O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a recente conversa telefônica entre Vladimir Putin e Donald Trump tem alcance limitado diante da multiplicidade de crises que afetam o planeta.
Peskov explicou que o diálogo direto entre líderes é útil, mas o número e a gravidade dos focos de tensão tornam impossível reverter tendências negativas em apenas alguns minutos de conversa. O contato foi acertado em tempo recorde pelos canais diplomáticos.
O porta-voz reiterou que resultados concretos só virão de negociações prolongadas e de respeito mútuo às preocupações de segurança de cada país. Segundo a agência Sputnik, Putin aproveitou a ligação para sinalizar disposição de declarar uma trégua temporária durante as comemorações do Dia da Vitória.
A proposta ainda aguarda definição de horários específicos. Peskov acrescentou que o governo russo não recebeu resposta de Kiev à oferta de cessar-fogo.
Qualquer pausa nos combates depende de reciprocidade para garantir a segurança das tropas e dos civis nas regiões em disputa. O porta-voz lembrou que o feriado de 9 de Maio tem forte carga simbólica na memória coletiva russa, por marcar a derrota do nazismo.
Peskov defendeu que um cessar-fogo nessa data poderia abrir espaço humanitário para a população afetada pelo conflito. Ao ser questionado sobre a confiabilidade das estatísticas oficiais, ele declarou que Putin confia plenamente nos números divulgados pelo Banco Central da Rússia, apesar da queda de 0,3% no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre.
O porta-voz avaliou que a política de esfriamento adotada para conter pressões inflacionárias já mostra resultados. O governo trabalha em novas medidas para transformar o recuo trimestral em trajetória ascendente.
Peskov sustentou que o desempenho econômico russo continua resiliente mesmo sob sanções ocidentais, graças ao fortalecimento das exportações para parceiros e à expansão de investimentos em infraestrutura interna. Outro ponto abordado foi a cooperação com o Mali, onde a Rússia permanecerá engajada no combate ao terrorismo a pedido das autoridades de Bamaco e em conformidade com o direito internacional.
Relatório do Ministério da Defesa russo revelou que unidades do Corpo Africano frustraram, em 25 de abril, uma tentativa de golpe envolvendo mais de 2,5 mil combatentes e apoio de mercenários ucranianos e europeus. Para o Kremlin, o episódio confirma a necessidade de apoiar parceiros africanos ameaçados pela instabilidade patrocinada externamente.
Ao concluir, Peskov reiterou que Moscou seguirá aberta ao diálogo com Washington, mas insistiu que apenas abordagens multilaterais e o reconhecimento das novas realidades geopolíticas poderão reduzir a escalada de conflitos. O respeito às preocupações legítimas de segurança de cada nação é, para o porta-voz, condição inegociável para qualquer avanço duradouro rumo à paz.
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Rick Ancap
03/05/2026
Mariana, dois homens brancos privilegiados? Trump e Putin são estadistas que construíram impérios enquanto você provavelmente mora com os pais e paga boleto com cartão de crédito.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Rick, “construir impérios” pra você é enriquecer na bolsa enquanto terceiriza produção e manda direito trabalhista pro lixo? Vem passar um dia no chão de fábrica pra ver o que sobra desse império pra quem realmente produz.
Mariana Oliveira
03/05/2026
Marta, você tocou num ponto crucial quando disse que a simplificação do Padre Antônio não se sustenta na história. O que me impressiona nessa fala do Kremlin é justamente a honestidade brutal: um telefonema entre dois homens brancos, poderosos e privilegiados não vai resolver a teia de conflitos que assola o planeta. É a mesma lógica que Kimberlé Crenshaw, a teórica que cunhou o termo interseccionalidade, denuncia quando mostra que soluções únicas ignoram as múltiplas camadas de opressão. Enquanto Putin e Trump negociam esferas de influência, quem morre são mulheres negras na Ucrânia, crianças palestinas, trabalhadores imigrantes na Europa. A paz não se faz com telefonemas de cúpula; se faz com justiça distributiva e reconhecimento das vulnerabilidades que esses senhores sequer enxergam.
Maria Aparecida, você foi cirúrgica ao lembrar que o nome de Cristo já foi usado para abençoar impérios. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos alerta que a educação para a liberdade exige desconfiar de discursos que naturalizam hierarquias. Quando o porta-voz de Putin diz que o alcance da conversa é limitado, ele está, sem querer, admitindo que a lógica da guerra é estrutural, não fruto de um “mundo sem Deus”. A guerra é lucrativa para uns, mortal para outros. O problema não é a secularização; é o capitalismo racial e patriarcal que transforma corpos descartáveis em estatísticas.
Rubens, você trouxe a memória de um tempo em que a fome diminuía com políticas públicas reais, e isso é essencial. Lembro de bell hooks escrevendo que a teoria só tem valor quando enraizada na prática de quem vive a margem. O que o Kremlin minimiza é que o tal “alcance limitado” do telefonema é, na verdade, a confissão de que o sistema global de poder não se importa com a maioria da população mundial. Enquanto a mídia foca no que Trump e Putin conversaram, o que importa é que a invasão russa na Ucrânia matou milhares de pessoas, que o Sudão está em colapso, que a Palestina sangra. A interseccionalidade nos obriga a perguntar: quem está sendo deixado para trás nessa “paz” de homens brancos?
Padre Antônio, com todo respeito, mas a “ordem natural” que o senhor invoca é a mesma que justificou a escravidão, a colonização e a submissão das mulheres. A paz verdadeira não vem de um deus que endossa hierarquias, mas de uma práxis que reconhece que todas as vidas importam. Como diz Crenshaw, sem um olhar interseccional, a justiça é sempre parcial. Enquanto a Rússia e os EUA jogam xadrez geopolítico, quem paga o preço são os corpos racializados e feminizados que sustentam a economia global. O telefonema é só mais um capítulo de uma história que precisa ser reescrita com outras vozes no centro.
Rubens O Pescador
03/05/2026
Dona Maria Aparecida, a senhora falou tudo. Lá na roça, a gente via que o problema nunca foi Deus ou a falta dele, era a fome mesmo. No tempo do Lula, o povo pobre tinha o que botar na mesa, os conflito no mundo até diminuíram. Agora é só guerra e miséria pra todo lado, e esses entendido aí querem culpar quem não vai na igreja. É o fim da picada.
Padre Antônio Rocha
03/05/2026
Mais uma prova de que o mundo secularizado, que abandonou a Deus, só colhe guerras e discórdia. Enquanto os governantes confiam em telefonemas vazios e acordos humanos, o único caminho para a paz verdadeira é o retorno aos valores cristãos e à ordem natural querida por Deus.
Maria Aparecida
03/05/2026
Padre Antônio, concordo que sem Deus perdemos o rumo, mas o problema não é só o mundo secular — é que usamos o nome de Cristo pra abençoar impérios e explorar pobres. O Evangelho que Jesus pregou era de partilha, não de ordem natural que mantém ricos no topo e miseráveis na base.
Marta
03/05/2026
Padre Antônio, com todo respeito que o senhor merece como homem de fé, mas essa história de que o mundo secularizado é o culpado pelas guerras é uma simplificação que não se sustenta nem na Bíblia nem na história. O senhor sabe muito bem que as piores guerras da humanidade foram travadas entre nações cristãs, benzidas por padres e bispos. A Guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, as duas Grandes Guerras mundiais — todas tiveram líderes que iam à missa e invocavam o nome de Deus antes de mandar bombas em crianças. O problema não é a secularização, padre. O problema é o poder, o capital e a ganância, que usam a religião como escudo moral enquanto saqueiam os pobres.
A senhora Maria Aparecida tocou num ponto crucial: o Evangelho que o senhor prega é o mesmo que justificou a escravidão, a Inquisição e o genocídio dos povos originários nas Américas. O tal “retorno à ordem natural” sempre foi o argumento dos poderosos para manter tudo como está — o rico no palácio e o pobre na senzala. Enquanto isso, o Lula está tentando reconstruir um país quebrado pela farra neoliberal, distribuindo comida, emprego e dignidade. Isso sim é amor ao próximo de verdade, não discurso vazio de púlpito.
O senhor critica os telefonemas vazios, mas o que o senhor acha que são as orações sem ação concreta? Rezar pelo fim da guerra enquanto se vota em político que corta verba da merenda escolar é hipocrisia pura. Se o senhor quer paz de verdade, devia estar na luta contra a fome, contra a exploração, contra o desmatamento que expulsa o povo do campo. O Evangelho não é sobre “ordem natural”, é sobre distribuir o pão e chamar os fariseus de hipócritas. E, me perdoe a franqueza, mas esse discurso de “volta aos valores cristãos” cheira a fascismo disfarçado de piedade. O senhor precisa sair da sacristia e ver o Brasil real.