto na oposição quando no governo.

Levamos 22 anos para chegar ao governo. E em apenas 13 anos de governo, conseguimos o que nenhum outro partido, em qualquer momento da história, jamais foi capaz de realizar.

Foram tantos acertos, que os atrasados desse país se viram obrigados a dar um golpe e derrubar a primeira mulher eleita presidenta do Brasil.

E depois, no golpe dentro do golpe, impediram que o primeiro operário a chegar à Presidência disputasse novamente – e vencesse – a eleição de 2018.

Fizeram o Brasil recuar no tempo, e trouxeram de volta todos os flagelos que havíamos conseguido derrotar.

Tudo isso em meio a uma pandemia que matou mais de 630 mil brasileiros, devido à atitude criminosa e a negação da ciência por parte do atual governo.

Apesar de todos os retrocessos que o país atravessa, temos o que comemorar no dia de hoje.

Mesmo com todas as tentativas de destruição do PT, e da acirrada campanha de criminalização da política, estamos vivos e mais fortes do que nunca. E continuamos a ser o partido político mais querido pelo povo brasileiro.

Nossa força mostra o quanto sonhar e lutar vale qualquer esforço.

Mostra também o poder da solidariedade contra o egoísmo, do amor sobre o ódio. E eu peço licença para dedicar minha fala a esse que é o sentimento mais nobre do ser humano, tão caro a cada um e a cada uma de nós.

Porque, antes de tudo, o PT é o partido do amor.  Do amor ao Brasil e ao povo brasileiro.

Companheiros e companheiras.

Acredito em todas as formas de amar. Creio no amor romântico, o amor fraterno, o amor de uma mãe e de um pai pelos filhos, o amor aos nossos amigos, o amor da gente por um animal de estimação – e dele pela gente.

Ao longo de 76 anos, 50 dos quais dedicados à militância política, vivenciei tantas vezes o amor, e também o seu oposto.

Fui vítima do ódio, que me custou 580 dias de prisão injusta e ilegal, condenado à saudade incurável dos meus entes queridos e do povo brasileiro, a quem amo de paixão.

Mas sempre fui – e serei – acima de todos os ódios, abençoado pelo amor. Aprendi na Bíblia que “se eu não tiver amor, eu nada serei”.

Vi de perto tudo o que de mais belo a humanidade é capaz de construir, se ela tiver amor.

Acredito no ser humano. Minha fé na humanidade é resultante da crença inabalável nesse sentimento cantado em verso e prosa.

Mas, acima de tudo, acredito na igualdade entre os seres humanos. Ninguém é melhor do que ninguém.

Ninguém pode ser dono de ninguém,  muito menos do mundo inteiro. Nem a mais temida superpotência, com suas armas de destruição em massa, nem o mais poderoso bilionário, com seus iates, jatos e foguetes.

A superpotência, com seu arsenal atômico capaz de destruir várias vezes o planeta, sabe que só existe um planeta, e que depende dele para viver.

O bilionário, com dinheiro de sobra para apreciar a Terra do espaço, sabe que sua fortuna depende da sobrevivência da espécie humana, e que se esta desaparecer, de nada valerão todos os bens que ele acumulou em vida.

Companheiros e companheiras.

O amor e o ódio caminharam lado a lado na história da humanidade. Precisamos, mais do que nunca, fazer com o que a amor prevaleça.

O ser humano é o resultado de milhões de anos de evolução. Não nos tornamos a espécie mais poderosa do planeta apenas pelo cérebro mais desenvolvido, a sofisticação da nossa linguagem ou a capacidade de fabricar ferramentas.

Mas também pela capacidade de cooperarmos em larga escala, com um grande número de desconhecidos. Essa cooperação também pode ser chamada de amor ao próximo.

Há milhões de anos, quando nossos antepassados se uniram e passaram a cooperar nas caçadas, eles foram capazes de derrotar as feras mais perigosas.

Se nos unirmos agora, seremos capazes de construir um mundo com mais amor. Um mundo melhor para todos. Mas se permanecermos desunidos, nos tornaremos cada vez mais uma ameaça à nossa própria sobrevivência.

Somos a espécie mais evoluída. No entanto, nossa ganância e nosso individualismo estão destruindo o planeta, sem a necessidade de dispararmos uma bomba atômica sequer.

Somos, também, o predador mais letal que já pisou sobre a face da Terra. Levamos à extinção incontáveis espécies de animais, ao mesmo tempo em que domesticamos e condenamos outros ao sofrimento mais atroz.

Nossa arrogância nos fez acreditar que em algum momento do passado fomos capazes de eliminar os grandes males que dizimavam nossos antepassados: a fome, as guerras e as pestes.

No entanto, nos dias de hoje, a fome castiga 900 milhões de homens, mulheres e crianças em todo o mundo.

Guerras sem fim expõem populações inteiras a mortes, doenças, extrema pobreza e migrações forçadas.

O novo coronavírus, a peste dos nossos tempos, já matou mais de 5 milhões e 700 mil pessoas ao redor do planeta.

Num espaço de tempo relativamente pequeno em termos de história natural, evoluímos da pedra lascada à inteligência artificial.

Criamos a internet, uma das mais extraordinárias invenções da humanidade. Com ela, os seres humanos conquistaram a capacidade de acumular mais e mais conhecimento e cooperar ainda mais entre si, numa escala antes inimaginável.

No entanto, essa mesma internet tem servido também para o seu contrário: propagar a ignorância e o negacionismo, e disseminar o ódio, o racismo, o machismo, a homofobia e todas as formas de preconceito.

E também para espalhar mentiras e desinformação, inclusive contra as vacinas, que a inteligência humana foi capaz de criar para salvar milhões de vidas.

Numa das tristes ironias do nosso tempo,  a internet – esse grande  avanço da ciência –, tem sido usada para desacreditar a própria ciência.

Companheiros e companheiras.

Jesus Cristo, o ser humano mais extraordinário que passou por esse planeta, nos ensinou a maior de todas as lições: Amai-vos uns aos outros.

O amor está na base de todas as religiões e na maioria das culturas. Por que então insistimos tanto em não nos amarmos uns aos outros?

Caminharemos para a autodestruição se deixarmos de lado a cooperação, que guiou a humanidade ao longo de milhões de anos, se não enxergarmos mais o próximo como  nosso irmão.

Se permitirmos que a desigualdade continue cavando um fosso cada vez mais profundo e intransponível entre ricos e pobres.

Nunca fomos tão prósperos, com acesso a bens materiais que nossos antepassados não podiam sonhar. Mas, ao mesmo tempo, nunca fomos tão solitários e desiguais.

A desigualdade mata um ser humano a cada quatro segundos, de acordo com relatório divulgado pela Oxfam no início deste ano.

O mesmo relatório revela que, em plena pandemia, os dez homens mais ricos do mundo dobraram suas fortunas, enquanto  a renda de 99% da humanidade entrou em queda livre, e mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza.

A ganância envenenou o espírito humano. 12 mil anos após o início da revolução agrícola, produzimos alimentos em quantidade suficiente para alimentar todos os habitantes deste planeta.

No entanto, 2,1 milhões de seres humanos morrem de fome todos os anos.

A medicina deu saltos extraordinários, erradicou doenças que antes dizimavam milhões de pessoas.

No entanto, nos países pobres, 5,6 milhões de seres humanos morrem todos os anos por falta de acesso à saúde.  

As empresas fabricam computadores cada vez mais sofisticados, conectados a uma internet cada vez mais veloz.

No entanto, milhões de crianças no mundo inteiro não possuem sequer um lápis e um caderno.

A tecnologia criou máquinas e algoritmos para aumentar a produtividade do trabalho.

No entanto, o desemprego e a destruição dos direitos trabalhistas nos tornam cada vez mais pobres.

A ciência decifrou nosso código genético, e está bem próxima de deter o processo de envelhecimento, para que o ser humano possa viver com perfeita saúde até os 150 anos.

No entanto, aqui no Brasil, a mortalidade infantil voltou a subir, impedindo crianças de completar sequer o primeiro ano de vida. E jovens negros da periferia continuam morrendo todos os dias, fuzilados pelo racismo estrutural.

Companheiras e companheiros.

Sabemos o quanto o ser humano é capaz do bem e do mal. Dos gestos mais nobres e dos atos mais cruéis.

Recentemente, vimos com horror um imigrante congolês espancado até a morte no Rio de Janeiro, ao tentar receber de seus patrões o que lhe era devido pelo seu trabalho.

Na mesma semana, vimos uma professora de uma escola pública do interior do Pará dançando e chorando de alegria ao saber que seus alunos conquistaram vagas no ensino superior.

Essa professora não receberá sequer um centavo de aumento pela sua dedicação e o sucesso de seus alunos. A felicidade dela é unicamente pela felicidade do próximo – porque o ser humano é assim, vocacionado para amar seus semelhantes.

Precisamos lutar com todas as forças para que o ódio que matou um trabalhador imigrante, e que todos os dias mata mulheres, negros, índios, gays, lésbicas e transexuais seja banido para sempre.

Ao mesmo tempo, precisamos nos inspirar no amor dessa professora pelo seu trabalho e pelos seus jovens alunos.

Porque o amor será sempre maior que o ódio. A verdade será sempre maior que a mentira. E a esperança mais uma vez haverá de vencer o medo.

O pesadelo está perto de fim. É hora de devolvermos ao povo brasileiro a capacidade de sonhar. E mostrar que esses sonhos podem transformar a realidade outra vez.

O PT precisa governar de novo, para provar que a classe trabalhadora sabe cuidar desse país melhor do que ninguém.

Para que nosso povo volte a fazer pelo menos três refeições por dia, ter educação e saúde de qualidade, emprego com salário digno e carteira assinada.

Para que o salário mínimo volte a ser reajustado acima da inflação. A gasolina, o diesel, o gás de cozinha, a energia elétrica, a cerveja gelada e o churrasco do fim de semana caibam de novo no bolso dos brasileiros. E o filho do trabalhador volte a ter a oportunidade de se tornar doutor.

Precisamos voltar a investir na agricultura familiar, na cultura, na ciência e na tecnologia. A Petrobrás, a Eletrobrás e todas as nossas estatais voltem a ser um patrimônio do povo brasileiro.

O meio ambiente precisa ser cuidado com todo o carinho. Boiada nenhuma vai passar por cima do que pertence a todos nós, e não à elite irresponsável desse país.

O Brasil irá voltar a ser respeitado internacionalmente, e o povo brasileiro voltará a ser feliz e a ter orgulho do seu país.

Nós fomos capazes de fazer tudo isso em apenas 13 anos, e vamos fazer de novo, agora com ainda mais experiência e mais desejo de mudança.

Com mais espírito de luta, e muito amor no coração.

Parabéns a todas e todos. E viva o PT.”

Assista à cerimônia de aniversário do PT e ao discurso de Lula:

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8 comentários

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Batista

12 de fevereiro de 2022 às 12h04

“Valeriana
20 de novembro de 2020 às 19h14

“A nossa politica é a arte de dividir as pessoas para a gente ficar com o poder”. (Tilden Santiago)

O ultimo dos interesses é defender as “minorias”.”

Os plantonistas do gabinete do ódio, no cafezinho, adestrados replicantes de fake-news de estoque voltadas a desavisados e ignorantes, não sabem e pouco importam saberem que, Tilden Santiago deixou o PT em 2007, passando pelo PSB (2008-2019); PSOL (2020-2021); Cidadania (2021-2022), quando então faleceu aos 82 anos, sem esquecer que a aludida frase é de sua autoria tanto quanto a “Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!”

Enfim, pensam que todos são tapados, tanto quanto eles, e que no Cafezinho a frequência é suscetível a ‘tão competente persuasão’.

Responder

Nunes

10 de fevereiro de 2022 às 22h50

“A nossa política é a arte de dividir as pessoas para a gente ficar com o poder”. Tilden Santiago

Dizer o que mais dessa facção…? tá tudo nessa frase.

Responder

Paulo

10 de fevereiro de 2022 às 22h46

“Muito amor no coração”. Ok, mas, teria esse “amor” sido direcionado a todos? Não, isso vos digo com conhecimento de causa…Celso Daniel não gozou desse “amor”, por exemplo…

Responder

    Francisco

    12 de fevereiro de 2022 às 12h36

    Cara, a exumação de Celso Daniel, a cada dois anos com vistas a campanhas eleitorais, esgotou de tal maneira qualquer possibilidade de continuar-se explorando tal mórbido e cafajeste ato com vistas a vantagens eleitorais, ainda mais sabendo-se que berram os fatos em dois inquéritos conduzidos pela polícia, em governo tucano, sendo o segundo presidido por delegada da escolha da família, ter sido Crime Comum, praticado por quadrilha de 7 marginais, todos presos e confessos, tanto que até a mini série minuciosamente planejada para novamente, de novo, em ano eleitoral, exumar o cadáver para prejudicar o PT e Lula, flopou, restando esquecida no solo enquanto ocorre, apesar de todos os esforços de marketing empregados para que alçasse voo. A super produção, aposta da globo, morreu na praia…

    Portanto, cara, pense em outra, essa já era, parra não dizer sempre foi inútil, basta ver a situação atual, apesar dos canos dos Marinho jorrando corrupção sobre o PT por sete anos consecutivos, continuadamente, dia sim e o outro também.

    O PT somos nós, ora, um terço dos brasileiros, e ninguém acaba com isso, a exceção do Brasil justo para todos, moderno, democrático e soberano. Captou?

    Responder

William

10 de fevereiro de 2022 às 22h34

42 anos de vida uns 382 anos de condenações por assaltos aos cofres públicos, acredito eu que poucos partidos ao Mundo tenham uma ficha corrida desse nível.

E tem gente que achar isso tudo normal e que a culpa é dos Estados Unidos…kkkkkkkk

Já pensaram dos estragos que ideologias podres misturadas a invcivildade tupiniquim fazem…?

E ainda estão aí grudados no saco desse pilantras no ano 2022…um fiel retrato da tragédia brasileira. O resto é papo.

Responder

Ronei

10 de fevereiro de 2022 às 22h26

Para elencar os antecedentes criminais dia integrantes desse “partido” não bastam 3 dias e 3 noites….uma vergonha mundial.

Responder

Tony

10 de fevereiro de 2022 às 22h18

Será que ex corrupto, ex lavador de dinheiro, ex cego do mensalão e do petrolão, ecc…eacredita nas pesquisas e vai passar vergonha nacional inutilmente na beira dos 80 anos de idade…? https://fb.watch/b5spRERtQO/

Será que os brasileiros são os idiotas que alguém por aí acha que são…?

Eu acho que a música mudou bastante de alguns anos pra cá e quem pintava e bordava com os brasileiros ao som de mentiras de expetices, de hipocrisia hoje não tem mais sucesso (e dinheiro roubado) suficiente para ganhar as eleições…

Responder

Kleiton

10 de fevereiro de 2022 às 21h43

Sempre as mesmas baboseiras inúteis dos anos 90, sempre as mesmas cagadas.

Em qualquer país minimamente normal este receptáculo de lavadores de dinheiro camuflados de políticos teria sido extinto há anos.

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