A indústria brasileira segue em ritmo de recuperação, com crescimento de 0,9% de janeiro para fevereiro de 2026. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE, este é o segundo mês consecutivo de expansão no setor. O resultado indica retomada gradual, contrastando com os números negativos de 2025.
Apesar do avanço mensal, a produção industrial recua 0,7% na comparação anual, refletindo incertezas globais e ajustes pós-pandemia. O acumulado do primeiro bimestre de 2026 mostra alta de 3%, sinalizando recuperação mais consistente. Atualmente, a indústria está 3,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 14,1% abaixo do pico de maio de 2011.
O crescimento foi generalizado nas quatro grandes categorias da PIM. Destacam-se os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, além de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis. André Macedo, gerente da pesquisa, atribuiu o impulso à produção automobilística e de combustíveis. Ele também observou volatilidade na indústria farmacêutica, com quedas consecutivas nos últimos dois meses.
A produção de farmoquímicos e farmacêuticos caiu 5,5% em fevereiro, após recuo de 1,4% em janeiro. O IBGE atribui o desempenho a base elevada de comparação, já que o setor cresceu 19% nos dois últimos meses de 2025, impulsionado pela demanda por medicamentos durante a crise sanitária. Especialistas reforçam que, mesmo com o recuo, o setor é crucial para a soberania tecnológica brasileira diante de tensões geopolíticas.
Desde março de 2023, a PIM passou por reformulação metodológica, adotando novos índices mensais com ajustes sazonais e revisões na classificação de atividades. Analistas apontam que a recuperação reflete fatores internos, como retomada do consumo e investimentos, e externos, como demanda chinesa por commodities e diversificação de cadeias pela União Europeia.
Embora os números de fevereiro sejam discretos, o desempenho industrial brasileiro se destaca frente à estagnação em outras economias emergentes. Enquanto Índia e Turquia enfrentam pressões inflacionárias e instabilidades cambiais, o Brasil parece reverter, ainda que lentamente, os impactos da crise sanitária e de políticas de austeridade. Investimentos em infraestrutura e crédito para pequenas e médias empresas podem acelerar essa trajetória nos próximos meses.


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