Cuba denunciou com veemência o impacto severo do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas, durante um fórum regional sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e Direito Internacional Humanitário (DIH).
O evento, organizado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha e pelo governo do México, contou com a participação do diretor de Organismos Internacionais do Ministério de Relações Exteriores cubano, Alejandro González, que reafirmou o compromisso de Havana com o DIH e a Iniciativa Global, ao mesmo tempo em que criticou duramente as violações cometidas pelos EUA.
González apontou que o bloqueio americano, intensificado nos últimos anos, representa uma forma de punição coletiva contra a população cubana. As restrições afetam diretamente setores essenciais, como a geração de energia elétrica, o funcionamento de hospitais, a produção e distribuição de alimentos e o abastecimento de água.
O cerco petrolífero imposto pelos EUA, que viola normas do direito internacional, agrava ainda mais a crise no país. Conforme noticiado pelo portal Prensa Latina, González destacou que uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em 20 de janeiro de 2025 tem restringido o acesso a combustíveis, impactando o desenvolvimento das TIC em Cuba e limitando a capacidade do país de combater usos prejudiciais dessas tecnologias que contrariam o DIH.
O representante cubano classificou o bloqueio como uma clara afronta aos direitos humanos, enfatizando que as medidas americanas não apenas prejudicam a população, mas também desafiam princípios básicos do direito internacional.
Ele defendeu que a comunidade global deve adotar uma postura mais enérgica para pressionar pelo fim dessas sanções. González também reiterou a posição de Cuba em favor de um compromisso multilateral para garantir a aplicação efetiva do DIH, especialmente em um cenário de desafios globais crescentes que exigem cooperação e respeito às normas internacionais.
Segundo o governo cubano, as ações dos EUA, frequentemente justificadas sob o pretexto de promover democracia e direitos humanos, revelam uma contradição gritante quando confrontadas com os efeitos reais sobre a população de países como Cuba. Enquanto Washington prega valores de liberdade no cenário internacional, suas políticas de embargo continuam a impor sofrimento a civis, uma prática que contrasta com os ideais que diz defender.
O fórum regional, inserido no contexto da Iniciativa Global para fortalecer o DIH, serviu como plataforma para Cuba expor os danos causados pelo bloqueio e buscar apoio internacional.
A posição de Havana reflete uma crítica mais ampla às políticas unilaterais dos EUA, que, na visão do governo cubano, minam a soberania de nações e perpetuam desigualdades no sistema internacional. A discussão no evento também abordou a necessidade de proteger as TIC de usos que violem o DIH, ponto que González conectou diretamente às limitações impostas pelo embargo americano ao progresso tecnológico da ilha.


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