O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu adiar a sabatina da próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal e colocou o Palácio do Planalto diante de um impasse sem precedentes recentes na relação entre os Poderes.
Ao empurrar a análise para depois das eleições municipais, o senador aposta que uma vitória da direita lhe renderá força política suficiente para permanecer no comando da Casa em 2027. O cálculo envolve garantir o apoio do núcleo bolsonarista no Senado, representado publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro, que tem protagonizado gestos de confronto com o Supremo no plenário.
Alcolumbre já sinalizou a aliados que pretende condicionar qualquer avanço à composição da futura correlação de forças no Congresso. Ele transfere para a disputa eleitoral a definição de um posto estratégico na mais alta corte do País, segundo o portal Metrópoles.
No Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentam que a demora fragiliza a governabilidade. Eles insistem para que ele envie o nome ao Senado imediatamente.
O risco calculado pelo Executivo é ver o indicado aguardando meses na gaveta da Comissão de Constituição e Justiça sem qualquer perspectiva de votação. A indefinição prolonga a incerteza sobre a composição do tribunal.
Ao avaliar possíveis nomes, a equipe política de Lula trabalha com a possibilidade de indicar uma jurista mulher. Em mais de um século e meio de história, o STF contou apenas com três ministras.
Essa lacuna poderia ganhar relevância eleitoral junto ao público feminino e criar pressão simbólica sobre o Senado. A escolha de uma candidata com reconhecida trajetória acadêmica e experiência em cortes superiores colocaria Alcolumbre numa posição delicada.
Ele seria obrigado a explicar publicamente por que retém uma sabatina sem objeções técnicas aparentes. O movimento exporia os interesses de bastidor que movem o adiamento, tornando o custo político da manobra mais alto.
Para setores progressistas do Senado, a estratégia do presidente da Casa avança por terreno perigoso. Ela transforma uma prerrogativa constitucional — votar indicações de ministros — em instrumento de negociação voltado à reeleição interna.
O precedente aberto poderia estimular futuras barganhas do mesmo tipo, corroendo a normalidade institucional do processo de composição do tribunal. Ministros do STF acompanham o impasse com expectativa de que a vaga seja preenchida antes de uma vacância prolongada.
A indefinição sobre o calendário da sabatina adiciona incerteza a um tribunal que já opera com pauta densa e decisões de alto impacto político. Interlocutores de Alcolumbre rebatem afirmando que o Senado tem autonomia regimental para definir seu próprio calendário.
Em conversas reservadas, porém, os mesmos interlocutores reconhecem que o cálculo principal é político, não técnico. Isso contradiz o argumento público apresentado pela liderança da Casa.
Além do impacto institucional imediato, o impasse expõe a consolidação do bolsonarismo como bloco de pressão capaz de influenciar decisões na cúpula do Congresso. O reposicionamento desse grupo em torno de uma agenda de confronto com o Supremo encontra, na manobra de Alcolumbre, um canal de expressão dentro das próprias regras do jogo institucional.
Se Lula optar por enviar o nome nos próximos dias, o País poderá assistir a um teste direto de resistência entre Poderes. De um lado, o Executivo exercendo o direito constitucional de indicar; de outro, o Senado ampliando sua prerrogativa de deliberar quando e como lhe convém.
O desfecho desse embate definirá não apenas a composição do STF, mas o grau de autonomia que o Legislativo está disposto a reivindicar frente ao governo Lula no segundo semestre do mandato.
Leia também: Para Alcolumbre, demora no envio de indicação ao STF é tentativa de mudar cronograma no Senado
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Nadia Petrova
04/05/2026
Mais um capítulo da novela “toma-lá-dá-cá” institucional brasileira. Alcolumbre usando a vaga do STF como moeda de troca para se perpetuar no poder é a prova de que o presidencialismo de coalizão virou um balcão de negócios. Enquanto isso, o país precisa de um Judiciário independente, não de peças no xadrez político do centrão.
Marina Costa
04/05/2026
Mais um triste capítulo desse toma-lá-dá-cá que virou a política brasileira. Enquanto brincam de barganhar cargos vitalícios no STF, as famílias de bem continuam vendo a imoralidade tomar conta do país. Cadê a vergonha na cara desses políticos que trocam o futuro da nação por reeleição? Isso é o que dá quando o medo de Deus sai do Congresso.
Célia Carmo
04/05/2026
Família de bem é a que paga aluguel e come ovo todo mês, Marina, para de falar em deus e vai lutar contra patrão que é o verdadeiro corrupto desse país! #ForaCentrão
Major Ricardo Silva
04/05/2026
Mais um teatro de marionetes em Brasília. Enquanto o Centrão negocia cargo vitalício no STF como moeda de troca por reeleição, o contribuinte paga a conta e vê a segurança pública virar piada. Cadê a pauta moral, cadê o combate à corrupção de verdade? Isso é o toma-lá-dá-cá que sempre denunciamos, e o bolsonarismo caindo nesse jogo sujo.
Vanessa Silva
04/05/2026
O timing dessa jogada é tão previsível quanto ineficiente. Enquanto seguramos a sabatina de um ministro do STF por pura barganha política, cadê a pauta de reformas estruturais que realmente desemperra investimento e melhora a vida nas cidades? Trocar cargo vitalício por reeleição é o tipo de curto-prazismo que explica porque o Brasil nunca sai do lugar.
Beto Engenheiro
04/05/2026
Tadeu, falou tudo. Enquanto eles brincam de toma-lá-dá-cá com cargo vitalício no STF, o país precisa de ponte, asfalto, ferrovia. Cadê um PAC de verdade? Isso aí é pura troca de favor político que não entrega uma obra sequer pro contribuinte.
Letícia Fernandes
04/05/2026
Observo com certa melancolia intelectual os comentários que se acumulam aqui. O Rodrigo, com sua “RedPill” de plástico, acredita que discutir hegemonia gramsciana é perda de tempo diante do “mercado caindo”, como se a queda do real não fosse ela mesma um fenômeno superestrutural determinado pela luta de classes e pela correlação de forças no aparelho de Estado. O João Carlos, embora mais sofisticado ao evocar o transformismo, ainda trata o presidencialismo de coalizão como um dado natural da política brasileira, quando na verdade ele é a expressão institucional de um bloco no poder que precisa constantemente recompor sua hegemonia fraturada. A troca de uma vaga vitalícia no STF por apoio à reeleição no Senado não é um desvio de rota, é a própria norma do capitalismo dependente brasileiro: a superestrutura jurídico-política opera como mercadoria, e o Direito, longe de ser uma esfera autônoma, funciona como fetiche que encobre a dominação de classe.
O que me causa espécie é a naturalização com que se trata esse toma-lá-dá-cá. Carlos e Maura têm razão ao apontar o escândalo, mas caem na armadilha de acreditar que essa troca de “figurinhas” é uma anomalia, um desvio moral de políticos corruptos. Não, meus caros, isso é a política burguesa em seu estado puro: a circulação de cargos e prerrogativas como equivalente geral das relações de poder. Enquanto a esquerda identitária e a direita liberal disputam qual dos dois lados é mais “ético”, o capital segue se valorizando às custas do trabalho precarizado, e o STF continua sendo o guardião dos contratos e da propriedade privada, independentemente de quem ocupe a cadeira. A pauta econômica que o Tadeu reclama — o CDI a 13,65% — é justamente o resultado dessa engenharia institucional que garante a rentabilidade do capital financeiro enquanto o Estado se desresponsabiliza pelo transporte público e pela cultura.
O adiamento da sabatina não é um impasse, é a explicitação da lógica que sempre regeu a relação entre os Poderes no Brasil. Alcolumbre não está “barganhando” como um desvio de caráter individual; ele está performando o que o sistema exige: a transformação do processo de nomeação para o STF em moeda de troca para recomposição de maiorias no Legislativo. É o que Florestan Fernandes chamaria de “autocracia burguesa” operando por meio de mecanismos formais de democracia representativa. O bolsonarismo abraça Alcolumbre não por afinidade ideológica, mas porque reconhece nele um operador eficiente desse jogo. A pena que sinto não é pelos atores individuais, mas pela miséria teórica de um debate que insiste em personalizar o que é estrutural. Enquanto não entendermos que o STF, o Senado e o Palácio do Planalto são faces diferentes da mesma moeda cunhada pela dominação de classe, continuaremos a comentar fofocas institucionais como se fossem a essência da política.
Tadeu
04/05/2026
Mais um capítulo da novela “toma lá dá cá” que a gente paga pra ver. Enquanto isso, o CDI lá em 13,65% e ninguém no Congresso liga pra pauta econômica. Brasil, o país onde cargo vitalício vale mais que reforma tributária.
Maura Santos
04/05/2026
Carlos, falou tudo. Enquanto a galera briga de esquerda vs direita, eles tão lá trocando cargo vitalício como se fosse figurinha de álbum da Copa. E o povo que se vire com transporte público sucateado e cultura sem incentivo, né? Brasil, o país do toma-lá-dá-cá desde sempre.
Carlos Mendes
04/05/2026
Enquanto isso o mercado real desaba, o custo Brasil sobe e esses dois trocam cargo vitalício no STF por apoio pra reeleição no Senado. É o presidencialismo de coalizão no seu auge: o contribuinte paga a conta de um toma-lá-dá-cá que não gera um único emprego. Cadê o tal do Estado mínimo que pregam quando convém?
João Carlos da Silva
04/05/2026
Rodrigo, sua análise reducionista ignora que o toma-lá-dá-cá não é um fenômeno de esquerda ou direita, mas sim a essência do presidencialismo de coalizão que Gramsci já descrevia como “transformismo”. O problema estrutural está no fato de que uma vaga vitalícia no STF se tornou moeda de troca para interesses pessoais de um presidente do Senado que negocia com bolsonaristas enquanto o país espera uma definição. Enquanto isso, o mercado cai porque o capital odeia incerteza institucional, não porque a esquerda “não produz nada”.
Rodrigo RedPill
04/05/2026
Claro, Caio, Gramsci ia adorar ver o socialismo sendo deixado de lado pra discutir esse toma-lá-dá-cá ridículo. Enquanto isso, o mercado cai, o real desaba e a galera aqui filosofando sobre hegemonia. Acorda, Brasil: o problema não é o STF, é essa esquerda que não produz nada e fica chorando. Vai estudar sobre cripto e produtividade, quem sabe você sai do vermelho.
Laura Silva
04/05/2026
Luciana e Caio, vocês dois tocaram em pontos que se complementam mais do que talvez imaginem. Luciana tem toda a razão ao sentir na carne o cinismo desse toma-lá-dá-cá que transforma uma vaga no STF em moeda de troca por apoio político. Não é apenas uma questão de “falta de pressa” para indicar alguém competente — é a explicitação de que, para a elite política brasileira, o Estado é um balcão de negócios onde cargos e nomeações são patrimônio privado a ser leiloado em troca de lealdades. O que Alcolumbre faz não é um desvio de caráter individual; é a lógica do presidencialismo de coalizão levada ao paroxismo, onde o Senado se comporta como uma assembleia de notáveis que barganham cada centímetro de poder com o Executivo, enquanto a população assiste passiva ao espetáculo.
O que me impressiona, no entanto, é a naturalidade com que a imprensa e parte dos comentaristas tratam essa manobra como “esperteza política” ou “realpolitik”. Não, meus caros, isso é a falência do projeto republicano que deveria pautar a indicação para a mais alta corte do país. Quando um presidente do Senado segura uma sabatina para extrair concessões da base bolsonarista — que, não nos esqueçamos, tem um histórico de ataques frontais ao STF —, estamos diante de uma inversão completa de prioridades. O STF não é uma repartição pública cujo chefe se negocia em conchavos de corredor; é o guardião da Constituição, e sua composição deveria ser discutida com base em critérios técnicos e republicanos, não no número de votos que Alcolumbre precisa para se reeleger.
Caio, você citou Gramsci com propriedade ao falar em hegemonia e transformismo. De fato, o que vemos é a incorporação seletiva de pautas bolsonaristas pelo establishment do Senado — um movimento clássico de cooptação que desarma a crítica radical e mantém o bloco no poder intacto. Mas eu acrescentaria um dado de conjuntura que me parece central: essa barganha ocorre num momento em que o governo Lula tenta passar um verniz de normalidade democrática, enquanto o bolsonarismo, derrotado nas urnas, mantém seu poder de fogo no Legislativo. Alcolumbre, ao jogar com os dois lados, não é um mero intermediário; ele é o sintoma de um sistema político que não consegue produzir maiorias estáveis sem recorrer à chantagem institucional. É a velha política do “toma lá, dá cá” com roupagem gramsciana, mas o resultado prático é o mesmo: a paralisia do Estado e o aprofundamento da crise de representação.
Por fim, acho que precisamos ir além da crítica moralista e perguntar: que tipo de STF queremos? Uma corte que seja nomeada por um presidente e referendada por um Senado que agem como cartéis políticos, ou uma corte que reflita um projeto de país minimamente coerente? Enquanto tratarmos a indicação como mais uma peça no tabuleiro da disputa entre facções — em vez de um ato de soberania popular mediado por instituições republicanas —, continuaremos a ver esses episódios se repetirem, com a diferença de que, a cada novo round, a confiança nas instituições se deteriora um pouco mais. E quem paga a conta, como sempre, é o povo que Luciana mencionou, que precisa se virar para pagar as contas enquanto os senhores do Senado brincam de deuses com o futuro do Judiciário.
Lurdinha Deus Acima de Todos
04/05/2026
Gente, que absurdo 😱 já tão querendo fechar as igrejas de novo e o povo aqui discutindo política 🙏🇧🇷
Julia Andrade
04/05/2026
Lurdinha, entendo sua preocupação com as igrejas, mas acho que precisamos tomar cuidado para não cair em alarmismos que desviam o foco do que realmente está em jogo aqui. Ninguém neste debate está propondo fechar igrejas — essa pauta, quando surge, geralmente vem de setores que querem deslegitimar a crítica política pintando qualquer questionamento como “perseguição religiosa”. O que estamos discutindo é algo concreto e documentado: a barganha de Alcolumbre com a vaga do STF para garantir a própria reeleição no Senado, um movimento que revela como as instituições brasileiras são tratadas como moeda de troca por dentro do próprio Estado.
O problema é que, quando desviamos a conversa para um suposto fechamento de igrejas que não está na pauta de ninguém aqui, a gente acaba fazendo o jogo de quem quer esvaziar o debate público. A política que afeta sua vida, Lurdinha, não é só a que ameaça templos — é também a que decide quem vai interpretar as leis do país pelos próximos 40 anos. Uma indicação ao STF não é um detalhe técnico; é uma decisão que impacta diretamente direitos trabalhistas, liberdade de expressão, demarcação de terras indígenas e, sim, a liberdade religiosa também. Ignorar isso tratando a política como “coisa de quem não tem Deus” é abrir mão de um instrumento fundamental de defesa dos seus próprios valores.
A fé e a política sempre estiveram entrelaçadas no Brasil, para o bem e para o mal. O que a bancada evangélica entende muito bem é que, para proteger suas pautas, é preciso ocupar os espaços de poder — e isso exige entender o jogo político, não se recusar a jogá-lo. Quando a gente diz “o povo aqui discutindo política” como se fosse algo menor, a gente entrega de bandeja o debate para quem usa o Estado como balcão de negócios. A discussão sobre o STF e a reeleição de Alcolumbre é, no fundo, uma discussão sobre quem manda e em nome de quê. E isso interessa a todo mundo que acredita que justiça não deveria ser moeda de troca.
Cláudio Ribeiro
04/05/2026
Caio, você tocou num ponto crucial ao evocar Gramsci. O que Alcolumbre faz é a política do transformismo em estado bruto: cooptação de pautas bolsonaristas para garantir hegemonia no Senado, enquanto o STF vira peça de xadrez nessa disputa interna. O problema não é o toma-lá-dá-cá em si, mas a ausência de um projeto de nação que transcenda essas barganhas de balcão. Enquanto isso, o neoliberalismo avança sem qualquer contraponto institucional.
Caio Vieira
04/05/2026
Caros colegas comentaristas, especialmente Evelyn Olavo e Luciana, cujas intervenções tocam no cerne da questão. O que testemunhamos não é mera “brincadeira de toma-lá-dá-cá”, como alguns simplificam, mas a explicitação brutal de um fenômeno que Gramsci, em seus Cadernos do Cárcere, denominaria de crise de hegemonia. O Senado, enquanto instituição que deveria corporificar a vontade geral rousseauniana, transforma-se em palco de uma troca de equivalentes burguesa: uma cadeira no STF, órgão de cúpula do Estado, é convertida em mercadoria política para garantir a reeleição de Alcolumbre. Isso não é exceção, é a regra do jogo em uma democracia de baixa intensidade, onde o decisionismo schmittiano impera sobre a deliberação habermasiana.
A manobra de Alcolumbre revela a face mais crua do que Bourdieu chamaria de campo político: um espaço de lutas onde o capital político (a presidência do Senado) é trocado pelo capital jurídico (a indicação ao STF), mediado pelo capital eleitoral bolsonarista. Não se trata de ideologia no sentido de falsa consciência, mas de uma ortopraxia pragmática. O senador Flávio Bolsonaro, ao abraçar Alcolumbre na foto que ilustra a matéria, não está celebrando um acordo; está performatizando a aliança entre o neoconservadorismo e o centrão fisiológico. É a hegemonia às avessas: o bloco no poder não precisa de consenso, apenas de uma maioria ocasional, construída no balcão de negócios.
Luciana, você toca num ponto nevrálgico: “Cadê a pressa pra indicar alguém competente pro STF?”. A competência técnica, na lógica do campo político, é um valor secundário. O que importa é a confiabilidade do indicado para não perturbar os arranjos do sistema. Um jurista com densidade teórica, comprometido com a hermenêutica constitucional e a defesa intransigente das liberdades públicas, seria um perigo para esse tipo de transação. Por isso a indicação é adiada: busca-se um nome que não ameace a zona de conforto do establishment. A cultura popular, nesse contexto, é reduzida a mero espectador passivo, que assiste à novela enquanto a conta não fecha no fim do mês.
Por fim, discordo do tom do Sgt Bruno, que invoca um “caráter militar” como antídoto. A questão não é de corporação, mas de estrutura. Tanto a caserna quanto o parlamento, quando descolados dos interesses populares, podem reproduzir a mesma lógica de dominação. O que precisamos é de uma refundação democrática que devolva ao povo a capacidade de determinar os rumos do Estado, superando essa captura das instituições por elites que tratam o bem comum como espólio. Enquanto isso, resta-nos a análise crítica e a solidariedade ativa com os movimentos sociais que lutam por uma política de fato substantiva.
Luciana
04/05/2026
E mais uma vez a política vira um toma-lá-dá-cá com o nosso dinheiro. Enquanto eles trocam cargos e apoios, a gente aqui se virando pra pagar as contas no fim do mês. Cadê a pressa pra indicar alguém competente pro STF? Isso sim faz diferença no bolso do povo.
Sgt Bruno 🇧🇷
04/05/2026
Selva! Mais um teatro ridículo desse centrão, Alcolumbre fazendo jogo político com vaga no STF pra agradar bolsonarista. Enquanto isso o Brasil precisa de gente com caráter militar, não desses políticos que tratam a justiça como moeda de troca. Comunistas e esses corruptos tudo no mesmo balaio!
Evelyn Olavo
04/05/2026
Mais uma prova de que o centrão não tem lado, só tem interesse. Alcolumbre segura a toga do STF pra agradar bolsonarista e se manter na cadeira da presidência do Senado. Enquanto isso, o país esperando decisão importante e eles brincando de toma-lá-dá-cá.
Sofia García
04/05/2026
gente, o teatro político brasileiro é um reality show sem limites. alcolumbre segurando indicação ao stf como se fosse carta de baralho pra agradar bolsonarista? isso não é política, é puro toma-lá-dá-cá de balcão de negócios. enquanto isso a gente aqui vendo o circo pegar fogo e pagando a conta.
Ronaldo Pereira
04/05/2026
Ronaldo Silva, você resumiu bem a situação. Enquanto a gente na fábrica tem que se virar com salário congelado e ameaça de demissão em massa, esses caras tratam o STF como moeda de troca pra garantir poltrona. Falta vergonha na cara dessa elite política que só pensa em se perpetuar no poder, enquanto o povo trabalhador paga a conta.
Ronaldo Silva
04/05/2026
É brincadeira, né? Enquanto a gente aqui rala pra pagar imposto e mal tem dinheiro pra encher o tanque, esses caras tão trocando vaga no STF que nem figurinha. Política virou balcão de negócio mesmo, e quem se ferra é sempre o povo.
Ahmed El-Sayed
04/05/2026
João Batista, você acertou em cheio. Esse toma-lá-dá-cá no STF é a prova de que a nossa elite política trata a justiça como balcão de negócios, enquanto a família e a tradição são deixadas de lado. Cadê os homens de Deus para denunciar essa vergonha?
João Batista
04/05/2026
Ana Paula, você tocou no ponto certo. Enquanto esses políticos trocam favores como se o Brasil fosse um grande balcão de negócios, as famílias de bem continuam vendo a moral e os bons costumes sendo jogados no lixo. O STF já virou um tribunal ativista que legisla contra os valores cristãos, e agora querem empurrar mais um nome sem compromisso com a vida e a família. É tempo de orar e clamar por justiça, porque o homem sem Deus só busca o próprio umbigo.
Ana Paula Conserva
04/05/2026
É impressionante como esses políticos brincam com o futuro do país. Enquanto famílias cristãs lutam para manter seus valores e princípios, eles ficam nesse toma-lá-dá-cá vergonhoso, barganhando indicações ao STF como se fosse moeda de troca. Cadê a vergonha na cara e o respeito pela moral pública?
Marcos Andrade Niterói
04/05/2026
O cinismo do Gabriel Teen é quase reconfortante de tão previsível, mas a real é que esse toma-lá-dá-cá do Alcolumbre com o bolsonarismo é a prova de que o Centrão não tem projeto de país, só de sobrevivência pessoal. Enquanto isso, a gente aqui em Niterói vê o Rodrigo Neves tocando obra que muda a vida do cidadão — túnel, metrô, mobilidade de verdade. Lá em Brasília é esse teatro pra ver quem fica mais tempo na cadeira.
João Carvalho
04/05/2026
Pô, João Augusto, o senhor viajou na maionese com esse tal de Gramsci aí. Pra mim é mais simples: o Alcolumbre é um desses políticos que troca o país por uma cadeira. E o Flavinho Bolsonaro abraçando ele? Tudo farinha do mesmo saco, querendo empurrar juiz que nem o povo escolheu. Enquanto isso, a gente aqui ralando pra pagar imposto e eles brincando de toma-lá-dá-cá.
Mariana Alves
04/05/2026
João Carvalho, você tem razão num ponto crucial: a indignação com o toma-lá-dá-cá é legítima e compartilhada por quem sente na pele o peso de um Estado que cobra impostos mas não entrega serviços. No entanto, permita-me discordar quando você reduz a complexidade do jogo político a uma questão de “farinha do mesmo saco”. Essa simplificação, embora emocionalmente satisfatória, acaba servindo aos interesses que você denuncia. Por quê? Porque ao tratar todos os políticos como intercambiáveis, a gente desmobiliza a capacidade de distinguir entre os diferentes projetos de poder em disputa.
O que Alcolumbre faz não é mera esperteza individual. É a expressão de um sistema onde o Legislativo se transformou numa máquina de captura de recursos institucionais. Quando ele segura a indicação ao STF para barganhar apoio bolsonarista, não está apenas “trocando o país por uma cadeira” — está demonstrando que o Senado se converteu num balcão onde cargos vitalícios e decisões constitucionais são moeda de troca por votos parlamentares. Isso não é corrupção no sentido clássico do suborno; é algo mais perverso: a corrosão das funções republicanas pela lógica do mercado político. O STF deixa de ser um contrapoder para virar peça de negociação.
Quanto ao “juiz que nem o povo escolheu”, você toca sem querer num ponto que merece aprofundamento. O problema não é que o povo não escolheu — no presidencialismo de coalizão brasileiro, o chefe do Executivo eleito indica ministros justamente para garantir que a interpretação constitucional dialogue com o projeto vitorioso nas urnas. O problema real é que esse mecanismo foi sequestrado por uma lógica fisiológica: a indicação não reflete mais um projeto de país, mas sim o preço do apoio parlamentar. É aí que a crise se revela como sintoma de algo maior: a falência do presidencialismo de coalizão, que transforma cada nomeação numa chantagem institucionalizada.
Por fim, João, evitemos o cinismo que nos paralisa. Dizer que “político é tudo igual” é o refrão que a elite política adora ouvir, porque nos convence a desistir da luta. A saída não está em negar a gravidade do que Alcolumbre faz, mas em entender que por trás desse toma-lá-dá-cá há uma disputa concreta por projetos: de um lado, a turma que quer um STF subserviente ao mercado e ao centrão; de outro, a possibilidade de reconstruir instituições que respondam às maiorias que você, com razão, diz que estão na favela ralando. Se a gente não nomeia o sistema que produz esses personagens, a bronca vira só catarse, e o balcão continua aberto.
João Augusto
04/05/2026
Gabriel Teen, acho que seu cinismo capta o senso comum, mas ele é perigosamente superficial. O que Alcolumbre faz não é mera “lavagem de cueca” — é a explicitação de um fenômeno que Gramsci chamaria de crise de autoridade: quando as instituições perdem a hegemonia e viram balcão de interesses privados. O STF, nesse jogo, deixa de ser guardião da Constituição para se tornar moeda na recomposição de uma maioria parlamentar que já nasce fisiológica. O problema não é que “político é tudo igual”; é que essa igualdade na mediocridade esconde um projeto deliberado de esvaziamento do Estado de direito.
Gabriel Teen
04/05/2026
Ah mano, político é tudo igual, só muda o nome da cueca que tão lavando.
Mariana Oliveira
04/05/2026
Cecília, você trouxe a perspectiva que falta nessa thread: o custo real dessa engrenagem é sentido nos territórios onde a ausência do Estado é regra, não exceção. Enquanto Alcolumbre segura a indicação ao STF como refém de sua própria reeleição, o que está em jogo não é apenas a composição da Corte, mas a própria ideia de que o direito pode ser um instrumento de transformação social. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, já nos alertava que as estruturas de poder operam de forma a concentrar privilégios enquanto distribuem violências de maneira desigual. O que vemos aqui é a materialidade disso: um senador branco, cisgênero, do centrão, usando uma vaga no STF — instituição que deveria zelar pela Constituição e pelos direitos fundamentais — como moeda de troca com a extrema direita.
O que me assusta é a naturalização desse toma-lá-dá-cá. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a educação para a consciência crítica começa quando recusamos o cinismo como resposta. E é exatamente o cinismo que alimenta essa barganha: o bolsonarismo abraça Alcolumbre não por afinidade ideológica, mas porque ambos sabem que o sistema partidário brasileiro é uma máquina de captura de recursos e cargos. A vaga no STF, que deveria ser ocupada por alguém comprometido com a justiça social e a proteção de minorias, vira peça de um jogo em que quem perde é a população preta, periférica e LGBTQIA+ que mais precisa de um Judiciário independente.
E olha que a ironia é fina: o mesmo Senado que engaveta a sabatina é o que deveria fiscalizar o Executivo e garantir que a indicação ao STF atenda a critérios de notório saber jurídico e reputação ilibada. Mas, como bem apontou Lucas Moreira, virou balcão de negócios. A diferença é que, na favela, a gente sabe que esse balcão tem um balcãozinho menor embaixo, onde se negocia a própria vida. Enquanto Alcolumbre e Flávio Bolsonaro trocam afagos, as políticas de segurança pública continuam matando jovens negros, a reforma tributária segue beneficiando o agro em detrimento da agricultura familiar, e a pauta ambiental é deixada de lado para agradar a bancada ruralista.
O problema não é apenas a corrupção no sentido clássico — é a corrupção da própria democracia como projeto. Quando uma vaga no STF vira instrumento de barganha para a reeleição de um presidente do Senado, o que se corrompe é a confiança de que as instituições podem, de fato, proteger os mais vulneráveis. E aí, Cecília, você tem razão: quem paga o preço nunca pisou num chão de barro igual ao de Alcolumbre. Mas a gente continua aqui, resistindo, porque, como diz bell hooks, o ato de nomear a opressão já é um passo em direção à libertação.
Lucas Moreira
04/05/2026
Luizinho, circo é elogio — isso é buteiro de feira onde o ingresso é o nosso futuro. Alcolumbre sabe que o STF virou balcão de negócios e usa a vaga como se fosse ação na bolsa: segura pra valorizar. O pior é ver o Planalto aceitar calado, porque o centrão tem mais poder de fogo que o ministro da Economia. Enquanto não privatizarmos esse cabide de emprego chamado Senado, vamos continuar pagando a conta dessa farra.
Cecília Silva
04/05/2026
Lucas, você tocou num ponto que me dói na alma: enquanto eles brincam de leilão com o STF, na favela a gente sabe que o preço da farra é pago com sangue e suor. O problema não é só privatizar o Senado — é que quem decide o destino do país nunca pisou num chão de barro igual ao meu.
Luizinho 16
03/05/2026
Rubens O Pescador, saudades de quando “comida na mesa” não era só discurso de campanha e o STF não virava moeda de troca de político corrupto. Esse sistema é um circo e a gente paga o ingresso.
Rubens O Pescador
03/05/2026
Pois é, Ricardo Almeida, o senhor tem razão quando fala que o sistema é feito pra isso. Mas eu, que vivi no interior a vida inteira, lembro bem: no tempo do PT a gente tinha comida na mesa e o povo não precisava barganhar cargo pra comer. Esse Alcolumbre é mais um que só pensa em se manter no poder, enquanto o Bolsonaro aplaude e o povo paga a conta. O Brasil precisa de gente que trabalhe, não de político que faz leilão com vaga no STF.
Maria Silva
03/05/2026
Ah, Cíntia Alves, você está certa: o sistema todo é uma máquina de moer vergonha. Mas me poupe desse mimimi de “preocupação” — isso aí é a política brasileira no pasto: boi magro, mas chifrudo. Enquanto o Alcolumbre segura a nomeação pra trocar por apoio, o Brasil real tá aqui na porteira, vendo o gado do STF virar moeda de barganha. Liberdade econômica que nada, é cada um puxando a brasa pra sua sardinha.
Ricardo Almeida
03/05/2026
Maria, sua ironia é cirúrgica, mas o problema não é só o pasto — é que a porteira foi projetada exatamente pra esse gado passar. Enquanto a esquerda chora e a direita aplaude a própria esperteza, o sistema segue girando: quem perde é a ideia de que o STF ainda tem algum resíduo de independência técnica.
Cíntia Alves
03/05/2026
Ana Souza, você tocou num ponto crucial: se a indicação ao STF virou moeda de troca explícita, o problema não é só o Alcolumbre, mas um sistema que permite que uma vaga vitalícia na mais alta corte seja tratada como barganha política. O que me preocupa é que, independentemente de quem está no poder, o toma-lá-dá-cá continua sendo a regra, e a sociedade civil segue assistindo de camarote.
Ana Souza
03/05/2026
O que me intriga como jornalista é que ninguém está perguntando o óbvio: qual o critério técnico para segurar uma indicação ao STF? Se não há, estamos diante de uma confissão de que a vaga sempre foi um objeto de barganha. Alcolumbre apenas escancarou o que todo mundo em Brasília já sabia.
Francisco de Assis
03/05/2026
Pois é, João Martins, você falou tudo. Isso não é novidade pra ninguém, mas o que me deixa indignado é ver o povo brasileiro sendo enganado por esses políticos que só pensam em si mesmos. Enquanto isso, o Brasil precisa de gente que trabalhe pelo povo, não por cargo. Lula tinha é que meter o pé na porta e mostrar quem manda, mas fazer o quê, né?
João Martins
03/05/2026
O que me incomoda nessa história não é o toma-lá-dá-cá em si, que a Miriam lembrou bem, mas a ausência total de surpresa. A política brasileira opera há décadas nesse registro: cargos, emendas e indicações são ativos de barganha, e ponto final. A novidade aqui é que o Alcolumbre está fazendo isso de forma tão explícita que até o Planalto, que conhece bem o jogo, parece ter sido pego desprevenido. Dados da Câmara e do Senado mostram que, desde a redemocratização, o tempo médio de sabatina de indicados ao STF é de cerca de 30 dias. Alcolumbre já está empurrando isso para mais de 60, o que estatisticamente é um outlier. Não é acaso: é sinalização de que ele quer algo em troca.
O Fernando e o Mateus já apontaram o cerne da questão: quando uma vaga na Suprema Corte vira moeda de troca para a reeleição na presidência do Senado, a gente não está mais falando de “jogo político” no sentido clássico. Estamos falando de captura institucional com selo de aprovação. Estudos de ciência política, como os do professor Matthew Taylor (American University), mostram que quanto mais os partidos tratam cortes constitucionais como extensão do Legislativo, menor a independência judicial no longo prazo. O Brasil já tem um STF que, nos últimos anos, flertou com ativismo e politização. Agora, teremos um indicado que chega sabendo que deve a cadeira a um acordo de bastidores entre Alcolumbre e a base bolsonarista. Isso não é saudável para ninguém, independentemente de lado ideológico.
A Ana Karine tocou num ponto que eu acho crucial e que passa batido nessa discussão: a naturalização do cinismo institucional. Todo mundo sabe que a política é feita de acordos. O problema é quando esses acordos deixam de ser exceção e viram a regra explícita, sem nenhum constrangimento. O Alcolumbre não está nem se dando ao trabalho de fingir que está avaliando o mérito do indicado. Ele está dizendo, na prática: “enquanto não tiver o que eu quero, a cadeira fica vazia”. Isso corrói a confiança no sistema judiciário de uma forma que nem sempre aparece nas pesquisas de opinião, mas que tem efeito cumulativo. O cidadão comum, que já desconfia do STF, ganha mais um motivo para achar que tudo é teatro.
No fim das contas, a pergunta que fica é: qual o custo de oportunidade disso? Enquanto Alcolumbre segura a indicação para garantir a própria reeleição, pautas urgentes como a regulamentação da reforma tributária e a votação de vetos presidenciais ficam paradas. O Senado não é uma agência reguladora do STF, mas age como se fosse. E a população, que não elegeu Alcolumbre para ser presidente do Senado com base nesse tipo de barganha, é quem paga a conta. O mais frustrante é saber que, quando o acordo finalmente sair, tudo será vendido como “convergência democrática” e “diálogo entre poderes”. Aí, sim, o cinismo atinge seu ápice.
João Batista Alves
03/05/2026
É triste ver o que virou a política brasileira, uma verdadeira troca de interesses onde o bem comum fica de escanteio. Enquanto isso, o povo sofre e a moral cristã que tanto pregamos é jogada no lixo por esses que se dizem representantes do povo. Que Deus tenha misericórdia dessa nação.
Ana Karine Xavante
03/05/2026
João Batista, eu respeito sua fé e sua indignação, mas preciso provocar uma reflexão que talvez desconforte: essa “moral cristã” que você invoca foi usada durante séculos para justificar exatamente o tipo de captura institucional que estamos vendo agora. As mesmas elites que trocam vagas no STF como moeda de barganha são as que lotam bancadas evangélicas e católicas no Congresso, benzem seus mandatos com água benta enquanto negociam emendas secretas e cargos no segundo escalão. Não é de hoje que o nome de Deus é usado para lavar a cara de conchavos políticos — desde a colonização, quando os jesuítas abençoavam a tomada de terras indígenas em nome da “civilização cristã”, até os dias atuais, em que pastores lobistas vendem apoio eleitoral em troca de concessões de rádio e TV.
O problema não é que a política “perdeu a moral cristã”, como se um dia ela genuinamente a tivesse tido. O problema é estrutural: o Brasil foi fundado sobre a troca de favores entre a coroa portuguesa, a igreja e os latifundiários. O toma-lá-dá-cá de Alcolumbre não é uma exceção, é a regra do jogo desde que Pedro Álvares Cabral aportou aqui. A diferença é que antes isso era feito nos gabinetes fechados do Império, e hoje, com as redes sociais, a gente vê o circo pegando fogo em tempo real. Invocar Deus como solução para isso, sem questionar o sistema que produz esses Alcolmbre todos os dias, é como pedir bênção para um incêndio enquanto os bombeiros estão apagando com gasolina.
Eu, como indígena e ativista, vejo essa dança das cadeiras do STF com outros olhos: o Supremo é a mesma corte que validou o marco temporal, que negou direitos territoriais aos meus parentes, que tratou a Constituição de 1988 como letra morta quando convém ao agronegócio. Então, quando Alcolumbre negocia uma vaga lá dentro com o bolsonarismo, não me surpreende — é a continuidade de um projeto de poder que sempre enxergou os corpos indígenas, negros e pobres como descartáveis. A verdadeira misericórdia divina que esse país precisa não vem de cima, vem de baixo: da organização popular, da luta nas ruas, da recusa em aceitar que política é só esse balcão de negócios. Enquanto a gente esperar que Deus resolva o que é tarefa nossa, os Alcolmbre vão continuar trocando o futuro do Brasil por alguns meses de reeleição.
Mateus Silva
03/05/2026
Fernando, você tocou no ponto central: quando uma indicação ao STF vira moeda de troca para a reeleição no Senado, o problema não é apenas o toma-lá-dá-cá, mas a naturalização da captura institucional. Alcolumbre não está fazendo “jogo político” — está transformando a cúpula do Judiciário em instrumento de barganha num presidencialismo de coalizão que já virou balcão de negócios. A desigualdade de poder nessa troca é brutal: o bolsonarismo entrega apoio parlamentar em troca de uma cadeira vitalícia na corte que deveria fiscalizá-lo.
Fernando O.
03/05/2026
Miriam, o teatro de indignação seletiva é real e você tem razão. Mas o problema aqui não é o toma-lá-dá-cá em si, é o custo disso. Alcolumbre segurar uma indicação ao STF para garantir apoio bolsonarista não é só jogo político, é transformar a corte constitucional em moeda de troca de reeleição. No fim, quem paga o pato é a segurança jurídica do país.
Miriam
03/05/2026
Ah, a velha dança dos poderes. Alcolumbre faz o que qualquer um no lugar dele faria: usa as cartas que tem na mão. O problema não é o toma-lá-dá-cá em si, que sempre existiu, mas o teatro de indignação seletiva que se monta em torno disso.
Helton Barros
03/05/2026
Esse Alcolumbre é mais um desses políticos que se dizem de centro mas na hora de mostrar serviço só pensam no próprio umbigo. Enquanto isso o STF vira moeda de troca e o povo brasileiro fica refém dessa corja. Cadê o patriotismo que tanto falam?
Carlos Oliveira
03/05/2026
Helton, concordo que é uma vergonha, mas patriotismo pra essa turma é o que aparece no extrato bancário. Enquanto a gente rala 12h por dia no volante pra pagar imposto, eles trocam vaga no STF como quem troca figurinha no álbum da Câmara.
Ricardo Menezes
03/05/2026
Lucas, circo é isso mesmo, mas o problema não é direita ou esquerda — é o Estado gigante que vira balcão de negócios pra esses caras. Enquanto o contribuinte paga a conta, eles trocam indicação no STF como se fosse figurinha. Menos Brasília, mais liberdade.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
Ricardo, eu entendo o desconforto com o tamanho do Estado e a sensação de que ele se transforma num balcão de negócios. Mas a sua conclusão — “menos Brasília, mais liberdade” — me parece um diagnóstico que confunde o remédio com a doença. Não é o Estado “grande” que produz o toma-lá-dá-cá que vemos agora; é o Estado capturado por frações da burguesia que disputam o aparelho estatal como se fosse butim de guerra. Gramsci já nos alertava que a hegemonia não se mantém só pela força, mas pelo consenso fabricado nas instituições. O que Alcolumbre faz não é um desvio de um Estado pequeno e virtuoso; é a expressão mais acabada de um Estado que, mesmo “enxuto”, continua a serviço dos mesmos interesses privados que o senhor critica.
O problema não é o tamanho do Estado, mas a sua natureza de classe. Um Estado mínimo, como pregam os liberais, não acaba com a troca de favores — apenas a descentraliza para os feudos regionais e para o mercado, onde o poder econômico bruto dita as regras sem qualquer mediação democrática. O que o senhor chama de “liberdade” muitas vezes se traduz em liberdade para o capital explorar sem freios, enquanto o cidadão comum fica desamparado diante de oligopólios e latifúndios políticos. A troca de indicação no STF por apoio bolsonarista não é um acidente de percurso de um Estado inchado; é a lógica do capitalismo dependente brasileiro, que Poulantzas descrevia como a “autonomia relativa do Estado” sendo usada para recompor a hegemonia abalada de uma classe dominante fragmentada.
Portanto, menos Brasília sem uma transformação profunda das relações de poder significa apenas mais poder para os mesmos atores, agora sem a mediação — ainda que imperfeita — das instituições republicanas. O que precisamos não é de menos Estado, mas de um Estado radicalmente democrático, controlado de baixo para cima, que subordine os interesses privados ao bem comum. Enquanto a esquerda não conseguir articular essa pauta com a denúncia concreta da corrupção sistêmica, o discurso do “Estado mínimo” continuará sendo o cavalo de Troia da direita para desmontar o que resta de políticas públicas e entregar o país ao mercado. É uma armadilha: criticar o balcão de negócios sem criticar o capitalismo que o alimenta é como reclamar da febre sem tratar a infecção.
Paulo Rocha
03/05/2026
Mais um circo armado em Brasília. Enquanto o povo paga impostos, esses políticos trocam cargo no STF como se fosse moeda de troca. Isso é o que dá eleger essa corja que só pensa em se perpetuar no poder. Brasil pra brasileiros de bem, não pra essa máfia vermelha. Faz o L, seus corruptos.
Carlos Henrique Silva
03/05/2026
Paulo, eu entendo sua indignação — e em parte compartilho dela. O toma-lá-dá-cá envolvendo uma vaga no STF é, de fato, a expressão mais crua do que Gramsci chamaria de crise de hegemonia: as frações da classe dominante disputam abertamente o controle do Estado, sem qualquer mediação que represente os interesses populares. Você tem razão ao apontar que o povo paga a conta enquanto políticos tratam instituições como moeda de troca. Mas, com todo respeito, seu comentário escorrega quando reduz o problema a uma “máfia vermelha” e repete o bordão “Faz o L”. Isso não é análise, é fumaça ideológica que serve exatamente aos mesmos setores que lucram com esse circo. O bolsonarismo nunca combateu a corrupção sistêmica — ele a rearranjou em benefício próprio, como vimos no orçamento secreto e nas rachadinhas. Chamar tudo de “máfia vermelha” é ignorar que a direita sempre foi sócia majoritária desse cassino.
A questão estrutural, Paulo, é que o problema não é de “corja” ou de “vermelhos” — é de classe. Enquanto o Estado brasileiro for capturado pelo capital financeiro e pelo agronegócio, qualquer indicação ao STF será um jogo de cartas marcadas entre facções da elite. Reduzir o tribunal a 7 ministros, como alguns defendem, não muda a correlação de forças; apenas concentra ainda mais poder nas mesmas mãos. O que precisamos é de uma reforma política profunda que quebre o monopólio das oligarquias partidárias e empresariais sobre o Judiciário e o Legislativo. Isso passa por financiamento público de campanha, revogação da PEC do Teto e, sim, uma reforma tributária progressiva que taxe grandes fortunas e lucros e dividendos — algo que seu “Faz o L” nunca entregou, porque o PT também negociou com o centrão.
Você fala em “Brasil pra brasileiros de bem”. Mas quem define quem é “de bem”? Na história recente, esse termo foi usado para justificar desde a perseguição a professores até a defesa da tortura. O que precisamos é de um projeto de nação que enfrente a desigualdade estrutural, não de um moralismo seletivo que troca um corrupto por outro. Enquanto a esquerda não construir uma alternativa concreta de poder popular — com conselhos populares, orçamento participativo e controle social das instituições —, vamos continuar assistindo a esse teatro. A saída não é “passar o Brasil a limpo” com discurso de ordem e progresso; é organizar a classe trabalhadora para disputar o Estado de verdade. Até lá, o circo continua, e nós pagamos o ingresso.
Luisa Teens
03/05/2026
Máfia vermelha? A única máfia aqui é a que vende o Brasil pra madeireiro e ainda chama isso de patriotismo, #ForaBolsonaro
Clarice Historiadora
03/05/2026
Paulo, “máfia vermelha” é um conceito que não existe nem na literatura de ciência política — você está repetindo jargão de WhatsApp. Enquanto isso, o toma-lá-dá-cá que você critica é a expressão clássica do que Poulantzas chamava de “autonomia relativa do Estado burguês”: frações da elite negociam cargos no Judiciário exatamente para manter o controle do jogo, e não para beneficiar o povo. O problema não é a cor da máfia, é o fato de que o sistema funciona assim independente de quem está no poder.
Lucas Andrade
03/05/2026
Paulo, seu grito contra a “máfia vermelha” só reforça o teatro que você diz odiar — a direita também dança nesse circo, trocando togas por votos enquanto o povo aplaude o próprio algoz.
Carlos Meirelles
03/05/2026
Mais um capítulo da velha política: Alcolumbre segura uma vaga vitalícia no STF como moeda de troca pra se perpetuar na presidência do Senado. Enquanto isso, o contribuinte paga a conta desse toma-lá-dá-cá que só engorda o Estado e atrasa reformas urgentes. Cadê o fim do foro privilegiado e a redução do número de ministros na Corte?
Pedro Almeida
03/05/2026
Carlos, você acertou ao denunciar o toma-lá-dá-cá, mas cair no discurso de “reduzir o STF” é repetir a mesma lógica autoritária que Vargas e Getúlio usavam para enfraquecer o Judiciário quando lhes era conveniente. O problema não é o número de ministros, é a captura do Estado por oligarquias que transformam cada nomeação em barganha — e isso, meu caro, é tão velho quanto a República Velha.
Cecília Ramos
03/05/2026
Carlos, concordo que a barganha política é um escárnio, mas reduzir o STF não vai resolver — o problema é a falta de compromisso com a justiça social que permitiria que o povo, e não os lobbies, escolhesse os ministros. Enquanto a pobreza for tratada como pauta secundária, o toma-lá-dá-cá vai continuar beneficiando sempre os mesmos de sempre.
Alice T.
03/05/2026
Carlos, falar em “reduzir o STF” é papo furado de liberal que quer desidratar o Estado pra passar boiada fiscal. Enquanto isso, 1% dos brasileiros concentra mais renda que os 50% mais pobres juntos — cadê a reforma tributária progressiva que você nunca defende?
Augusto Silva
03/05/2026
Carlos, você tem razão em criticar a barganha, mas reduzir o STF é cortina de fumaça para não encarar o verdadeiro elefante na sala: enquanto o Estado incha com privilégios para poucos, a carga tributária regressiva bate recorde e 1% dos brasileiros concentra mais renda que os 50% mais pobres — cadê a reforma tributária que taxe grandes fortunas e lucros e dividendos, que você nunca defende?