A jornalista Marina Rossi, autora do livro-reportagem O Cerco: a Amazônia invadida pelo agro, afirmou que o Brasil já dispõe de caminhos concretos para conter o avanço do desmatamento, mas que a ausência de vontade política impede a implementação efetiva dessas medidas.
Em entrevista ao portal Opera Mundi, Rossi destacou que o problema não é a falta de soluções, mas a falta de articulação entre governo, produtores e sociedade civil.
Segundo a jornalista, há um conjunto de propostas discutidas por especialistas, organizações ambientais e até setores do próprio agronegócio que poderiam reduzir drasticamente a destruição da floresta. Entre elas, está o fortalecimento da fiscalização ambiental e a criação de mecanismos mais eficientes de rastreabilidade na cadeia produtiva da carne.
“Há solução, sem dúvida. Tem muita gente boa debruçada sobre essa problemática e propondo alternativas viáveis”, afirmou.
Um dos instrumentos centrais apontados por Rossi é o Plano Nacional de Rastreabilidade, considerado uma ferramenta essencial para monitorar a origem da produção pecuária. Ela ressalta que o sucesso do plano depende da adesão dos produtores, da aplicação efetiva nas propriedades rurais e da eliminação de brechas que permitam fraudes.
Sem um compromisso político firme e integrado, diz, a iniciativa corre o risco de permanecer apenas no papel.
Rossi observa que parte do agronegócio começa a perceber os impactos econômicos das mudanças climáticas, que já comprometem safras inteiras. Essa percepção, segundo ela, pode abrir espaço para uma transição mais sustentável, embora ainda haja resistência de setores ligados ao desmatamento ilegal e à grilagem de terras.
“A dúvida é se essa mudança virá a tempo de conter os danos ambientais em curso”, ponderou.
Durante a investigação que deu origem ao livro, a repórter percorreu o sudeste do Pará, especialmente o município de São Félix do Xingu, que há mais de uma década lidera o ranking nacional de rebanho bovino. Lá, encontrou conflitos de terra, ameaças e violência rural, reflexo direto da expansão desordenada da pecuária sobre áreas de floresta.
A experiência reforçou sua convicção de que o desmatamento é um problema estrutural, alimentado por interesses econômicos e pela fragilidade da governança fundiária.
Rossi também destacou o peso político da chamada “bancada do boi” no Congresso Nacional, que historicamente defende os interesses do agronegócio e dos grandes proprietários rurais. Em contraste, a bancada ambientalista, embora existente, segue fragmentada e com menor poder de influência.
Segundo ela, essa disparidade reflete a diferença de recursos e de apoio econômico entre os dois grupos.
Questionada sobre o papel de acordos internacionais, como o tratado Mercosul-União Europeia, que impõe exigências de rastreabilidade e controle de desmatamento, Rossi avaliou que tais medidas podem gerar efeitos positivos, mas limitados. A União Europeia responde por apenas 2,8% das exportações brasileiras de carne, enquanto a China, o Chile, os Estados Unidos e os Emirados Árabes concentram a maior parte das compras.
Além disso, 80% da carne produzida no país é consumida internamente, o que torna insuficiente qualquer pressão externa isolada.
Para a jornalista, o combate ao desmatamento exige um plano integrado que envolva fiscalização rigorosa, regularização fundiária e incentivos econômicos à produção sustentável. Ela defende que o Estado brasileiro assuma a liderança nesse processo, articulando políticas públicas e enfrentando os grupos que lucram com a destruição ambiental.
“Para zerar o desmatamento, é preciso haver um plano integrado. E, acima de tudo, vontade política”, resumiu.
Rossi também abordou a relação entre meio ambiente e política eleitoral, afirmando que a pauta ambiental ainda não ocupa o centro do debate público. Segundo ela, a questão climática é frequentemente associada à esquerda, o que limita seu alcance social, embora seus efeitos atinjam toda a população.
“Infelizmente, a preocupação com as mudanças climáticas nunca foi decisiva nas eleições, mesmo sendo um tema que impacta diretamente o nosso futuro”, disse.
Ao final da entrevista, a autora reiterou que há motivos para esperança, principalmente pelo engajamento crescente de pesquisadores, jornalistas e organizações que buscam soluções práticas para preservar a Amazônia. Para ela, o desafio é transformar esse esforço coletivo em políticas públicas robustas e permanentes, capazes de romper o ciclo histórico de destruição e impunidade que marca a ocupação da floresta.
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Miriam
18/04/2026
É sempre a mesma história: planos e leis existem, mas ninguém quer se indispor com os grandes interesses. Falta gestão séria e continuidade nas políticas, não discurso. Enquanto isso, o servidor na ponta continua sem estrutura para fiscalizar direito.
Zizi
18/04/2026
Marina está certíssima. O problema nunca foi falta de solução, e sim esses meninos mal-educados do agronegócio mandando mais que o bom senso. Enquanto o lucro falar mais alto que o futuro do povo e da floresta, o desmatamento vai continuar. Lula precisa de apoio firme pra enfrentar esse atraso verde.
Carlos A. Mendes
18/04/2026
Difícil discordar da Marina. O problema não é falta de lei, é falta de coragem pra aplicar. Enquanto isso, a floresta vai pro chão e o governo fica no discurso bonito.
Adalberto Livre
18/04/2026
AH CLARO, VONTADE POLÍTICA É O QUE FALTA! ENQUANTO ISSO O POVO TEM QUE ENGOLIR ESSA CONVERSA DE “SUSTENTABILIDADE” ENQUANTO O GOVERNO SÓ PENSA EM TAXA E BUROCRACIA! SE DEIXASSE O PRODUTOR TRABALHAR E PARASSE DE PASSAR A MÃO EM ONG E COMUNISTA, ISSO JÁ TAVA RESOLVIDO!
Pedro
18/04/2026
Enquanto isso a gente aqui na cidade sente o calor aumentar e o ar piorar, e lá em cima ninguém faz nada. Falta vontade política mesmo, como ela disse. Se fosse pra baixar o preço da gasolina, já tinham dado um jeito.
Clarice Historiadora
18/04/2026
Marina está certíssima. Falta vontade política porque o desmatamento sempre foi tratado como moeda de troca entre elites do agronegócio e governos frágeis. Desde a ditadura, o Estado brasileiro subsidia a destruição da Amazônia em nome de um “progresso” que só enriquece meia dúzia. Sem romper essa lógica, qualquer discurso verde é pura encenação.
Fernando O.
18/04/2026
Difícil discordar da Marina. O problema nunca foi falta de tecnologia ou de lei, é pura ausência de prioridade política. Enquanto isso, o desmate anda solto e o governo finge que não vê. Os números estão aí, mas o pessoal prefere discutir ideologia em vez de resultado.
Tonho Patriota
18/04/2026
AH PRONTO, MAIS UMA ESQUERDISTA QUERENDO BOTAR CULPA NO GOVERNO! ISSO É TUDO PAPO PRA DESVIAR A ATENÇÃO DO VERDADEIRO PROBLEMA: O COMUNISMO ESG QUE QUER TOMAR AS NOSSAS TERRAS! A AMAZÔNIA TÁ CHEIA DE NIÓBIO E ELES QUEREM É ROUBAR, FAZ O L!
Rubens O Pescador
18/04/2026
Ô Tonho, comunismo ESG é nova até pra mim, bicho. No tempo em que o povo tinha feijão e carne no prato, ninguém falava em roubo de nióbio não, só em trabalhar e ver a floresta em pé dando sustento pra muita gente.