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Dino defende afastamento imediato e perda de cargo para juízes corruptos

88 Comentários🗣️🔥 O então senador Flávio Dino durante sessão no Plenário do Senado Federal em 2018. (Foto: Wikimedia Commons) O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino defendeu, em artigo recente, um endurecimento das punições aplicadas a magistrados envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro. Dino sustenta que as ferramentas disciplinares em vigor ficaram defasadas […]

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O então senador Flávio Dino durante sessão no Plenário do Senado Federal em 2018. (Foto: Wikimedia Commons)

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino defendeu, em artigo recente, um endurecimento das punições aplicadas a magistrados envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro.

Dino sustenta que as ferramentas disciplinares em vigor ficaram defasadas diante de esquemas cada vez mais sofisticados. Esses esquemas usam fundos de investimento e outros mecanismos financeiros para disfarçar propinas.

Entre as medidas propostas, o ministro quer que o juiz seja afastado assim que a denúncia criminal seja recebida. Dessa forma, o magistrado não poderia continuar julgando processos enquanto responde a investigações graves.

Quando houver sentença definitiva, o cargo deixaria de existir automaticamente para o condenado. A medida evitaria a aposentadoria remunerada que acumula passivos milionários para o erário público.

Dino afirma que a mesma lógica deve valer para advogados: havendo denúncia formal, a inscrição na OAB seria suspensa, e havendo condenação, o registro seria cassado em caráter permanente. O ministro pede ainda patamares mais altos de pena para peculato, corrupção passiva, concussão, tráfico de influência e prevaricação quando praticados dentro do sistema de Justiça.

Na avaliação do magistrado, decisões, pareceres ou indiciamentos tratados como mercadoria subtraem o interesse público e minam a legitimidade da jurisdição. Quando o capital compra posições jurídicas, forma-se um mercado paralelo de sentenças capaz de distorcer a democracia e o desenvolvimento.

O mesmo ministro relatou decisão colegiada que derrubou a aposentadoria compulsória como sanção máxima em casos disciplinares graves, restabelecendo a previsão constitucional de perda de cargo. Apesar disso, alguns tribunais continuaram aplicando aposentadorias com vencimentos integrais para juízes investigados por venda de sentenças e desvio de custas — prática que Dino classificou como intolerável.

Dino defendeu a aprovação de uma emenda à Constituição que inclui explicitamente a perda de cargo para juízes e membros do Ministério Público que cometam crimes graves. Associações de magistrados se posicionaram contra o projeto, alegando risco à independência judicial.

A liderança do governo articula maioria no plenário para garantir a votação ainda neste semestre. A iniciativa também prevê a atualização do Código Penal para criar um tipo específico de obstrução de justiça, abarcando condutas como destruição de provas digitais ou pressões financeiras.

Dino argumenta que, diante da transformação tecnológica dos crimes, o legislador precisa adequar a tipificação penal para não deixar lacunas aproveitadas por organizações criminosas que permeiam o Judiciário. Analistas ouvidos pelo Diário do Centro do Mundo observam que o endurecimento pode reduzir a percepção de impunidade e melhorar índices de confiança nas cortes superiores.

Advogados criminalistas pedem que o Congresso preserve o contraditório e a ampla defesa, lembrando que afastamentos precoces não devem derivar em punições antecipadas. Na resposta, Dino sustenta que a proteção à sociedade não se confunde com vingança institucional e que o devido processo legal permanece intocado.

Peso extra sobre crimes funcionais, acrescenta o ministro, funciona como prevenção geral e afasta conluios empresariais. Impede ainda que os cofres públicos arquem com aposentadorias de quem viola juramentos.

O ministro acredita que o país vive uma oportunidade para aprovar mudanças constitucionais de alta relevância, pois há amplo acordo de que a corrupção no Judiciário é lesiva à democracia. Se a emenda for promulgada, juízes e promotores passarão a responder não só administrativamente, mas também penalmente, com clareza de prazo, rito sumário de execução da sentença e imposição de ressarcimento ao erário.

A expectativa de Dino é consolidar uma cultura de integridade que reflita na magistratura de primeira instância, onde casos de venda de decisões em massa despertam atenção do Conselho Nacional de Justiça. Os próximos passos envolvem a negociação de emendas de redação, a análise pelo plenário do Senado e, posteriormente, a deliberação da Câmara dos Deputados — fase em que entidades de classe prometem intensificar o lobby contrário.

Dino conclui que a modernização das punições é essencial para a credibilidade institucional. Sem ela, a sociedade pode perder definitivamente a confiança no Judiciário, abrindo caminho para discursos autoritários que questionam a legalidade democrática.


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Carlos Meirelles

03/05/2026

Bonita a defesa do Dino, mas cadê a proposta pra cortar o orçamento desse mesmo STF que engessa o país com pautas ativistas? Juiz corrupto tem que perder cargo sim, mas enquanto a corte mais cara do mundo julga casamento de formiga, o contribuinte paga a conta.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

É impressionante como até mesmo um ministro do STF, que deveria zelar pela retidão, precisa agora defender o óbvio: juiz corrupto tem que perder o cargo na hora, sem essa história de aposentadoria com salário integral. Enquanto o CNJ continuar sendo presidido pelo próprio STF, essa limpeza nunca vai sair do papel. A sociedade cansou de ver toga sendo usada como escudo para bandidagem.

Maria Aparecida

03/05/2026

Amém, Ronaldo e João Carlos! Vocês trouxeram a realidade da base, a parábola dos trabalhadores que Jesus contou. Juiz corrupto não é só um pecado individual, é uma injustiça estrutural que joga o pobre no desamparo enquanto o rico compra sentença. “Ai dos que justificam o ímpio por suborno” (Isaías 5:23). Dino está certo: tem que perder o cargo na hora, sim, e com transparência pública. Mas enquanto o CNJ for um clube fechado de togados, a gente vai continuar vendo a justiça dos fariseus, não a justiça do Reino.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, Ronaldo, você falou uma coisa que eu vivo vendo no dia a dia. Na obra, se o pedreiro desvia um saco de cimento, é rua na hora. Agora, juiz com sentença suspeita, aposentadoria cheia e processo que se arrasta anos. Dino tá certo em querer punição na hora, mas enquanto o CNJ for presidido pelo STF, vai ser sempre puxando o tapete pra baixo. O povo cansa de ver impunidade.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

Apoio qualquer medida que tire da toga o privilégio de bandido. Enquanto o CNJ for presidido pelo STF, a casa manda na própria limpeza — e a gente sabe como termina. Na fábrica, se um operário desvia uma peça, é sumário e rua; juiz corrupto tem que perder o cargo na hora, sem aposentadoria milionária. Cadê a mesma mão pesada que cai na classe trabalhadora?

Ana Karine Xavante

03/05/2026

O debate sobre o endurecimento das punições para juízes corruptos é urgente e necessário, mas preciso dizer que a discussão nos comentários até agora, embora inteligente, ainda gira em torno de um eixo muito estreito. A Cecília, por exemplo, caiu na armadilha liberal clássica de achar que menos Estado resolve tudo, como se a corrupção fosse um desvio individual e não um sintoma do nosso colonialismo estrutural. O Augusto já rebateu bem ao citar os nórdicos, mas esqueceu de mencionar que esses países tiveram que construir séculos de controle social e participação popular para chegar lá — não foi o “mercado” que fez isso. A questão não é só “quem julga o juiz”, como o João Pereira e a Vanessa colocaram com razão; é também como a magistratura brasileira foi historicamente formada como uma casta branca, elitista e desconectada das maiorias, especialmente dos povos indígenas e quilombolas, que sofrem na pele as decisões desse judiciário.

O corporativismo que vocês apontam é real, mas ele não é um acidente; é a manifestação de um poder que nunca foi democratizado de verdade. O CNJ, como bem lembrou a Vanessa, é um filtro corporativo justamente porque reflete a composição social do judiciário: homens, brancos, ricos, formados nas mesmas faculdades, com os mesmos valores de classe. Para mim, que venho de Mato Grosso e vejo juízes rurais decidindo sobre terras indígenas como se estivessem no século XIX, a proposta do Dino é um avanço tático, mas insuficiente se não vier acompanhada de uma reforma profunda na composição dos tribunais. Não adianta criar punições mais duras se quem vai aplicar a punição é o mesmo juiz que senta ao lado do investigado no almoço de confraternização da associação de magistrados.

Outro ponto que ninguém tocou e que acho central: a corrupção no judiciário não é só financeira. Existe uma corrupção epistêmica, que é quando um juiz ignora laudos antropológicos, desrespeita o direito consuetudinário de um povo indígena ou favorece um latifúndio em detrimento de uma comunidade tradicional. Isso também é lavagem de dinheiro? Não nos termos da lei atual, mas deveria ser. Um magistrado que aceita um agrado de um fazendeiro para emitir uma liminar contra uma demarcação está cometendo o mesmo tipo de crime contra a humanidade que um juiz que desvia verba pública. A proposta do Dino, se for para valer, precisa incluir esses crimes ambientais e territoriais como corrupção, senão vamos continuar vendo togas protegendo o genocídio dos nossos povos enquanto se discute apenas o desvio de dinheiro.

Por fim, acho que o cinismo que a Fernanda mencionou é um perigo real, mas ele não pode nos paralisar. Sim, o CNJ é um muro, sim, a proposta pode ser engavetada pelo corporativismo, mas a luta por um judiciário que nos represente — indígenas, quilombolas, ribeirinhos, periféricos — passa por ocupar todos os espaços de pressão. Endurecer a lei é um passo, mas o passo seguinte, que ninguém aqui citou, é a criação de mecanismos de controle popular direto, como ouvidorias com poder deliberativo e a participação de lideranças comunitárias nos conselhos de fiscalização. Enquanto o povo não tiver voz para destituir um juiz que age contra a vida, qualquer punição será apenas uma maquiagem no edifício colonial do nosso judiciário.

Vanessa Silva

03/05/2026

João Pereira, você acertou em cheio no problema do CNJ. Enquanto o conselho for presidido pelo STF e composto por membros da própria magistratura, qualquer proposta de punição mais dura vai cair num filtro corporativo. A saída não é só endurecer a lei, é repensar quem julga o juiz.

Fernanda Oliveira

03/05/2026

João Pereira, você tocou no ponto nevrálgico: o corporativismo da magistratura é real e a proposta do Dino, por mais bem intencionada que seja, esbarra nesse muro enquanto o CNJ continuar sendo um tribunal de coleguismo. Mas acho perigoso a gente cair no cinismo de achar que nenhuma mudança estrutural vale a pena — punição mais dura pra juiz corrupto é o mínimo, e a sociedade precisa cobrar isso sim, mesmo sabendo que o caminho é uma luta constante contra o pacto de silêncio da toga.

Augusto Silva

03/05/2026

Cecília, adoro a fé no livre mercado como solução universal, mas corrupção não é fruto da burocracia — é fruto da impunidade. Países com menos regulação e mais transparência, como os nórdicos, têm juízes independentes e punições severas; já os paraísos da desregulação total, tipo alguns paraísos fiscais, são exatamente onde o dinheiro sujo vai parar. A conta não fecha, minha cara: menos Estado não significa menos corrupção, significa menos gente olhando.

Cecília Alves

03/05/2026

Ora, mais um político querendo aumentar o próprio poder e o tamanho do Estado. Se Dino estivesse realmente preocupado com corrupção, defenderia menos leis e menos burocracia, que são o verdadeiro combustível para esses desvios. Juiz corrupto tem que ir pra cadeia, mas com due process, não com canetada de ministro. No fim, a conta de mais esse “aperfeiçoamento” institucional quem paga é o contribuinte.

João Pereira

03/05/2026

A ideia em si é boa, mas a discussão morre no “quem vai julgar o juiz”. O corporativismo da magistratura é um muro que nenhuma proposta genérica derruba enquanto o CNJ for composto majoritariamente pelos próprios investigados.

Laura Silva

03/05/2026

Ricardo Menezes, seu comentário é sintomático de algo que venho estudando há anos: a despolitização do debate público e a redução de toda discussão institucional a uma lógica de torcida organizada. Você equipara a defesa de um aperfeiçoamento legal com a suposta blindagem de figuras políticas, como se o ordenamento jurídico fosse um cardápio que se escolhe conforme o apetite do momento. Isso é um profundo equívoco de método.

A proposta de Flávio Dino precisa ser lida à luz da sociologia das profissões jurídicas, algo que Bourdieu estudou com afinco. O campo jurídico brasileiro sempre operou com um alto grau de autonomia relativa, mas também com forte endogenia corporativa. O que Dino propõe é justamente romper com essa lógica de autorregulação que historicamente protegeu magistrados das mesmas sanções que qualquer cidadão sofreria. Não se trata de perseguir A ou B, mas de criar mecanismos impessoais que transcendam governos.

A historiadora Laura de Mello e Souza já demonstrou como as instituições de controle no Brasil sempre foram seletivas: funcionam com rigor contra os de baixo e com complacência com os de cima. O Poder Judiciário não escapa a essa regra. Quantos juízes foram afastados por decisões suspeitas em ações de despejo durante a pandemia? Quantos magistrados foram responsabilizados por prisões arbitrárias que destruíram famílias inteiras? A conta não fecha.

O que me preocupa, acompanhando a reflexão da Mariana Oliveira, é que a desconfiança legítima nas instituições acabe servindo de combustível para um cinismo estéril que paralisa qualquer avanço. Sim, o sistema é seletivo. Sim, há corporativismo. Mas daí a concluir que nenhuma reforma vale a pena, que tudo é “teatro”, há um abismo. É justamente porque as instituições são imperfeitas que precisamos de instrumentos mais duros, mais automáticos, menos dependentes de vontades individuais.

A proposta de Dino, se aprovada, não vai resolver a corrupção sistêmica da noite para o dia. Nenhuma medida legal isolada resolve. Mas pode criar uma fissura no muro do corporativismo, um precedente que force o Judiciário a se olhar no espelho com mais honestidade. E isso, para quem estuda a lenta construção de direitos no Brasil, já é um passo que não pode ser descartado com um impropério.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Dino falando em punir juiz corrupto é piada pronta. O mesmo sujeito que blindou o Lulinha e passou pano pra pedalada fiscal agora quer dar lição de moral. Se for pra valer, que comece varrendo a própria casa, começando pelo STF. Enquanto isso, eu continuo pagando imposto nas alturas pra sustentar essa farra.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    Ricardo, seu comentário expressa uma frustração que é legítima e compartilhada por muita gente: a sensação de que o sistema de justiça funciona de forma seletiva, protegendo uns enquanto persegue outros. Essa desconfiança nas instituições não surge do nada — ela é alimentada por décadas de impunidade seletiva, onde o peso da lei cai desproporcionalmente sobre corpos negros, periferias e oposições políticas, enquanto certos círculos do poder parecem blindados. A crítica que você faz ao corporativismo e à falta de accountability no Judiciário é pertinente e ecoa o que Kimberlé Crenshaw chama de interseccionalidade institucional: as mesmas regras são aplicadas de forma diferente dependendo de quem está na mira. O problema é que, ao reduzir o debate a “Dino blindou Lulinha”, você acaba reproduzindo o mesmo maniqueísmo que denuncia — troca a análise estrutural por um ataque personalista que não enfrenta o cerne da questão.

    A proposta de afastamento imediato para juízes corruptos, vinda de quem vier, precisa ser avaliada pelo mérito, não pelo histórico de quem a defende. Se Dino errou ao não investigar determinados casos com o mesmo rigor que cobra agora, isso é uma contradição que deve ser apontada — e bell hooks nos ensina que a crítica amorosa exige que a gente cobre coerência sem perder de vista o objetivo maior. Mas jogar fora a proposta inteira porque o mensageiro é imperfeito é um luxo que a sociedade brasileira não pode pagar. O que você sugere — “começar varrendo a própria casa, começando pelo STF” — é justamente o que a proposta visa fazer: criar um mecanismo automático que não dependa de vontade política. Se o STF for o primeiro a ser varrido, ótimo. Mas para isso precisamos de regras claras, impessoais e aplicáveis a todos, não de um vale-tudo onde cada um aponta o dedo para o adversário enquanto esconde os podres do próprio lado.

    A verdade é que o sistema de justiça brasileiro opera como uma máquina de produção de desigualdade, e a seletividade que você denuncia é apenas a ponta do iceberg. Enquanto a gente ficar nesse pingue-pongue de “fulano blindou sicrano”, a estrutura que permite a corrupção sistêmica — e que pune com rigor o furto de um frango enquanto absolve desvios milionários com base em tecnicidades — continua intacta. Eu pago imposto nas alturas como você, e sei que parte desse dinheiro financia privilégios corporativos que nada têm a ver com justiça. Mas a saída não é desqualificar qualquer proposta vinda de quem a gente desconfia; é exigir que ela seja aperfeiçoada com controle social, transparência e mecanismos que impeçam a seletividade. Do contrário, a gente continua girando no mesmo debate raso, enquanto o Judiciário segue sendo um dos últimos redutos da nossa elite branca, masculina e patrimonialista.

Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Pessoal, a proposta é justa no mérito, mas sou cético quanto à execução prática. No Rio, a gente vê que punição exemplar muitas vezes esbarra em corporativismo e em recursos intermináveis. Seria bom um sistema mais automático e menos dependente de vontade política, algo que funcionasse como um compliance rigoroso, igual se exige de qualquer gestor público.

Caio Vieira

03/05/2026

Caro Celio Fazendeiro, o senhor toca em um ponto nevrálgico, mas o faz com uma inversão dialética que me recorda a famosa passagem de Lucano sobre a “bella plus quam civilia” — as guerras mais cruéis são aquelas travadas entre concidadãos que se recusam a enxergar a totalidade do fenômeno. Quando o senhor acusa Dino de hipocrisia por ter integrado um governo que, segundo sua percepção, abriga “ladrões”, o senhor inadvertidamente reproduz o que poderíamos denominar de “hegemonia do ressentimento”, um conceito que venho desenvolvendo em meus estudos sobre a cultura política mineira. O ponto não é negar que haja contradições no tecido institucional — seria ingênuo fazê-lo —, mas sim compreender que a proposta de Dino, ao mirar a magistratura, ataca um dos últimos redutos do que Gramsci chamaria de “cesarismo progressivo”, onde o Judiciário se arvora em poder moderador sem qualquer mecanismo de controle popular efetivo.

A senhora Maura Santos, com sua perspicácia habitual, já identificou a seletividade histórica que opera como verdadeiro axioma do sistema de justiça brasileiro. Permitam-me aprofundar essa questão à luz do que os antigos romanos denominavam “summum ius, summa iniuria” — o direito levado ao extremo converte-se em injustiça. O que observamos não é uma aplicação igualitária da lei, mas uma verdadeira “guerra de posições” no sentido gramsciano, onde determinados atores — geralmente aqueles desprovidos de capital social e econômico — são sacrificados no altar da moralidade pública, enquanto outros, devidamente ancorados em redes de patronagem, permanecem incólumes. A proposta de Dino, embora meritória em sua intenção de coibir a corrupção endêmica, corre o risco de tornar-se mais um instrumento de “transformismo” se não vier acompanhada de uma reforma estrutural que democratize o acesso à justiça e submeta os magistrados a um controle social efetivo.

O comentário do Paulo Ribeiro, com sua erudição gramsciana, merece um adendo fundamental. O “transformismo” opera de maneira particularmente perversa no campo jurídico brasileiro: ao mesmo tempo em que se propõe punir juízes corruptos, silencia-se sobre a composição oligárquica dos tribunais superiores e sobre os mecanismos de cooptação que garantem a reprodução de uma casta judiciária impermeável às demandas populares. É preciso lembrar que, conforme demonstrei em meu último artigo na Revista de Sociologia Política, a “cultura do bacharelismo” — herança do Império que ainda assombra nossas instituições — cria um ethos corporativo que naturaliza privilégios e resiste a qualquer tentativa de controle externo. A proposta de Dino, portanto, precisa ser lida como um primeiro passo em uma longa marcha institucional, e não como panaceia.

Por fim, permito-me divergir respeitosamente da sugestão de Mariana Costa sobre um “mecanismo automático e impessoal”. Embora compreenda o apelo de uma solução técnica e asséptica, alerto que o formalismo jurídico — essa crença quase teológica na neutralidade dos procedimentos — frequentemente serve como biombo para a manutenção do status quo. Como bem demonstrou a Escola de Frankfurt, a racionalidade instrumental pode ser tão opressiva quanto a arbitrariedade explícita. O que precisamos, em verdade, é de um sistema que combine transparência radical com participação popular — algo como os “conselhos populares de fiscalização judiciária” que venho propondo em meus seminários na UFMG. Sem a voz ativa do povo trabalhador, qualquer mecanismo, por mais bem-intencionado que seja, tenderá a reproduzir as hierarquias que diz combater.

Samara Oliveira

03/05/2026

Maura, você tocou num ponto crucial: a seletividade histórica. Enquanto uns são afastados na hora por denúncia anônima, outros ficam anos no cargo mesmo com provas robustas. Dino acerta na proposta, mas precisamos de um sistema que não dependa de quem está no poder — a justiça tem que ser cega de verdade, não só para pobre.

Mariana Costa

03/05/2026

A proposta em si é sensata: juiz corrupto deveria mesmo perder o cargo na hora. O problema é que no Brasil a gente já viu esse discurso seletivo demais — a mesma rigidez raramente se aplica quando o acusado tem padrinho político. O ideal seria um mecanismo automático e impessoal, sem depender de quem está no poder.

Paulo Ribeiro

03/05/2026

Caro Celio Fazendeiro, com todo respeito, seu comentário reproduz exatamente o mecanismo que Gramsci chamava de “transformismo”: desviar o debate estrutural para a acusação moral contra o sujeito que propõe a mudança, esvaziando assim o conteúdo da proposta. Dino não está se candidatando a santo; está, enquanto jurista formado na tradição crítica do direito, apontando uma contradição institucional objetiva: o Judiciário brasileiro funciona como um poder moderador que nunca é moderado, uma corporação que julga os outros mas blindou historicamente seus pares. A Lava Jato, para ficar no exemplo mais recente, produziu mais delações premiadas do que condenações de magistrados, e olha que sobrou grampo ilegal e abuso de poder. O artigo do ministro não é sobre “petistas” ou “bolsonaristas”, é sobre a necessidade de repensar o controle disciplinar de uma casta que, como mostrou Althusser, opera como aparelho ideológico do Estado: forma consciências, define o legal e o ilegal, mas raramente responde por seus próprios desvios.

A Maura Santos tocou num ponto crucial quando lembrou da parcialidade da Lava Jato. Não foi um desvio individual, foi a captura de um instrumento jurídico por uma agenda política. E isso só foi possível porque o CNJ, criado justamente para ser o órgão de controle externo, sempre funcionou como uma irmandade corporativa. Dados oficiais mostram que, das milhares de reclamações contra magistrados, uma fração ínfima resulta em afastamento. O que Dino propõe, na esteira de uma leitura mariateguiana do direito — para quem a justiça formal burguesa esconde a violência de classe —, é que a perda do cargo não pode ser tratada como exceção, mas como consequência lógica de quem trai a confiança pública. Não é punitivismo, é elementar teoria do Estado: se o juiz corrompe a própria função que legitima o sistema, ele não pode continuar a exercê-la.

Quanto ao Tadeu, que só se interessa pela Selic, permita-me uma observação: a taxa básica de juros no Brasil é alta justamente porque o Estado brasileiro carrega um custo de desconfiança institucional. Quando o Judiciário é percebido como corporativo e impune, o risco-país sobe, o capital exige prêmio maior e quem paga a conta é o trabalhador que financia a dívida pública via impostos regressivos. Moralizar o Judiciário não é pauta de esquerda ou direita, é condição estrutural para qualquer política econômica que pretenda ser minimamente justa. O problema é que a direita brasileira sempre usou o discurso da “moralização” para perseguir adversários, enquanto a esquerda, muitas vezes, tratou o Judiciário como tabu. Dino, ao menos, está tentando romper esse ciclo vicioso.

Por fim, a Sofia García acertou em cheio: a hipocrisia dos comentários revela o quanto estamos presos a uma disputa de narrativas que nunca enfrenta o problema real. O Brasil precisa de um controle externo efetivo do Judiciário, com participação social e transparência. Enquanto isso não acontece, continuaremos a ver juízes que condenam réus com base em “convicção pessoal” e se aposentam com salários integrais após escândalos. A proposta de Dino é um passo, não a solução final. Mas, como diria Mariátegui, “a reforma não é o fim, é o caminho”. E quem não quer nem começar a andar, que pare de reclamar do atalho.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Esse Dino é um hipócrita de marca maior, falar em punir juiz corrupto depois de ter sido ministro desse governo que é um antro de ladrões. Cadê a mesma rigidez pra investigar os próprios colegas do STF que protegem bandido? Enquanto isso, a gente aqui ralando 12 horas por dia pra pagar imposto pra essa corja.

    Maura Santos

    03/05/2026

    Célio, amigo, você tá ralando 12h por dia e ainda acha que o problema é o Dino? Lembra quando a extrema-direita cortou verba de fiscalização e a Lava Jato virou um reality show de parcialidade? Enquanto isso, a gente aqui pegando busão lotado porque investimento em mobilidade foi pro ralo. Foca no alvo certo, não no espantalho.

Diego Fernández

03/05/2026

O Tadeu aí tá mais preocupado com a Selic do que com a impunidade no Judiciário, típico. Enquanto isso, na Argentina, vimos juízes federais protegendo esquema de lavagem de dinheiro e ninguém foi afastado na hora. A proposta do Dino é o mínimo — no Brasil, um juiz corrupto ainda tem mais garantias que um trabalhador que rouba um pão. Se afastar na hora e perder o cargo virar regra, já é um passo, mas precisamos ir além: reforma no CNJ e transparência real nas decisões.

Tadeu

03/05/2026

Pessoal, vou ser sincero: tô pouco me lixando pra briga de político. O que me interessa é saber se essa moralização toda vai baixar o risco Brasil e fazer a Selic cair, porque aí sim a bolsa descola. Enquanto isso, fico aqui vendo IPCA de 4% e renda fixa pagando 13% achando que é gain.

Sofia García

03/05/2026

gente, o tanto de hipocrisia nos comentários kkkkk o Dino falou de punir juiz corrupto e o povo já vem com “mas e os petistas?” amiga, a notícia é sobre juiz corrupto, não sobre partido A ou B. se o CNJ afastou 20 de 4 mil reclamações, tá na hora de meter o pé na porta mesmo, sem clubismo.

Luiz Carlos

03/05/2026

Dino falar de moralidade é piada, o cara foi ministro da Justiça desse governo que é um antro de corrupção. Juiz corrupto tem que ser preso sim, mas cadê a mesma rigidez pra investigar os próprios colegas do STF? Enquanto isso, a gente aqui trabalhando 12 horas por dia pra pagar imposto pra sustentar essa farra.

Fernando O.

03/05/2026

Pessoal, vamos olhar os números: o CNJ recebeu mais de 4 mil reclamações contra magistrados em 2023, mas só afastou uns 20. A proposta do Dino é aumentar a eficiência da punição, não perseguir ninguém. Quem é contra o afastamento imediato de juiz corrupto está defendendo o quê exatamente?

Marina Costa

03/05/2026

Ah, Pedro Silva, o senhor tem razão em parte, mas cadê a mesma cobrança para juízes que soltam criminosos e perseguem cristãos? Esse Dino é um hipócrita, falando em moralidade enquanto o STF vira uma bagunça. A Bíblia diz em Provérbios 17:15 que “quem justifica o ímpio e quem condena o justo são abominação para o Senhor”. Que comecem por eles mesmos!

Marcus Almeida

03/05/2026

Engraçado ver a esquerda descobrindo agora que juiz corrupto tem que ser punido, depois de anos blindando petista e aliado no STF. O Dino fala bonito, mas cadê a mesma disposição pra investigar os próprios colegas que soltaram bandido e perseguiram cristão conservador? Enquanto o corporativismo da toga continuar protegendo os deles, isso é só cortina de fumaça pra desviar atenção do verdadeiro combate à corrupção.

Marta

03/05/2026

Sabe, meninos, eu vou falar uma coisa pra vocês que aprenderam história vendo TikTok: o Flávio Dino não é nenhum novato nessa luta. Quando ele era juiz federal no Maranhão, enfrentou milícia, grileiro de terra e até político que se achava dono do estado. Agora, como ministro do STF, ele está propondo exatamente o que qualquer cidadão de bem que já passou por uma sala de aula sabe: juiz corrupto tem que perder o cargo na hora, sem aquele teatrinho de aposentadoria compulsória com salário integral que vira “castigo” de férias pagas. Isso não é moralismo, é o mínimo do mínimo. E olha que eu sou professora aposentada, já vi colega sendo afastado por menos.

O Pedro Silva ali em cima soltou uma pérola: “cadê a mesma disposição pra investigar os próprios colegas do STF?”. Pois bem, meu filho, deixa eu te contar uma coisa que você parece ter esquecido: o STF já afastou desembargador, já prendeu juiz estadual e já mandou pra cadeia até ministro de tribunal superior. O problema é que o corporativismo da toga não é invenção de agora, é herança da ditadura militar, quando juiz era tratado como autoridade intocável. O Dino está justamente tentando quebrar esse ciclo. Agora, se você quer falar de investigar o STF, me mostre um fato concreto, não uma narrativa de WhatsApp.

A Karina Libertária, coitada, repetindo o bordão de que o Dino “blindou bandido no Maranhão”. Vamos aos fatos históricos, já que parece que a memória é curta: no Maranhão, o Dino enfrentou a máquina de corrupção do Sarney, que mandava no estado há décadas. Ele criou programas sociais que tiraram gente da miséria, e isso incomodou justamente quem lucrava com a pobreza alheia. Blindar bandido? Ora, me poupe. Quem blindou bandido foi a direita que protegeu miliciano e lavou dinheiro de propina em esquema de rachadinha. O Dino, pelo contrário, sempre foi um dos poucos que teve coragem de enfrentar o sistema de frente.

E olha, eu sei que o Rubens O Pescador já deu uma resposta certeira ali, mas vou reforçar: endurecer as punições para juízes corruptos não é um favor ao Lula ou ao PT, é uma necessidade republicana. O Brasil cansou de ver magistrado que condena pobre por furto de galinha e absolve colega de faculdade por desvio de milhões. Se o Dino conseguir aprovar isso, vai ser um avanço maior do que muito projeto que fica engavetado por décadas. Agora, se os meninos mal-educados dos comentários preferem continuar repetindo fake news em vez de ler o artigo, paciência. A história vai cobrar de todo mundo.

Pedro Silva

03/05/2026

Ah, lá vem o Dino querendo bancar o moralista agora, depois de passar anos no Senado votando com o centrão. Juiz corrupto tem que ser afastado sim, mas cadê a mesma disposição pra investigar os próprios colegas do STF? Essa turma da toga se acha acima do bem e do mal, enquanto a gente aqui no trânsito se fode pra pagar imposto.

Rubens O Pescador

03/05/2026

Pois é, Karina Libertária, esse papo de que “blindou bandido no Maranhão” é a mesma conversa fiada que a direita espalha. Lembro quando o povo aqui do interior passava fome e o Dino tava lá garantindo merenda escolar e programa social que botava comida na mesa do trabalhador. Juiz corrupto tem que perder o cargo sim, e na hora, mas não vem com esse mimimi de querer desqualificar quem sempre lutou pelo pobre.

Karina Libertária

03/05/2026

Dino falando em punir juiz corrupto é dose, né? O mesmo sujeito que blindou bandido no Maranhão e agora quer dar lição de moral. Se for pra limpar o Judiciário, que comecem varrendo a própria casa antes de querer bancar o paladino da justiça.

Nadia Petrova

03/05/2026

A Maria Silva tocou num ponto óbvio, mas que ninguém quer enfrentar: enquanto o Judiciário não for varrido com o mesmo rigor que se exige dos outros Poderes, isso é só teatro institucional. Dino fala bonito, mas o corporativismo da toga sempre achou um jeito de engavetar sindicância. Quero ver é punição sumária pra desembargador que vende sentença, não só discurso de ministro em artigo.

Maria Silva

03/05/2026

A ideia é boa e necessária, mas cadê a mesma pressa em punir políticos corruptos de todos os partidos? Se for pra endurecer, que seja pra valer pra todo mundo, sem corporativismo nem proteção de panelinha.

Marcos Andrade Niterói

03/05/2026

O Paulo Rocha aí já entregou a que veio, chamando o Dino de hipócrita enquanto defende bandido de toga. Apoio total à proposta do ministro: juiz corrupto tem que perder o cargo na hora, sem aquele corporativismo que protege os próprios. Enquanto isso, o governo do estado aqui no Rio continua entregue às moscas, e olha que Niterói mostrou que dá pra fazer gestão séria.

Carlos Menezes

03/05/2026

A ideia em si é boa, mas acho que o Lucas Pinto tocou no ponto certo: o problema não é só a punição, é a estrutura que permite que esses casos se arrastem. Dino fala bonito, mas o Judiciário brasileiro sempre foi uma caixa-preta. Se for pra valer, que comece com transparência de verdade.

Lucas Pinto

03/05/2026

A discussão levantada pelo ministro Dino é, no mínimo, sintomática de um sistema que precisa desesperadamente de uma autocrítica institucional. Antes de qualquer coisa, é preciso desmontar a aura de neutralidade que envolve o Judiciário brasileiro. Não existe magistrado acima das contradições de classe, e a proposta de Dino, embora avance no discurso, ainda opera dentro de uma lógica liberal de “moralização” que jamais toca na estrutura material que produz a corrupção. Enquanto o CNJ for composto majoritariamente pelos próprios pares, qualquer punição será uma exceção teatral para legitimar a regra da impunidade. Gramsci já nos alertava que o Estado é uma trincheira, e o Judiciário é uma das fortalezas mais bem guardadas da hegemonia burguesa.

O comentário do João Carvalho acertou em cheio ao mencionar a endogenia corporativa. Mas a questão é mais profunda: a corrupção de juízes não é um desvio de conduta individual, é a expressão de um aparelho de Estado que foi desenhado para servir aos interesses do capital. Vejamos o histórico de decisões do STF em casos de grande monta: prisão em segunda instância, foro privilegiado, a lentidão dos processos contra figurões do mercado financeiro. Tudo isso não é “falha técnica”, é projeto. Dino, como ex-juiz e agora ministro do STF, conhece perfeitamente os mecanismos de blindagem. A pergunta que fica é: por que só agora, e em um artigo, essa defesa aparece com tanta veemência? Talvez porque a pressão popular e a crise de legitimidade estejam forçando o sistema a produzir algum verniz de credibilidade.

Sandra Martins, com sua perspectiva religiosa, tocou em um ponto teológico-político interessante. A “trave no olho” é uma metáfora poderosa, mas precisamos ir além da parábola. O que está em jogo não é a hipocrisia individual de cada juiz, mas a hipocrisia sistêmica de uma instituição que se autoproclama “guardiã da Constituição” enquanto reproduz as desigualdades mais brutais. A lavagem de dinheiro que passa pelas varas cíveis, os desvios em precatórios, a venda de sentenças em tribunais estaduais… isso não é fruto de “maçãs podres”, é a podridão do cesto inteiro. E o cesto é feito de um material chamado capitalismo dependente periférico.

Quanto aos comentários do Paulo Rocha e do Marcos Conservador, eles são a prova viva de que a direita brasileira não tem projeto, só tem ressentimento. Reduzir a discussão a “Dino é comunista” ou “passa pano pra bandido” é a maneira mais preguiçosa de evitar o debate real. Enquanto eles ficam nessa dicotomia rasteira, o Judiciário continua sendo o principal fiador da exploração de classe no país. O Francisco de Assis já respondeu bem: o governo anterior nomeou ministros suspeitos e blindou corruptos de colarinho branco. Mas nem isso deveria ser o centro. O centro é: como romper com a lógica de que a lei só existe para punir quem não tem dinheiro para comprar um bom advogado ou um bom contato no tribunal?

No fim das contas, a proposta de Dino é um paliativo dentro de um sistema que precisa ser refundado. Não adianta trocar a fechadura se a porta continua sendo de papelão. Enquanto o Judiciário for um espaço de reprodução da elite, com seus salários astronômicos, seus penduricalhos e sua autorregulação, qualquer “endurecimento” será apenas mais um capítulo na farsa. O que precisamos é de um controle social efetivo, com participação popular, transparência radical e, acima de tudo, a compreensão de que justiça não se faz com juízes iluminados, mas com a abolição das condições materiais que geram a injustiça. Mas isso, é claro, o STF jamais aprovaria.

Marcos Conservador

03/05/2026

O Paulo Rocha aí já entregou o jogo. Esse Dino é mestre em falar o que o pessoal quer ouvir, mas na hora de agir é só chavão esquerdista. Quer punir juiz corrupto? Ótimo, comece varrendo a própria casa, ministro. Enquanto isso, o Brasil real tá aqui, vendo esse circo pegar fogo e pagando a conta no fim do mês.

    Francisco de Assis

    03/05/2026

    Marcos Conservador, você tá falando de “circo” mas esquece que o circo maior foi o governo do seu mito, que nomeou juiz suspeito e ainda passou pano pra corrupção. Dino tá certo em querer moralizar, e se você acha que é chavão, é porque nunca viu um ministro da Justiça enfrentar a própria corporação de frente.

Paulo Rocha

03/05/2026

Esse Dino é um tremendo hipócrita, falando em punir juiz corrupto enquanto defendeu bandido solto nas ruas. Enquanto esse povo do STF ficar nesse teatrinho, o Brasil vai continuar afundando. Vai pra Cuba, Dino! Faz o L.

Sandra Martins

03/05/2026

João Carvalho, você tocou no ponto que me tira o sono. Sou evangélica e acredito em justiça, mas essa história de juiz julgar juiz me lembra a parábola da trave no olho. Enquanto o CNJ for uma panelinha, podemos escrever as leis mais duras do mundo que na prática nada muda. Dino está certo no discurso, mas a execução é que precisa de oração e vigilância mesmo.

João Carvalho

03/05/2026

Cíntia e Pedro levantaram pontos importantes. A proposta de Dino tem mérito técnico, mas o verdadeiro calcanhar de Aquiles no Brasil é a endogenia corporativa do Judiciário. Enquanto o CNJ funcionar como uma irmandade que se autorregula, qualquer endurecimento normativo será letra morta. É a velha lição de Weber sobre burocracias que criam seus próprios códigos de honra para se protegerem da accountability externa.

Luciana

03/05/2026

Ah, Gabriel Teen, resumiu bem a situação. Enquanto eles ficam nesse teatrinho todo, eu tô aqui me virando pra pagar as contas no fim do mês. Pode até aprovar essa lei, mas duvido que algum juiz grandão vai perder o cargo de verdade.

Gabriel Teen

03/05/2026

Dino falando de punir juiz corrupto é igual eu falando que vou malhar segunda-feira, todo mundo sabe que não vai rolar.

Cíntia Alves

03/05/2026

A discussão é válida, mas acho que o Pedro Almeida tem um ponto: a proposta do Dino pode até ter mérito técnico, mas o problema real está na aplicação seletiva das regras. Enquanto o CNJ continuar sendo um órgão de cúpula que julga os próprios pares com luvas de pelica, qualquer endurecimento normativo corre o risco de virar letra morta.

Adalberto Livre

03/05/2026

DINO FALANDO EM PUNIR JUIZ CORRUPTO É IGUAL LADRÃO DEFENDENDO CADEIA, RIDÍCULO ESSE TEATRO TODO!!!

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Adalberto, sua indignação é compreensível e ecoa a velha máxima de Juvenal: “Quem vigiará os vigias?”. Mas reduzir a proposta de Dino a mero teatro ignora que o direito, como já dizia Benjamin, também pode ser um campo de disputa — e é na arena institucional que se pode, ao menos, constranger o arbítrio.

Luizinho 16

03/05/2026

Dino falando de punir juiz corrupto é igual patrão elogiando sindicato: bonito no discurso, mas na hora de aplicar a mão no próprio bolso todo mundo vira defensor da “estabilidade”.

Ana Costa

03/05/2026

A Maria Clara tocou no ponto central: quem fiscaliza o fiscalizador? Por mais bem-intencionada que seja a proposta do Dino, o histórico de engavetamento de processos contra magistrados pelo próprio CNJ mostra que o problema é menos de norma e mais de cultura institucional. Dados do próprio Conselho Nacional de Justiça indicam que menos de 5% das reclamações disciplinares contra juízes resultam em punição efetiva, então endurecer a lei sem criar mecanismos externos de controle me parece meio caminho andado.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

A proposta é boa no papel, mas a real efetividade depende de quem vai aplicar a punição. O corporativismo do Judiciário costuma engavetar esse tipo de medida, independente de quem está no STF.

Silvia Ramos

03/05/2026

Pois é, Carlos, o senhor tem toda razão. Enquanto o trabalhador honesto perde a carteira de motorista por uma multa, juiz corrupto tem aposentadoria integral e ainda é tratado como vítima. O problema é que esse mundo perdeu o temor a Deus e o respeito à lei. Juiz que se corrompe não merece nem aposentadoria, merece cadeia e vergonha na cara, como manda a Bíblia em Provérbios 17:15.

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Amém, Sílvia, mas a Bíblia também manda devolver o maná pra quem passa fome e o patrão não paga salário justo, #justiçaJá

Carlos Oliveira

03/05/2026

Pois é, Rick Ancap, o problema não é se o Dino é hipócrita ou não — o sistema judiciário brasileiro é uma fortaleza de privilégios que se blindou por décadas. Enquanto o povo trabalhador toma multa e perde a CNH por qualquer coisinha, juiz corrupto tem aposentadoria integral garantida e ainda é julgado pelos pares. Se for pra valer, tem que ter controle externo popular mesmo, não esse CNJ que é pauta entre amigos.

Julia Andrade

03/05/2026

É curioso observar como a discussão sobre punição de juízes corruptos sempre esbarra no mesmo muro: a corporação se protege, e qualquer proposta de endurecimento vem acompanhada de um “mas” que desmonta o discurso. Dino, que já foi senador e agora ocupa uma cadeira no STF, certamente conhece os mecanismos que tornam o Judiciário uma caixa-preta. A defesa do afastamento imediato e da perda do cargo soa bem no papel, mas a pergunta que fica é: quem vai fiscalizar os fiscais? Enquanto o CNJ for composto majoritariamente por membros da própria magistratura, qualquer punição mais severa dependerá de um pacto de coleguismo que raramente se rompe.

O ponto que a Ana Paula e o Ricardo levantaram sobre a aposentadoria compulsória com salário integral é o cerne da hipocrisia. Não existe lógica jurídica que justifique um juiz condenado por corrupção continuar recebendo proventos vitalícios como se estivesse em gozo de férias eternas. Isso não é punição, é um plano de demissão voluntária disfarçado de sanção disciplinar. Enquanto esse dispositivo permanecer no ordenamento, qualquer discurso sobre moralização será apenas performance. A sociedade civil precisa pressionar por uma reforma que desvincule a punição disciplinar do privilégio previdenciário — e isso exige enfrentar o lobby corporativo que trata o Judiciário como uma casta intocável.

Dito isso, acho que o Rick Ancap foi um pouco duro ao chamar Dino de hipócrita por defender punições agora. Pessoas mudam de posição ao longo da carreira, especialmente quando passam da política partidária para a magistratura e começam a enxergar as engrenagens por dentro. O problema não é Dino ter mudado de tom, mas sim o fato de que, mesmo que ele esteja genuinamente convencido, as ferramentas para implementar essa punição dependem de um consenso dentro do próprio STF e do Congresso, que historicamente blindam o Judiciário. Uma andorinha só não faz verão, e um ministro progressista não reforma sozinho uma cultura institucional centenária de impunidade.

O que me preocupa, como feminista e estudiosa de instituições, é que esse debate frequentemente ignora o recorte de raça e classe. Juízes corruptos, em sua maioria homens brancos de elite, são tratados com “dignidade” e “devido processo legal” que viram eufemismo para impunidade. Enquanto isso, nas periferias, jovens negros são condenados em ritmo de produção industrial, com testemunhos frágeis e defesas precárias. A seletividade penal brasileira opera nos dois extremos: para os de toga, um colchão de privilégios; para os de pele escura e sem sobrenome, a máquina de moer gente. Portanto, apoiar o endurecimento das punições para magistrados corruptos é necessário, mas não pode ser um fim em si mesmo — precisa vir acompanhado de um debate mais amplo sobre controle social do Judiciário, transparência nos tribunais e, acima de tudo, fim dos privilégios que transformam a toga em escudo.

Rick Ancap

03/05/2026

Dino defende punição pra juiz corrupto? Esse aí é o maior exemplo de hipocrisia vestida de toga, quer lacrar em cima do próprio sistema que sempre defendeu.

Ana Paula Conserva

03/05/2026

Concordo com a Alice: enquanto juiz condenado continuar aposentado com salário integral, isso não passa de discurso. Onde já se viu corrupto de toga ganhar férias vitalícias como prêmio? O mínimo que a sociedade espera é perder o cargo e o benefício, sem essa história de aposentadoria compulsória com vencimentos.

    Ricardo Almeida

    03/05/2026

    Ana Paula, você tocou no ponto nevrálgico: a aposentadoria compulsória com salário integral é uma jabuticaba jurídica que transforma punição em promoção. Enquanto o CNJ continuar sendo um tribunal de corporação e não de controle social, qualquer proposta de afastamento imediato será apenas um paliativo para manter a fachada de moralidade.

Carlos Rocha

03/05/2026

Flávio Dino falar em punir juiz corrupto é piada pronta. O mesmo cara que blindou o Judiciário com o famigerado “conselho de notáveis” agora quer posar de paladino da moralidade. Enquanto o STF não tiver controle externo real e juiz continuar aposentado com salário integral depois de condenado, isso aí é só cortina de fumaça pra desviar atenção dos privilégios da própria casta.

    Alice T.

    03/05/2026

    Carlos, você acertou em cheio: enquanto não existir controle externo real e a aposentadoria integral for garantida até pra juiz condenado, qualquer discurso punitivo é só teatro pra manter a casta intacta. O Dino pode até ter mudado de tom, mas as estruturas de privilégio continuam de pé — e a conta quem paga é o povo que nunca teve direito a um salário mínimo digno, quanto mais a uma aposentadoria dourada.

Paula Santos

03/05/2026

A proposta em si é justa e necessária, afinal a toga não pode ser escudo para impunidade. Mas, como cristã, acredito que punição severa precisa vir acompanhada de arrependimento e reparação, não só de afastamento. O problema é que enquanto o corporativismo imperar, medidas assim podem virar apenas um discurso bonito sem efeito real.

Silvia D.

03/05/2026

A Ana tocou num ponto crucial: enquanto o corporativismo permitir que juízes julguem os próprios pares em sigilo, qualquer punição mais dura vira letra morta. A proposta do Dino é correta no mérito, mas precisamos de mecanismos reais de controle externo e transparência — senão fica só no discurso bonito pra plateia.

Ana Souza

03/05/2026

Difícil discordar da proposta em si, mas o problema é que o Judiciário sempre foi um ninho de corporativismo. Enquanto juiz continuar julgando os próprios pares em processos secretos, essa punição mais dura vai ficar só no papel.

Roberto Lima

03/05/2026

Pois é, Marta, você tocou no ponto certo. Enquanto esse pessoal fica de discursinho moralista, o brasileiro que trabalha de verdade tá pagando a conta de um Estado inchado que não presta serviço nem devolve o dinheiro em infraestrutura. Se o Dino quer meter a mão na corrupção, que comece cortando os supersalários do próprio Judiciário e reduzindo imposto pra quem produz.

    Cláudio Ribeiro

    03/05/2026

    Roberto, você tem razão ao apontar a contradição entre o discurso punitivo e a manutenção de privilégios reais, mas o problema não se reduz a cortar supersalários — trata-se de desmontar a estrutura de castas que transforma o Estado em moeda de troca entre corporações blindadas e o capital financeiro, algo que a simples redução tributária sem enfrentar a captura do Judiciário jamais resolverá.

Carmem Souza

03/05/2026

É louvável ver um ministro do STF defendendo punições mais duras para juízes corruptos, pois a Justiça precisa ser exemplo de retidão. Mas concordo com o Carlos que a desconfiança é grande, porque enquanto não houver transparência real nos processos disciplinares, fica parecendo discurso para a plateia. Que venham medidas concretas, e que Deus ilumine para que a vara que mede os outros também meça a casa.

Marta Souza

03/05/2026

Bonito discurso, mas enquanto esse pessoal fica debatendo punição pra juiz corrupto, o empreendedor brasileiro continua sufocado por uma carga tributária absurda e um Estado que não entrega serviço básico. Se o Dino quer mesmo combater corrupção, que comece cortando os privilégios da própria turma e abrindo mão desse monte de imposto que engessa o mercado. Juiz corrupto tem que perder cargo sim, mas cadê a mesma rigidez pra julgar causas trabalhistas que quebram empresas honestas?

    Mateus Silva

    03/05/2026

    Marta, você acerta ao apontar a assimetria entre o discurso punitivo e a estrutura tributária que esmaga o pequeno empreendedor, mas comete um erro ao tratá-los como temas excludentes — a captura do Estado por corporações blindadas e a carga fiscal regressiva são duas faces da mesma moeda, e é sintomático que a direita queira escolher apenas uma batalha.

Mariana Santos

03/05/2026

Carlos, a desconfiança é justa e revela o quanto a sociedade já internalizou que o Judiciário opera como um castelo blindado. Enquanto a gente não tiver controle social efetivo sobre os tribunais e transparência real nas decisões disciplinares, qualquer proposta, por mais avançada que seja, corre o risco de virar letra morta. O problema não é só a punição, é a cultura de corporativismo que protege os pares há décadas.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Pois é, a ideia em si é boa, mas cadê a aplicação prática? A gente vê juiz sendo pego com dinheiro na cueca e continua na ativa, enquanto o cidadão comum paga imposto até pra respirar. Se for pra valer mesmo, ótimo, mas desconfio que vai ficar só no discurso bonito.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Bonito discurso, mas cadê a mesma pressa pra punir juiz trabalhista que cria jurisprudência contra o empreendedor? Enquanto isso a conta de imposto não para de crescer e o STF vira palanque. Quero ver é juiz perdendo cargo de verdade, não só artigo bonito em jornal.

    Mariana Alves

    03/05/2026

    Eduardo, sua provocação carrega um deslocamento sintomático que merece ser examinado com cuidado. Você transfere para a seara trabalhista uma insatisfação legítima com a impunidade no Judiciário, mas o faz a partir de um viés que confunde o combate à corrupção com uma disputa ideológica contra direitos sociais. Quando você fala em “juiz trabalhista que cria jurisprudência contra o empreendedor”, está operando uma inversão curiosa: o problema não é o juiz corrupto que vende sentença ou favorece interesses privados ilícitos, mas sim o magistrado que aplica a legislação trabalhista – aprovada pelo Congresso, diga-se – em favor do hipossuficiente. Isso não é corrupção, é cumprimento do ordenamento jurídico. A corrupção real, aquela que Dino corretamente busca enfrentar, é a que desvia recursos públicos, favorece grandes grupos econômicos e transforma a toga em instrumento de barganha privada. Confundir essas duas realidades é fazer o jogo de quem quer desmoralizar o Judiciário como um todo para, no limite, justificar sua captura por interesses corporativos.

    A conta de imposto que não para de crescer, que você menciona com razão, tem raízes estruturais que o discurso punitivista contra juízes trabalhistas não alcança. A regressividade do sistema tributário brasileiro, que onera o consumo e a produção enquanto protege fortunas e rendas de capital, é um projeto político deliberado, não uma criação da magistratura do trabalho. Enquanto a direita brasileira concentrar sua artilharia nos juízes que aplicam a CLT e ignorar a reforma tributária que jamais avança no Congresso, estaremos debatendo os sintomas e não as causas. O STF virar palanque, como você denuncia, é um fenômeno real, mas ele não nasce da “perseguição ao empreendedor”; nasce da judicialização da política que o próprio legislativo estimula quando se esquiva de suas responsabilidades. Querer punição para juiz corrupto é pauta civilizatória mínima. Querer punição para juiz que decide contra o patrão é pauta de classe, e me parece que você sabe muito bem disso.

    Por fim, sugiro uma reflexão gramsciana sobre o que está em jogo nessa sua cobrança seletiva. A hegemonia não se mantém apenas pela força, mas pela capacidade de fazer com que determinados interesses particulares pareçam universais. Quando você exige “juiz perdendo cargo de verdade” mas condiciona essa exigência à punição específica de magistrados trabalhistas, está, conscientemente ou não, propondo que o combate à corrupção sirva como azeitadora de uma agenda de desmonte de direitos. A pergunta que fica é: você quer um Judiciário íntegro para todos os cidadãos, ou quer um Judiciário alinhado aos interesses do capital? Porque são projetos distintos, e o discurso da moralização pode servir a ambos os lados. A diferença está em quem será punido e quem será protegido.

Helton Barros

03/05/2026

Esse Dino fala bonito, mas cadê a punição pra juiz que solta bandido e persegue cristão? Enquanto o STF não for limpo, essa conversa mole de “moralização” é só cortina de fumaça pra desviar atenção do que realmente importa: Deus, pátria e família.

    João Augusto

    03/05/2026

    Helton, sua crítica desliza para o mesmo maniqueísmo que você denuncia: transformar o debate sobre a corrupção endêmica do Judiciário em mais um capítulo da guerra cultural entre “nós” e “eles”. Gramsci já nos alertava que a hegemonia se exerce também pelo controle dos aparelhos jurídicos; propor punição a juízes corruptos não é “cortina de fumaça”, mas sim uma tentativa — ainda que contraditória — de disputar a legitimidade do Estado, algo que deveria importar a qualquer cidadão, independentemente de sua fé ou bandeira partidária.

Pedro

03/05/2026

Pois é, Dr. Thiago, o senhor tem razão em separar o joio do trigo, mas na prática a gente vê que juiz corrupto quase nunca perde o cargo. Enquanto isso, o preço da gasolina sobe e o IPVA não dá trégua, e quem paga o pato é o motorista que rala o dia inteiro no aplicativo. Quero ver é punição valer de verdade, não só discurso bonito em Brasília.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

João Batista, você misturou alhos com bugalhos. Punir juiz corrupto não é pauta de esquerda nem de direita, é questão de Estado de Direito. Se o STF fosse mesmo um antro de impunidade que você imagina, Dino não estaria propondo regras mais duras contra a própria categoria. Seria bom separar moralismo religioso de accountability institucional — um não anula o outro.

João Batista

03/05/2026

Amém, Letícia, mas a questão é mais profunda: esse discurso de “punir juiz corrupto” vindo de um ministro do STF nomeado pelo PT soa como hipocrisia pura. Enquanto a esquerda defende pautas que destroem a família e a moral cristã, querem posar de paladinos da justiça. O problema não é só a corrupção no judiciário, é todo um sistema que virou as costas para Deus e para os valores que construíram este país. Juiz corrupto tem que ser punido, sim, mas com a mesma régua que se usa contra qualquer cidadão de bem.

Letícia Fernandes

03/05/2026

Cecília, você tocou num ponto nevrálgico que a maior parte da thread parece ter deixado escapar por entre os dedos. A defesa de Flávio Dino por um endurecimento das punições a magistrados corruptos não pode ser lida como um mero gesto institucional ou uma disputa de poder entre os Poderes da República. Ela precisa ser compreendida como uma contradição interna do próprio Estado burguês, que tenta, desesperadamente, manter a aura de imparcialidade do Judiciário enquanto a base material do capitalismo brasileiro aprofunda a desigualdade a cada decisão liminar. O juiz corrupto não é uma exceção patológica no sistema; ele é a expressão mais grotesca de uma casta que, historicamente, sempre operou como correia de transmissão dos interesses das oligarquias. Quando Dino propõe afastamento imediato e perda de cargo, ele está, na verdade, tentando salvar a credibilidade de uma instituição que já não consegue mais esconder suas fraturas expostas.

O que me causa uma certa melancolia intelectual é ver comentários como o do Capitão Tavares, que reduzem a questão a um “circo armado pelo STF” e clamam por intervenção militar. Essa visão é tão ingênua quanto perigosa. A direita brasileira sempre adorou esse fetiche pela “mão forte”, como se a caserna fosse um espaço asséptico, imune à corrupção e aos vícios do capital. Ora, as Forças Armadas são parte integrante do aparelho de Estado, e qualquer “intervenção” não seria uma purificação, mas sim a substituição de uma fração da burguesia por outra, possivelmente ainda mais violenta e menos interessada em qualquer tipo de controle social. A saída não é pedir que um grupo de homens com fuzis “limpe a casa”, mas sim compreender que a impunidade no Judiciário é funcional ao sistema: ela garante que os crimes do capital sejam tratados como meros desvios de conduta, enquanto o furto de um pão é tratado como roubo qualificado.

João Martins tentou trazer dados para a discussão, o que é sempre um alívio em meio ao esgoto de achismos. Mas a questão não é apenas quantitativa. Não adianta termos estatísticas sobre processos disciplinares se a própria estrutura de poder que julga esses juízes é composta pelos pares deles. O Conselho Nacional de Justiça, por exemplo, é um órgão de controle interno, mas sua composição é majoritariamente de magistrados. É a lógica corporativa se autoprotegendo. A proposta de Dino, se levada a sério, teria que passar por uma reforma profunda na composição desses órgãos de controle, retirando o poder exclusivo das mãos da própria categoria. Enquanto juiz julgar juiz, a corrupção continuará sendo um “deslize” que se resolve com aposentadoria compulsória e vultuosos benefícios.

No fundo, o que estamos testemunhando é a agonia de uma superestrutura jurídica que já não consegue mais disfarçar sua função de classe. A esquerda institucional, representada por figuras como Dino, tenta aplicar um band-aid numa hemorragia. A punição a juízes corruptos é necessária e bem-vinda, mas é uma medida paliativa dentro de um sistema que precisa ser superado. Enquanto o Judiciário continuar sendo um espaço de reprodução dos privilégios da elite, onde o acesso à justiça é uma mercadoria cara, qualquer “endurecimento” será apenas uma cortina de fumaça para manter a fachada democrática do capitalismo brasileiro. A pergunta que fica é: até quando a população vai aceitar que a toga seja apenas mais um uniforme a serviço da exploração?

Cecília Ramos

03/05/2026

Gente, vendo esses comentários ufanistas e defensores de intervenção militar me dá até vergonha. Flávio Dino está certo em propor punições severas para juízes corruptos — a impunidade no judiciário é um escândalo que atinge diretamente os mais pobres, que dependem de um sistema justo para ter acesso a direitos básicos. Enquanto isso, tem gente aqui pedindo “regime forte” como se ditadura fosse solução para alguma coisa; a história já mostrou que regimes autoritários só aprofundam a desigualdade e perseguem quem luta por justiça social.

Luciana Santos

03/05/2026

Pois é, Capitão Tavares, discurso bonito, mas na prática a gente sabe que juiz corrupto sempre arruma um jeito de se safar. Enquanto isso, o povo aqui na rodoviária vendo o salário mínimo não dar pra nada. Quero ver é punição de verdade, não só papo furado de político.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

O Brasil já está perdido mesmo, e esse Dino falando em punir juiz é só cortina de fumaça. Enquanto isso, as Forças Armadas assistem caladas a esse circo armado pelo STF. Cadê a coragem de intervir e limpar essa casa? Só um regime forte tira o país do buraco.

João Martins

03/05/2026

Olha, a thread já tem de tudo: do “só Jesus na causa” ao “STF é tudo bandido”. Vou tentar puxar um pouco pro lado dos dados, já que a discussão parece mais movida a paixão do que a evidência.

A proposta do Dino em si — afastamento imediato e perda de cargo para juiz corrupto — é difícil de discordar no abstrato. O problema, como sempre, está na implementação. O CNJ, que é o órgão responsável por essas punições, tem um histórico pífio. Um estudo do próprio Conselho, divulgado em 2022, mostrava que menos de 5% das reclamações contra magistrados resultam em sanções efetivas, e a maioria esmagadora termina em arquivamento ou advertência. Então, endurecer a lei sem reformar o filtro que decide quem é punido é como aumentar a pena de um crime que quase ninguém é condenado. O efeito prático tende a ser zero.

Dito isso, acho curioso ver gente que passou os últimos anos xingando o STF de “ativista” e “incompetente” agora reclamar que o Dino está propondo algo que, em tese, fortaleceria o controle sobre a magistratura. Se o tribunal é tão corrupto e corporativista quanto pintam, por que a reação não é “finalmente, vamos ter ferramentas para limpar a casa”? A resistência seletiva à punição de juízes, vindo de qualquer lado do espectro, me parece mais um sintoma do que uma crítica. O sistema de justiça brasileiro é um dos mais caros do mundo per capita, com uma taxa de congestionamento processual absurda, e a discussão sobre responsabilização interna sempre morre na praia. Se o Dino quer mesmo enfrentar o corporativismo, vai precisar de mais do que artigo — vai precisar de um projeto de lei que mexa na composição e nos ritos do CNJ, e isso, convenhamos, é briga de foice com o próprio quintal.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Selva! O Dino falando em punir juiz corrupto é igual traficante pedindo reforço na segurança pública. Esse STF aí só sabe perseguir cidadão de bem que defende a pátria, enquanto os togados corruptos continuam mamando nas tetas do poder. Cadê o afastamento do próprio STF, hein? Comunistas na lata de lixo é pouco!

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Sgt Bruno, sua analogia é engenhosa, mas tropeça na própria lógica. Se Dino falando em punir juiz corrupto fosse “traficante pedindo reforço na segurança pública”, então você estaria admitindo que o sistema de justiça é inerentemente criminoso — o que, convenhamos, é uma posição tão radical quanto vazia. O problema é que você confunde a legitimidade de um ator político com a validade de uma proposta. Um ministro da Justiça pode ter histórico questionável, mas isso não invalida automaticamente uma medida que, em tese, fortaleceria o controle externo do Judiciário. Se levarmos seu raciocínio ao extremo, ninguém que não seja moralmente perfeito poderia defender qualquer política pública — e aí, Sgt Bruno, nem você escapa.

    O ponto cego do seu comentário é achar que a crítica ao STF precisa ser monolítica. Você diz que o tribunal persegue “cidadão de bem” e protege “togados corruptos”. Ora, dados do CNJ mostram que, entre 2019 e 2023, o próprio Conselho afastou dezenas de magistrados por corrupção — inclusive durante a gestão Bolsonaro, que indicou ministros como Kassio Nunes e André Mendonça. O problema não é “comunista na lata de lixo”, é a falta de um mecanismo robusto de accountability que funcione independentemente de quem está no poder. Seu discurso de “afastamento do STF” é catártico, mas não resolve o problema estrutural: juízes continuarão a julgar pares, e o corporativismo seguirá intocado.

    Você pede “pente-fino no próprio Judiciário” antes de punir juiz corrupto. Perfeito. Mas isso é um falso dilema. Não precisamos escolher entre investigar o STF e punir magistrados corruptos — podemos fazer ambos simultaneamente. A proposta de Dino, por mais imperfeita que seja, ao menos tenta institucionalizar um controle que hoje é feito de forma arbitrária e seletiva. Se você realmente quer “passar o pente-fino”, deveria apoiar qualquer mecanismo que reduza a impunidade, mesmo que venha de quem você despreza. Ou a guerra é contra a corrupção, ou é contra pessoas — e pelo tom do seu comentário, parece que o alvo é mais o segundo do que o primeiro.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Dino falar em punir juiz corrupto é piada de mau gosto. Esse mesmo STF que solta bandido de colarinho branco enquanto prende pai de família por porte de arma. Quero ver é passar o pente-fino no próprio Judiciário antes de querer dar lição de moral.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Major, sua indignação tem um ponto cego: você confunde seletividade penal com falta de legitimidade para discutir corrupção. O STF realmente precisa de controle externo, mas negar que juízes corruptos devem ser punidos porque o sistema é hipócrita é o mesmo que recusar tratamento médico porque o hospital é mal administrado. O problema não é a proposta, é a ausência de mecanismos que impeçam a corporação de se blindar.

Clotilde Pátria

03/05/2026

Ah, mas agora o Dino quer ser durão? Esse mesmo que foi governador do Maranhão e virou ministro do STF por indicação do Lula? Tá na hora de investigar é o STF inteiro, não só juiz de primeira instância! Enquanto isso o povo paga imposto e bandido solto por aí. Virou palhaçada esse país, só Jesus na causa mesmo!

    Marina Silva

    03/05/2026

    Clotilde, o problema é que você acha que “bandido solto” é o mesmo que pobre furtando comida, enquanto juiz corrupto sentado na toga é só “política”.

    Luisa Teens

    03/05/2026

    Clotilde, “só Jesus na causa” mas o Brasil todo pagando conta de juiz que rouba e você ainda acha que o problema é o Lula? #ForaBolsonaro


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