Professores da Universidade de Brasília convocam paralisação de atividades para esta quarta-feira, 15 de abril, com manifestação marcada para as 10 horas em frente à Reitoria.
A decisão saiu de assembleia da Associação dos Docentes da UnB, a ADUnB, realizada em 10 de abril. Docentes da ativa e aposentados se mobilizam contra as novas regras do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos sobre o pagamento da Unidade de Referência de Preços, a URP, que alteram a remuneração e reduzem ganhos já incorporados.
A categoria exige respeito integral às decisões judiciais que garantem aos professores ingressos após 2023 o direito ao recebimento completo da URP. A URP representa valores adicionados aos salários para corrigir reajustes antigos pagos de maneira incorreta.
As mudanças determinam que cerca de 60 por cento dos reajustes obtidos não impactem imediatamente o contracheque e sejam direcionados para abater de forma progressiva o montante da URP.
Para os docentes que entraram na UnB depois de 2023 o efeito é concreto. Mesmo com o reajuste de 3,5 por cento conquistado após a greve de 2024, o valor líquido recebido cai de maneira significativa.
A mobilização também contesta os descontos aplicados diretamente aos proventos dos aposentados e a inclusão da URP nos cálculos de progressão e promoção funcional. A nova norma vem sendo aplicada antes mesmo do fim do processo judicial que discute sua validade, o que aumenta a percepção de desrespeito às garantias legais conquistadas pela categoria.
A ADUnB cobra a suspensão imediata dos descontos para aposentados e a exclusão da URP como fator de absorção em processos de progressão e promoção na carreira. Os professores argumentam que a medida fere direitos historicamente garantidos e compromete o planejamento financeiro dos servidores.
A paralisação ocorre após a greve de 72 dias que a categoria realizou no ano anterior por melhores condições de trabalho e reajustes salariais. Aquela paralisação terminou em junho após negociações com o governo federal que trouxeram compromissos sobre reajustes futuros e reestruturação da carreira docente.
A interrupção de aulas, pesquisas, atividades de extensão, orientações acadêmicas e tarefas administrativas deve atingir diretamente a rotina da comunidade universitária. A ADUnB busca com a paralisação e o ato público reforçar a unidade entre professores ativos, recém-ingressos e aposentados em torno da defesa da remuneração justa.
A reivindicação ganha importância porque regras semelhantes podem se espalhar por outras instituições federais de ensino superior. O caso da UnB revela as tensões permanentes entre medidas de ajuste administrativo e a preservação de direitos dos servidores públicos da educação.
A categoria mantém o foco na exigência de que o governo federal respeite decisões judiciais e suspenda os efeitos práticos da nova regulamentação sobre a URP até que haja definição definitiva sobre sua legalidade.
Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.
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