O presidente do Parlamento da República Islâmica do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez duras críticas às ações dos Estados Unidos, acusando Washington de sabotar uma proposta de cessar-fogo apresentada por Teerã antes mesmo do início de qualquer negociação formal.
Segundo Ghalibaf, três pontos cruciais de uma proposta de dez cláusulas foram desrespeitados pelos EUA, o que compromete qualquer base viável para o diálogo.
Entre as violações apontadas estão um ataque ao Líbano, contrariando o compromisso de cessar hostilidades em todas as regiões, a incursão de um drone no espaço aéreo iraniano — abatido na cidade de Lar — e a recusa em reconhecer o direito do Irã ao enriquecimento de urânio, condição que integrava a proposta.
A proposta iraniana, que visava estabelecer um cessar-fogo e abrir caminho para negociações, foi anunciada na noite do dia 7 de abril de 2026, com a expectativa de que discussões entre as partes pudessem ocorrer no Paquistão em breve.
As condições apresentadas por Teerã incluem a interrupção total de agressões contra o Irã e seus aliados, a retirada das forças de combate dos EUA da região e a supervisão iraniana sobre o trânsito de navios no Estreito de Ormuz.
O governo iraniano também exige o levantamento completo de sanções, a criação de um fundo de investimento para compensar danos sofridos pelo país, o compromisso de não desenvolver armas nucleares e o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio.
Completam a lista a extensão do princípio de não agressão a grupos de resistência, a revogação de resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA) e do Conselho de Segurança da ONU, além de acordos de paz bilaterais e multilaterais alinhados aos interesses iranianos.
Conforme noticiado pelo portal RT, Ghalibaf enfatizou a profunda desconfiança histórica do Irã em relação aos EUA, alimentada por repetidas quebras de compromissos.
Ele apontou que a nova postura americana reforça a percepção de que Washington não tem interesse genuíno em um diálogo construtivo, repetindo padrões históricos de desrespeito e hostilidade.
O quadro se agrava diante do histórico de ações militares dos EUA no Oriente Médio, incluindo o apoio a operações que resultam na morte de civis e jornalistas em territórios como Gaza, o que gera questionamentos sobre a coerência da retórica americana em torno de estabilidade regional.
A resposta de Washington às acusações de Ghalibaf ainda não foi divulgada. O histórico de atritos entre os dois países indica que qualquer resolução demandará concessões significativas, algo que, até o momento, permanece distante.


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