A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros três investigados na Operação Compliance Zero descreve a existência de uma estrutura voltada ao monitoramento e à intimidação de adversários do grupo ligado ao Banco Master.
Segundo o despacho, o empresário mantinha “equipes responsáveis por atividades de monitoramento presencial e coleta de informações, bem como organizava ações destinadas a pressionar ou intimidar indivíduos que mantinham posicionamento crítico em relação ao grupo investigado”.
A investigação foi conduzida pela Polícia Federal.
Estrutura chamada de “A Turma”
De acordo com os autos, a estrutura informal era conhecida internamente como “A Turma”.
O grupo seria coordenado por Luiz Phillipi Mourão, identificado nas comunicações como Felipe Mourão. Segundo a investigação, ele organizava atividades de vigilância, obtenção de dados e ações de intimidação contra pessoas consideradas sensíveis ou críticas aos interesses do grupo.
A decisão aponta que Mourão seria responsável por executar tarefas como:
- obtenção de informações sigilosas
- monitoramento de indivíduos
- acompanhamento de pessoas consideradas adversárias
- neutralização de situações consideradas prejudiciais ao grupo investigado
Pagamento mensal de R$ 1 milhão
O documento judicial também afirma haver “fortes indícios” de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços.
Segundo a investigação, os valores seriam transferidos por intermédio de Fabiano Zettel.
Em uma das mensagens analisadas, Mourão explica a Vorcaro como funcionava a divisão do dinheiro:
“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400 divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido entre os meninos e a turma”.
A decisão não esclarece quem seriam os “editores” mencionados na conversa nem o significado da sigla “DCM”.
Transferência registrada em mensagens
Outro trecho citado no despacho mostra uma conversa entre Vorcaro e uma funcionária sobre o pagamento mensal.
Na mensagem, a funcionária pergunta:
“Vai ser 1 mm como normalmente?”
Vorcaro responde:
“Sim”.
Segundo a decisão judicial, em seguida a funcionária realizou a transferência bancária e anexou o comprovante do pagamento.
O valor de R$ 1 milhão foi depositado na conta de uma empresa indicada por Mourão.
De acordo com a investigação, a conta pertence à empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda.
Nota de esclarecimento do DCM
Após a divulgação da decisão judicial, o portal Diário do Centro do Mundo (DCM) publicou uma nota negando qualquer relação com a sigla citada na transcrição das mensagens.
Segundo o comunicado, o documento judicial apenas reproduz uma conversa privada em que aparece a sigla “DCM”, mas não identifica o veículo de comunicação nem menciona sua razão social ou integrantes da equipe.
Na nota, o portal afirma:
“Não sabemos a que se refere a sigla ‘DCM’ naquele contexto específico. O que é possível afirmar com segurança é que ela não identifica o Diário do Centro do Mundo nem qualquer atividade do veículo.”
O site também declarou que não recebeu recursos ou pagamentos das pessoas investigadas e que não possui relação com os fatos apurados na operação.
O comunicado acrescenta que o portal publicou reportagens críticas ao banqueiro Daniel Vorcaro e às investigações envolvendo o Banco Master, afirmando que qualquer tentativa de associar a sigla ao veículo seria uma interpretação indevida do documento judicial.
Investigação segue em andamento
A decisão do ministro André Mendonça destaca que os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam a existência de uma estrutura organizada voltada à vigilância e à intimidação de pessoas consideradas adversárias do grupo investigado.
As investigações continuam em andamento para apurar o funcionamento da organização, identificar todos os envolvidos e esclarecer a origem e o destino dos recursos mencionados nas mensagens.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!