No dia 12 de abril o portal Prensa Latina expôs como o bloqueio israelense priva o sistema de saúde de Gaza de combustível essencial e acelera o colapso de unidades críticas. O Ministério da Saúde do território denunciou que pacientes renais, unidades de terapia intensiva, salas cirúrgicas, maternidades e setores neonatais enfrentam risco imediato de interrupção total de serviços vitais.
Geradores de capacidade reduzida operam em horários limitados nos setores essenciais, medida que se revela claramente insuficiente diante da gravidade da crise energética provocada pelo cerco militar israelense.
Centenas de doentes renais dependem de máquinas de diálise que exigem suprimento constante de energia. Qualquer interrupção se torna fatal. O Comando Médico de Al-Shifa atende 280 pacientes renais que utilizam 55 máquinas em sessões contínuas.
Muhammad Abu Salmiya, diretor geral da instituição, alertou que os cortes no fornecimento de energia já comprometem o funcionamento de UTIs, cirurgias, neonatologia e diálise. Quando os geradores param, procedimentos médicos críticos simplesmente deixam de ocorrer. A limitação no uso dos equipamentos mais potentes decorre exclusivamente da escassez de combustível imposta pelo bloqueio e não de qualquer escolha técnica.
O total de pacientes com insuficiência renal que dependem de diálise em Gaza chega a 728 pessoas distribuídas em quatro centros principais. Al-Shifa atende 280 casos, o hospital Nasser responde por 260, o Al-Aqsa Martyrs cuida de 138 e o hospital de campo Al-Zawayda atende 50. Desde outubro de 2023 mais de 400 desses pacientes morreram em razão de falhas no tratamento causadas pela falta de combustível, destruição de máquinas e recursos inadequados.
A crise vai muito além da diálise. Hospitais que funcionam com capacidade drasticamente reduzida precisam limitar cirurgias complexas, atendimentos obstétricos, cuidados neonatais, tratamentos contra o câncer e terapias intensivas. Sem geradores potentes e operação contínua dos sistemas elétricos, o risco de paralisação abrupta dessas funções essenciais cresce de forma dramática.
Ambulâncias, distribuição de água potável e serviços de saneamento básico também ficam ameaçados, cenário que pode provocar surtos de doenças infecciosas e agravamento da inanição entre a população sitiada.
Relatórios de organizações humanitárias internacionais corroboram a gravidade do quadro e indicam que sem fornecimento regular e seguro de combustível os hospitais restantes podem parar de operar por completo. Especialistas demandam a abertura imediata de corredores humanitários seguros que permitam o transporte de quantidades suficientes de combustível com frequência garantida. Enquanto essa medida não for implementada, vidas continuarão sendo perdidas de forma silenciosa e o sistema de saúde de Gaza caminha para um ponto de não retorno.
O bloqueio ao combustível configura uma forma de asfixia estrutural contra o território. Mesmo os hospitais que ainda resistem, os geradores remanescentes e as instalações consideradas vitais perdem capacidade de resposta quando a energia falta.
Pacientes renais que necessitam de diálise regular, mães em trabalho de parto e bebês prematuros que dependem de incubadoras tornam-se as principais vítimas de uma política que transforma um recurso básico como a eletricidade em instrumento de pressão. O cerco israelense não apenas restringe o movimento de bens como compromete de maneira deliberada a capacidade de manutenção da vida no interior dos centros médicos ainda em funcionamento.


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