O Senegal abriu a décima edição do Fórum Internacional sobre Paz e Segurança em África, reunindo cerca de uma centena de especialistas, autoridades militares e representantes de organizações regionais e internacionais em Diamniadio, nos arredores de Dakar.
O fórum é presidido pelo presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye, conforme reportagem da RFI. O evento ocorre em um contexto de profundas transformações geopolíticas no continente africano.
A presença francesa recuou no Sahel e o G5 Sahel foi dissolvido. A CEDEAO enfrenta fragilidade após o afastamento de Mali, Burkina Faso e Níger, enquanto o jihadismo avança para os países costeiros do golfo da Guiné, como Benim, Togo e Gana.
Participam do encontro o presidente da Comissão da CEDEAO, antigos chefes de Estado-Maior e um general burquinabê representando a Aliança dos Estados do Sahel. A lista inclui ainda pesquisadores, juristas africanos, um representante do Departamento de Estado dos EUA e a enviada especial da Alemanha para o Sahel.
Os debates concentram-se no controle das riquezas naturais e na gestão dos minerais críticos. O continente abriga cerca de 30% das reservas mundiais de terras raras, essenciais para a transição energética global.
A República Democrática do Congo concentra 70% do cobalto mundial. Esse dado reforça a importância estratégica desses recursos para o futuro do continente.
A presidente da Iniciativa pelos Direitos e Recursos, doutora Solange Bandiaky-Badji, defendeu que os governos africanos devem se organizar para evitar a “maldição dos recursos”. Ela citou o Gabão, a Costa do Marfim e a África do Sul como grandes produtores de manganês, enquanto Mali, Burkina Faso e Níger detêm reservas expressivas de ouro e urânio.
A disputa global por esses minerais transformou a África em epicentro geopolítico. Bandiaky-Badji alertou que a exclusão das comunidades locais dos benefícios dessas riquezas alimenta pobreza e migração forçada.
Ela mencionou a decisão do governo senegalês de revogar contratos de mineração para renegociar termos fiscais e sociais mais favoráveis. A iniciativa visa garantir ganhos concretos tanto para o Estado quanto para as populações afetadas.
O fórum aborda ainda as transições políticas em vários países africanos, a cibersegurança e a reconfiguração das forças de defesa regionais. Os participantes analisam o papel de novas alianças militares e a necessidade de uma arquitetura de segurança liderada pelos africanos.
Essa arquitetura deve reduzir a dependência de potências externas. O evento reúne governos, militares e sociedade civil em busca de respostas coordenadas aos desafios atuais.
A décima edição do Fórum de Dakar ocorre em momento de intensa redefinição das dinâmicas de segurança no continente. Os debates buscam contribuir para maior soberania africana sobre recursos e estratégias defensivas.
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Marcos Conservador
20/04/2026
Mais um desses fóruns cheios de discurso bonito e pouca ação prática. Enquanto isso, a insegurança continua crescendo e o povo africano sofre. Aposto que vai ter muito papo sobre “cooperação internacional”, mas nada de valores morais ou fé, que é o que realmente sustenta uma nação.
Pedro
20/04/2026
Enquanto isso aqui no Brasil a gente luta pra pagar o IPVA e a gasolina que não para de subir, lá no Senegal o papo é segurança e estabilidade. Tomara que consigam algum resultado prático, porque no fim das contas é o povo comum que sente o peso da falta de paz – seja lá ou aqui.
Eduardo C.
20/04/2026
Interessante ver o Senegal assumindo protagonismo num tema tão sensível. Mas fico curioso: quantos desses fóruns realmente resultam em ações concretas e mensuráveis? Seria bom ver números sobre redução de conflitos ou investimentos em segurança regional depois de cada edição.
Miriam
20/04/2026
Bom ver um país africano liderando um debate tão importante, e de forma organizada. O continente precisa de soluções próprias e menos dependência das potências externas. Que o Fórum de Dakar sirva para fortalecer instituições e não apenas gerar discursos.
Rick Ancap
20/04/2026
Mais um fórum cheio de discurso bonito sobre “paz e segurança”, mas aposto que é tudo bancado com dinheiro público e hotel cinco estrelas. Enquanto isso, o cidadão comum continua sem liberdade real e sem ver retorno do que pagam em impostos. Se deixassem o mercado agir, talvez a África já tivesse resolvido metade desses problemas.
Renato Professor
20/04/2026
Rick, o mercado “agindo sozinho” na África foi exatamente o que legou séculos de espoliação e dependência. A economia solidária e o investimento público são tentativas — imperfeitas, mas necessárias — de reconstruir o tecido social que o laissez-faire rasgou.
Evelyn Olavo
20/04/2026
Interessante ver o Senegal assumindo protagonismo num debate tão crucial. A África precisa mesmo discutir segurança de forma autônoma, sem depender sempre das potências externas. Espero que desse fórum saiam propostas concretas e não apenas discursos bonitos.
Zé Trovãozinho
20/04/2026
Mais um fórum cheio de discurso bonito enquanto o continente continua sendo manipulado pelas potências de sempre. Falam em segurança, mas quem vende as armas são os mesmos que patrocinam as guerras. É o teatro global de sempre, e o povo africano pagando a conta.
Clarice Historiadora
20/04/2026
Zé, sua leitura não está errada, mas é incompleta: o Fórum de Dakar nasce justamente da tentativa africana de romper essa dependência, articulando segurança regional sem tutela externa. Ignorar isso é repetir o mesmo olhar colonial que você parece criticar.
Alice T.
20/04/2026
Interessante ver o Senegal tomando essa dianteira, mas fico pensando: quantos desses fóruns realmente mudam algo quando as potências que lucram com a instabilidade africana continuam ditando as regras? Paz e segurança não vêm de conferência chique, vêm de soberania real e menos interferência externa.
Sgt Bruno 🇧🇷
20/04/2026
Selva! Esse papo de “paz e segurança” é bonito no discurso, mas na prática a África continua refém de interesses estrangeiros e governos fracos. Se tivesse mais ordem, disciplina e patriotismo de verdade, não precisavam de fórum nenhum pra resolver nada. Comunistas na lata de lixo!
Maura Santos
20/04/2026
Sgt Bruno, ordem e disciplina sem soberania e justiça social viram só obediência cega, né? A África tá tentando sair justamente desse ciclo de tutela estrangeira — o que falta é menos discurso de quartel e mais compromisso real com independência econômica.