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Cientistas resolvem mistério fóssil de 160 milhões de anos e revelam origem oculta das primeiras esponjas

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientistas resolvem mistério fóssil de 160 milhões de anos e revelam origem oculta das primeiras esponjas. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Durante décadas, o abismo temporal entre o surgimento estimado das primeiras esponjas e o registro fóssil conhecido intrigou a ciência. Elas pareciam ter emergido apenas 540 milhões de anos […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas resolvem mistério fóssil de 160 milhões de anos e revelam origem oculta das primeiras esponjas. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Durante décadas, o abismo temporal entre o surgimento estimado das primeiras esponjas e o registro fóssil conhecido intrigou a ciência. Elas pareciam ter emergido apenas 540 milhões de anos atrás, embora análises genéticas apontassem para uma origem cerca de 700 milhões de anos antes, deixando um vazio de 160 milhões de anos na história da vida.

Agora, uma equipe liderada pelo geobiólogo Shuhai Xiao, da Universidade Virginia Tech, acaba de preencher parte desse enigma com a descoberta de um fóssil de esponja marinha de 550 milhões de anos. O achado, publicado na revista Nature, indica que as primeiras esponjas careciam de estruturas minerais rígidas, o que explicaria sua raríssima preservação nos registros geológicos.

Segundo Xiao, o fóssil foi encontrado às margens do rio Yangtzé, na China, e exibe um padrão superficial em forma de grade, composto por unidades regulares e repetitivas. Essa morfologia distintiva o aproxima das esponjas vítreas modernas, mas com um corpo muito mais orgânico e flexível, sugerindo uma fase primitiva da evolução animal.

O estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Instituto Nanjing de Geologia e Paleontologia, que confirmaram a natureza excepcional do espécime. O pós-doutorando Xiaopeng Wang, do mesmo instituto, destacou que o exemplar se distingue por seu tamanho inusitado: cerca de 38 centímetros de comprimento, muito maior do que se imaginava para organismos tão antigos.

Os cientistas acreditam que as primeiras esponjas não produziam espículas mineralizadas, as agulhas microscópicas que hoje formam o esqueleto das espécies modernas. Em vez disso, possuíam estruturas totalmente orgânicas, incapazes de resistir ao processo natural de decomposição e fossilização.

Em 2019, Xiao e sua equipe já haviam sugerido essa hipótese ao observar que as espículas se tornam progressivamente mais mineralizadas ao longo do registro fóssil. Quanto mais antigas as amostras examinadas, mais frágeis e menos minerais apresentavam, reforçando a ideia de um ancestral macio e efêmero.

Essa constatação ajuda a resolver um paradoxo que intrigava a biologia evolutiva desde Charles Darwin, que se perguntava por que as formas de vida mais primitivas pareciam surgir de maneira tão abrupta no registro fóssil. A resposta agora parece residir na fragilidade desses primeiros corpos, que só se preservaram em condições geológicas extremamente raras.

O novo fóssil foi encontrado em uma camada de rocha carbonática marinha conhecida por capturar organismos de corpo mole. Esse tipo de ambiente, onde a mineralização ocorre rapidamente, pode ter sido o único capaz de eternizar criaturas tão delicadas, antes que se desintegrassem completamente.

Alex Liu, pesquisador da Universidade de Cambridge e coautor do estudo, relatou que jamais esperava encontrar um exemplar tão grande e complexo. Ele descreveu o corpo cônico da esponja como uma estrutura surpreendentemente organizada, desafiando as expectativas sobre a simplicidade dos primeiros animais multicelulares.

Os resultados mudam a forma como os cientistas buscam os vestígios do início da vida animal na Terra. Se as primeiras esponjas eram moles e sem esqueletos minerais, muitas podem ter desaparecido sem deixar qualquer rastro, obrigando os paleontólogos a buscar novos tipos de evidências e formações rochosas não convencionais.

Como destacou Xiao, talvez as primeiras esponjas fossem esponjosas, mas não vítreas — um trocadilho que ilustra a mudança de paradigma na paleontologia. O pesquisador afirma que o achado amplia os horizontes da busca por organismos ancestrais, exigindo um olhar mais atento para as condições químicas e sedimentares que permitiram a fossilização de corpos tão frágeis.

Mais do que preencher uma lacuna temporal, a descoberta redefine a narrativa da própria origem animal. Ela sugere que a vida multicelular se desenvolveu em formas discretas e maleáveis, invisíveis aos olhos do tempo até que a geologia, por acaso, as preservasse sob camadas de carbonato e silêncio.

O achado, conforme relatado pelo portal ScienceDaily, oferece uma nova perspectiva sobre a transição entre os mundos microbianos e os primeiros metazoários. É um lembrete de que, sob o aparente vazio das eras, a vida sempre encontrou um modo de persistir — mesmo que por milhões de anos tenha permanecido oculta, esperando ser descoberta.


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