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Descoberta do ovo ancestral revela como mamíferos sobreviveram à maior extinção da história

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Descoberta do ovo ancestral revela como mamíferos sobreviveram à maior extinção da história. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Cientistas identificaram o primeiro ovo fossilizado de um ancestral dos mamíferos: um embrião de Lystrosaurus com aproximadamente 250 milhões de anos, ainda dentro de um ovo de casca mole que provavelmente se […]

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Ilustração editorial sobre Descoberta do ovo ancestral revela como mamíferos sobreviveram à maior extinção da história. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Cientistas identificaram o primeiro ovo fossilizado de um ancestral dos mamíferos: um embrião de Lystrosaurus com aproximadamente 250 milhões de anos, ainda dentro de um ovo de casca mole que provavelmente se dissolveu com o tempo. Essa evidência confirma, pela primeira vez com segurança, que os ancestrais mamíferos — os terapsídeos — eram ovíparos, ao contrário dos mamíferos modernos que em sua maioria dão à luz filhotes vivos e amamentam. Segundo o estudo publicado em PLOS ONE, o achado ocorreu em Sul da África, no distrito municipal de Xhariep, província do Cabo Oriental, com o fóssil sendo escaneado via tomografia com raios-X no European Synchrotron Radiation Facility (o ESRF) para revelar estrutura óssea interna, como o maxilar inferior ainda separado, indicando que o embrião se encontrava dentro do ovo. Live Science documenta esse marco.

A extinção Permiana-Triássica, cerca de 252 milhões de anos atrás, foi a maior crise biológica já registrada na Terra, exterminando cerca de 90% das espécies marinhas e terrestres. Enquanto muitas linhagens sucumbiram, Lystrosaurus, herbívoro robusto, de porte médio, com bico semelhante ao de tartarugas e presas inferiores, não apenas sobreviveu — mas dominou os ecossistemas terrestres após o evento. O segredo disso, conforme os pesquisadores liderados por Julien Benoit, Jennifer Botha e Vincent Fernandez, parece estar ligado à sua estratégia reprodutiva e ao uso de ovos grandes, ricos em gema, e precoces, ou seja, jovens capazes de certa independência quase imediata após eclodirem.

O tamanho do ovo, incomum para vertebrados daquele porte, aliado à casca tipo coriácea, oferecia vantagens vitais: perda mínima de água em ambientes áridos extremos e capacidade de desenvolvimento dentro do ovo até estágio avançado, sem depender de cuidados parentais subsequentes. Tais adaptações seriam cruciais nos estágios iniciais do Triássico, quando o clima ainda era instável, com longos períodos de seca e temperaturas extremas.

O fóssil foi descoberto em 2008 por John Nyaphuli, mas somente agora, com tecnologia avançada de escaneamento — especialmente no ESRF — foi possível confirmar que o embrião se encontrava dentro do ovo. A falta de uma casca mineralizada preservada, comum nas aves e dinossauros, levou à hipótese de que sua camada exterior era macia, o que explicaria a raridade de fósseis semelhantes.

Essa descoberta não apenas responde a longas especulações sobre a reprodução dos antepassados dos mamíferos mas reconfigura a compreensão científica sobre como organismos antigos enfrentaram colapsos ecológicos extremos. A combinação de ovos grandes, jovens precoces e reprodução rápida parece ter sido uma fórmula vencedora de resistência para Lystrosaurus.

Hoje, os únicos mamíferos que ainda se reproduzem por ovos são os monotremados — como ornitorrinco e equidnas — mas este novo fóssil estende tal característica muito além dos monotremados. Isso sugere que a viviparidade e a amamentação evoluíram posteriormente, em linhagens mais derivadas, e que a postura de ovos foi uma condição ancestral compartilhada por muitos sinapsídeos após a extinção Permiana-Triássica.


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