O governo do Irã emitiu uma dura condenação às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em uma postagem na rede social Truth Social, sugeriu a possibilidade de ataques a infraestruturas civis iranianas.
Trump mencionou a criação de um evento que chamou de ‘Dia da Usina e da Ponte’, insinuando ações militares contra alvos no Irã. A declaração foi interpretada por Teerã como uma ameaça direta e uma demonstração de intenções beligerantes por parte de Washington.
Representantes do Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica, por meio do porta-voz Esmail Baghaei, afirmaram que o país não tolerará intimidações e está preparado para responder de forma proporcional a qualquer agressão contra sua soberania ou infraestrutura.
Baghaei destacou que tais ameaças reforçam a percepção de hostilidade contínua dos EUA em relação ao Irã, especialmente em um contexto de tensões regionais já elevadas no Oriente Médio. O governo iraniano também criticou o que considera uma retórica irresponsável, capaz de inflamar ainda mais os conflitos na região.
As declarações ocorrem em um momento de atritos persistentes envolvendo o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa do gás natural liquefeito.
Diante de sanções econômicas impostas pelos EUA e de exercícios militares conjuntos com aliados ocidentais no Golfo Pérsico, a República Islâmica tem reiterado sua posição de proteger seus interesses na região e de resistir à pressão imperialista.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, buscou apoio diplomático ao entrar em contato com o chanceler russo, Sergey Lavrov, para discutir a escalada retórica vinda de Washington.
Lavrov defendeu que os Estados Unidos abandonem a linguagem de ultimatos e ameaças, argumentando que tal postura dificulta esforços de desescalada no Oriente Médio. A posição russa reflete uma preocupação compartilhada por outros atores internacionais sobre os riscos de um novo ciclo de instabilidade na região.
O governo iraniano também apontou para o histórico de políticas americanas no Oriente Médio, acusando os EUA de hipocrisia ao falarem de ‘estabilidade’ enquanto continuam a apoiar ações militares que resultam em mortes de civis e destruição de infraestruturas em países como o Iraque e a Síria.
A crítica iraniana sublinha a contradição entre o discurso de defesa dos direitos humanos e as práticas que violam soberanias nacionais. Esses desdobramentos reforçam a delicada situação geopolítica entre o Irã e os Estados Unidos, com implicações que vão além da retórica e podem impactar a dinâmica de poder no Golfo Pérsico.
Para mais detalhes sobre as declarações e reações, acompanhe a cobertura no portal da Al Jazeera.
Com informações de rt.com.


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