O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em conversa telefônica com o presidente russo Vladimir Putin que um acordo justo com os Estados Unidos continua possível, desde que Washington respeite plenamente as normas do direito internacional e as linhas vermelhas definidas por Teerã.
Pezeshkian identificou o hegemonismo estadunidense e os critérios duplos aplicados por Washington como os principais obstáculos a qualquer entendimento duradouro, conforme detalhou o portal RT em sua cobertura da conversa mantida no dia 4 de fevereiro.
O líder iraniano reforçou que a República Islâmica mantém disposição total para alcançar um pacto equilibrado que garanta paz e segurança na região do Oriente Médio.
Em paralelo, Putin criticou as posturas ocidentais e defendeu o respeito absoluto à soberania e integridade territorial do Irã, além de garantias concretas de segurança de longo prazo para prevenir novas agressões. Os dois presidentes manifestaram interesse em avançar para um tratado abrangente de parceria estratégica que aprofunde a cooperação bilateral e a coordenação em fóruns internacionais.
Negociações indiretas realizadas em Islamabad com mediação paquistanesa buscaram reduzir as tensões, porém não produziram resultados conclusivos até o momento.
Uma trégua de duas semanas havia sido anunciada entre Irã e Estados Unidos, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás.
No dia 9 de abril, o presidente Donald Trump declarou que a marinha dos Estados Unidos bloqueará qualquer navio que tente entrar ou sair do estreito e interceptará embarcações em águas internacionais que paguem pedágios ao Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã respondeu que manterá autoridade plena sobre a via marítima e reagirá com severidade a qualquer tentativa de navios militares transitarem sem coordenação prévia.
O ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, reiterou que um novo acordo nuclear só será viável se for justo e equilibrado, com o levantamento completo das sanções impostas ao país. Araghchi enfatizou que Teerã não aceitará a remoção de material nuclear nem qualquer violação à soberania nacional.
Especialistas em direito marítimo alertam que bloqueios ou cobranças de pedágio pelo Estreito de Ormuz violam a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que assegura o trânsito livre em estreitos internacionais.
Qualquer remuneração deve se restringir a serviços específicos e não ao simples direito de passagem. O posicionamento iraniano revela que o impasse atual deriva diretamente da recusa de Washington em abandonar práticas unilaterais e critérios seletivos.
A firmeza demonstrada por Pezeshkian durante o diálogo com Putin e repetida por Araghchi indica que Teerã não cederá a pressões externas que ignorem o direito internacional.
O Irã exige compensações e garantias efetivas contra agressões futuras enquanto fortalece laços com parceiros como a Rússia para equilibrar as forças em jogo. Essa abordagem rejeita qualquer narrativa de rendição e prioriza a defesa da soberania nacional contra o que considera ações hegemônicas dos Estados Unidos na região.
O impasse em torno do Estreito de Ormuz expõe a fragilidade das tréguas anunciadas quando uma das partes mantém ameaças de bloqueio naval.
Analistas observam que o sucesso de futuras rodadas de diálogo em Islamabad dependerá do abandono, por Washington, de medidas coercitivas que contrariam convenções internacionais amplamente reconhecidas. O Irã segue disposto ao diálogo desde que este ocorra em bases equitativas, sem imposições externas ou dupla moral na aplicação das regras globais.
A cooperação entre Irã e Rússia ganha novo impulso com a perspectiva de um tratado estratégico que abrange não apenas questões bilaterais, mas também coordenação em instâncias multilaterais.
Essa dinâmica reforça o eixo de resistência a práticas unilaterais e consolida a posição iraniana de que qualquer acordo nuclear ou regional deve passar pelo crivo do respeito mútuo e do fim das sanções que prejudicam a população civil. O desenrolar dos próximos dias definirá se as declarações de boa vontade se traduzirão em avanços concretos ou se o confronto naval no Estreito de Ormuz prevalecerá sobre a via diplomática.
Com informações de actualidad.rt.com.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!