O partido oposicionista sul-africano Aliança Democrática (DA) tornou-se alvo de críticas contundentes por sua posição diante da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, sendo acusado de aplicar padrões duplos e de adotar uma postura condizente com a supremacia branca diante do sofrimento palestino. O episódio ganhou projeção após o ativista e pastor Nigel Branken confrontar publicamente a líder federal do partido, Helen Zille, durante um evento recente.
Branken afirmou que o DA seria o partido mais racista do país. Questionou como a legenda poderia aspirar à liderança nacional sem reconhecer o que chamou de genocídio em Gaza.
Ele lembrou que o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) já considerou plausível a acusação de genocídio contra Israel. Citou posicionamentos de entidades como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que documentam graves violações de direitos humanos no território palestino.
O ativista também criticou a alegação do partido de que seria necessário aguardar uma decisão definitiva do tribunal internacional antes de se posicionar. Em tom emocionado, perguntou quantas crianças ainda precisariam morrer e quantas pessoas teriam de passar fome antes de o DA assumir uma postura moral diante da tragédia humanitária em curso.
Branken defendeu que a legenda dispõe de instrumentos políticos concretos para agir. Poderia apoiar sanções contra Israel, pressionar pela interrupção das exportações de carvão sul-africano e apoiar processos judiciais contra cidadãos que servem nas Forças de Defesa de Israel.
Parte do público presente tentou interromper o discurso do pastor, mas ele manteve o tom crítico. Encerrou com um apelo direto a Zille, afirmando que a omissão do partido diante de crimes de guerra seria vergonhosa.
Em resposta, Helen Zille afirmou reconhecer a gravidade da situação em Gaza e disse acompanhar o conflito com atenção. Reiterou que a prioridade do DA é promover a harmonia entre os cidadãos sul-africanos.
Ela destacou que o partido não endossa a acusação formal de genocídio contra Israel. Ainda assim, saudou a decisão do TIJ de ordenar medidas cautelares para evitar danos adicionais e garantir o acesso de ajuda humanitária à população palestina.
A repercussão política foi imediata. A ex-parlamentar e ex-membro do DA Phumzile Van Damme classificou a postura do partido como hipócrita e inconcebível, afirmando que mais de 73 mil civis — incluindo crianças — teriam sido mortos em Gaza sem que a legenda emitisse qualquer condenação formal.
Conforme reportagem da RT, o debate sobre Gaza tem aprofundado divisões raciais e políticas na África do Sul, país cuja história de apartheid ainda ecoa com força na vida pública. O governo sul-africano, liderado pelo Congresso Nacional Africano (ANC), é um dos mais firmes defensores da causa palestina no cenário internacional.
Foi o governo sul-africano o responsável por acionar o TIJ contra Israel em dezembro de 2023, em ação que projetou o país como referência na defesa do direito internacional humanitário. O caso expõe as fraturas internas da sociedade sul-africana e o desafio das forças políticas liberais em lidar com temas de justiça global.
A crítica de Branken ecoa um sentimento crescente entre setores progressistas de que a neutralidade diante de crimes de guerra equivale à cumplicidade. Especialmente em um país que construiu sua identidade pós-apartheid sobre a rejeição ao racismo estrutural e à opressão colonial.
Com informações de RT.
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