O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), revelou indícios de exploração sexual e possível tráfico internacional de pessoas em festas organizadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento indica que esses eventos faziam parte da rede de relações políticas e empresariais mantida pelo banqueiro, envolvendo inclusive autoridades públicas.
De acordo com o Diário do Centro do Mundo, o relatório sustenta que Vorcaro teria admitido em mensagens trocadas com sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff, que as festas integravam seu próprio negócio. O texto aponta que o banqueiro teria promovido cerca de 300 eventos desse tipo, o que reforça a suspeita de uma estrutura organizada de exploração sexual.
As investigações se basearam em informações compartilhadas pela CPMI do INSS, que obteve acesso a um grande volume de dados extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro. O material inclui aproximadamente 400 gigabytes de arquivos, entre vídeos, mensagens, documentos e imagens de passaportes de mulheres estrangeiras, inclusive europeias, além de registros de festas em Brasília e Trancoso, na Bahia.
Para o relator Vieira, o conteúdo analisado levanta suspeitas de crimes ligados ao tráfico internacional de pessoas e à exploração sexual. A suspeita se apoia especialmente nas condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas.
O parlamentar destacou que o caso amplia o escopo da CPI, que antes se concentrava nas suspeitas de fraudes financeiras e relações políticas em torno do Banco Master. A inclusão de possíveis crimes sexuais representa uma virada significativa nas investigações.
O relatório também descreve o ambiente de pressão e resistência institucional enfrentado pela comissão durante os trabalhos. Vieira afirmou que houve flagrante limitação de recursos e enormes barreiras políticas e institucionais quando as investigações começaram a atingir figuras influentes da República. Essa declaração ajuda a explicar o tom contundente do texto final, que combina acusações criminais, críticas à falta de cooperação e pedidos de responsabilização de autoridades públicas.
Até o momento, o documento ainda precisa ser votado pelos demais parlamentares da comissão. Essa votação definirá se as conclusões serão encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.
A eventual aprovação poderá abrir uma nova frente de apuração sobre o papel de empresários e agentes públicos nas redes de poder e influência reveladas pela CPI. O caso Banco Master, que já vinha sendo investigado por supostas irregularidades financeiras, ganha agora contornos mais graves com a inclusão de possíveis crimes de exploração sexual e tráfico humano.
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