Uma escavação arqueológica em Jerash, na Jordânia, revelou um dos primeiros cemitérios em massa confirmados por peste bubônica, oferecendo uma visão inédita sobre o impacto social da Peste de Justiniano, que assolou o Império Bizantino entre os séculos VI e VIII.
O professor associado do Colégio de Saúde Pública da Universidade do Sul da Flórida, Rays H. Y. Jiang, liderou o estudo publicado no Journal of Archaeological Science. A equipe analisou restos humanos e materiais genéticos depositados junto a camadas de cerâmica em uma área pública abandonada.
Os pesquisadores confirmaram que o sítio representa o primeiro túmulo coletivo associado à peste na região mediterrânea. Centenas de pessoas foram enterradas ali em poucos dias após o avanço da bactéria Yersinia pestis.
Jiang explicou que o objetivo da pesquisa foi compreender o que a pandemia representou para as populações que a enfrentaram. O trabalho revela as consequências sociais do colapso vivido pela cidade de Jerash, conhecida antigamente como Gerasa.
A descoberta resolve um antigo dilema histórico entre registros genéticos de grande mobilidade populacional e indícios arqueológicos de comunidades mais estáticas. A peste reuniu em um único evento de mortalidade indivíduos provenientes de diferentes origens geográficas.
O estudo contou com abordagem interdisciplinar que envolveu antropólogos, especialistas em medicina molecular e historiadores. A arqueóloga Karen Hendrix, da Universidade de Sydney, integrou a equipe ao lado de pesquisadores de um laboratório de DNA da Universidade Atlântica da Flórida.
Os autores destacam que pandemias constituem fenômenos sociais além de biológicos. Elas expõem vulnerabilidades estruturais e provocam transformações duradouras nos padrões de vida e nas relações comunitárias.
A Peste de Justiniano matou milhões em todo o Império Bizantino e provocou uma profunda reorganização urbana e demográfica. Seu legado ressoa nas crises sanitárias enfrentadas pelas sociedades modernas.
Jiang observa que elementos como densidade urbana, mobilidade humana e mudanças ambientais ainda definem a dinâmica das doenças infecciosas. Compreender as pandemias do passado auxilia na análise dos desafios sanitários do presente.
A equipe da Universidade do Sul da Flórida planeja dar continuidade às investigações sobre o papel da peste na transição do mundo antigo para o medieval. O projeto busca ampliar o conhecimento sobre a capacidade de resiliência das sociedades diante de catástrofes em grande escala.
Leia mais sobre o assunto na sciencedaily.com.
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Rick Ancap
24/04/2026
Até na Antiguidade o Estado falhava feio — nem pra enterrar o povo direito sem imposto.
Mariana Ambiental
24/04/2026
Rick, na época nem existia “Estado” como você imagina — mas já tinha desigualdade e exploração. A diferença é que hoje o lucro vem embalado em discurso liberal de eficiência.
Eduardo C.
24/04/2026
Interessante como até nas ruínas a matemática da mortalidade se impõe: milhares de vítimas em poucos anos, uma progressão quase geométrica. Seria bom ver números mais precisos sobre quantos corpos foram identificados e como dataram as camadas — sem dados, fica só a narrativa.
Zé Trovãozinho
24/04/2026
Enquanto isso, aqui no Brasil o que temos é a peste do STF mandando em tudo e o povo calado. Daqui a pouco viramos a Cuba do Norte e ninguém vai poder nem escavar o passado sem autorização do “supremo”.
Jeferson da Silva
24/04/2026
Zé Trovãozinho, peste mesmo é patrão que paga miséria e político que vende direito trabalhista como se fosse modernidade. O STF não manda na fábrica, quem manda lá é o suor do operário.
Evelyn Olavo
24/04/2026
Impressionante como a arqueologia continua revelando capítulos sombrios da nossa história. A Peste de Justiniano foi devastadora, e ver esses vestígios ajuda a entender o tamanho do colapso social da época. É um lembrete de como as pandemias moldam civilizações inteiras.
Maura Santos
24/04/2026
Total, Evelyn! E pensar que até hoje tem gente flertando com o obscurantismo, ignorando ciência e história — parece que a Peste de Justiniano deixou herdeiros ideológicos, né?