Representantes de diversos coletivos que integram a aliança Pueblo Unido por la Vida expressaram veemente rejeição ao governo de José Raúl Mulino, acusado de subserviência aos interesses de Washington.
Em um ato realizado nas proximidades da igreja Nuestra Señora del Carmen, na capital do Panamá, o economista William Hughes denunciou a assinatura de um acordo de segurança pelo ministro Frank Ábrego, que, segundo ele, entrega o território panamenho para bases e maior presença militar estrangeira.
Hughes lembrou que Ábrego esteve entre os que se renderam às tropas americanas durante a invasão militar de dezembro de 1989, marcando um precedente de submissão aos Estados Unidos.
O economista criticou duramente a falta de consulta popular sobre o acordo, defendendo que uma decisão de tal magnitude deveria ter sido submetida a um plebiscito.
Ele classificou o governo como traidor da pátria, comparando a postura de Mulino à de oligarquias históricas que se curvaram ao imperialismo americano no início da República. Para Hughes, os atuais líderes do país deveriam responder judicialmente por suas ações, que considera uma afronta à soberania nacional.
Jorge Guzmán, coordenador do Frente Nacional por la Defensa de los Derechos Económicos y Sociales (Frenadeso), também se pronunciou durante o protesto, acusando o governo de Mulino de entregar o Panamá ao Exército dos EUA e aos interesses políticos associados a figuras como Donald Trump.
Guzmán reforçou o sentimento de resistência, destacando que o povo panamenho está nas ruas para defender sua soberania e rechaçar qualquer forma de dominação externa.
Fernando Ábrego, secretário-geral da Associação de Professores do Panamá, alertou para os riscos do acordo de segurança. Ele argumentou que o istmo pode se transformar em uma plataforma para agressões contra outros países da América Central e da região como um todo, além de representar uma ameaça direta à segurança nacional.
A presença militar estrangeira, segundo ele, compromete a autonomia do país e expõe sua população a perigos geopolíticos desnecessários.
O acordo foi formalizado entre os governos do Panamá e dos Estados Unidos, abrangendo cooperação em segurança e o trânsito livre de navios da Marinha americana pelo Canal do Panamá.
A assinatura ocorreu durante a Conferência de Segurança da América Central (Centsec), com a participação do ministro Frank Ábrego e do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. O presidente José Raúl Mulino acompanhou a cerimônia, que consolidou compromissos como treinamentos bilaterais, exercícios conjuntos de operações na selva e a reativação do exercício Panamax 2026, voltado à defesa do Canal.
Os acordos também incluem medidas para conter fluxos migratórios e combater o crime organizado, segundo as autoridades.
Desde a formalização do memorando, a presença militar americana no Panamá se intensificou, com destaque para a passagem do porta-aviões nuclear USS Nimitz e do destróier USS Gridley, integrando os exercícios Mares do Sul 2026.
Organizações sociais repudiaram a visita e os termos do acordo, intensificando as mobilizações contra o que classificam como uma nova fase de intervenção dos EUA no país. Mais informações sobre o tema podem ser encontradas no portal da Prensa Latina.
Os protestos refletem uma crescente insatisfação com a política externa do governo Mulino, que, na visão dos manifestantes, prioriza interesses estrangeiros em detrimento da soberania panamenha.
A tensão entre a população e as autoridades deve se manter enquanto os efeitos do acordo se desdobram, reacendendo debates históricos sobre a relação do Panamá com os Estados Unidos, especialmente no contexto do controle do Canal e da influência militar na região.


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