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Banco Master engana BRB com garantia imobiliária inexistente

O Banco Master está no centro de uma grave controvérsia ao vender uma carteira de crédito no valor de R$ 198 milhões ao Banco de Brasília (BRB) sem apresentar garantias reais. Documentos obtidos pelo portal Metrópoles revelam que um imóvel localizado em Mata de São João, na Bahia, foi oferecido como garantia, apesar de nunca […]

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Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 08/04/2026 04:12

O Banco Master está no centro de uma grave controvérsia ao vender uma carteira de crédito no valor de R$ 198 milhões ao Banco de Brasília (BRB) sem apresentar garantias reais. Documentos obtidos pelo portal Metrópoles revelam que um imóvel localizado em Mata de São João, na Bahia, foi oferecido como garantia, apesar de nunca ter pertencido ao Banco Master. A matrícula do terreno não registra qualquer alienação ou vinculação ao BRB, um requisito essencial para transações dessa natureza.

Os detalhes da operação mostram que, em dezembro de 2023, o Banco Master liberou R$ 378 milhões à empresa Lorde Participações por meio de um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI). Essa companhia, com capital social de apenas R$ 1 mil, acumulou um prejuízo de R$ 60 mil no mesmo ano, levantando questionamentos sobre sua capacidade financeira. Menos de um ano depois, em setembro de 2024, o Master transferiu o crédito ao BRB, comprometendo-se a converter o CRI em uma cédula de crédito bancário (CCB) com garantia real de imóveis no prazo de 60 dias.

Em novembro de 2024, o Banco Master apresentou um documento que, supostamente, confirmava a conversão do CRI para CCB, incluindo o imóvel na Bahia como garantia. Um laudo de avaliação, emitido no mês seguinte, estimou o valor do terreno em R$ 243,6 milhões. No entanto, investigações apontam que o mesmo imóvel já havia sido utilizado como garantia em outra operação suspeita do Banco Master. Em outubro de 2024, o terreno foi vinculado a um crédito de R$ 407 milhões da empresa RKO Alimentos Ltda, sendo superavaliado em R$ 1,4 bilhão, um valor muito acima do registrado no laudo posterior.

A Diretoria Colegiada do BRB, em decisão tomada no dia 19 de dezembro de 2024, aprovou a aquisição do crédito de R$ 198 milhões do Banco Master, aceitando o imóvel em Mata de São João como garantia. Até a data da publicação dos documentos pelo portal Metrópoles, a matrícula do terreno não apresentava qualquer registro de vinculação ao negócio. Essa ausência de formalização impede que o BRB possa reivindicar o imóvel em caso de inadimplência, expondo a instituição a um risco financeiro significativo.

A operação levanta dúvidas sobre a diligência do BRB ao aceitar uma garantia sem a devida comprovação documental e sobre as práticas do Banco Master ao oferecer um bem que não possui registro de propriedade ou alienação em seu nome. A falta de transparência nas avaliações do imóvel, cujos valores oscilaram de forma drástica em poucos meses, reforça suspeitas de irregularidades. O caso expõe fragilidades no controle de operações de crédito entre instituições financeiras e pode ter desdobramentos tanto no âmbito regulatório quanto judicial, impactando a credibilidade de ambas as partes envolvidas na transação.

As informações divulgadas indicam que o BRB pode enfrentar dificuldades para recuperar o valor investido, enquanto o Banco Master terá de responder por possíveis inconsistências em suas práticas de garantia. A apuração de responsabilidades e a eventual aplicação de sanções dependerão de investigações mais aprofundadas por parte dos órgãos competentes.

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