Milhares de famílias libanesas deslocadas começaram a retornar às suas cidades e vilarejos no sul do país, mesmo diante da continuidade dos bombardeios israelenses e da destruição generalizada provocada nas últimas semanas.
Colunas de carros carregados de colchões, malas e objetos pessoais foram vistas seguindo em direção à fronteira. Segundo o Al Jazeera, esse movimento mistura esperança e desespero após a entrada em vigor de um cessar-fogo.
O cessar-fogo trouxe expectativa de alívio após 46 dias de intensos ataques israelenses. Relatos de novos disparos de artilharia e operações de demolição por tratores israelenses indicam que a trégua permanece frágil.
Moradores que conseguiram chegar às suas casas relataram destruição quase total. “Há ruínas por toda parte. É impossível viver aqui”, disse Fadel Badreddine, deslocado da cidade de Nabatieh, que decidiu recolher o que restou de seus pertences.
Uma avaliação preliminar das autoridades libanesas apontou que cerca de 40 mil residências foram destruídas ou danificadas. Os subúrbios do sul de Beirute estão entre as áreas mais atingidas, seguidos por distritos inteiros do sul do país.
Samia Lawand, moradora da capital, contou que sua casa foi atingida tanto na guerra anterior quanto nesta. Ela encontrou tudo destruído novamente.
As forças israelenses mantêm presença em dezenas de localidades libanesas. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país continuará controlando 55 cidades e vilas próximas à fronteira, dentro de uma zona de segurança que se estende por até 10 quilômetros em território libanês.
Correspondentes relataram que tratores israelenses seguem demolindo casas e realizando operações de limpeza em várias áreas do sul. As localidades de Beit Lif, al-Qantara e Toul foram novamente atingidas por disparos de artilharia mesmo após o cessar-fogo.
A destruição de pontes e estradas também dificulta o retorno dos moradores. Isso ocorre especialmente nas regiões ao sul do rio Litani, que permanecem isoladas do restante do país.
Tropas israelenses avançaram vários quilômetros dentro do território libanês durante o conflito. O governo de Tel Aviv afirma que a área entre a zona de segurança e o rio Litani ainda não foi limpa de combatentes e armamentos.
Beirute tenta reabrir canais de diálogo com Israel. O presidente Joseph Aoun reuniu-se com o primeiro-ministro Nawaf Salam no Palácio de Baabda para discutir as condições de segurança e as perspectivas de negociações.
O presidente libanês manteve contatos com o presidente dos EUA, Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e diversos líderes árabes. O objetivo é buscar apoio internacional para estabilizar a trégua.
O governo libanês enfrenta um dilema político interno. A decisão de retomar o diálogo com Israel amplia as tensões com o Hezbollah, que insiste na manutenção de suas armas como instrumento de defesa nacional.
O Hezbollah afirma que não aceitará o desarmamento sem um acordo sobre estratégia de defesa nacional que garanta a soberania do país. O grupo vincula o cessar-fogo a negociações regionais mais amplas que envolvem o Irã, com encontros paralelos previstos entre Washington e Teerã.
O cenário no sul do Líbano segue incerto. A destruição de infraestrutura, o deslocamento massivo de civis e a permanência de tropas israelenses em solo libanês colocam em risco a estabilidade da trégua.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Silvia D.
18/04/2026
É revoltante ver mais uma violação de cessar-fogo, com civis pagando o preço da guerra. A destruição e o sofrimento dessas famílias são uma ferida aberta na humanidade. Precisamos de diplomacia, não de bombas — e de respeito real à vida.
Alice T.
18/04/2026
Difícil engolir essa hipocrisia: Israel fala em “autodefesa” enquanto quebra cessar-fogo e destrói o que resta das casas libanesas. A comunidade internacional finge que não vê, como sempre, porque o lobby bilionário manda mais que os direitos humanos.
Tadeu
18/04/2026
Essas notícias de conflito lá fora já nem me surpreendem mais. No fim, o que mexe comigo é pensar no impacto que isso pode ter nos preços do petróleo e, consequentemente, na inflação aqui. Tomara que o mercado não entre em pânico de novo.
Maura Santos
18/04/2026
É revoltante ver o povo tentando reconstruir a vida e Israel simplesmente ignorando o cessar-fogo. A comunidade internacional finge que não vê, mas se fosse o contrário já tava todo mundo gritando “terrorismo” na TV. Dois pesos, duas medidas, como sempre.
Celio Fazendeiro
18/04/2026
Esses conflitos intermináveis não acabam nunca porque tem gente demais querendo posar de vítima e pouca disposição pra resolver de verdade. Israel faz o que precisa fazer pra se defender, e quem insiste em morar no meio do fogo cruzado depois não pode reclamar das consequências.
Jeferson da Silva
18/04/2026
Celio, fácil falar em “se defender” sentado no sofá, né? Vai explicar isso pra quem perdeu casa e família por bombardeio covarde. Nenhum povo merece viver sob míssil em nome de “segurança” inventada.
Mariana Ambiental
18/04/2026
É revoltante ver o poder militar esmagando comunidades que só querem voltar pra casa e reconstruir o básico. Enquanto isso, as potências “democráticas” fingem que não veem. A natureza e as pessoas sempre pagam o preço mais alto da ganância e da geopolítica de destruição.
Tonho Patriota
18/04/2026
ISSO AÍ É MAIS UMA PROVA DO CAOS QUE O MUNDO VIROU DEPOIS QUE O LULADRÃO VOLTOU! FAZ O L PRA VER O QUE ACONTECE, AGORA ATÉ NO LÍBANO TÁ DANDO CONFUSÃO. SE TIVESSEM INVESTIDO EM NIÓBIO E ACABADO COM O COMUNISMO, NADA DISSO TAVA ACONTECENDO!
Miriam
18/04/2026
Mais uma vez, a diplomacia fica no discurso enquanto a realidade no terreno é ignorada. É revoltante ver o cessar-fogo ser tratado como um detalhe opcional. O mínimo que se espera é respeito aos acordos e proteção aos civis — mas parece que isso virou luxo.
Lurdinha Deus Acima de Todos
18/04/2026
Meu Deus, gente 😢🙏 essas notícias são o sinal dos tempos, viu! Tanta guerra, tanta destruição… e ainda querem calar quem fala de paz e de fé! Que o Senhor tenha misericórdia desse mundo, porque tá tudo caminhando pro fim mesmo 🇧🇷🙏🇺🇸
Augusto Silva
18/04/2026
Lurdinha, o fim mesmo é da paciência com quem lucra com a guerra enquanto finge rezar pela paz. Se a fé não vier acompanhada de senso crítico, vira cortina de fumaça pra bomba cair em nome de Deus.
Marcos Conservador
18/04/2026
Mais uma vez o Oriente Médio em chamas, e a culpa, claro, sempre cai só de um lado. Ninguém lembra que o Hamas e o Hezbollah vivem provocando e usando civis como escudo. Difícil falar em “cessar-fogo” quando o outro lado nunca quis paz de verdade.
Renato Professor
18/04/2026
Marcos, essa conversa de “os dois lados” é o refúgio perfeito de quem não quer encarar assimetrias reais de poder. Quando um exército estatal bombardeia bairros inteiros e chama isso de autodefesa, não estamos falando de paz — estamos falando de ocupação travestida de moralidade.