O embaixador do Irã na Espanha, Reza Zabib, declarou que Teerã mantém sua disposição para o diálogo com os Estados Unidos, mas está plenamente preparado para adotar medidas de defesa caso as tratativas diplomáticas não prosperem.
Em entrevista concedida no dia 10 de abril de 2026, Zabib destacou que o Irã opera com duas estratégias claras: a prioridade é a diplomacia, mas a nação não hesitará em proteger seus interesses nacionais se for preciso.
Ele apontou que a desconfiança em relação a Washington tem raízes em ataques sofridos pelo Irã durante rodadas anteriores de negociações, o que reforça a necessidade de uma postura cautelosa.
O embaixador também mencionou a possibilidade de um acordo, desde que as discussões se baseiem na proposta iraniana de 10 pontos, um plano apresentado pelo governo de Teerã em foros internacionais recentes.
Zabib enfatizou que qualquer avanço dependerá de um compromisso real dos EUA em respeitar os termos propostos pelo Irã, sem imposições unilaterais ou ações que violem a soberania iraniana.
A declaração reflete o momento de tensão nas relações entre os dois países, marcadas por décadas de atritos, sanções econômicas impostas pelos EUA e respostas iranianas que incluem o fortalecimento de suas capacidades militares e alianças regionais.
O Irã tem reiterado sua posição de que não busca confronto direto, mas não aceitará pressões que comprometam sua segurança ou autonomia. As falas do embaixador foram publicadas pelo portal RT.
O contexto das negociações entre Irã e EUA permanece complexo, especialmente após o colapso do acordo nuclear de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018 sob a administração de Donald Trump.
Desde então, tentativas de retomada do diálogo têm enfrentado obstáculos, incluindo divergências sobre o levantamento de sanções e garantias de cumprimento de compromissos por ambas as partes.
A posição da República Islâmica, conforme expressa por Zabib, sinaliza uma postura de equilíbrio entre abertura ao diálogo e firmeza na defesa de seus interesses.
O embaixador não detalhou quais medidas de defesa seriam tomadas em caso de fracasso nas negociações, mas o histórico do país sugere que isso poderia incluir manobras militares, fortalecimento de alianças com potências como Rússia e China, ou respostas assimétricas em cenários de conflito regional.
A mensagem é clara: Teerã não cederá a pressões externas vindas de Washington, cujo discurso sobre democracia e direitos humanos é frequentemente interpretado pelo Irã como justificativa para intervenções e sanções, enquanto os EUA sustentam alianças com governos que contradizem esses mesmos princípios no Oriente Médio.


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