Por Fernando Brito
Hamilton Mourão, ironicamente, foi o personagem da primeira e última fala de um delírio, autoritário e anacrônico, de volta dos militares ao poder no Brasil.
Lá atrás, ainda no periodo Dilma, foi a peça da qual se serviu o então comandante do Exército para encobrir o xadrez subversivo em que já se encontravam, tramando a derrubada do governo constitucional. Foi a voz aberta da desobediência militar que todos na cúpula das Forças Armadas sussurravam.
Ontem, melancolicamente, coube ao mesmo Mourão apresentar a vexaminosa versão de que as Forças Armadas nada tinham a ver com o projeto golpista e autoritário do qual Bolsonaro foi o pretendido e fracassado “Cavalo de Tróia”.
Entre outras bobagens e autolouvações, no pronunciamento em rede nacional – em que se serviu da ridícula condição de “Presidente da República em exercício” de um titular que fugiu do país e nem lhe transmitiu o cargo – quase lamenta que não se possa dar golpes de estado sem quebrar a Constituição.
A falta de confiança de parcela significativa da sociedade nas principais instituições públicas decorre da abstenção intencional desses entes do fiel cumprimento dos imperativos constitucionais, gerando a equivocada canalização de aspirações e expectativas para outros atores públicos que, no regime vigente, carecem de lastro legal para o saneamento do desequilíbrio institucional em curso.
“Carecem de lastro legal para o saneamento do desequilíbrio institucional”?
O que é isso, general, o senhor espera que alguma Constituição vá dar “lastro legal” à sua própria violação?
Pior ainda é o “me incluam fora desta” que Mourão pretende usar diante das responsabilidades das Forças Armadas por um quadro que boa parte de sua oficialidade estimulou e integrou:
Lideranças que deveriam tranquilizar e unir a nação em torno de um projeto de País deixaram com que o silêncio ou o protagonismo inoportuno e deletério criasse um clima de caos e de desagregação social e de forma irresponsável deixaram que as Forças Armadas de todos os brasileiros pagassem a conta, para alguns por inação e para outros por fomentar um pretenso golpe.
Se o comando das Forças Armadas não tivessem sido sócios ativos deste processo, não estariam “pagando a conta”, conta na qual a instituição teve prejuízos imensos, mas alguns de seus integrantes, como Mourão, recolheram lucros, como os oito confortáveis anos que terá no Senado.
A culpa é de Bolsonaro, mas não só dele. E não será fingindo que não tiveram nada com isso que os militares, se conseguirem, vão apagar estes anos de demolição de sua imagem. Verdade e dignidade, para começar, seria uma boa e bem-vinda demão de cal nas nódoas com que as mancharam.
Aliás, a maior prova de que são necessárias é a reação dos bolsonaristas a Mourão, que tem de se calar quando é chamado por eles de “traidor”.
Texto publicado originalmente no Tijolaço


carlos
02/01/2023
Está tão puro, cristalino, que bolsonaro fez mau ao povo brasileiro,, e cometeu, crimes no exercício do seu mandato, que saiu do país, não sem antes decretar 100 anos de sigilo nos atos insatisfeito, apagou todos os computadores do Planalto, ainda bem como não existe crime perfeito, prá felicidade do povo brasileiro, ele tocou fogo nos computadores, isso eu estou , não falando no genocídio que ele causou ao povo do Amazonas, de não comprar oxigênio para os pacientes, que imploravam com falta de oxigênio nos hospitais, isso é crime pandemico e ele vai ter que responder em um tribunal internacional.
Paulo
01/01/2023
Mourão mandou bem, em parte, de fato, quando critica o bolsonarismo e certa desordem institucional. A questão é que, agora, beira a oportunismo, pois ele fez parte desse desgoverno e só saiu no último dia, quando o rato, digo, Capitão, já tinha abandonado o navio…Por mais que não me agrade dizer isso, as FFAA são os garantes de uma democracia ainda frágil, como demonstraram a roubalheira dos governos petistas e o patético governo de Bolsonaro e Porco Guedes, este último sua figura mais representativa…
Tony
01/01/2023
As forças aramadas entenderam muito bem o que aconteceu nos últimos, entenderam muito bem todas as movimentações do STF e estão fazendo os brasileiros pagar para ver a enésima desgraça anunciada mais uma vez.
Saladino
01/01/2023
O mais boquirroto dos generais não poderia deixar de explorar o ocaso da ribalta.
O papagaio do pirata de perna de pau foi o primeiro a saltar da embarcação quando o convés adernou e o tombadilho inundou.
Não sem antes fazer jus à fanfarronice tagarela.