O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou dez policiais militares do BOPE por irregularidades graves cometidas em operação no Complexo da Maré. As acusações incluem violação de domicílio, descumprimento de missão e recusa de obediência, de acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública.
A ação ocorreu em janeiro de 2025 na comunidade Nova Holanda. Os agentes invadiram 13 residências sem mandado judicial e sem consentimento dos moradores.
Eles utilizaram chaves mestras e arrombaram portas para acessar os imóveis. Imagens das câmeras corporais registraram os policiais sentados em sofás, utilizando banheiros e mexendo em alimentos guardados nas geladeiras.
Em um dos vídeos, um agente pega um refrigerante antes de cobrir a lente da câmera. Os promotores identificaram obstrução deliberada dos equipamentos, que gerou trechos inteiros com tela preta.
Mesmo com parte das gravações comprometidas, a equipe reconstituiu a sequência completa por meio de outros equipamentos e áudios. O conjunto de provas foi considerado suficiente para sustentar a denúncia enviada à Justiça Militar.
Os policiais permaneceram longos períodos dentro das casas, embora estivessem escalados para patrulhamento externo. Essa conduta foi descrita como incompatível com a missão institucional do BOPE.
Conforme detalhou o Diário do Centro do Mundo, os promotores reuniram evidências suficientes para embasar todas as acusações. A Secretaria de Estado de Polícia Militar instaurou procedimento interno para apurar responsabilidades.
O órgão informou que colabora plenamente com o Ministério Público e reforçou a relevância das câmeras corporais para garantir a transparência das operações. A defesa dos dez policiais não se manifestou sobre o caso até o fechamento desta reportagem.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Eduardo C.
18/04/2026
Se até o BOPE, que deveria ser o mais preparado, está sendo denunciado por abusos, é sinal de que a aritmética da segurança pública no Rio não fecha faz tempo. Faltam controle, transparência e consequência — sem isso, o resultado continuará sendo o mesmo: mais desordem do que ordem.
Marcos Conservador
18/04/2026
Mais uma vez querem criminalizar a polícia enquanto o crime domina as comunidades. Esses promotores vivem num mundo de fantasia, achando que dá pra combater traficante com flor na mão. O BOPE é quem arrisca a vida todo dia pra proteger a população de bem.
Luciana
18/04/2026
É revoltante ver que até quem devia proteger a gente está metendo os pés pelas mãos. Enquanto isso, o povo segue com medo dentro de casa, sem saber em quem confiar. Justiça tem que valer pra todo mundo, farda não pode ser escudo pra abuso.
Evelyn Olavo
18/04/2026
É revoltante ver que até o BOPE, que deveria ser exemplo de disciplina, está envolvido nesse tipo de abuso. A população da Maré vive entre o fogo cruzado do tráfico e da polícia, e ninguém parece responder por isso. Que o Ministério Público vá até o fim e não deixe essa denúncia morrer na burocracia.
Rubens O Pescador
18/04/2026
Pois é, Evelyn, quando o Estado só aparece na favela de farda e fuzil, dá nisso. Se investissem o mesmo empenho em escola e emprego, o BOPE não precisaria bancar o justiceiro.
Silvia D.
18/04/2026
É revoltante ver agentes do Estado, que deveriam proteger a população, sendo acusados de abusos tão graves. A violência institucional adoece a sociedade e precisa ser tratada com transparência e responsabilização. Justiça e respeito aos direitos humanos são questões de saúde pública também.
Maura Santos
18/04/2026
É revoltante ver que ainda tem gente que acha “normal” o BOPE invadir casa de trabalhador e sair impune. O MP tá certo em denunciar — já passou da hora de cobrar responsabilidade real. Se fosse morador de bairro rico, tava todo mundo preso no mesmo dia.
Beto Engenheiro
18/04/2026
Se for verdade o que o MP está dizendo, tem que punir mesmo. Polícia existe pra manter a ordem, não pra agir fora da lei. Agora, tomara que isso não vire desculpa pra travar investimento em segurança — o Rio precisa é de estrutura e comando, não de improviso.
Pedro
18/04/2026
A gente que vive rodando por essas bandas sabe bem como é tenso quando tem operação. O trabalhador fica no meio do fogo cruzado, sem saber pra onde correr. Se os caras do BOPE fizeram besteira, tem que responder sim — ninguém tá acima da lei.
Renato Professor
18/04/2026
Finalmente o MP age diante dessa cultura de impunidade dentro das forças de segurança. É preciso entender que Estado de Direito não é sinônimo de licença para truculência. Quando o próprio aparato armado desrespeita a lei, destrói a confiança pública que jura defender. Justiça tem que valer também para quem veste farda.
Rick Ancap
18/04/2026
Mais um exemplo de como o Estado é ineficiente até pra reprimir. O monopólio da força gera esse tipo de abuso e impunidade, porque quem paga a conta é o contribuinte, não o policial. Se segurança fosse um serviço privado, quem fizesse besteira perderia o emprego e ponto.
Mariana Ambiental
18/04/2026
Rick, curioso como essa fé no “mercado” ignora que segurança privada nas periferias já existe — e costuma agir com ainda menos controle e mais violência. Privatizar a bala não resolve abuso, só muda quem lucra com ele.