O senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou duramente o ex-aliado Angelo Coronel (Republicanos-BA) e afirmou que ele sempre foi bolsonarista desde 2019.
A declaração ocorreu no dia 11 de abril de 2026, após Coronel anunciar apoio ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e romper de forma explícita com o PT baiano. Otto Alencar classificou as justificativas do colega como previsíveis e indicou que a relação entre os dois está rompida desde o final de 2025, apesar de serem compadres.
Angelo Coronel justificou sua saída do campo petista alegando exclusão da chapa formada por Rui Costa, Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues. Ele acusou o PT de concentrar todas as vagas da chapa estadual nas mãos do partido.
Coronel declarou que seu apoio a Flávio Bolsonaro representa um voto pessoal e destacou que sempre manteve boa relação com o senador pelo Rio de Janeiro. O parlamentar afirmou que, diante da decisão do PT de não incluí-lo, não poderia mais defender a legenda.
Otto Alencar rebateu diretamente esses argumentos e disse que eles não causam surpresa alguma. Ele reforçou que Coronel “é bolsonarista desde 2019. Ele é isso aí”.
As declarações foram feitas à coluna de Milena Teixeira e detalhadas pelo portal Panorama da Bahia, que acompanhou a troca de farpas entre os senadores baianos. Até o final de 2025, Coronel integrava a coligação governista na Bahia ao lado do PT, mas o afastamento se consolidou quando foi preterido na definição dos nomes para a disputa majoritária.
Enquanto Angelo Coronel migrou para o Republicanos, legenda com maior alinhamento à oposição nacional representada pelo PL, Otto Alencar manteve o PSD firmemente alinhado ao PT no plano estadual. Essa divisão expõe fragmentação interna no PSD baiano e redefine lealdades construídas ao longo de anos no estado.
O movimento de Coronel não se resume a uma simples troca partidária, mas reflete escolhas ideológicas que ganham contornos nacionais com o apoio declarado a Flávio Bolsonaro.
A troca de acusações revela instabilidade no cenário político baiano a seis meses das eleições marcadas para o dia 4 de outubro de 2026. A disputa por espaços na chapa estadual para senado e governo sobrepôs-se a compromissos históricos e à fidelidade ideológica.
Para o grupo ligado a Otto Alencar, a acusação de bolsonarismo enraizado carrega custo simbólico ao sugerir que o rompimento não decorre apenas de desentendimentos locais, mas de um posicionamento político mais antigo e consistente.
Se Coronel confirmar o apoio aberto a Flávio Bolsonaro, ficará selado o fim de uma aliança de muitos anos entre o PSD e o PT na Bahia. Otto Alencar, por sua vez, reforça a possibilidade de manter uma base unificada de sustentação eleitoral no estado ao lado de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner.
A dinâmica observada na Bahia espelha tensões mais amplas entre identidade ideológica e pragmatismo político. O apoio de Coronel a Flávio Bolsonaro como voto pessoal demonstra que gestos simbólicos ganham relevância no momento em que as forças políticas redefinem seus palanques para as eleições de outubro de 2026. Otto Alencar, ao expor o que considera bolsonarismo de longa data do ex-aliado, amplia o debate e questiona a consistência das trajetórias políticas construídas nos últimos anos.
Com informações de diariodocentrodomundo.com.br.


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