O Brasil produziu 49 milhões de metros cúbicos de diesel em 2024 — e mesmo assim precisou importar cerca de 20% do que consumiu. O país é o 9º maior produtor de petróleo do mundo, mas ainda não consegue se abastecer sozinho. A produção nacional de diesel, apesar de robusta, não atende à demanda interna, crucial para setores como o agronegócio e o transporte.
Com um parque de refino que inclui refinarias como a REPLAN em São Paulo, responsável por mais de 10 milhões de metros cúbicos de diesel, o Brasil refina pouco mais de 80% do diesel que consome. Os 20% restantes são importados, expondo o mercado brasileiro às flutuações internacionais.
A dependência de importação se deve à capacidade limitada das refinarias e à necessidade de modernização para processar o petróleo leve do Pré-Sal. As refinarias brasileiras, em sua maioria, foram projetadas para óleo pesado, e adaptar-se ao novo tipo de petróleo exige investimentos em tecnologia de ponta.
Historicamente, os Estados Unidos foram o principal fornecedor de diesel para o Brasil. Recentemente, a Rússia se destacou como grande exportador, oferecendo combustível a preços competitivos, junto a países do Golfo Pérsico.
Os aumentos nos preços do diesel no Brasil resultam de tensões geopolíticas no Oriente Médio e da política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que ajusta os preços internos às variações internacionais. Esse cenário pressiona a Petrobras a alinhar seus preços para evitar desabastecimento, já que empresas privadas poderiam parar de importar se os preços internos fossem mantidos artificialmente baixos.
Uma alternativa para reduzir a dependência externa é o uso de biodiesel, um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais e gordura animal. Atualmente, o diesel no Brasil contém 15% de biodiesel, mas há propostas para aumentar essa mistura. No entanto, como a soja é a principal matéria-prima do biodiesel, qualquer aumento no preço do grão pode impactar o custo final.
Enquanto o Brasil não ampliar sua capacidade de refino, o preço do diesel no posto continuará refém das variações internacionais, afetando diretamente o bolso do consumidor e a competitividade dos setores dependentes desse combustível.
Com informações de blog.alutal.com.br.


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