O Partido dos Trabalhadores entrou oficialmente no modo 2026. O manifesto aprovado em seu Congresso Nacional, conforme revelou a Carta Capital, coloca a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro da estratégia e projeta o Brasil como peça-chave na disputa global entre democracia e extrema-direita.
O texto vai além da agenda eleitoral. Ele define que a eleição de 2026 será decisiva não apenas para o país, mas para o campo democrático internacional, citando o avanço da extrema-direita e o impacto da política norte-americana liderada por figuras como Donald Trump. A leitura é clara: o PT vê o Brasil como um polo de resistência democrática num mundo em tensão.
O manifesto aprovado sem a presença de Lula — que se recuperava em São Paulo de dois procedimentos médicos — reforça a ideia de que o partido precisa combinar continuidade e renovação. A ausência do presidente deu ao documento um peso simbólico: o PT se prepara para defender o legado de governo e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novas lideranças.
O texto também faz um aceno calculado ao centro político e ao empresariado nacional. Ao criticar a hegemonia do rentismo e propor uma coalizão entre setor produtivo, classe trabalhadora e movimentos sociais, o partido sinaliza que quer disputar o crescimento econômico com inclusão, não apenas a retórica ideológica. Essa é uma virada pragmática, que mira o eleitorado de 2022 que votou em Lula por estabilidade.
O reflexo de 2022
Em 2022, Lula venceu o segundo turno com 60.345.999 votos válidos, equivalentes a 50,9% do total nacional. Esse número não é apenas uma lembrança eleitoral: é o ponto de partida da estratégia petista. O partido sabe que precisa manter a base popular do Nordeste, mas também reconquistar segmentos urbanos e de classe média que oscilaram no último pleito.
O manifesto, ao falar em transição geracional e em ampliar a presença de mulheres nas instâncias de direção, busca justamente renovar a linguagem política e conectar-se com uma nova classe trabalhadora. A ideia é que o PT não repita o erro de outras siglas que envelheceram junto com seus quadros e perderam capilaridade social. O partido quer institucionalizar a juventude e a diversidade como forças dirigentes, não apenas militantes.
A matemática das alianças
O documento aprovado em Brasília indica que o PT pretende ampliar sua coalizão para além da esquerda tradicional. O plano é atrair setores do empresariado comprometidos com a produção nacional e o desenvolvimento sustentável, numa tentativa de romper a barreira de desconfiança que ainda persiste em parte do mercado. Essa costura é essencial para garantir estabilidade política e econômica em 2026.
Ao mesmo tempo, o texto reforça o papel do movimento sindical e da economia solidária como pilares da reconstrução social. Essa combinação de pragmatismo econômico e mobilização de base é a fórmula que o partido acredita poder repetir o êxito de 2022, quando a unidade progressista foi decisiva para derrotar o bolsonarismo.
Por que isso importa
O manifesto petista não é apenas um roteiro interno. Ele antecipa a narrativa da campanha de reeleição e projeta o Brasil como ator central em um mundo em disputa entre modelos de sociedade. Ao citar Trump e o avanço da extrema-direita global, o texto posiciona Lula como contraponto democrático e soberano dentro do BRICS e da América Latina.
Essa é a linha de continuidade com a política externa de 2023 e 2024, quando o governo brasileiro reaproximou-se de países do Sul Global e defendeu o multilateralismo frente ao unilateralismo dos Estados Unidos. O PT quer transformar essa agenda em ativo eleitoral, mostrando que a soberania internacional se traduz em emprego, tecnologia e dignidade nacional.
Internamente, a proposta de ampliar a participação feminina e a limitação de mandatos internos — cuja formulação detalhada ainda será debatida nas instâncias partidárias — são sinais de que o partido quer evitar o engessamento de sua estrutura. É também um recado ao eleitorado feminino, que foi decisivo em 2022 e tende a ser ainda mais central em 2026.
O cálculo político é simples: manter a base popular, ampliar o diálogo com o centro e consolidar Lula como liderança global capaz de equilibrar a política interna e a geopolítica. O manifesto é o primeiro passo dessa engenharia. O PT não apenas se prepara para uma eleição; prepara-se para reafirmar o papel do Brasil no mundo.
Cenários e dados
Lula obteve 50,9% dos votos válidos no Brasil em 2022, consolidando uma base de mais de 60 milhões de eleitores. O partido defende o fortalecimento da paridade de gênero e a criação de mecanismos de alternância de comando interno, com vistas à renovação política. O PT também propõe uma coalizão ampla com o setor produtivo para enfrentar a hegemonia do rentismo e sustentar o desenvolvimento nacional.
O manifesto, portanto, é mais que um texto partidário: é um mapa de poder. Ele define o tom da disputa de 2026 e projeta o Brasil como epicentro da resistência democrática global. No cenário internacional, o PT aposta que o país pode ser o elo entre desenvolvimento e soberania — e que Lula continua sendo o nome capaz de sustentar essa ponte.
Leia também: Pesquisa confirma que guerra de Trump vira trunfo para Lula e muda cenário para 2026
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Lucas Moreira
27/04/2026
O PT continua vendendo essa narrativa de que o Brasil é peça-chave na disputa global, mas a realidade é que estamos perdendo competitividade enquanto eles aumentam gasto público e criam insegurança jurídica. Se querem mesmo falar em reeleição, que apresentem um plano de reformas estruturais e redução da máquina estatal, não esse discurso ideológico vazio que só afasta investimento estrangeiro. Enquanto isso, a Argentina de Milei já está cortando impostos e desburocratizando — mas o PT prefere ficar criticando Trump em vez de olhar para dentro de casa.
Samara Oliveira
27/04/2026
João Martins, você tocou no ponto certo: cadê os dados concretos? O PT fala bonito sobre democracia e justiça social, mas na prática, a gente vê o povo passando fome enquanto eles gastam energia com disputa ideológica. Como cristã, acredito que política sem amor ao próximo e sem resultados reais é só vaidade. Se querem mesmo combater a extrema-direita, que mostrem na prática como vão tirar o pobre do sufoco, não só com discurso bonito.
João Martins
27/04/2026
John Marshall, você trouxe um ponto interessante ao mencionar Hobbes, mas acho que a nostalgia política que você identifica no manifesto do PT é apenas a superfície do problema. O que me incomoda mais é a falta de dados concretos nessa estratégia. O PT anuncia um “foco na reeleição” e na “disputa global”, mas onde estão os indicadores de que isso vai gerar resultados? O Brasil teve um crescimento de 2,9% do PIB em 2024, segundo o IBGE, o que é mediano para padrões emergentes. Enquanto isso, a dívida pública bruta já ultrapassou 78% do PIB, e o mercado projeta uma inflação acima do centro da meta para 2025. Ficar discursando sobre “defesa da democracia” contra Trump, que nem presidente é mais, parece mais um exercício de marketing político do que uma estratégia econômica viável. Cadê a reforma tributária que realmente simplifique o sistema? Cadê a abertura comercial para reduzir o custo de vida? O manifesto parece um documento de autoajuda partidária, não um plano de governo.
A crítica a Trump, especificamente, me soa como cortina de fumaça. Dados do Departamento de Comércio dos EUA mostram que o comércio bilateral Brasil-EUA cresceu 6% em 2024, mesmo com as bravatas do republicano. Ficar demonizando um líder estrangeiro enquanto a gasolina aqui custa R$ 6,50 em média — segundo a ANP — é um desvio de atenção. O eleitor médio não liga para o que Trump disse no Twitter em 2020; ele quer saber por que o arroz subiu 4% no último mês. O PT está vendendo uma narrativa de “nós contra eles” no cenário global, mas a realidade local é de juros a 14,25% ao ano, que sufocam o consumo e a produção. Se o partido quer mesmo vencer em 2026, deveria apresentar metas quantificáveis de emprego, renda e produtividade, não um discurso geopolítico vazio.
E olha, não sou nem de direita nem de esquerda nessa briga. Sou cético com qualquer narrativa que ignore os números. O próprio Lula, no primeiro mandato, teve crescimento médio de 4,1% ao ano — um feito real, impulsionado pelo superciclo das commodities. Agora, sem esse vento favorável, o discurso de “defesa da democracia” soa como desculpa para não entregar reformas duras. O PT precisa mostrar que aprendeu com os erros do passado, não apenas repetir o manual de 2006 com roupagem nova. Se o foco é reeleição, que venham com propostas de corte de gastos, desburocratização e estímulo ao investimento privado. Do contrário, o debate sobre Trump é só ruído.
John Marshall
27/04/2026
Mariana, você desmontou o argumento com elegância, mas acho que a discussão vai além de Trump. O manifesto do PT, ao colocar a reeleição de Lula como centro e o Brasil como peça na disputa global, me parece um exercício de nostalgia política. Hobbes nos ensinou que o medo de um mal maior (a extrema-direita, no caso) unifica, mas não resolve a crise de legitimidade das instituições. Focar em Trump é fácil; difícil é explicar por que, com o Congresso que temos, qualquer reforma estrutural será um pacto com o diabo.
Silvia Ramos
27/04/2026
Amém, irmãos, que bom ver o PT colocando a família e a fé em primeiro lugar, né? Mas essa história de ficar criticando o presidente Trump, que é um homem de Deus e defensor dos valores cristãos, me preocupa. O Brasil precisa é de mais oração e menos ideologia, como está em Provérbios 14:34, “A justiça exalta as nações, mas o pecado é a vergonha dos povos”. Espero que o Lula foque mesmo é em proteger nossas crianças e nossas igrejas, não em brigas políticas mundanas.
Mariana Ambiental
27/04/2026
Silvia, com todo respeito, mas chamar Trump de “homem de Deus” é ignorar que ele já foi condenado por fraude fiscal, mentiu sobre resultados de eleições e separou crianças imigrantes das famílias delas. Se “defender a família” é apoiar isso, então melhor a gente repensar o que significa justiça de verdade.
Rodrigo Meireles
27/04/2026
Carlos Oliveira, você tem um ponto, mas o problema não é só o sistema. O PT fala de democracia e combate à extrema-direita, mas cadê o pragmatismo? Enquanto eles gastam energia criticando Trump, o Brasil precisa de reformas estruturais, corte de gastos e segurança jurídica para atrair investimento. Reeleição do Lula sem um plano econômico crível é só marketing político.
Carlos Oliveira
27/04/2026
Sgt Bruno, o Brasil afunda na economia porque o sistema é feito pra isso, não porque o PT tá de olho em 2026. Enquanto a gente briga entre nós, os bancos batem recorde de lucro e o povo se vira com a gasolina a 7 reais. Apoiar reeleição do Lula é o mínimo pra não deixar o país virar uma sucursal do caos que o Trump representa.
Sgt Bruno 🇧🇷
27/04/2026
PT já pensando em 2026 e o Lula como salvador da pátria de novo. Enquanto isso, o Brasil afunda na economia e eles só sabem criticar Trump e falar em democracia, mas esquecem que aqui mesmo tem corrupção e desgoverno. Selva!
Cecília Silva
27/04/2026
Helton, falar em “defesa da família” enquanto o preço do feijão só sobe e a fila do SUS não anda é discurso de quem nunca precisou pegar ônibus lotado pra ir trabalhar. O tal “coração” do Trump que você admira é o mesmo que chama imigrante de lixo e quer acabar com políticas sociais. Aqui na favela a gente sabe bem o que é ter coragem de verdade: é acordar 5h da manhã pra sustentar filho sem deixar a dignidade morrer.
Helton Barros
27/04/2026
Beto Engenheiro, o problema é justamente esse: o PT só sabe falar em “defesa da democracia” quando o Lula tá na cadeira, mas na hora de defender a família, a propriedade privada e os valores cristãos, eles fazem vista grossa. Esse tal de Trump pelo menos tem coragem de enfrentar a militância globalista que quer destruir a nossa civilização. Enquanto isso, o Brasil fica refém de um partido que trata o aborto e a ideologia de gênero como pauta secundária. Reeleição do Lula é o fim da picada para quem ainda acredita em Deus e na Pátria.
Beto Engenheiro
27/04/2026
Pois é, Paula e José, mas o que me irrita nesse manifesto é que ele fala de “defesa da democracia” e “combate à extrema-direita” como se isso fosse obra de engenharia. Cadê os projetos de infraestrutura? Cadê as concessões, as ferrovias, as rodovias que precisam sair do papel? Enquanto ficam nessa briga de narrativa internacional, o Brasil real continua com obra parada e licitação emperrada. Reeleição se conquista com concreto, não com discurso.
Paula Santos
27/04/2026
José, você tem toda razão — a briga de narrativas não enche o tanque nem põe comida na mesa. Mas acho que a gente precisa de um olhar equilibrado: o PT erra quando foge dos problemas internos, mas ignorar o que acontece no mundo também é perigoso. O que Trump representa ameaça valores cristãos e a própria estabilidade das democracias, e o Brasil não pode ficar alheio a isso. O desafio é cobrar resultados aqui dentro sem cair no extremismo de achar que política externa é só distração.
José dos Santos
27/04/2026
Pois é, Ricardo, você tocou num ponto que ninguém quer encarar: enquanto tão nessa novela de 2026 e briga de ego entre Lula e Trump, quem tá na rua todo dia vendo o preço da gasolina subir de novo e o arroz batendo em 30 conto. Quero saber é de estabilidade pra trabalhar, não de discurso de palanque.
Lurdinha Deus Acima de Todos
27/04/2026
Gente, pelo amor de Deus, vão fechar as igrejas e esse povo preocupado com reeleição do Lula! 🇧🇷🙏 Acorda Brasil, o Apocalipse já chegou e tão discutindo política externa!
Ricardo Almeida
27/04/2026
Lurdinha, o Apocalipse chega todo ano desde que me entendo por gente — mas enquanto ele não vem, a política externa e a interna seguem definindo se a conta de luz vai subir ou se o pão vai ficar mais caro. Se o problema é espiritual, ótimo, mas a economia e a segurança pública não se resolvem com aleluia.
Carlos A. Mendes
27/04/2026
Cíntia, acho que você foi certeira. Esse papo de “ameaça externa” sempre rende bem em campanha, mas a real é que o PT precisa mostrar serviço aqui dentro antes de sair salvando o mundo. Trump é um desastre, concordo, mas se o Lula não entregar na economia e na segurança, o discurso contra a extrema-direita não segura o eleitorado.
Cíntia Alves
27/04/2026
Sandra e Ana Paula, vocês levantam um ponto que merece reflexão: será que o PT não está mesmo usando o bode expiatório internacional pra desviar o foco de problemas internos? Mas também acho perigoso reduzir tudo a “defesa da família” sem contextualizar que a pauta moral tem sido instrumentalizada por políticos que, convenhamos, não são exatamente exemplos de integridade. O Brasil precisa de debate substantivo, não de guerra cultural vazia.
Ana Paula Conserva
27/04/2026
Sandra, a questão não é essa. O PT pode até falar de Trump e extrema-direita, mas na prática defende pautas que destroem a família e a moral cristã. Enquanto isso, o Brasil precisa de ordem e respeito aos valores que sempre nos guiaram.
Sandra Martins
27/04/2026
Sandra, Paraná: Luciana, você tocou num ponto que me incomoda como cristã. Esse negócio de “extrema-direita internacional” soa bonito no papel, mas me pergunto se o PT não está usando a ameaça externa pra esconder os próprios erros internos. A Bíblia nos ensina a vigiar os falsos profetas, e isso vale tanto pra direita quanto pra esquerda. Oração e discernimento são o que nos falta nesse momento.
Luciana Costa
27/04/2026
Fernanda, seu ponto sobre Keynes é justo, mas a questão é que o PT está tentando navegar um cenário onde a polarização global já não permite mais o luxo de ignorar a extrema-direita internacional. O manifesto pode soar grandioso, mas ignorar Trump e o trumpismo seria um erro estratégico ainda maior do que focar demais neles. O problema é saber se esse discurso vai se traduzir em política econômica concreta ou ficar só no plano das intenções.
Fernanda Oliveira
27/04/2026
Pedro, você citou Keynes, mas acho que esqueceu de mencionar que o próprio Keynes era um liberal que defendia intervenção estatal em momentos de crise — não exatamente o socialismo que o PT tenta vender. O manifesto do partido fala em “disputa global entre democracia e extrema-direita”, mas convenhamos: chamar qualquer oposição de extrema-direita é um atalho retórico que evita discutir os próprios fracassos na segurança pública e na gestão fiscal. Se Lula quer ser peça-chave na geopolítica, que comece mostrando resultado em casa, não só discurso de palanque.
Rick Ancap
27/04/2026
Marcos Andrade, você deve estar no terceiro copo de suco de laranja achando que geopolítica paga conta de luz. Lula tá preocupado com Trump enquanto o Brasil vira Argentina 2.0 na economia. Mas é isso, continuem nessa fantasia de estadista global enquanto o real derrete.
Pedro Almeida
27/04/2026
Rick, você faz a velha confusão liberal entre política econômica e conjuntura internacional — como se a geopolítica fosse um luxo e não a moldura que determina se o real afunda ou não. Keynes já dizia que as ideias dos economistas e filósofos políticos, tanto quando estão certas quanto quando erradas, são mais poderosas do que comumente se entende; ignorar a correlação de forças globais é que é o verdadeiro devaneio de quem acha que planilha de Excel substitui análise de poder.
Marcos Andrade Niterói
26/04/2026
Lucas Pinto, você foi cirúrgico. O PT não está “distraído” com Trump — está olhando pro tabuleiro real. Enquanto a direita brasileira repete discurso de coach de mercado, Lula entende que 2026 será decidido na geopolítica, não na planilha de Excel do Guedes. Quem acha que manifesto contra extrema-direita é “perda de tempo” não entendeu que o fascismo global usa o bolso pra chegar ao poder.
Lucas Pinto
26/04/2026
Tadeu, você tocou no ponto mais incômodo quando diz que o “ruído político” derruba o mercado. Mas a questão é que esse suposto ruído não é um acidente de percurso — é a própria essência do jogo político burguês. O PT, ao colocar a reeleição de Lula como centro do manifesto, está operando dentro da gramática da democracia liberal, que é a mesma gramática que permite a ascensão de figuras como Trump. Gramsci já nos ensinava que a hegemonia se conquista nos aparelhos privados de hegemonia — e o que o PT faz ao mirar 2026 é justamente tentar manter a hegemonia dentro do bloco histórico do capitalismo dependente brasileiro, sem questionar as estruturas que geram a inflação e o câmbio desfavorável.
O manifesto que a Carta Capital noticiou é um documento sintomático. Enquanto aponta para a “ameaça Trump” como um problema externo, silencia sobre como o próprio PT, nos governos anteriores, aprofundou a financeirização da economia e a dependência do agronegócio — setores que hoje alimentam a extrema-direita local. O discurso da “defesa da democracia” vira um fetiche quando não vem acompanhado de uma crítica radical ao capitalismo que produz a desigualdade que alimenta o fascismo. Foucault nos mostraria como o poder disciplinar opera também na esquerda institucional: o PT disciplina seus militantes a aceitarem a pauta eleitoral como horizonte único, enquanto a vida real da classe trabalhadora se deteriora.
O Fernando O. tem razão em parte: o PT parece não ter saído do palanque de 2022. Mas o erro dele é achar que isso é um desvio tático. Na verdade, é a lógica do partido presidencialista dentro de um Estado burguês. A reeleição de Lula não é um fim em si mesmo — é a condição para que a hegemonia neoliberal se mantenha com uma face social-democrata, evitando que a crise se resolva pela via revolucionária. Enquanto isso, o IPCA-15 e o dólar alto são a materialização da luta de classes: o capital internacional não quer nem Lula nem Bolsonaro, quer um governo que garanta a taxa de lucro sem sobressaltos.
O que me irrita profundamente nessa thread é a falsa polarização. O Luan e a Luisa defendem o PT como se fosse a única barreira contra o fascismo, mas esquecem que o fascismo é uma resposta do capital à crise de hegemonia. Se o PT não enfrentar as causas estruturais — a concentração de renda, a financeirização, a dependência externa —, a extrema-direita continuará tendo terreno fértil. O manifesto de 2026 deveria ser sobre como romper com o neoliberalismo, não sobre como gerenciar a crise dentro da ordem. Enquanto a esquerda institucional tratar Trump como um desvio moral e não como um sintoma do capitalismo em crise, estaremos apenas trocando farpas enquanto o barco afunda.
Tadeu
26/04/2026
Pessoal, essa briga de “quem é mais culpado” entre PT e Bolsonaro já cansou. Enquanto os dois lados trocam farpas, o IPCA-15 não dá trégua e o real desaba frente ao dólar. Quem tem ação na bolsa ou dinheiro em renda fixa sabe que o que derruba o mercado é esse ruído político eterno, não discurso de manifesto. Foco em 2026? Que tal focar em entregar um arcabouço fiscal crível primeiro?
Fernando O.
26/04/2026
Luan, o problema é que o PT nunca saiu do palanque de 2022. Enquanto eles escrevem manifesto sobre a “ameaça Trump”, o Brasil perdeu o boné do agronegócio, a reforma tributária virou pizza e o arcabouço fiscal já nasceu furado. Governar é escolher prioridade, e a deles continua sendo fazer barulho pra galera de esquerda bater palma, não entregar resultado pra quem paga conta.
Luan Silva
26/04/2026
Eduardo, para de pagar de isentão. O PT tá no poder há 2 anos, mas o desastre que o Bozo deixou não some em 24 meses. Enquanto isso, vocês tão mais preocupados em lacrar contra o Lula do que em olhar pro Trump querendo engolir o mundo. Faz o L nunca mais? Faz o 22 de novo não, viu.
Eduardo Teixeira
26/04/2026
Luisa, com todo respeito, mas essa culpa no sistema global não paga conta de luz. O PT está há dois anos no poder e a inflação dos alimentos não cede. Enquanto eles gastam energia com manifesto contra Trump, o Brasil perde competitividade, o emprego informal cresce e a carga tributária continua sufocando quem produz. Reeleição se conquista com reformas que destravam a economia, não com geopolítica de palanque.
Evelyn Olavo
26/04/2026
Luciana, você resumiu bem o que muita gente pensa. O PT parece estar mais preocupado em posar de salvador da democracia mundial do que em garantir que o brasileiro tenha dinheiro no bolso no fim do mês. Enquanto eles fazem discurso contra Trump, o cidadão comum tá vendo o custo de vida subir e se perguntando se vai conseguir pagar as contas.
Luisa Teens
26/04/2026
Evelyn, o problema é que vocês acham que dar visibilidade pra Trump e pra crise climática é “posar de salvador”, mas esqueceram que o arroz caro e a conta de luz são culpa justamente desse sistema que ele representa, e não do PT falar sobre ele. #ForaBolsonaro
Luciana Santos
26/04/2026
Pois é, Marina, o PT acha que vai ganhar 2026 falando de Trump e democracia, mas o povo quer saber é do preço do feijão e do gás. Enquanto isso, os caras tão mais preocupados em fazer manifesto contra a extrema-direita global do que em resolver o básico aqui dentro. Vai entender.
Marina Costa
26/04/2026
Cecília, você tem toda razão. O PT fala em geopolítica e “defesa da democracia”, mas o que a gente vê é o preço do arroz subindo, a conta de luz mais cara e o governo gastando rios de dinheiro com pautas que não enchem o prato de ninguém. Enquanto isso, o brasileiro honesto que paga imposto vê a esquerda tratando a família tradicional como inimiga e chamando de “extrema-direita” qualquer um que queira trabalhar sem ser sufocado pelo Estado. O Brasil precisa de ordem, trabalho e moralidade, não de discurso vazio de partido que já mostrou a que veio.
Maria Antonia
26/04/2026
Rubens, seu causo de 2014 é real — e o que mudou não foi só o governo, foi o mundo. O PT agora quer colocar a reeleição de Lula como antídoto ao trumpismo, mas esquece que o brasileiro médio não liga pra geopolítica; ele quer saber se o preço do café vai caber no orçamento. Enquanto o partido faz manifesto contra a extrema-direita global, a conta de luz e o arroz continuam subindo aqui dentro. Foco errado, como sempre.
João Augusto
26/04/2026
Maria Antonia, você toca num ponto que Gramsci chamaria de crise de hegemonia: o PT insiste em disputar o terreno da geopolítica global enquanto perde a batalha da “guerra de posição” no cotidiano — o preço do café e a conta de luz são a trincheira onde a esquerda brasileira insiste em não cavar.
Mariana Alves
26/04/2026
Maria Antonia, você põe o dedo numa ferida que o PT insiste em ignorar com uma mistura de voluntarismo e nostalgia. A aposta no antipetismo como antídoto ao trumpismo é, no mínimo, um equívoco teórico grave. Gramsci, que o João Augusto lembrou bem, nos ensina que a hegemonia não se conquista com manifestos ou alianças geopolíticas — ela se constrói na vida material, nos preços, na escola, no transporte. Quando o partido gasta capital político discursando contra Trump enquanto a inflação de alimentos corrói o salário mínimo, ele não está fazendo política internacional; está, na verdade, cedendo o terreno da luta de classes cotidiana à direita, que entende muito bem que a guerra se ganha no supermercado, não no palanque da ONU.
O problema não é o diagnóstico correto sobre o avanço da extrema-direita global, mas a crença de que a reeleição de Lula, por si só, funciona como um escudo mágico contra esse fenômeno. O bolsonarismo não é um acidente de percurso que se corrige com a volta do “verdadeiro líder”; ele é a expressão política de um capitalismo em crise, que produz subjetividades reacionárias mesmo em governos progressistas. Enquanto o PT tratar a disputa eleitoral como um plebiscito entre Lula e Trump, vai continuar perdendo a guerra de posição nos bairros periféricos, onde o morador não está nem aí para o que o presidente americano tuitou — ele quer saber por que o óleo de soja subiu 20% no último mês.
O que me preocupa é que essa estratégia repete o erro de 2014, quando o partido acreditou que a hegemonia petista era inabalável e negligenciou a construção de mediações concretas com a base. Hoje, o discurso anti-imperialista vazio, sem ancoragem nas condições materiais do trabalhador, soa como retórica de gabinete. Se o PT quer realmente ser antídoto ao trumpismo, precisa deixar de fazer campanha para a “comunidade internacional” e começar a disputar o orçamento doméstico: controle de preços, taxação de grandes fortunas, reforma agrária que barateie a comida. Enquanto o partido fizer da geopolítica um fim em si mesmo, a direita vai continuar vencendo na única trincheira que importa — a da mesa do pobre.
Cecília Ramos
26/04/2026
Maria Antonia, mas será que o brasileiro médio não liga pra geopolítica ou o PT que não consegue traduzir o trumpismo em algo concreto na mesa do povo? A conta de luz alta e o arroz caro são sim fruto de um sistema que o trumpismo globaliza — o problema é que o partido fala em inglês quando deveria gritar em português sobre justiça social.
Eduardo Nogueira
26/04/2026
Zé do Povo falou verdades e já levou textão de quem acha que militância paga conta. O PT quer reeleição pra continuar transformando o agro em vilão enquanto o MST invade terra produtiva. Brasil peça-chave na disputa global? Só se for pra importar inflação e exportar soberania.
Augusto Silva
26/04/2026
Eduardo, você confundir recorde de safra com “vilania do agro” é um erro de quem acha que PIB do setor cresce sozinho sem crédito do BNDES e política de preço mínimo que o PT sempre defendeu. O Brasil não importa inflação, importa tecnologia e exporta soja — e quem paga a conta da sua soberania imaginária é o trabalhador que come ovo enquanto o agro fatura em dólar.
Renato Professor
26/04/2026
Eduardo, quando você diz que o PT “transforma o agro em vilão”, esquece que o recorde de safra que você celebra foi irrigado por crédito do BNDES e política de preço mínimo que o próprio PT defendeu — sem isso, o agro vira latifúndio especulativo, não motor da economia. E sobre “importar inflação”: o Brasil importa é tecnologia e fertilizante, mas exporta soja e minério a preço de banana enquanto a elite drena o lucro pra Miami — isso sim é soberania que se exporta.
Rubens O Pescador
26/04/2026
Eduardo, vou te contar um causo: em 2014, aqui no interior, o povo enchia o carrinho no mercado e ainda sobrava pra uma carne boa no domingo. Hoje, com esse discurso de que o agro é vítima, o trabalhador tá escolhendo entre ovo e arroz. O PT erra, sim, mas a comida na mesa do pobre nunca foi piada de militante — era realidade, e isso ninguém apaga.
Adriana Silva
26/04/2026
Faz o L pra quê, pra continuar vendo o Brasil virar uma Cuba tropical? Esse manifesto do PT é só cortina de fumaça pra esconder o aparelhamento do Estado e o desprezo pelo trabalhador de verdade. Vai pra Cuba, Lula!
João Silva
26/04/2026
Adriana, essa comparação com Cuba já virou clichê raso que substitui análise. O problema do Brasil não é virar Cuba, é continuar sendo um dos países mais desiguais do planeta enquanto a elite repete esses mantras pra não discutir reforma tributária ou salário mínimo decente.
Jeferson da Silva
26/04/2026
Adriana, desce da nuvem e pisa no chão da fábrica. Cuba não paga hora extra nem tem sindicato livre, mas o Brasil que você defendeu nos últimos anos é o que arrochou a CLT e jogou o trabalhador no aplicativo sem direito a nada. Esse papo de “aparelhamento” é cortina de fumaça pra não encarar que o desprezo pelo trabalhador de verdade veio com o governo que você apoiou.
Zé do Povo
26/04/2026
PT MIRA 2026? KKKKK ESSE PARTIDO JÁ ERA! LULA SÓ QUER SE AGARRAR NO PODER E ENCHER O RABO DE DINHEIRO ENQUANTO O POVO PASSA FOME! FORA PT! 😡🔥
Luizinho 16
26/04/2026
zé do povo, vai tomar no cu com esse papinho de bot, o problema não é o lula encher o rabo de dinheiro, é o seu bolsonaro que já encheu o dele e o dos filhos enquanto o povo morria de covid, seu alienado.
Mariana Oliveira
26/04/2026
Zé do Povo, eu entendo sua indignação — ela é legítima e nasce de um cansaço real com promessas não cumpridas e com a sensação de que a política é um circo onde o povo sempre sai perdendo. Mas preciso te convidar a desconfiar desse grito que, no fundo, só alimenta o ciclo que você critica. Reduzir a discussão a “Lula quer se agarrar no poder” é ignorar que o poder no Brasil nunca foi distribuído de forma justa, e que a raiva contra o PT muitas vezes serve de cortina de fumaça para quem sempre se beneficiou do Estado mínimo para os pobres e máximo para os ricos. Kimberlé Crenshaw, ao falar de interseccionalidade, nos lembra que as opressões não agem sozinhas: a fome que você menciona atinge desproporcionalmente mulheres negras e periféricas, e não é um governo sozinho que vai resolver isso, mas sim a disputa por um projeto de país que enfrente o racismo estrutural e a concentração de renda. O PT errou, sim, e bell hooks já nos alertava que o amor político não pode ser cego às falhas, mas também não pode nos paralisar diante do fascismo que se traveste de “anti-sistema”.
Seu grito de “FORA PT” ecoa o mesmo tom de quem, em 2018, elegeu um projeto que, em vez de combater a fome, aprofundou o desmonte das políticas de segurança alimentar e jogou o Brasil de volta ao Mapa da Fome. Não estou dizendo que o PT é salvação — longe disso. Mas a história nos ensina que a alternância de poder sem consciência crítica só troca a máscara do opressor. Enquanto você solta fogos contra Lula, o Congresso aprova reformas que retiram direitos de quem mais precisa, e a extrema direita se fortalece com discursos de ódio que nunca colocam comida na mesa de ninguém. A pergunta que fica é: quem realmente se beneficia com essa polarização rasa? Não é o povo que passa fome, pode ter certeza.
Márcio Torres
26/04/2026
Zé do Povo, sua indignação é ruidosa, mas carece de lastro empírico. Quando você diz que o PT “já era” e que Lula quer “encher o rabo de dinheiro”, está repetindo um mantra que ignora dados concretos. O governo Lula (2023-2025) reduziu a pobreza extrema em 40%, segundo o Ipea; o desemprego caiu para 6,6% — o menor patamar desde 2012; e o Bolsa Família voltou a atender 21 milhões de famílias, com valor médio real superior ao de 2014. Se isso é “passar fome”, precisamos redefinir o dicionário. O problema não é Lula “se agarrar ao poder”, é a direita brasileira ter transformado a política num ringue de vale-tudo onde fact-checking virou artigo de luxo.
Você berra “FORA PT” como se o partido fosse o único responsável pela miséria que assola este país. Mas vamos aos fatos: em 2016, o impeachment de Dilma Rousseff — uma presidente reeleita com 54 milhões de votos — foi um golpe parlamentar que jogou o Brasil numa recessão de 3,5% do PIB em 2016, com desemprego disparando para 12%. Quem governou depois? Temer e Bolsonaro. O resultado foi uma década perdida: a renda per capita brasileira só voltou ao nível de 2013 em 2023. O PT errou, sim — cometeu alianças espúrias, teve casos de corrupção que não podem ser varridos para debaixo do tapete. Mas reduzir a história a “Lula ladrão” é negar que a Lava Jato foi um lawfare seletivo, como demonstrou o vazamento das mensagens do Telegram pelo Intercept.
Sua raiva, Zé, é compreensível: o Brasil é um país onde o 1% mais rico concentra 28% da renda nacional, e a política sempre serviu aos de cima. Mas direcionar essa fúria contra um governo que aprovou a reforma tributária (que taxa dividendos dos super-ricos) e reajustou o salário mínimo acima da inflação (ganho real de 6,8% em 2024) é um erro de cálculo político. O verdadeiro “aparelhamento” é o que você talvez não veja: o Estado brasileiro sempre foi capturado por oligarquias rurais, bancos e empreiteiras — o PT tentou, ainda que de forma imperfeita, redistribuir um pouco disso. Seu grito de “fora PT” só fortalece quem quer desmontar o SUS, a educação pública e os direitos trabalhistas. Pense nisso antes de dar like no próximo meme.
Zé Trovãozinho
26/04/2026
Esse manifesto do PT é só mais do mesmo: promessa de um lado, aparelhamento do Estado de outro. Enquanto isso, o brasileiro médio continua pagando a conta de um governo que gasta sem controle e culpa a direita por tudo. Lula já mostrou que não tem projeto além de se manter no poder, e ficar repetindo “ameaça fascista” não põe comida na mesa de ninguém.
João Batista
26/04/2026
Zé Trovãozinho, meu irmão, você reclama que “ameaça fascista não põe comida na mesa”, mas esquece que a Bíblia nos ensina em Provérbios 29:2: “Quando os justos governam, o povo se alegra; quando os ímpios dominam, o povo geme.” Aparelhamento mesmo é o que vimos nos governos passados, onde o Estado servia banquete pra elite enquanto o trabalhador passava fome. Lula não é perfeito, mas botar a culpa nele por tudo é querer lavar as mãos como Pilatos.
João Carlos da Silva
26/04/2026
Zé Trovãozinho, você tem razão ao apontar que discurso vazio não enche barriga, mas reduzi-lo a “aparelhamento” e “gasto sem controle” é ignorar que o Estado brasileiro sempre serviu a elites — a pergunta que Foucault nos deixou é: quem realmente se beneficia desse “controle” que você defende?
Carlos Mendes
26/04/2026
Ronaldo, sentar na mesa com sindicalista e empresário amigo do governo não é “classe trabalhadora representada”, é cartel. Enquanto isso o Brasil perde mercado pra Argentina do Milei, que cortou gasto e desburocratizou. O PT quer vender 2026 como guerra ideológica pra esconder que a economia não deslanchou.
Francisco de Assis
26/04/2026
Carlos, o senhor citar a Argentina do Milei como exemplo é dose — o país tá com inflação nas alturas, pobreza explodindo e o povo se virando com os cortes, enquanto aqui a economia gerou emprego formal recorde e o agro bateu exportação histórica. Guerra ideológica? É só abrir os olhos pra ver que o Brasil cresce com inclusão social, não com motosserra.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Carlos, permita-me discordar com a solidez de quem leu Althusser e Mariátegui antes de abrir o jornal de hoje. Você chama de “cartel” o que Gramsci chamaria de hegemonia em disputa: a capacidade de um bloco histórico de incorporar frações das classes dominadas e dirigentes em um projeto nacional-popular. Quando Lula senta sindicalistas e empresários na mesma mesa, ele não está criando um cartel — está, na prática, tentando administrar a contradição inerente ao capitalismo dependente brasileiro, algo que Florestan Fernandes já denunciava como a “revolução burguesa” inconclusa. O problema não é a mesa, é a correlação de forças: enquanto o capital financeiro ditar o teto de gastos e o arcabouço fiscal, o espaço para o trabalhador na mesa é sempre subordinado. Mas negar que houve avanço é negar a realidade dos números do emprego formal que o Francisco citou.
Agora, sobre a Argentina do Milei: você caiu no conto da motosserra. O que o Milei fez foi uma desvalorização cambial violenta que transferiu renda dos assalariados para o agronegócio exportador, enquanto corta subsídios que mantinham pobres vivos. Inflação de 200% ao ano não é “desburocratização”, é desintegração social. O Brasil perde mercado? Depende de qual mercado. O Mercosul perdeu relevância porque a direita argentina optou por alinhamento automático aos EUA, não porque o PT seja “ideológico”. O que o PT quer vender em 2026 não é guerra ideológica — é a constatação material de que a extrema-direita, de Trump a Milei, representa um projeto de desmonte do Estado que condena a periferia ao papel de mero exportador de commodities sem nenhuma soberania. A economia não “deslanchou” porque o capitalismo brasileiro tem um teto estrutural: juros reais de 7% ao ano, câmbio sobrevalorizado pelo sistema financeiro, e uma dívida pública que alimenta rentistas. Isso não se resolve com “corte de gasto”, como você sugere, mas com reforma tributária progressiva e controle de capitais — pautas que o PT, infelizmente, ainda não abraçou com a radicalidade que Mariátegui exigiria.
Por fim, Carlos, você fala em “perder mercado” como se a economia fosse um jogo de tabuleiro onde todos ganham se jogarem as mesmas regras. Isso é ideologia liberal pura, e o senhor sabe disso. O que está em jogo em 2026 é se o Brasil continuará a ser uma economia dependente, com sua classe trabalhadora pagando a conta das crises cíclicas do capital, ou se terá a ousadia de construir um projeto nacional que inclua os de baixo. O PT erra, sim — erra por não romper de vez com o neoliberalismo, por manter a âncora fiscal e por não enfrentar o sistema financeiro. Mas entre um governo que erra por timidez e um que erra por motosserra, a escolha é de classe. E a sua defesa do Milei, ainda que indireta, revela de que lado o senhor está na luta de classes.
Cristina Rocha
26/04/2026
Carlos, meu caro, você comete um erro epistemológico grave ao reduzir a política econômica a uma disputa de planilhas de exportação e ao mesmo tempo celebrar o “milagre” argentino do Milei. Vamos aos fatos: a Argentina de Milei não cortou gastos, ela desmantelou o Estado de bem-estar social — congelou aposentadorias, demitiu 70 mil servidores públicos, suspendeu a merenda escolar e a distribuição de medicamentos. O resultado? A pobreza saltou de 40% para 57% da população em seis meses, segundo o Observatório da Dívida Social Argentina. Isso não é desburocratização, é barbárie neoliberal levada às últimas consequências. E o Brasil “perde mercado”? Perde para quem? Para uma Argentina que importa menos porque o povo não tem dinheiro nem para comer? O agronegócio brasileiro bateu recorde de exportação exatamente porque o Brasil manteve políticas de distribuição de renda que sustentam o consumo interno e a demanda por commodities.
Agora, sobre seu ponto do “cartel”: você usa o termo como se fosse autoexplicativo, mas ele carrega uma carga ideológica que precisa ser desmontada. O que você chama de cartel é o que a teoria política chama de hegemonia em disputa. O PT, ao sentar sindicalistas e empresários na mesma mesa, não está criando um conluio — está tentando construir um bloco histórico capaz de mediar contradições de classe. Isso não é perfeito, longe disso. Mas é a alternativa real à política de terra arrasada que vocês da direita propõem, onde o Estado se retira e o capital privado dita as regras sem nenhuma contrapartida social. A economia não deslanchou como gostaríamos? Concordo. Mas isso não se deve a uma suposta “guerra ideológica” — deve-se a uma herança maldita de 2016, quando um golpe parlamentar rasgou a Constituição, e a uma pandemia que desorganizou cadeias produtivas globais. O PT não está escondendo nada; está tentando reconstruir o país com as mãos amarradas por um Congresso dominado pelo centrão e por um sistema financeiro que nunca aceitou perder privilégios.
Por fim, Carlos, você precisa refletir sobre o que significa “guerra ideológica” nesse contexto. Toda política econômica é ideológica — a sua também. Quando você defende cortes de gastos e desburocratização, está defendendo um projeto de sociedade onde o Estado mínimo deixa os mais vulneráveis à própria sorte. O PT, ao contrário, propõe um Estado que regule, distribua e proteja. Não é cartel, é democracia substantiva — aquela que não se limita ao voto a cada quatro anos, mas que garante direitos materiais no dia a dia. Se a economia não deslanchou, a culpa não é da “guerra ideológica” que o PT supostamente inventou. A culpa é de um modelo econômico que, desde o impeachment de Dilma, privilegiou o rentismo e o ajuste fiscal em detrimento do investimento público e da geração de emprego de qualidade. 2026 será, sim, uma guerra ideológica — porque a alternativa é o Milei tropicalizado que vocês tanto admiram. E aí, a conta vai chegar para quem?
Major Ricardo Silva
26/04/2026
Mais um manifesto cheio de firula ideológica do PT, falando em “democracia contra extrema-direita” enquanto eles mesmos aparelham o Estado e blindam corruptos. O Lula já mostrou que 2026 não é sobre o Brasil, é sobre manter o projeto de poder deles às custas do nosso dinheiro. Se querem falar de ameaça à democracia, olhem pra dentro de casa primeiro.
Ronaldo Pereira
26/04/2026
Major Ricardo, o senhor fala em aparelhamento, mas a verdade é que o Estado sempre foi ocupado pelos interesses do capital — a diferença é que com Lula a classe trabalhadora sentou na mesa. Enquanto a direita aplaude a reforma trabalhista que sangrou direitos, o PT, com todos os defeitos, ainda é o único que coloca o povo no orçamento. E sobre corrupção: por que o senhor não pergunta ao seu candidato onde ele escondeu o dinheiro das vacinas?