A Polícia Federal (PF) realizou uma operação de grande porte no dia 9 de abril de 2026, com o objetivo de desarticular uma rede criminosa dedicada à extração e ao refino ilegal de ouro na região de Santaluz, Bahia.
Batizada como Operação Repasse, a ação é um desdobramento de investigações anteriores, como as operações Garça Dourada, Serra Dourada e Lixiviação, conduzidas entre 2023 e 2024.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o grupo criminoso montou laboratórios clandestinos para processar rejeitos de moagens provenientes de garimpos ilegais, utilizando técnicas químicas industriais sofisticadas.
Os criminosos extraíam ouro dos rejeitos por meio de um processo conhecido como lixiviação, que utiliza grandes quantidades de Cianeto de Sódio, uma substância altamente tóxica e controlada pelo Exército Brasileiro, por meio da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC).
O uso irregular dessa substância representa sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente, agravando os impactos da atividade ilegal. Relatórios periciais apontam que os danos ambientais causados por essas operações ultrapassam a cifra de R$ 180 milhões, evidenciando a gravidade do crime na região.
No dia 9 de abril de 2026, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Santaluz, com o objetivo de recolher bens previamente sequestrados por determinação judicial e apreender outros itens relacionados às atividades ilícitas.
A operação visa desmantelar a estrutura logística e financeira da rede, que opera de forma organizada e com alto grau de especialização. Os investigados enfrentam acusações por usurpação de bens da União, associação criminosa, posse de artefatos explosivos, extração ilegal de recursos minerais e uso e armazenamento ilícito de substâncias tóxicas, com penas que somadas podem chegar a 29 anos de prisão.
A ação da Polícia Federal reforça o combate a práticas que devastam o meio ambiente e comprometem recursos naturais pertencentes à União. Além dos prejuízos ecológicos, a extração ilegal de ouro também impacta a economia formal, ao desviar riquezas que poderiam ser revertidas em benefícios para a sociedade.
A operação em Santaluz demonstra o esforço contínuo das forças de segurança para coibir o avanço do garimpo ilegal no interior da Bahia, uma região historicamente marcada por esse tipo de atividade criminosa.
As investigações seguem em andamento, com a possibilidade de novas ações para identificar outros envolvidos no esquema. A PF trabalha para mapear a extensão da rede e os possíveis danos causados em outras áreas do estado, enquanto busca recuperar parte dos prejuízos ambientais e econômicos gerados pela exploração ilícita.
O caso expõe a complexidade do combate ao crime organizado no setor mineral, que exige não apenas repressão, mas também políticas públicas para regularização e fiscalização de atividades garimpeiras.


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