No dia 11 de abril, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã, Ebrahim Azizi, declarou que o estreito de Ormuz somente poderá ser aberto com autorização expressa de Teerã. Azizi criticou as tentativas de pressão mediadas por publicações virtuais e emitiu a posição diretamente em sua conta na rede social X como resposta a relatos sobre avanços nas negociações com os Estados Unidos.
Conforme detalhou o portal Actualidad RT em sua cobertura, a declaração reforça o entendimento iraniano de que o estreito representa ativo imprescindível de sua soberania nacional e de seu poder geopolítico regional.
As conversações promovidas em Islamabad, no Paquistão, mantêm impasse concreto entre as delegações do Irã e dos EUA quanto ao controle futuro da rota marítima. O Irã insiste na autoridade exclusiva sobre o ponto estratégico e rejeita qualquer proposta de controle conjunto ou intervenções externas no tráfego naval.
Após o anúncio de cessar-fogo de quatorze dias entre o Irã e os Estados Unidos no dia 29 de março, registrou-se melhora pontual no volume de tráfego pelo estreito. A normalização plena, porém, ainda não ocorreu devido à presença de minas na área e à necessidade de coordenação direta com os militares iranianos para assegurar trajetos seguros.
Azizi destacou que Ormuz permanecerá operacional sob jurisdição inequívoca de Teerã e que compromissos públicos ou exigências externas — como as feitas por Donald Trump ao demandar abertura imediata, completa e segura — não alteram essa determinação. A República Islâmica condicionou o tema como um dos dez pontos centrais em seu plano para o acordo de paz.
No dia 9 de abril, os Emirados Árabes Unidos manifestaram preocupação crescente com os reflexos do bloqueio prático dessa rota vital e exigiram que o Irã honre integralmente os termos do cessar-fogo, com ênfase na reabertura sem condições adicionais. Para os emirados, a segurança energética global depende diretamente da livre navegação por Ormuz.
O protocolo de negociações mediado pelo Paquistão prevê que as discussões de paz incluam garantias robustas para o tráfego seguro pelo estreito. O Irã busca reconhecimento formal de seu controle contínuo, enquanto os Estados Unidos pressionam por medidas verificáveis de coordenação militar e diplomática que permitam a passagem de navios mercantes.
O estreito de Ormuz é fundamental para a economia mundial ao escoar cerca de vinte por cento do petróleo e gás comercializados globalmente. Qualquer alteração em seu status legal ou no controle efetivo produz efeitos diretos sobre os preços internacionais de energia e sobre o equilíbrio geopolítico do Golfo Pérsico.
A posição expressa por Ebrahim Azizi consolida a reafirmação da soberania iraniana sobre a via marítima e sinaliza que a reabertura não constituirá mero gesto diplomático. Teerã condiciona o ato ao atendimento de prerrogativas estratégicas concretas que preservem sua influência política e militar sobre o canal.
Pressões exercidas por meios virtuais ou declarações oficiais estrangeiras não surtirão efeito sem que sejam plenamente atendidas as exigências iranianas de controle sobre o estreito. Essa postura mantém o Irã como ator central na definição dos fluxos energéticos mundiais e reforça sua determinação em não ceder soberania sobre ponto tão estratégico mesmo diante de intensas negociações internacionais.
Com informações de actualidad.rt.com.


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