Um grupo de sete pesquisadores lança nesta sexta-feira (24 de abril de 2026), em São Paulo, o livro “Guia da Gestão Pública Antirracista”, que apresenta fundamentos, análises e um roteiro de ações voltadas ao fortalecimento de estratégias de enfrentamento do racismo institucional e das desigualdades raciais.
Segundo a pesquisadora Clara Marinho, uma das autoras da obra, o trabalho surgiu da percepção de que não existia um material de natureza prática que informasse quais políticas públicas antirracistas estão em vigor, quais os principais desafios enfrentados e em que pontos é possível avançar.
Ela destaca que, além da legislação, as políticas públicas podem se apoiar em dados raciais produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Clara Marinho ressalta que materiais como esse são necessários para orientar servidores públicos no enfrentamento de problemas complexos, como o racismo.
A pesquisadora afirma que a publicação ajudará na identificação dos repertórios de enfrentamento que podem ser acionados. “É como se fosse uma introdução sobre a política pública antirracista”, explica.
Clara Marinho observa que, embora a administração pública contrate por meio de um instrumento considerado neutro — o concurso público —, pessoas negras ainda se concentram em postos que exigem menor qualificação, geralmente distantes das áreas estratégicas de governo.
Além de Clara Marinho, o livro é assinado por Michael França, Giovani Rocha, Ellen da Silva, João Pedro Caleiro, Lia Pessoa e Karoline Belo. O lançamento está marcado para as 19h no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), com uma conversa entre os autores sobre o tema da publicação.
Na segunda-feira (25 de abril de 2026), o trabalho será apresentado em Brasília, às 9h, na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e às 19h, na Livraria Circulares.
De acordo com os autores, a publicação é voltada a gestores e lideranças públicas com o objetivo de contribuir para a superação das desigualdades raciais. Para Clara Marinho, cabe ao Estado promover a igualdade racial e validar as demandas sociais. “O livro é feito como uma conversa”, conclui.
Fonte: Agência Brasil


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